26/05/2008

E-mail evita guerra na fronteira do Brasil com Peru

JORNAL NACIONAL, EDIÇÃO DO DIA 26/05/2008

Assista a reportagem AQUI






No Brasil, a tecnologia também está unindo pessoas e provocando mudanças profundas. Nesta semana, o Jornal Nacional vai exibir uma série de reportagens sobre o crescimento do uso do computador e da internet e o poder dessas ferramentas.

Nesta segunda, os repórteres Flávio Fachel e Alberto Fernandez vão contar a história de uma mensagem eletrônica que evitou uma guerra.

Internet. Um bilhão de pessoas conectadas em todo o planeta, 150 milhões de páginas, dois milhões de e-mails por segundo cruzando os continentes na velocidade de um clique.

Que poder teria uma mensagem dessas para um povo com tradição guerreira milenar no meio da floresta?

Alto-Juruá, fronteira do Brasil com o Peru, no Acre, terra dos Ashaninka. As mulheres cuidam da comida, das roupas, das crianças; os homens não descuidam da vigilância. Na mata, nos rios e até nos programas de recados no rádio que vão ao ar todos os dias na região.

Eles não buscam só recados. Procuram pistas que indiquem a presença de invasores vindos do outro lado da fronteira. Madeireiros peruanos de olho no cedro e no mogno existentes na reserva indígena.

Não é seguro usar nem um tradicional rádio, presente em quase todas as aldeias da Amazônia.

“Falta ter segurança, porque às vezes tem coisa secreta que só a Polícia Federal e nós podemos saber”, explica um índio.

A reunião ao luar, em volta da fogueira, é decisiva: "Umanarentzi", dizem os Ashaninka. Significa guerra. Guerra contra os invasores.

De um lado, madeireiros peruanos, equipados com rádios sofisticados, de longo alcance e armas de grosso calibre, até fuzis.

De outro, os índios Ashaninka se defendendo como sempre se defenderam: usando seus arcos e flechas.

Assim que encontraram esse novo inimigo, os índios logo perceberam que iam precisar de armas bem mais poderosas.

Uma antena para conexão, um painel solar para a energia, um computador, que só cinco índios sabem operar. Foi Benki, o filho do cacique, que teve a idéia de levar tecnologia para os guerreiros da floresta.

A decisão da tribo de enfrentar os invasores virou mensagem eletrônica espalhada para ONGs de todo o mundo. E enviada também para o Governo Federal.

"Queremos solicitar a presença das autoridades do nosso país", escreve um índio.

As reivindicações indígenas foram recebidas na Presidência da República. A mensagem foi repassada para a Polícia Federal e para o comando do Exército.

Os arcos e flechas Ashaninkas foram reforçados por um esquadrão de helicópteros das Forças Armadas. O Estado respondeu ao e-mail vindo da floresta, prendeu os invasores e as toras retiradas de forma ilegal foram dinamitadas.

Os helicópteros foram embora e os Ashaninkas continuam a vigilância na fronteira. Só que, agora, os arcos e as flechas ganharam a força da comunicação instantânea, que faz toda a diferença para quem vive isolado na mata.

A munição tecnológica que reforçou os Ashaninkas veio de uma ONG, o Comitê para Democratização da Informática, que já ajudou a levar a internet para quatro aldeias da Amazônia.

“Os Ashaninkas descobriram uma forma de usar a internet como uma ferramenta de libertação. Essa prática deve ser adaptada a realidades distintas de comunidades diferentes, mas ela é a mesma, ela faz com que essas pessoas possam efetivamente se inserir num novo mundo”, disse Rodrigo Baggio, diretor-executivo do CDI.

O computador que agora ajuda os índios a cuidar da fronteira é o mesmo que está chegando nas casas de muitos brasileiros.

De 2000 a 2007, a quantidade de gente com acesso à Internet no Brasil saltou de cinco milhões para 39 milhões de pessoas. Foi o segundo maior crescimento registrado no planeta.

Mesmo assim, na reportagem desta terça, você vai descobrir que tem brasileiro que não conseguiu um lugarzinho nessa grande janela aberta para o mundo.




05/05/2008

Aldeia dos Ashaninkas

Ministro Gilberto Gil visita terras indígenas no município de Marechal Thaumaturgo (AC)

por Patrícia Saldanha*

Foto Comunicação Social/MinC










Rio Amônia correnteza acima, em direção à fronteira com o Peru, numa pequena embarcação de madeira, no município de Marechal Thaumaturgo (AC), o primeiro ministro de Estado brasileiro a pisar em terras indígenas Ashaninka, Gilberto Gil, pôde vivenciar in loco a diversidade da Cultura dos diferentes povos que compõem o país. A visita, realizada entre os dias 1º e 2 de maio, encerrou a viagem de uma semana que a comitiva do Ministério da Cultura (MinC) fez a três estados da Região Norte.

O ministro visitou a área indígena Ashaninka acompanhado dos secretários de Incentivo e Fomento à Cultura (Sefic/MinC), Roberto Nascimento, e de Programas e Projetos Culturais (SPPC/MinC), Célio Turino, além de gerentes e assessores. Os contrastes foram se esboçando já no caminho de ida. Ao atravessar o assentamento do Incra no rio Amônia, alguns quilômentros antes de chegar à área indígena, o ministro pôde observar o impacto que a última cheia do mês de janeiro causou às margens desmatadas do rio, em oposição à floresta intacta que margeia o Amônia, na reserva Ashaninka.

Foto Comunicação Social/MinC










Em conversa com os líderes que o receberam, Gil utilizou metáforas sobre a harmonia e desarmonia existentes na natureza, para destacar a importância de as comunidades autóctones do Brasil buscarem uma postura de mais integração e menos resistência, de maior intercâmbio cultural com a sociedade brasileira. “É preciso que o ideal da vida prevaleça sobre o ideal da luta”, disse. O ministro da Cultura reforçou a importância dos Pontos de Cultura indígenas usufruírem da tecnologia digital e audiovisual na preservação e divulgação de suas culturas. Também ressaltou a necessidade de se fazer uso consciente desses recursos, com avaliação constante pela própria comunidade dos danos e benefícios advindos dessas tecnologias.

Ponto de Cultura

Gilberto Gil visitou o Centro de Formação Yorenka Ãtame - Saberes da Floresta para conhecer os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo Ponto de Cultura da Associação Ashaninka do Rio Amônia, vinculada ao Programa Cultura Viva, da SPPC/MinC. Coordenado pela liderança Ashaninka, Benki Piãko, o Centro ensina a jovens índios e não-índios como realizar o manejo sustentável da floresta, sem causar danos ao meio-ambiente. “O Yorenka Ãtame foi criado pela necessidade de comunicação com a comunidade envolvente e para discutirmos os problemas que enfrentamos com a invasão de nossas terras”, comentou Piãko.

Hoje, o centro indígena tem uma dimensão maior, além de trabalhar com jovens e crianças da localidade, articula os demais povos nativos do Alto Juruá, na luta pela preservação da identidade cultural e pelo resgate dos saberes dos antepassados. Lideranças de outros três povos da região foram recepcionar o ministro Gil, na aldeia Apiwtxa. O exemplo da organização e do orgulho de ser indígena, do povo Ashaninka, tem influenciado as demais etnias aborígines do Rio Amônia. Índios que moram dispersos nas margens do rio e chamam a si próprios de caboclos, manifestaram ao ministro, o desejo de serem novamente reconhecidos como índios e se reagruparem em aldeias.

A liderança Francisco Ashaninka, secretário de Assuntos Indígenas do Governo do Acre, formalizou ao ministro Gil e ao secretário Célio Turino, o pedido para transformar o Centro Yorenka Ãtame em Pontão da Cultura dos Povos Indígenas. Ele disse que a solicitação visa reforçar a articulação com os demais povos da região e ampliar os trabalhos de conscientização dos colonos e ribeirinhos sobre a necessidade de preservar o meio-ambiente e diminuir os danos causados à floresta, pelo desmatamento.

Confraternização na Aldeia

As nuvens esconderam o céu da floresta durante toda à noite e uma chuva esparsa impediu os anfitriões de realizarem a programação cultural de cânticos e danças que haviam planejado. A alternativa foi a mostra de slides e vídeos feitos com apoio da Organização Não Governamental (ONG) Vídeo nas Aldeias, sobre as realizações da comunidade. Homenageado com uma cantiga indígena pelo cacique Antônio Ashaninka, o ministro retribuiu com a apresentação de uma música de sua autoria, o Cordel da Banda Larga.

* Patrícia Saldanha, Comunicação Social/MinC, 05/05/2008

30/04/2008

Ministro da Cultura Gilberto Gil visita a Escola Yorenka Ãtame Saberes da Floresta e a Comunidade Apiwtxa

Arquivo pessoal












Nesta semana, entre os dias 28 de abril e 2 de maio, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, vai aos estados do Amapá, Roraima e Acre para lançar programas e projetos para o fortalecimento das atividades culturais na Região Norte.

No Acre e no Amapá, irá assinar acordos de cooperação do Programa Mais Cultura com os governos dos estados, anunciar projetos culturais e conhecer ações de Pontos de Cultura, comunidades indígenas e quilombolas. Já em Roraima, vai lançar, em parceria com o Banco da Amazônia, o Programa Amazônia Mais Cultura, com linhas de crédito, microcrédito e patrocínio para atividades culturais de toda a região.

Esse pacote de medidas é uma das estratégias do Ministério da Cultura para ampliar o apoio e os investimentos do Governo Federal nos estados do Norte. A partir da política de descentralização orientada pelo MinC, nos últimos cinco anos, os investimentos na região aumentaram 13 vezes - de R$ 2,4 milhões, em 2003, para R$ 31 milhões, em 2007.

