02/02/16

APIWTXA PLANEJA AÇÕES DE VIGILÂNCIA PARA 2016 E INICIA O ANO COM UMA EXPEDIÇÃO

No dia 30 de dezembro de 2015, lideranças da Apiwtxa se reuniram na aldeia com a finalidade de planejar as ações de vigilância da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia para o ano de 2016. A ideia é intensificar as atividades de proteção da terra, tendo em vista os apoios financeiro e técnico que estão sendo recebidos, respectivamente, por meio do Projeto Alto Juruá (financiado pelo BNDES/Fundo Amazônia) e da University College London, por meio do Projeto Ciência Cidadã Extrema.

O Projeto Alto Juruá prevê a instalação de três bases de vigilância em pontos estratégicos da Terra Indígena, equipadas com kit radiofonia e bote. Há também a previsão de apoio para expedições de vigilância. Já o projeto de monitoramento apoiado pela University College London treinou, em 2015, 13 monitores Ashaninka para realizarem o registro de informações sobre invasões na Terra Indígena com o uso de tecnologia digital, permitindo o levantamento de dados precisos sobre as ocorrências (fotografia, gravação de áudio e coordenada geográfica).
Durante a reunião foram discutidas as vulnerabilidades da Terra Indígena ao longo do ano, conforme as estações, e foram planejadas as ações em cima dessa dinâmica. Também foram levantadas as necessidades de equipamentos para as expedições e a necessidade de se realizar reuniões de esclarecimento sobre as atividades de vigilância nos demais aldeamentos da Terra Indígena. Desse modo, nos dias 4 e 5 de janeiro foram realizadas reuniões de esclarecimento nos aldeamentos situados no Igarapé Amoninha e na fronteira com o Peru, subindo o Rio Amônia. Também realizou-se uma visita na base de vigilância que já se encontrava em construção nas proximidades do Igarapé Amoninha.
Em seguida, entre os dias 9 e 16 de janeiro, uma equipe de 5 monitores Ashaninka deslocaram-se da aldeia Apiwtxa em direção ao Rio Arara, que é uma das fronteiras da Terra Indígena, para a primeira ação de vigilância do ano. Nesta época do ano, é comum a entrada de caçadores ilegais na Terra Indígena, que adentram o Rio Arara em busca de animais silvestres para consumo e comercialização. Há dois aldeamentos Ashaninka no Rio Arara. A equipe de monitores, juntamente com a coordenação executiva do projeto Alto Juruá, se deslocaram até essas localidades para realizar a reunião de esclarecimento. No dia seguinte, os monitores e mais 6 Ashaninka dos aldeamentos do Rio Arara partiram em três botes para a ação de vigilância. Durante a atividade foram localizados dois caçadores, na altura do Igarapé Duas Bocas. Os Ashaninka realizaram uma ação educativa, informando os caçadores da proibição da caça em Terra Indígena, e apreenderam a caça de sua embarcação. Também informaram as comunidades não-indígenas que residem no trajeto do Rio Arara sobre as atividades de vigilância que irão se intensificar no ano de 2016.
As bases de vigilância estarão todas prontas e equipadas até o final do primeiro semestre de 2016, o que permitirá um sistema integrado de monitoramento e comunicação no interior da Terra Indígena e com os órgãos e instituições competentes.






22/01/16

APIWTXA REALIZA ENCONTRO ANUAL E ASSEMBLÉIA GERAL

Entre os dias 19 e 24 de dezembro foi realizado um grande encontro com a presença das famílias da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, da aldeia Apiwtxa, para discutir temas de interesse de todos seus representantes, com apoio da Fundação Banco do Brasil/Fundo Amazônia. Um dos dias foi dedicado à realização da Assembléia Geral da Associação Apiwtxa e outro para a Assembléia Geral da Cooperativa Ayõpare. Entre os principais temas tratados no encontro estão a gestão e produção comunitária, a organização interna da comunidade, a gestão territorial e ambiental, o processo de engajamento nos projetos comunitários e as iniciativas de articulação da Apiwtxa para além de suas fronteiras.
Foram retomadas e reforçadas as regras internas da comunidade no que diz respeito às relações de família e de convivência comunitária.  Destacou-se a importância do respeito mútuo, do cuidado especial que todos devem ter com os mais velhos e com as crianças, bem como foram estabelecidos mecanismos internos de resolução de conflitos. Um deles foi a retomada de uma comissão composta por dez líderes designada como conselheira para tratar de problemas que venham a surgir no âmbito das relações internas da comunidade.
Um dos assuntos de maior destaque nas discussões do encontro foi a gestão territorial e ambiental. Buscou-se reforçar as regras de manejo que estão estabelecidas no plano de gestão territorial e ambiental da Terra Indígena, como a proibição de pesca com tingui (planta utilizada para reduzir o oxigênio da água, que permite a pesca em grandes quantidades), a captura de tracajás, e o respeito às áreas estabelecidas como refúgio de fauna. Também identificou-se a necessidade de se realizar a revisão do plano de gestão da Apiwtxa, pois algumas regras precisam ser atualizadas e outras criadas. Desse modo, foi agendada uma reunião com esta finalidade específica, a ocorrer entre os dias 8 e 10 de fevereiro.

No que diz respeito aos projetos da Apiwtxa apoiado por atores externos, como o Fundo Amazônia/BNDES, a Fundação Banco do Brasil e o Governo do Estado do Acre, foram discutidos os próximos passos em cada projeto e organizado o seu planejamento para o ano de 2016. Sobre as articulações da Apiwtxa para além de suas fronteiras, foram repassadas à comunidade informações a respeito das últimas atividades realizadas, por exemplo, com a Reserva Extrativista Alto Juruá e junto aos Ashaninka do Peru, e discutidas as próximas ações no sentido de trabalhar a reflexão e a implementação de ações sustentáveis junto aos territórios e parentes vizinhos. A antropóloga Carolina Comandulli apresentou as atividades ocorridas em nome da Apiwtxa durante a Conferência do Clima (COP-21), em Paris, as quais contaram com o apoio de parceiros e de dois representantes Ashaninka do Peru para serem realizadas, com destaque para a apresentação de dois filmes da Apiwtxa e da discussão sobre a articulação dos Ashaninka do Brasil e do Peru, no Museé Quai Branly. Originalmente, a Apiwtxa contava com uma agenda de 34 eventos durante a COP-21. No entanto, devido aos ataques terroristas, a comunidade aconselhou seus líderes a não irem à COP-21. Ainda assim, uma série de agendas puderam ser mantidas com o apoio de parceiros.  
Finalmente, foram discutidas modificações necessárias nos Estatutos da Associação Apiwtxa e da Cooperativa Ayõpare. Essas instituições foram constituídas formalmente em 1993 e 2003, respectivamente, e chegou o momento de atualizar seus estatutos à luz das novas ações e iniciativas da comunidade da Apiwtxa. A Cooperativa, por exemplo, tendo em vista o início da operação da agroindústria em Marechal Thaumaturgo em 2016, deverá estar apta a adquirir a produção de frutas da região do Alto Juruá, e não mais apenas somente da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.


Após muitos dias de discussão e de trabalho conjunto, todos se reuniram para tomar pyarentsi (bebida tradicional Ashaninka, feita de