“Historicamente, o Estado brasileiro investia pouco na Região Norte. Por um lado, isso se devia aos governos, mas por outro, era conseqüência da demanda ainda incipiente da própria região, que enviava poucos projetos ao MinC”, explica o ministro Gilberto Gil. “Nesses cinco anos, já conseguimos mudar parte desse quadro, agora queremos multiplicar esses avanços. Por isso, além do Programa Mais Cultura, que vai unir esforços das três esferas de governo e da sociedade civil para fortalecer o desenvolvimento cultural da região, também faremos nesse ano uma série de oficinas para que cidadãos e produtores do Norte possam se capacitar na elaboração, produção, captação e gestão de projetos culturais”, completa.

AGENDA

No dia 1º de maio, o ministro da Cultura segue para Marechal Thaumaturgo (AC), onde conhecerá a Escola Yorenka Ãtame - Saber da Floresta, iniciativa desenvolvida pela comunidade indígena da Reserva Ashaninka, que funciona como espaço de formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região do Alto Juruá. Na ocasião, ele anunciará parceria com a Rede de Povos da Floresta, organização da sociedade civil que desenvolve ações de inclusão digital, de preservação ambiental e defesa dos povos tradicionais em cerca de 200 comunidades.

A parceria prevê o lançamento de 80 prêmios no valor de R$ 15 mil, cada um, para Povos da Floresta e Culturas Tradicionais. A idéia é apoiar comunidades que ainda não têm estrutura para se tornar Pontos de Cultura, disponibilizando recursos para o desenvolvimento de suas ações culturais. O projeto está em fase de elaboração e deve ser lançado ainda no segundo semestre deste ano.

Na tarde do dia 1º de maio, o ministro Gil vai visitar o Ponto de Cultura Associação Ashaninka do Rio Amônia, na comunidade indígena Apiwtxa. A comunidade fica a aproximadamente 80Km de Marechal Thaumaturgo e 350km de Cruzeiro do Sul, nas proximidades do limite com a Reserva Extrativista do Alto Juruá e o assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Demarcada em 1992 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a aldeia abriga 400 habitantes, o que representa cerca de 80% dos ashaninkas brasileiros. No dia 2 de maio, encerra sua missão oficial na Região Norte, retornando ao Rio de Janeiro.

SAIBA MAIS:

Cultura no Norte
Ministro da Cultura viaja a estados da região para lançar pacote de medidas para o desenvolvimento de ações culturais
, Publicado por Comunicação Social/MinC, 28/04/2008

Ministro da Cultura chega nesta quarta-feira a Rio Branco, Publicado por Agência de Notícias do Acre, com informações da Assessoria do MinC, 29/04/2008

23/04/2008

Apiwtxa participa da Exposição Amazônia Brasil em Nova York



















Exposição Amazônia Brasil em Nova York será o maior evento já realizado no exterior sobre a região

Uma das mais importantes exposições já realizadas no mundo sobre a região, a Amazônia Brasil, acontece em Nova York, de 22 de abril a 13 de julho de 2008. A exposição, em sua oitava edição, é organizada pelo Projeto Saúde e Alegria-PSA, e pelo Grupo de Trabalho Amazônico-GTA, que representa mais de 600 entidades da Amazônia brasileira. A direção é do médico Eugênio Scannavino Netto, coordenador do PSA, e execução da Fare Arte. A direção de arte da exposição principal, que ocorre no Píer 17, é de Gringo Cardia e grande acervo de fotos de Araquém Alcântara e Luiz Cláudio Marigo.

Conta com a parceria de diversas instituições de pesquisa, entre elas o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA e Museu Paraense Emílio Goeldi, além da colaboração das principais ONGs ligadas à Amazônia.

Um dos principais objetivos da exposição é trazer benefícios diretos às comunidades amazônicas, os verdadeiros guardiões da floresta, e valorizar as iniciativas já existentes de desenvolvimento sustentado. Também quer sensibilizar para a urgência da conservação da Amazônia na regulação climática e para o futuro do planeta.

Em Nova York o principal patrocinador será a Alcoa e Alcoa Foundation. O evento também tem a colaboração das empresas IBM e American Express Foundation e o reconhecimento do governo brasileiro, por meio dos Ministérios do Meio Ambiente, Relações Exteriores e da Cultura. Nesta edição conta também com o apoio de relevantes instituições americanas como o World Financial Center, Universidade de Nova York, a Organização das Nações Unidas-ONU, Smithsonian Institute, Central Park e o Museu do Índio Americano.

A exposição Amazônia Brasil em Nova York será a maior versão internacional da mostra, que já passou pela França (Paris), Suíça (Lausanne) e Alemanha (Bavária), depois de São Paulo, onde teve início em 2002. Com expectativa de participação de aproximadamente 400 mil pessoas, a exposição ocorrerá em vários pontos da cidade norte-americana, incluindo uma extensa programação multicultural, com a presença de artistas da música e do artesanato da região amazônica, festival de cinema, exposição fotográfica, entre outras atividades.

AGENDA

As Vozes da Amazonia Brasileira com Benki Ashaninka
Em parceria com o Smithsonian’s National Museum of the American Indian
Quinta-feira – 1 de maio
Horário: 16 h
Local: No Smithsonian’s National Museum of the American Indian

SAIBA MAIS:
Amazônia Brasil, site da Exposição
Exposição Amazônia Brasil em Nova York será o maior evento já realizado no exterior sobre a região, publicado pela Revista Fator, em 23/04/2008

11/04/2008

Amazônia Peruana: O começo do fim

Por José Carlos do Reis Meirelles Júnior

















Fui convidado pelos índios Ashaninka do rio Amônea para participar de uma reunião na aldeia Sawawo, nas cabeceiras do Rio Amônea, em território Peruano, praticamente a alguns metros além da linha de fronteira Brasil-Perú. Entre outras coisas seriam discutidas formas de desenvolvimento sustentável dos povos indígenas da fronteira, maneira delicada de dizer aos índios Ashaninka do Peru deixar de explorar madeira em suas terras.

Já sabia de antemão da presença de madeireiras legais e ilegais explorando mogno nas cabeceiras dos rios Juruá, Envira, Purus e seus afluentes. Mas tudo de ruim que imaginava não chega nem perto da realidade!

O que ocorre nesta região é um crime monumental contra a natureza, aos índios, a fauna e um atestado da mais pura irracionalidade de como nós, civilizados, tratamos o mundo, casa de todos nós.

Vamos por partes:

- A maioria das comunidades indígenas da Amazônia Peruana está envolvida com a exploração de madeira. De duas formas. Primeiro cedem suas terras para um Plano de Manejo Sustentável, em troca da regularização fundiária. O Governo Peruano reconhece as terras, mas não dá um tostão para regularizá-las. Os madeireiros fazem isso em troca de um plano de manejo. Segundo: são usados como mão de obra no serviço pesado da localização e corte da madeira.

- Os madeireiros plantam comunidades indígenas em pontos estratégicos, solicitam o reconhecimento das terras e as regularizam “para os índios” com o plano de manejo imediatamente após. Tudo de acordo com as leis Peruanas.

-Existem poucas madeireiras legais na região, como a VENAO, por exemplo, que explora madeira na comunidade Sawawo. Acontece que a maioria das madeireiras é ilegal, los ilegales, como chamam os patrícios peruanos. Como quase 100% da madeira são exportadas, e quem é ilegal não pode exportar quem está comprando toda esta madeira? As madeireiras legais, que fazem um plano de manejo bonitinho em uma comunidade, conseguem a certificação e exportam uma quantidade enorme de madeira certificada!

-Os madeireiros ilegais, além da madeira exploram a carne de caça e peixe, que são vendidos em Pucalpa.Toneladas de carne de caça, jabotis, couro de caça e peixe, são levados a Pucalpa para abastecer a cidade. O peixe está sendo pescado com dinamite nas cabeceiras dos rios. Por lá nada parece ser proibido!

-Da aldeia Sawawo, como exemplo, vai-se de caminhão até Nova Itália, na beira do Ucayali e daí pra Pucalpa. A região está toda cortada de “carreteras”, o que facilita o transporte de madeira, caça e o que mais se quiser levar.

-É tamanha a exploração de madeira que os madeireiros ilegais estavam roubando madeira do plano de manejo da aldeia Sawawo. Alguns Ashaninka se reuniram e parece que mataram alguns “ilegales”. Que também eram índios! Agora vigiam sua aldeia com uma guarda armada 24 horas por dia, com medo de retaliação e não podem mais subir o rio Amônea, nas cabeceiras, para pescar, com medo de serem mortos!

- Os índios da Amazônia Peruana estão metidos na exploração madeireira por pura falta de alternativa econômica e abandono do governo Peruano. Estão sendo algozes deles mesmos! Os madeireiros são o Estado na região. Esta é a triste verdade.

-As cabeceiras do Juruá, Purus e Envira, alem de abrigar várias comunidades indígenas conhecidas, abrigam, ou melhor, abrigavam, vários povos indígenas isolados, que em defesa de seu território atacam os invasores e estão sendo sistematicamente mortos pelos madeireiros, que também são índios contatados e bem armados pelas firmas madeireiras.

-Os povos isolados da região estão migrando para o território brasileiro, que na fronteira com o Peru é uma faixa contínua de áreas preservadas, na maioria delas terras indígenas. E do lado de cá, além dos índios contatados e moradores de reservas extrativistas existem índios isolados. Os migrantes vão encontrar então os mesmos personagens do lado de cá que mataram seus parentes de onde vieram. Por não saber distingui-los vão atacá-los e sofrer retaliações. De novo índios vão matar índios!

-No final do ano passado e início deste algumas agressões de grupos isolados a índios em território brasileiro já ocorreram. Além de ataques ao pessoal da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) que cuida das terras dos isolados, no lado brasileiro.

-O Governo Brasileiro e o Governo Peruano sabem de tudo isso, mas não mexem uma palha para ao menos tentar solucionar a questão. Tudo fica nos protocolos de intenção, em atas de reuniões, em salas refrigeradas de encontros binacionais.

Para que os europeus e japoneses tenham seus móveis de madeira nobre e para os norte-americanos enterrarem seus mortos em caixões de mogno, uma das regiões mais lindas da Amazônia, que são as cabeceiras dos grandes tributários do Amazonas, os rios Juruá, Purus e Madeira (no Peru e Bolívia), as terras firmes, que eram reservas intocadas até bem pouco tempo, viraram uma região violenta, onde índios matam índios e a paz é uma lembrança distante.

Senhor Europeu, embutido em seu lindo móvel de mogno estão vários índios mortos.

Senhor Japonês, em sua linda casa de madeira de lei vagam fantasmas de povos isolados que morreram sem saber por que.

Senhor Norte-Americano, em seu caixão de mogno, além do cadáver do seu querido familiar estão sendo enterrados juntos outros tantos, de povos que não sabem de sua existência.

Quem sabe se a gente deixar de achar “chic” um móvel de mogno, de imburana, de ipê, de cedro rosa... Deixar de fazer varandas com esteios de maçaranduba e não se escandalizar com uma mesa de plástico, um pedaço considerável da Amazônia ainda possa ser preservado e os índios que restaram possam recolher os sobreviventes, refazer suas vidas e ser de novo um povo feliz!

Está em suas mãos.


Meirelles – Abril de 2008
Reproduzido do site da Biblioteca da Floresta Marina Silva (http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/biblioteca)

03/03/2008

Empresas madeireiras exercem o papel do Estado nas comunidades indígenas peruanas

Avaliação dos representantes do CTI presentes no I Encontro dos povos indígenas fronteiriços do Brasil-Peru, 03/03/2008.

Foto Helena Ladeira/CTI
















Povos Ashaninka do Brasil e do Peru realizaram entre os dias 25 a 27 de fevereiro na aldeia Sawawo, localizada no departamento de Ucayali (Peru), na fronteira com o estado do Acre, o I Encontro de Povos Indígenas Fronteiriços do Brasil-Peru.

O encontro foi organizado pela Apiwtxa – Associação Ashaninka do Rio Amônia, com o apoio da CPI/Acre - Comissão Pró-Índio do Acre, do CTI - Centro de Trabalho Indigenista e da RCA - Rede de Cooperação Alternativa. Estavam presentes organizações indígenas e indigenistas de ambos os países como a UCIFP – União das Comunidades Indígenas Fronteiriças do Peru, da ACONAMAC – Associação das Comunidades Asheninkas – Ashaninkas de Masisea e Calleria, da FENAMAD – Federação Nativa do Rio Madre de Deus e Afluentes, e da CIPIACI – Comitê Indígena Internacional para proteção dos povos isolados e em contato inicial da Amazônia, o Grande Chaco e a Região Oriental do Paraguai. Contou também com a participação do Governo Brasileiro, através da Coordenação Geral de Índios Isolados da FUNAI – Fundação Nacional do Índio e de representantes do Governo do Estado do Acre. Participaram ainda como ouvintes um técnico da FSC-Brasil – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, representante da empresa madeireira peruana Forestal Venao, do INRENA – Instituto Nacional de Recursos Naturais (órgão peruano equivalente ao IBAMA no Brasil), e do Ministério da Agricultura peruano.

O objetivo do encontro foi discutir o impasse criado pela exploração madeireira na fronteira entre os dois países, seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, como também discutir soluções de desenvolvimento não madeireiro.

Encaminhamentos do I Encontro de Povos Indígenas Fronteiriços do Brasil-Peru
Pontos acordados entre os dois países:
1º - Dar prosseguimento aos canais de diálogo e intercâmbio de experiências aos povos indígenas e outros povos da floresta do Brasil e Peru;
2º - Colaborar na identificação e implementação de estratégias de aproveitamento produtivo sustentável dos territórios indígenas fronteiriços de maneira a garantir fontes de subsistência e de comercialização;
3º - Acompanhar no processo de manejo florestal com intercâmbio de conhecimento em ambas as partes de fronteira;
4º - Realizar ações de controle de maneira conjunta sobre as invasões de Terra Indígenas fronteiriços;
5º - Promover intercâmbio de produtos entre as comunidades indígenas de fronteira;
6º - Que às comunidades indígenas assentadas nas zonas fronteiriças fiquem restritamente guardados o respeito territorial e o espaço de ambas as partes e o uso dos recursos naturais;
7º - Fica sobre a responsabilidade das normas comunitárias de ambas as partes o controle e a autorização respectiva para o trato com os transeuntes indígenas e não indígenas;
8º - Ambos os lados se comprometem em socializar informação e identificação de índios isolados para garantir seus direitos;
9º - Concordamos que as coordenações responsáveis pelas decisões e acordos tomados pelas comunidades indígenas e as delegações presentes neste I Encontro de Povos Indígenas Fronteiriço do Brasil-Peru seja a UCIFP – União das Comunidades Indígenas Fronteiriças do Peru, pelo lado peruano e a APIWTXA - Associação Ashaninka do Rio Amônia e a OPIRJ – Organização dos povos indígena do rio Juruá, pelo lado brasileiro;

O Encontro, que teve como proposta inicial discutir os impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, acabou assumindo outro enfoque ao longo das discussões, centrando-se mais especificamente na situação das aldeias Ashaninka do Peru, região do alto Juruá, que estão envolvidas em projetos de manejo florestal em parceria com empresas concessionárias dos lotes para a exploração de recursos madeireiros.

Durante o encontro ficou evidente a total ausência do Estado peruano, seja na prestação de serviços básicos de assistência da população, como saúde e educação, seja na área de segurança e garantia da integridade das comunidades. Na omissão do Estado, as empresas têm ocupado estes espaços, como resume Edwin Chota, liderança Ashaninka do Peru e representante da ACONAMAC: “precisamos que o governo assuma sua responsabilidade com os povos indígenas, e não que uma empresa venha para as nossas terras e assuma uma responsabilidade que é do governo. Educação, saúde, responsabilidade social é dever do governo, e não de uma empresa.”

Entre os temas abordados durante o encontro, teve destaque a questão dos contratos firmados entre as empresas concessionárias e as comunidades indígenas. Para se ter uma idéia, no caso da aldeia Sawawo e de mais 4 comunidades da região, à empresa Forestal Venao cabe 80% do lucro sobre as vendas de madeira já processada (com base em preços do mercado peruano, e não do mercado internacional, para onde segue toda a produção madeireira e onde este recurso alcança maior valor), enquanto as comunidades indígenas ficam com apenas 20% deste montante. Apesar de a empresa argumentar que arca sozinha com as despesas iniciais em benfeitorias e infra-estrutura básica para a produção (abertura de estradas para escoamento, capacitação de pessoal, maquinário), ficou evidente que o contrato é altamente lucrativo para a empresa.

A maior parte da mão-de-obra envolvida em todas as etapas do processo de extração de madeira (inclusive na abertura de estradas) é indígena. Além disso, as despesas com a atenção básica de saúde e educação e demais serviços que deveriam ser prestados pelo Estado peruano cabem à comunidade, saindo, portanto dos 20% das vendas totais de madeira. Ainda sim, verifica-se que a atenção de saúde e educação é precária – não há posto de saúde minimamente equipado, escolas com estrutura, formação e material adequado.

A atividade madeireira na região tem causado inúmeros conflitos, às vezes com mortes. De acordo com lideranças da comunidade Ashaninka Sawawo, há presença constante de madeireiros ilegais em áreas próximas à aldeia e a presença de autoridades policiais peruanas é inexistente. Quando há encontros entre índios Ashaninka e estes grupos de madeireiros, é comum haver conflito armado. Como conseqüência, algumas comunidades têm buscado estratégias próprias de proteção e o clima de tensão é constante em algumas aldeias.

Pouco se sabe a respeito da magnitude destes impactos sobre as populações de índios isolados na região, mas a julgar pela situação verificada nas aldeias Ashaninka no Peru e pelas informações que se tem da crescente migração de isolados que vivem em território peruano em direção às Terras Indígenas e para outras áreas protegidas do Acre, a projeção não parece ser muito otimista. Nenhuma autoridade do governo peruano presente no encontro sequer mencionou a existência de índios isolados na região e a disposição do Estado peruano em protegê-los dos impactos gerados pela atividade madeireira. Na ausência de um interlocutor que manifeste os interesses destas comunidades frente às autoridades governamentais, serão também as empresas que vão garantir os seus direitos? Ou, quem sabe, os madeireiros ilegais?

Estes e outros impactos parecem não estar sendo contabilizados nos planos de manejo elaborados pelas empresas madeireiras em seu “trato igualitário” com as comunidades, parafraseando a engenheira da empresa Forestal Venao, Juanita Rubina.

28/02/2008

Isaac Pinhanta

por Edvaldo Magalhães*















O presidente Lula nomeou os 15 representantes da sociedade civil para integrar o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) responsável pela TV pública. Ao lado de Claudio Lembo, Delfim Neto e Luiz Gonzaga Belluzzo, está o professor e líder indígena, da comunidade ashaninka, Isaac Pinhanta. É o Acre brilhando mais uma vez. Isaac é o coordenador da Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac). Recentemente filiou-se ao PC do B em Marechal Thaumaturgo onde disputará uma das vagas na câmara de vereador. Viva o Isaac. Para saber mais clique aqui.

* Edvaldo Magalhães, Deputado Estadual, Portal da Assembléia do Acre, 28/02/2008

Grande Encontro na Fronteira Brasil-Peru: repercussões


Povos Ashaninka dos dois lados da fronteira se reúnem em aldeia peruana. FSC diz que empresa Venao, que tem concessão em cinco terras indígenas pode perder direitos se atuar ilegalmente.
O Encontro dos Povos Indígenas Fronteiriços Brasil-Peru acontece entre os dias 24 e 28 de fevereiro na Comunidade Sawawo, marco 40 da fronteira Brasil-Peru. O encontro tem por objetivo debater sobre os impactos sociais e ambientais causados pelas concessões madeireiras em terras indígenas. A legislação peruana prevê este tipo de acordo entre comunidades e empresas privadas para a exploração de madeira. No entanto, desde 2002, os Ashaninka do Brasil denunciam a entrada de madeireiros em território brasileiro. Para Moisés Pianko, presidente da Apiwtxa "as comunidades ainda não estão percebendo com clareza o que está acontecendo." por Leandro Altheman, Radio Aldeia FM - Cruzeiro do Sul, Agência de Notícias do Acre, 27-02-2008

Indígenas discutem exploração ilegal de madeira
Há mais de duas décadas, os ashaninka denunciam a invasão na Terra do Rio Amônia pelas madeireiras peruanas. Segundo a assessoria de comunicação da Funai , os povos que moram na região da fronteira entre o Brasil e o Peru estão protegidos. Gazeta Mercantil, 21/02/2008, Meio Ambiente

Povos indígenas da fronteira com o Peru vão discutir exploração ilegal de madeira
Indígenas da etnia Ashaninka que vivem na Terra do Rio Amônia, no Acre, na fronteira do Brasil com o Peru, representantes da Comissão Pró-índio do estado e do Centro de Trabalho Indigenista do Brasil vão se reunir para discutir como combater a exploração ilegal de madeira na região. É que empresas peruanas ligadas ao setor madeireiro aproveitam a inexistência de marcos fronteiriços entre os dois países para invadir o lado brasileiro e promover desmatamento. Além de cometer crimes ambientais, eles invadem a Terra Ashaninka do Rio Amônia. Radiobrás, Agência Brasil, 21/02/2008, da Rádio Nacional da Amazônia.

Povo Ashaninka do Peru e Brasil se reúne para discutir impactos da exploração madeireira
Entre os problemas apontados estão o desmatamento de grandes áreas, locomoção forçada de índios isolados, invasão de terras indígenas e falta de fiscalização por parte do governo peruano. No encontro, as lideranças indígenas e organizações da sociedade civil pretendem buscar soluções e exigir medidas governamentais para por fim as ações criminosas que estão destruindo os povos que habitam a região da fronteira. Notícias Socioambientais, 20/02/2008, ISA, Instituto Socioambiental

Índios Ashaninka promovem encontro binacional no Peru
Os índios Ashaninka do rio Amônia denunciam desde 2004 a invasão da terra indígena e do Parque Nacional da Serra do Divisor. Povos Ashaninka dos dois lados da fronteira realizam neste fim de semana um encontro na comunidade Sawawo, no lado peruano do rio Amônia. Este já é o segundo encontro desta natureza promovido pela comunidade Apiwtxa dos Ashaninka brasileiros. Rádio Aldeia/Cruzeiro do Sul, 18/02/2008, Agência de Noticias do Acre

Ameaça na fronteira Brasil-Peru
O povo Ashaninka do Peru e do Brasil estará reunido entre os dias 24 a 28 de fevereiro na aldeia Sawawo, localizada no departamento de Ucayali (Peru), na fronteira com o estado do Acre, para um evento chamado de Encontro na Fronteira Brasil-Peru Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos. Kaxiana Agência de Notícias da Amazônia, 18/02/2008

Ameaça na fronteira Brasil-Peru
O povo Ashaninka do Peru e do Brasil estará reunido entre os dias 24 a 28 de fevereiro na aldeia Sawawo, localizada no departamento de Ucayali (Peru), na fronteira com o estado do Acre, para um evento chamado de Encontro na Fronteira Brasil-Peru: Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos. O objetivo é discutir o impasse criado pela exploração madeireira na fronteira entre os dois países, os seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, como também discutir soluções de desenvolvimento não madeireiro. Este encontro é organizado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) com o apoio da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e da Rede de Cooperação Alternativa Brasil (RCA Brasil). Blog da RCA Brasil, 18/02/2008

RCA Brasil apóia encontro indígena na fronteira Brasil-Peru
Grande encontro na fronteira Brasil-Peru: comunidades indígenas: terra, limites fronteiriços, convênios e projetos. A Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa), a Unión de Comunidades Indígenas del Peru (UCIP), a Asociación de Comunidades Nativas Asheninkas-Asháninkas de Masisea y Callería (ACONAMAC), a Federación Nativa del Río Madre de Díos y Afluentes (FENAMAD), o Comité Indígena Internacional para la Protección de los Pueblos en Aislamiento y en Contacto Inicial de la Amazonía, el Gran Chaco y la Región Oriental de Paraguay (CIPLACI) e as comunidades Sawawo e Shahuaya, com o apoio da Rede de Cooperação Alternativa Brasil (RCA Brasil), do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), realizarão o Grande Encontro na Fronteira Brasil-Peru: Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos. Blog da RCA Brasil, 11/02/2008

Mensagens dos Guerreiros
E sempre bom visitar o blog Apiwtxa, dos índios ashaninka, que estão organizando um grande encontro para avaliar as ações de exploração madeireira na região da fronteira Peru-Brasil, os seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, além de buscar soluções de desenvolvimento não-madeireiro. Nesse sentido, vale a pena conferir, ainda, a "Mensagem de um guerreiro sem arma que luta pela vida do mundo", de autoria do Benki Piyãko. Blog do Altino, 07/02/2008


18/02/2008

Ameaça na fronteira Brasil-Peru


O povo Ashaninka do Peru e do Brasil estará reunido entre os dias 24 a 28 de fevereiro na aldeia Sawawo, localizada no departamento de Ucayali (Peru), na fronteira com o estado do Acre, para um evento chamado de Encontro na Fronteira Brasil-Peru: Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos.

Papo de Índio












Lderanças Ashaninka no Brasil, e outros líderes indígenas de grupos Pano do Estado Acre, conversam com José Carlos dos Reis Meirelles Jr, da Frente de Proteção Etno-Ambiental do Rio Envira

O objetivo é discutir o impasse criado pela exploração madeireira na fronteira entre os dois países, os seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, como também discutir soluções de desenvolvimento não madeireiro.

Este encontro é organizado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) com o apoio da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e da Rede de Cooperação Alternativa Brasil (RCA Brasil). Estarão presentes também organizações indígenas e indigenistas de ambos os países e contará com a participação do Governo Brasileiro, através da Coordenação Geral de Índios Isolados da Funai – Fundação Nacional do Índio.

A política ambiental do Governo peruano é o que está motivando a realização do encontro. Essa política, através das concessões florestais, tem ameaçado a integridade do território de índios isolados, que fugindo dos desmatamentos, têm se deslocado em direção às terras indígenas do estado do Acre situadas na região de fronteira. A presença cada vez mais freqüente de grupos isolados nestas terás indígenas é vista com apreensão pelos povos indígenas do lado brasileiro, cujos territórios delimitam a fronteira Brasil-Peru.

A invasão de madeireiros peruanos se intensificou a partir de 2000, com o regime de concessão florestal peruano e a promulgação da Lei Florestal no país. Desde essa época foram abertos dois concursos de concessão de lotes, permitindo aos madeireiros instalar empresas na região. O governo peruano, no entanto, não tem se mostrado capaz de fiscalizar a atividade madeireira dentro das concessões florestais: o Instituto Nacional de Recursos Naturales (INRENA) – organismo do governo peruano equivalente ao IBAMA no Brasil – não dispõe de estrutura adequada para realizar tal atividade. Além disso, é notada a influência política dos madeireiros na região, seja em âmbito local ou departamental. O resultado são quilômetros de floresta devastada e a extração ilegal de madeiras nobres. Como no lado peruano algumas espécies de maior valor econômico já foram exploradas à exaustão, os madeireiros passaram a invadir a floresta do lado brasileiro.

Preocupados com esta situação, as lideranças indígenas e organizações da sociedade civil, brasileiras e peruanas, continuam se reunindo para discutir esses problemas, buscar soluções e exigir medidas governamentais para pôr fim nas ações criminosas que estão destruindo os povos que habitam a região da fronteira Brasil-Peru.

REALIZAÇÃO:

APIWTXA - Associação Ashaninka do Rio Amônia.
COMUNIDADE SAWAWO
COMUNIDADE SHAHUAYA
UCIP - Unión de Comunidades Indígenas del Peru
ACONAMAC - Associação das Comunidades Nativas Ashéninkas - Asháninkas de Masisea e Callería
FENAMAD – Federação Nativa do Río Madre de Dios e Afluentes.
CIPIACI - Comitê Indígena Internacional para a Proteção dos Povos em Isolamento e em Contato Inicial da Amazônia, Grande Chaco e da Região Oriental do Paraguai.

APOIO:

CPI/Acre - Comissão Pró-Índio do Acre.
CTI - Centro de Trabalho Indigenista.
RCA Brasil - Rede de Cooperação Alternativa Brasil

ORGANIZAÇÕES CONVIDADAS PARA O ENCONTRO

ASKARJ - Associação dos Seringueiros Kaxinawá do Rio Jordão.
AKARIB - Associação dos Kaxinawá do Rio Breu.
APAIH -Associação Povo Arara do Igarapé Humaitá.
APAHC - Associação Dos Produtores Agroextrativistas Huni Kui do Caucho.
ASKAP, Associação de Produtores e Criadores Kaxinawá da Praia do Carapanã.
ASPIRH, Associação de Povos Indígenas do Rio Humaitá.
ACIH, Associação Cultura Indígena de Humaitá.
MAPKAHA – Organização do Povo Indígena Manchineri do Rio Iaco.
OAYERG - Organização dos Agricultores Extrativista Yawanawá do Rio Gregório.
TERRA INDÍGENA JAVARI.
AMAIAAC, Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre.
OPIAC - Organização dos Professores Indígenas do Acre.
OPIRJ- Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá.
OPIN – Organização dos Povos Indígenas do Sul da Amazônia e Noroeste de Rondônia.
OPIRE - Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira.
OPITAR - Organização dos Povos Indígenas do Rio Tarauacá.
Associação Agroextrativista do Rio Tejo.
Associação Agroextrativista do Rio Juruá.
COIAB- Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
COICA- Coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazônica.
FUNAI- Fundação Nacional do Índio.
OIT- Organização Internacional do Trabalho Brasil.
OTCA- Organização do Tratado de Cooperação Amazônica.
Lideranças da região do rio Tamaya.
Defensoria del Pueblo de Ucayali.
Assessoria Especial dos Povos Indígenas do Estado do Acre.
IBAMA- Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis.
Prefeitura Municipal de Marechal Thaumaturgo.
Câmara dos Vereadores de Marechal Thaumaturgo.
Deputado Federal Henrique Afonso.
IMAFLORA – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola.
SMARTWOOD/Rainforest Alliance

PROGAMAÇÃO COMPLETA

Objetivo: Avaliação das ações de exploração madeireira em curso na faixa de fronteira Peru-Brasil
Período: 24 a 28 de fevereiro de 2008
Local: Comunidade Sawawo - Perú
Realização: Apiwtxa, UCIP, ACONAMAC, FENAMAD, CIPAC e comunidades Sawawo e Shawaya.
Apoio: RCA Brasil

24/02
Manhã
Chegada dos participantes
Tarde
- Esclarecimentos quanto aos objetivos do Encontro
- Contextualização dos projetos econômicos na fronteira e situação dos índios isolados.

25/02
Projetos em desenvolvimento nas terras indígenas na faixa de fronteira Brasil/Acre e Peru/Ucayali e Madre de Dios: impactos e soluções (apresentação de cada comunidade convidada).

26/02
Projetos alternativos e comunitários e cooperação (apresentação de cada comunidade convidada).

27/02
Políticas públicas e os povos indígenas (apresentação de representantes governamentais, organizações indígenas e ONGs).

28/02
Encaminhamento e elaboração de um documento como resultado do Encontro.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES SOBRE OS ASHANINKA

A grande maioria dos Ashaninka vive no Peru. Os grupos situados hoje em território brasileiro são também provenientes do Peru, tendo iniciado a maior parte de suas migrações para o Brasil pressionados pelos caucheiros peruanos no final do século XIX. Aqui os Ashaninka estão em cinco Terras Indígenas distintas e descontínuas, todas situadas na região do Alto Juruá:

• TI Kampa do Rio Amônia, contígua ao Parque Nacional da Serra do Divisor, homologada, registrada no CRI e SPU (Dec s/n de 23/11/1992) com 87.205 ha, no município de Mal. Thaumaturgo;
• TI Kampa do Igarapé Primavera, homologada, registrada no CRI e SPU (dec. s/n. de 23/04/2001) com 21.987 ha, no município de Tarauacá;
• TI Kampa e Isolados do rio Envira, homologada e registrada no CRI e SPU (Dec s/n de 11/12/1998) com 232.795 ha, no município de Feijó, onde habitam também grupos Amahuaka, inimigos históricos dos Ashaninka e que evitam o contato com indígenas e não-indígenas;
• TI Kashinawa/ Ashaninka do Rio Breu, homologada e registrada no CRI e SPU (Decreto de 30/04/2001) com 31.277 ha, nos municípios de Mal. Thaumaturgo e Jordão;
• TI Jaminawá/ Envira homologada e registrada no SPU (Decreto s/n. de 10/02/2003), nos municípios de Feijó e Santa Rosa do Purus, com 80.618 ha; onde vivem também grupos Kulina e Jaminawa.

Os dados censitários realizados por antropólogos que trabalharam com esse povo apresentam uma grande variação segundo os autores, que salientam a dificuldade de estabelecer um total populacional. No Peru, os dados variam, segundo as fontes e as datas das pesquisas, de 10 mil a mais de 50 mil indivíduos. Não obstante essas estimativas hipotéticas, todos os autores destacam a importância dos Ashaninka em termos demográficos e apresentam o grupo como um dos maiores contingentes populacionais nativos da Amazônia peruana e mesmo da bacia amazônica em geral.

Os Ashaninka pertencem a família lingüística Aruak (ou Arawak). Eles são o principal componente do conjunto dos Aruak sub-andinos, também composto pelos Matsiguenga, Nomatsiguenga e Yanesha (ou Amuesha). Apesar de existirem diferenças dialectais, os Ashaninka apresentam uma grande homogeneidade cultural e lingüística.

05/02/2008

Grande encontro na fronteira Brasil-Peru: comunidades indígenas: terra, limites fronteiriços, convênios e projetos


A Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa), a Unión de Comunidades Indígenas del Peru (UCIP), a Asociación de Comunidades Nativas Asheninkas-Asháninkas de Masisea y Callería (ACONAMAC), a Federación Nativa del Río Madre de Díos y Afluentes (FENAMAD), o Comité Indígena Internacional para la Protección de los Pueblos en Aislamiento y en Contacto Inicial de la Amazonía, el Gran Chaco y la Región Oriental de Paraguay (CIPLACI) e as comunidades Sawawo e Shahuaya, com o apoio da Rede de Cooperação Alternativa Brasil (RCA Brasil), do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI/AC), realizarão o Grande Encontro na Fronteira Brasil-Peru: Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos.

O Grande Encontro acontecerá na Comunidade Asháninka Sawawo, fronteira entre Peru (Ucayali) e Brasil (Acre), no período de 24 a 28 de fevereiro.

O Grande Encontro, resultado da articulação das organizações realizadoras, tem como objetivo avaliar as ações de exploração madeireira em curso na região de fronteira Peru-Brasil, os seus impactos socioambientais nas terras e comunidades indígenas e nos territórios dos índios isolados, como também discutir soluções de desenvolvimento não madeireiro.

O Grande Encontro terá a participação de organizações indígenas locais, regionais e internacionais, organizações de apoio e representantes dos governos peruano e brasileiro.

Veja PROGRAMAÇÃO completa do Grande Encontro na Fronteira - Comunidades Indígenas: Terra, Limites Fronteiriços, Convênios e Projetos:

Objetivo: Avaliação das ações de exploração madeireira em curso na faixa de fronteira Peru/Brasil.
Período: 24 a 28 de fevereiro de 2008.
Local: Comunidade Sawawo - Perú
Realização: Apiwtxa, UCIP, ACONAMAC, FENAMAD, CIPLACI e comunidades Sawawo e Shawaya.
Apoio: RCA Brasil, CTI e CPI/AC

PROGRAMAÇÃO:

24/02
Manhã
- Chegada dos participantes
Tarde
- Esclarecimentos quanto aos objetivos do Encontro
- Contextualização dos projetos econômicos na fronteira e situação dos índios isolados.

25/02
- Projetos em desenvolvimento nas terras indígenas na faixa de fronteira Brasil/Acre e Peru/Ucayali e Madre de Dios: impactos e soluções (apresentação de cada comunidade convidada).

26/02
- Projetos alternativos e comunitários e cooperação (apresentação de cada comunidade convidada).

27/02
- Políticas públicas e os povos indígenas (apresentação de representantes governamentais, organizações indígenas e ONGs).

28/02
- Encaminhamento e elaboração de um documento como resultado do Encontro.


25/01/2008

Lula vai ao Peru

DIPLOMACIA: PERU ANUNCIA VISITA DE LULA EM 5 DE MARÇO

O governo do Peru informou ontem que Lula visitará o país em 5 de março para discutir as relações bilaterais com o presidente Alan García. Antes disso, em 12 de fevereiro, Lula irá à Guiana Francesa, onde será recebido por Nicolas Sarkozy.

Folha de São Paulo, Brasil, 25/01/2008

19/01/2008

Binho, governador do Acre, defende potencializar integração com Peru

Em reunião com vice-ministros de Indústria e Transporte peruanos, governador reafirma compromisso do Acre com o tema

por Edmilson Ferreira*

O governador Binho Marques apresentou na noite desta quinta-feira, 17, aos vice-ministros peruanos dos Transportes, Carlos Puga, e da Indústria, Carlos Ferraro, o compromisso do Acre com o processo de integração regional de amplitude. Nesse contexto, temas como a Estrada do Pacífico, turismo, o fortalecimento da iniciativa Madre de Dios-Acre-Pando (MAP) e suas variáveis, além da integração lingüística são defendidos pelo Estado acreano.

Puga e Ferraro visitam o Acre a convite do Consórcio Conirsa, responsável pelas obras da Carretera Interoceânica, como é chamada a Estrada do Pacífico no lado peruano. Delcy Machado, diretor da líder do Conirsa, a brasileira Odebrecht, e Luiz Alberto Weyll, diretor do Conirsa, mostraram aos peruanos e brasileiros da comitiva ministerial a Iniciativa de Conservação e Desenvolvimento Sustentável, organização não-governamental gerenciada pela Odebrecht que aplica o lema "Iteroceânica Sul -integrando conservação e desenvolvimento". Trata-se da proposta de mitigação dos impactos da estrada na vida das comunidades e do meio ambiente. A iniciativa tem, entre outros, parceiros como a Conservação Internacional, o ProNatureza e o BID.

Nesta sexta-feira, 18, a comitiva peruana conhece os principais investimentos do Governo na área de economia sustentável, através da Parceria Pública, Privada e Comunitária (PPC). Serão visitados os seguintes investimentos: Parque Industrial; Álcool Verde; Fábrica de Pisos de Xapuri; Fábrica de Preservativos e o Abatedouro de Aves em Brasiléia.

Integra o grupo o empresário Julio Cáceres, que atua na produção de cimento no Peru. Participam da agenda os secretários de Estado Nilton Cosson, Gilberto Siqueira, Mauro Ribeiro, César Dotto, o diretor do Deracre Marcus Alexandre, além de assessores de governo. Siqueira mostrou ao grupo pontos importantes do Programa de Desenvolvimento Econômico Sustentável, focando as ações já realizadas e o Planejamento Estratégico para gestão 2007-2010. O Programa de Promoção do Turismo Regional e os detalhes da Infra-estrutura de Integração Regional também farão parte do ciclo de debates. Os visitantes puderam ver de perto produtos de excelência para o desenvolvimento comunitário, como o Centro de Referência de Energias Renováveis da Funtac, que conduz o programa do Fogão Gera Luz, entre outros.

Asfalto liga Rio Branco a Maldonado ainda este ano, garante Conirsa

O Conirsa já asfaltou 216 quilômetros da Interoceânica, o que representa 30% da obra calculada em cerca de 700 quilômetros de extensão naquele trecho. Com isso, segundo Carlos Alberto Weill, diretor do Conirsa, em 2008 estará completa a ligação desde a fronteira com Assis Brasil até Puerto Maldonado.

Para o governo acreano, o próximo desafio do Governo do Acre e do Peru é consolidar o processo de industrialização, gerando mais emprego e renda para a população. "A etapa de infra-estrutura já foi vencida. Precisamos avançar em outros temas", disse o secretário Gilberto Siqueira ao pedir superação das barreiras que impedem a integração.

* Edmilson Ferreira, da Agência de Notícias do Acre, 18/01/2008
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À esse respeito, leia também:
-
"Tá Brabo"
-
Graves enfrentamientos en la frontera Perú-Brasil: los pueblos indígenas se pronuncian
-
Sobre a Exploração Madeireira na Fronteira Brasil-Peru, queremos a intervenção da OIT


17/01/2008

"Tá Brabo"

por Altino Machado*

O sertanista José Carlos dos Reis Meirelles, chefe da Frente de Proteção Etno-Ambiental do Rio Envira, revelou ao blog [Blog do Altino] que uma turma de 40 índios isolados passou pela aldeia Carijó, da etnia ashaninka, localizada próxima à sua base de trabalho. Os índios erraram um tiro contra uma criança ashaninka, roubaram quase tudo das casas e fugiram.














Meirelles, vencedor da última edição do Prêmio Chico Mendes [saiba mais aqui], do Ministério do Meio Ambiente, disse que os ashaninka rastejaram, mas não encontraram, felizmente, a turma de isolados que se deslocou rumo ao rio Tarauacá.

- Estamos diante de um êxodo de isolados do Peru para o Brasil. Provavelmente um grupo que teve acesso a armas de fogo via saque. Ou então, a mando de madeireiros, estão perambulando na região dando uma de brabo. Felizmente o rio alagou como nunca nestes 20 anos que moro lá nos altos e aí fica difícil atravessar os igarapés.

E as providências que o sertanista tem sugerido aos governos estadual e federal?

- Bem, o Exército roeu a corda de uma operação que iria fazer na área. O problema é que existe um monte de firma brasileira construindo estradas no Peru, cuidado da nossa ligação com o Pacífico, e me parece que ninguém quer quizumba com o companheiro Alan Garcia. Tem um PAC entre os dois países [saiba mais aqui].** Já deu pra entender onde as pacas roem esse coco. Quando morrer um bocado de gente, talvez alguma providência. Eu disse talvez. Enquanto isso, a gente vai botando um pouquinho de areia na engrenagem que come a Amazônia. O vento é grande, o moinho maior. Sancho Pança está com pressão e colesterol alto. Rocinante nem mais relincha e Dom Quixote de La Mancha nem pinta e nem mancha. Tá brabo - concluiu Meirelles.

No alto, foto da enchente no rio D'ouro, que atingiu a casa da indigenista Paula Meirelles.

* Altino Machado, direto do Blog do Altino, 15/01/2008

** Leia mais, aqui: "Delegação peruana visita o Estado, Encontro tem o objetivo de ampliar e fortalecer as parcerias e acordos visando viabilizar negócios de interesse comum que surgem com a abertura da Estrada do Pacífico"

14/01/2008

Rio Juruá sobe e Defesa Civil emite alerta em Cruzeiro

Vice-governador César Messias percorre o Juruá junto com Bombeiros para avaliar a situação

por Edmilson Ferreira*

O vice-governador César Messias está neste momento percorrendo municípios do Vale do Juruá onde a enchente dos rios atinge famílias de ribeirinhos para avaliar os impactos do mau tempo e das ações de apoio aos atingidos. Na manhã desta segunda-feira, o comandante da Brigada do Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul tenente Jamesclei Silva de Carvalho, emitiu sinal de alerta para a Defesa Civil já que o nível do rio Juruá chegou a 11,20 metro às 6h (a cota de alerta é de 11m). Todas as medidas de enfrentamento ao problema estão sendo adotadas. Carvalho estará reunido com os órgãos de Governo e da Prefeitura para definir abrigos, caso seja necessária a remoção de famílias de áreas atingidas, além de controle epidemiológico, segurança, água e alimento.

Desde o final da semana passada que as as fortes chuvas que caem no Vale do Juruá vêm provocando enchentes que estão afetando várias comunidades ribeirinhas na região de Marechal Thaumaturgo e Porto Walter. O governador Binho Marques autorizou a missão de uma equipe da Defesa Civil Estadual na região. A equipe, composta de seis homens do Corpo de Bombeiros, atua no resgate às famílias atingidas e ajudam na distribuição dos sacolões de alimento fornecidos pela Prefeitura de Marechal Thaumaturgo, até agora a região mais afetada. Os bombeiros ainda não sabem o número de pessoas atingidas.

* Edmilson Ferreira, da Agência de Notícias do Acre, 14/01/2008

25/12/2007

Mensagem de um guerreiro sem arma que luta pela vida do mundo

por Benki Piyãko*

A Associação Apiwtxa e eu, Benki Piyãko, representante do Centro Yorenka Ãtame, queremos agradecer a todos os parceiros que contribuíram direta e indiretamente para a criação do Centro Yorenka Ãtame, que foi inaugurado no dia 7 de julho de 2007.












Depois de uma grande luta da Comunidade Ashaninka do Rio Amônia pela demarcação da nossa terra, pela preservação da nossa cultura, pela implantação da recuperação do nosso território, e pela implantação do manejo sustentável local da fauna e da flora na Comunidade Apiwtxa, temos hoje como resultado um sistema de SAFS com mais de 150 espécies de madeiras de lei e de frutas, e nossos açudes com tracajás e peixes.



Além disso, na nossa luta para a contenção de invasão de madeireiros e caçadores na nossa fronteira, mobilizamos e articulamos um sério envolvimento com IBAMA, Exército, Policia Federal, Governo, ONU, entre outros.

E esta luta ainda continua. Lutamos em defesa da soberania do nosso povo, pelos Direitos dos Seres Humanos e pela recuperação de toda biodiversidade da natureza.



Todo esse trabalho foi reconhecido em 1995, quando recebi o Prêmio de Direitos Humanos. E neste ano, 2007, a Associação Apiwtxa recebeu o Prêmio Chico Mendes na categoria Associação Comunitária, que premia comunidades amazônicas que se destacam na qualidade da gestão ambiental.

E para que possamos transmitir o conhecimento adquirido às pessoas e comunidades locais do entorno, criamos o Centro Yorenka Ãtame – Saberes da Floresta.












O Centro Yorenka Ãtame tem como objetivos:

- desenvolver novas técnicas de sustentabilidade;
- manejar os recursos naturais de forma mais técnica e sábia;
- desenvolver o reflorestamento local e do entorno, com modelo pode ser replicado em outros locais da Amazônia Panamericana;
- oferecer capacitação técnica para jovens índios e não-índios, para o cuidado e monitoramento da natureza;
- realizar intercâmbios com a ciência tradicional e a ciência acadêmica;
difundir esse conhecimento nacional e internacionalmente.


















Com isso pretendemos possibilitar a conservação e preservação da natureza, cuidando da nossa Floresta Amazônica e fortalecendo um novo sistema de intercâmbio com o Mundo, chamando à responsabilidade todos os seres humanos habitantes do nosso planeta Terra.

Assim, venho agradecer as pessoas que estão ligadas, direta ou indiretamente, com o nosso projeto e nosso trabalho, que se amplia a nível nacional e internacional.



Com a rede de amigos e também com a Rede Povos da Floresta estamos fortalecendo uma comunicação com o Mundo, tirando do isolamento e trazendo os povos da floresta para a presença de nosso país.

Essa união está nos possibilitando crescer juntos para recuperar a nossa natureza, que já foi e continua sendo tão degradada pelo ser humano.











As atividades no Centro Yorenka Ãtame começaram muito bem, com o desenvolvimento de projetos e trabalhos para todos nós.

Estamos realizando uma pesquisa com 12 jovens moradores do Município, sobre a implantação de SAFS. Fomos veículo na formação de agentes de saúde indígena com a formação de 20 pessoas.



Iniciamos o processo de inclusão digital que será realizada em todo território brasileiro – o primeiro ponto de instalação da antena foi o Centro Yorenka Ãtame, no dia 19 de novembro, para nós um motivo de muita alegria.

Demos continuidade com a formação dos líderes indígenas e com a implantação de mais 5 pontos no Alto Juruá.



Além disso, estamos desenvolvendo o trabalho de reflorestamento do entorno, com o projeto “Neutralize” que vai contribuir com a natureza diminuindo o gás carbônico da atmosfera e colaborando com o desenvolvimento local das comunidades, através da conscientização sobre a importância da troca do gado para o reflorestamento e os benefícios desta ação para o mundo.

E os trabalhos prosseguem...



E é com motivo de alegria que nós desejamos a todos um Natal iluminado, abençoado e agraciado, com toda a força da natureza que rege este Planeta.

E um Ano Novo de muitas conquistas floridas para todos nós. Que possamos ver este Planeta se recuperando e nos proporcionando uma vida sadia, sábia e próspera.
















* Benki Piyãko, Coordenador do Centro Yorenka Ãtame

09/12/2007

A solução dos conflitos entre índios e não índios no rio Amônia exige urgente ação inovadora do Estado

por Eliza Mara Lozano Costa*

Sei que, numa situação de conflito, falar bem de um lado é sempre, e mesmo sem querer, falar mal de outro. Recentemente escrevi no “Blog do Altino” (leia aqui) um texto sobre os conflitos de moradores do rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, com o grupo Apolima-Arara liderado por Chiquinho Siqueira Arara. Na ocasião, movida pela reação a notícias que apresentavam moradores como “invasores”, pretendi apenas trazer mais informações sobre a região, acreditando poder ajudar na compreensão daqueles conflitos, que pedem urgente ação. Não foi minha intenção posicionar-me “contra a luta dos índios”, conforme comentado recentemente pelo Txai Terri neste espaço. Aliás, registro aqui que, apesar da crítica, me senti até lisonjeada por merecer um comentário do Terri, por quem tenho enorme admiração. Por isso, um debate com ele é mesmo uma honra.

Na verdade, Terri tem mesmo razão ao dizer que, no tal texto do Blog, eu teria assumido o ponto de vista dos moradores da Reserva. Como antropóloga, essa era mesmo a minha tentativa, mas que fique claro: quando falo em “moradores”, falo em índios e não índios, por isso não estou contra lado nenhum. Tentarei ser mais clara dessa vez.

Em 1994, passei alguns meses morando com famílias do rio Amônia, e venho acompanhando desde então a história no local, seja em visitas ou em reuniões eventuais. Por causa disso tenho um enorme carinho pelas famílias - índias e não índias - que tão generosamente me receberam em suas casas. E por esse sentimento, por minha responsabilidade enquanto antropóloga, e pelo respeito pela história recente local é que me senti obrigada a me opor, não aos indígenas ou à sua liderança, e sim a uma visão maniqueísta que me parece estar se constituindo quando se fala nos conflitos na região, dividindo todos em “índios” e “invasores”. Embora essa seja a maneira de expressão dos conflitos atuais, a dicotomia ignora a história local e simplifica a realidade, sem nada ajudar a resolver.

foto Papo de Índio












Seringueiros e agricultores discutindo o futuro da Reserva Extrativista do Alto Juruá em assembléia de 1994

Um pouco da história recente da região

A área que hoje é palco desses conflitos fica na região dos rios Amônia e Arara, afluentes do alto do rio Juruá, englobando parte da Reserva Extrativista do Alto Juruá e do Projeto de Assentamento Amônia. Também faz fronteira com Terra Indígena Ashaninka e a sede municipal de Marechal Thaumaturgo, em acelerado processo de urbanização. Vamos a alguns dados dessa história recente.

Em 1990, foi criada - por um movimento de índios e não índios - a Reserva Extrativista do Alto Juruá. Em 1991 é aprovado em assembléia um Plano de Uso que oficializava as regras para o uso dos recursos e permanência na área, agora sob administração (pelo menos oficial) do Ibama.

O rio Amônia, fronteira oeste da Reserva, já se torna um lugar sui generis: apesar de seus moradores poderem atravessar a pé de um lado para o outro durante quase todo o ano, de um lado do rio passam a existir certas regras para uso das florestas e dos rios, do outro, nada constava.

Em 1986, foi criada a Terra Indígena Kampa do Rio Amônea, dos Ashaninka, partindo da fronteira com o Peru nas margens do alto rio Amônia. Em 1992, inicia-se a saída de várias famílias dessa terra indígena, tanto de moradores índios e não índios. Em sua maioria, essas famílias preferiram permanecer residindo no próprio Amônia, adensando a ocupação que já existia rio abaixo.

No mesmo período é criado o município de Marechal Thaumaturgo, com a sede da Prefeitura instalada na foz do rio Amônia, do lado oposto ao da Reserva Extrativista do Alto Juruá. Rapidamente se inicia a urbanização da sede municipal, com uma política agressiva de construção e distribuição de casas e cargos públicos.

Obviamente, não havia recursos suficientes para a manutenção de todas essas famílias que acorreram para a sede municipal. É então que caçadores, pescadores e madeireiros acorrem em busca de alimentos e de madeira para a construção da cidade, adentrando, não sem muitas brigas, o território da reserva extrativista e da terra Ashaninka, dentre outros.

Em 1996, políticos locais pareciam pensar que os conflitos eram poucos, e acharam por bem criar um projeto de assentamento, justamente no território situado entre a terra Ashaninka, o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista do Alto Juruá. E um tipo de assentamento estabelecido nos moldes mais tradicionais do Incra, aquele dos pequenos lotes que impedem qualquer economia extrativista, com ênfase na pequena criação de gado, sabidamente inadequados para a Amazônia e muito menos para o entorno de unidades de conservação e terras indígenas. Esse assentamento era, porém, importante para o projeto de “desenvolvimento” dos políticos da época, claramente posicionados contra os movimentos sociais locais, tanto indígenas como não-indígenas. Com isso, novo adensamento no rio Amônia, mais pressão sobre os recursos e, claro, novos conflitos.

O paradoxal aqui é que justamente nessa área, já tão complicada, é que surge hoje esse novo conflito, agora entre índios e não índios. Por quê? Arrisco uma resposta: justamente por causa da dualidade entre a preservação ambiental e a urbanização empurrada por interesses políticos. Políticas contraditórias acabaram produzindo um lugar relativamente acessível aos benefícios de saúde e educação (pela proximidade da sede municipal) e, ao mesmo tempo, relativamente preservado (pela localização entre terra indígena, parque e reserva).

E por que essa área ainda está relativamente preservada?

Mais um pouquinho de história. Até meados da década de 1980, é bom não esquecer, o destino de toda essa região estava determinado: assentamentos agrícolas, fazendas pecuárias e exploração madeireira.

A mudança nesse traçado, também é bom não esquecer, se deve à luta dos índios Ashaninka na defesa incondicional de sua área e do movimento dos seringueiros e agricultores do Alto Juruá – o que incluiu descendentes de migrantes nordestinos e de indígenas sobreviventes dos massacres de início do século passado, que conseguiram conquistar, em paralelo com os seringueiros de Xapuri e Brasiléia, pela primeira vez na história brasileira, o reconhecimento de seus direitos a um território e a um modo tradicional de vida.

Assim, nos últimos anos, muitos moradores da terra indígena, da reserva e alguns também do assentamento - índios e não índios - vêm tentando proteger essa região dos tantos invasores. Mas quem são mesmo esses “invasores”?

O termo “invasor”, localmente, tem vários sentidos. Às vezes é usado quando pessoas “de fora” (especialmente moradores da sede municipal) “invadem” a reserva ou a terra Ashaninka em busca de madeiras, carne de caça e peixe. Entretanto, é muito difícil invadir um lugar com tantos moradores. Na maioria das vezes, isso só é possível com algum apoio: ou de políticos locais, que antes chegavam até a forjar documentos “autorizando” ações predatórias, ou apoio dos próprios moradores, índios e não índios, sempre bem recompensados. Também são chamados de “invasores” aqueles moradores (índios e não índios) que agem de forma contrária ao Plano de Uso da Reserva e mesmo contra os diversos arranjos locais que, embora não escritos, definem localmente regras de moradia e uso de recursos.

A luta contra essas invasões nunca foi fácil. A estratégia Ashaninka foi unir suas moradias na fronteira de sua terra, onde era maior a pressão. Pelo lado da reserva, moradores, índios e não índios buscavam apoios na associação de seringueiros e no Ibama. Ambos chegaram mesmo a ter um papel importante, fortalecendo um grupo de fiscais e agentes ambientais. Apoios intermitentes e que aconteceram apenas por breves períodos.

Se hoje ainda há essa relativa preservação da área isso se deve, quase unicamente, a alguns moradores e os antigos fiscais e agentes (índios e não índios), que aceitaram a difícil tarefa de convencer, quase só com palavras, índios e não índios a usarem os recursos de forma mais controlada, ainda que às vezes mais trabalhosa. E também a convencê-los a não apoiar os invasores de fora, apesar dos bons pagamentos de diárias ou da generosa distribuição da caça e madeira ilegalmente obtida. Muitas e muitas vezes essas pessoas abandonavam suas atividades e famílias para tentar conversar com os infratores, por vezes até parentes e amigos, fazer reuniões, denúncias, correndo riscos de enfrentar discussões, brigas, violências.

Por isso, não foi sem orgulho que os moradores de toda a região, índios e não índios, ao final dos anos 90, comemoravam que, durante aquele período, as ações predatórias vinham diminuindo, as caças estavam mais próximas de suas casas, o rancho estava melhorando.

Qual não deve ter sido a revolta dessas mesmas pessoas ao saberem que deixaram de ser os responsáveis diretos pela preservação de um lugar para se tornarem, de uma hora para outra, os “invasores”. Ou, na melhor das hipóteses, “vítimas”, como expresso na ação civil do Ministério Público.

Nem invasores, nem vítimas

Como é possível perceber, se é difícil saber exatamente quem são os invasores, isso não interessa a ninguém, também não dá para dizer que são todos “vítimas”. A história dali também foi escrita por aquelas pessoas. A reserva extrativista é uma conquista desses todos, índios e não índios, aos quais estou chamando de moradores da região. O projeto de assentamento foi criado, e mesmo sabendo dos riscos, não tive notícias de nenhuma organização contrária a ele, nem tampouco contra a política de urbanização da sede municipal. Todos os seus moradores (incluindo-se aqueles que haviam saído da terra Ashaninka) reivindicaram e obtiveram seus créditos, fizeram suas casas de madeira serrada com teto de alumínio, plantaram suas capineiras para agradar aos técnicos do Incra, mesmo cansados de saber que a formação de pastos é inadequada para as margens dos rios. Da mesma maneira, ninguém acha ruim ter seus filhos perto de si, freqüentando o ensino médio ou o superior, ter um posto de saúde e uma pista de pouso que os leva rapidamente a Cruzeiro do Sul, quando necessário. Enfim, um mínimo de dignidade. Talvez um arremedo daquela sonhada florestania...

E nada disso invalida a luta e o reconhecimento da legalidade do movimento dos indígenas, iniciado por Chiquinho Siqueira Arara, liderança de luz própria, que corajosamente vem procurando fomentar e valorizar os costumes das diferentes famílias indígenas do local, procurando uni-las na luta por um território próprio e diferenciado. Os próprios moradores reconhecem as suas diferentes origens e, a meu ver, não estão questionando a legalidade dessa luta, mas com certeza não acham legítimo serem chamados de invasores, e, assim como os indígenas, só querem seus direitos.

Mas não só direitos à “moradia, alimentação” ou à “assistência”, como exige a ação pública para os assentados, que, como bem lembrou Terri, não se refere aos moradores da reserva.

Penso que, quando os antropólogos definiram os possíveis limites da terra indígena não estavam lidando com um traçado mítico ancestral, nem mesmo com o uso real da terra, mas, muito acertadamente, com o futuro daquela população.

E o futuro que aqueles moradores não índios, tanto na reserva quanto no assentamento, vem construindo? Não, eles não vivem em sua maioria em “situação de miserabilidade”, como afirmado na ação civil. Não estão apenas morando e sobrevivendo ali. Eles estão construindo seu futuro, educando seus filhos e, em alguns casos, numa região com fartura alimentar e abundância de recursos naturais preservados, por eles mesmos, com muitas dificuldades. Alguns ainda hoje tentando manter esses recursos para as próximas gerações, mesmo agora, sem apoio nenhum, nem de Ibama, nem de associação.

Um papo sério sobre o futuro

Lá pelos idos de 1985, seringueiros reunidos em Brasília já lutavam pela “participação no processo de discussão pública de todos os projetos governamentais nas florestas habitadas por índios e seringueiros” e queriam estar juntos na construção de “modelos de desenvolvimento que respeitam o modo de vida, as culturas e tradições dos povos da floresta, sem destruir a natureza e melhorando a sua qualidade de vida”. É o que consta no documento lido por Chico Mendes naquele famoso Encontro de Brasília. É o que os moradores da floresta foram cobrar do Estado, um Estado que acabou por respeitar suas lutas, oficializando as reservas extrativistas, que, apesar do descaso do mesmo Estado, ainda são áreas com alguma preservação no Acre.

Agora essas mesmas pessoas que enfrentaram de frente patrões, políticos e madeireiros na luta por seu modo de vida, que depois ainda enfrentaram seus próprios amigos e vizinhos por um sonho de uma Amazônia preservada, deverão agir como “vítimas” esperando uma solução do Estado - mas qual Estado?

Aquele que pagou uma ridícula indenização aos que saíram da terra Ashaninka? Aquele que esquece que os agricultores precisam viver, proibindo-os de construir e plantar até um dia que ninguém sabe? Ou o que há anos faz ouvidos moucos às tantas denúncias de invasão, desacreditando todo o respeito duramente conquistado pelos moradores que tiveram o sonho de uma região conservada para o futuro?

Penso que o que esperam é um Estado que não os trate como invasores e muito menos como vítimas. Creio que esperam um Estado que tenha a coragem de juntar todos na mesma mesa, que considere o princípio de direito ao contraditório das partes afetadas, todas as populações tradicionais. Um Estado que tenha a coragem para definir de forma efetivamente participativa, os limites adequados e que sejam no futuro uma base de convivência e não uma nova fonte de atritos permanente. Que discuta seriamente as indenizações e outras medidas compensatórias que poderão surgir nesse encontro, medidas que efetivamente promovam não só a moradia e a subsistência, mas um futuro que seja condizente com a história e o futuro que as pessoas vinham tentando conquistar, para suas próprias famílias e para toda a Amazônia.

Uma vez os seringueiros do Acre foram os principais responsáveis por escrever uma nova história na Amazônia, inventando as reservas extrativistas, pondo fim a anos de brigas e violências. Os conflitos no rio Amônia não são um caso isolado. Lutas envolvendo sobreposições de áreas vêm sendo cada vez mais comuns e é um desafio para todos nós. Mas quem sabe não será o Acre que, juntando índios e não índios, Estado e quem mais o seja, terá a coragem de escrever, mais uma vez, uma história capaz de respeitar de verdade a luta e os direitos de todos os povos da floresta? É desse lado que estou.

* Eliza Mara Lozano Costa, Antropóloga e pesquisadora na Resex Alto Juruá, orientanda de doutorado do professor Mauro Almeida, na Unicamp. Página 20, Papo de Índio, 9/12/2007

08/12/2007

Graves enfrentamientos en la frontera Perú-Brasil: los pueblos indígenas se pronuncian


Las organizaciones indígenas e indigenistas, brasileñas y peruanas, que suscribimos el presente pronunciamiento, expresamos nuestra preocupación por la falta de atención a las denuncias que, durante más de una década, hemos efectuado ante la invasión de nuestros territorios, de las Reservas Territoriales Isconahua, Murunahua, Mashco Piro, Madre de Dios, del lado peruano, así como en áreas del Parque Nacional Sierra del Divisor y de la Tierra Indígena Kampa del Río Amonya, en el lado brasileño, por madereros peruanos.

Esta situación viene provocando desplazamientos y migraciones forzadas de poblaciones indígenas en aislamiento hacia territorio de Brasil, generando enfrentamientos con poblaciones Asháninka, Manchineri, Kashinahua, Culina y Yaminahua, en el Estado de Acre.

Frente a estos hechos denunciamos:

a) La política peruana de concesiones forestales que vienen presionando a muchos pueblos aislados de las zonas de Callería, Masisea, Yurúa y Purús, en la región Ucayali,

b) La existencia de proyectos de construcción y apertura de carreteras: Puerto Esperanza – Iñapari y Masaray – Cruzeiro del Sur, que atravesarán zonas habitadas por pueblos indígenas en aislamiento en Purús – Madre de Dios y Callería, Ucayali, respectivamente.

Estas acciones responden al desmedido interés de personas y empresas madereras de enriquecerse a través de la explotación de recursos forestales de alto valor, con la anuencia de las autoridades peruanas, sin tomar en cuenta las consecuencias de sus acciones sobre los pueblos indígenas aislados de lado peruano y las poblaciones indígenas establecidas en la frontera brasileña.

Por tanto, exigimos:

1. Frenar inmediatamente las invasiones de madereros en territorios indígenas para evitar que los enfrentamientos se agraven y causen más muertes.

2. Sancionar a las empresas que resulten responsables de esta situación, rescindiéndoles los contratos los contratos forestales otorgados.

3. cancelar los proyectos de construcción de carreteras y cualquier otro tipo de proyecto que afecte la integridad de los territorios indígenas, parques nacionales y, sobre todo, de los territorios habitados por pueblos indígenas aislados.

4. Implementar políticas y mecanismos efectivos de protección de los pueblos indígenas aislados de la frontera Perú-Brasil.


Rio Branco, 02 de diciembre de 2007.

Moisés Piyãko
Presidente
Asociación Asháninka del Río Amonya, APIWTXA

José de Lima Kaxinawá
Coordinador
Asociación del Movimiento de los Agentes Agroforestales Indígenas de Acre, AMMAIAC

Josimar Pinheiro Sales Kaxinawá
Secretario
Asociación de Shiringueros Kashinahua del Río Jordán, ASKARJ

Joaquim Maná Kashinawá
Coordinador
Organización de los Profesores Indígenas de Acre, OPIAC

Francisco Edmilson Ferreira Kaxinawá
Consejero
Asociación de Productores y Criadores Kashinahua de la Playa de Carapaná, ASKAP

Jorge Domingos Kaxinawá
Presidente
Asociación de Productores Kashinahua de la Aldea Nueva Frontera, APKANF

Edwin Chota Valera
Presidente
Asociación de Comunidades Nativas Asheninkas-Asháninkas de Masisea y Callería, ACONAMAC

Jaime Corisepa
Secretario
Federación Nativa del Río Madre de Dios y Afluentes, FENAMAD

Delegado
Comité Indígena Internacional para la Protección de los Pueblos en Aislamiento y en Contacto Inicial de la Amazonía, el Gran Chaco y la Región Oriental de Paraguay, CIPLACI

Flaviano Medeiros
Representante
Asociación Kashinahua del Río Breu, ASKARIB

Edilson Rosa da Silva Katukina
Representante
Asociación Katukina de Campinas, AKAC

Antônio Ferreira Kaxinawá
Presidente
Asociación Cultura Indígena Humaitá, ACIH

Nilson Sabóia Kaxinawá
Presidente
Asociación del Pueblos Indígenas del Río Humaitá, ASPIRH

Gilberto Azanha
Coordinador
Centro del Trabajo Indigenista, CTI

Vera Olinda Sena de Paiva
Coordinadora
Comissión Pró-Indígena de Acre, CPI/AC

07/12/2007

Sobre a mineração em terras indígenas


O líder da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Jecinaldo Sateré-Mawé, critica e afirma a oposição dos povos à condução do projeto que prevê mineração em terras indígenas.

Ouça aqui.

Direto da Agência Brasil.



03/12/2007

Apiwtxa recebe Prêmio Chico Mendes


Amigos,

é com alegria que informamos que a Associação Ashaninka do Rio Amônia - Apiwtxa foi escolhida 1º Lugar, na categoria Associação Comunitária, do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, Edição 2007.

A premiação ocorrerá no próximo dia 05 de dezembro, às 19:30 horas, em Brasília. (Saiba mais aqui)

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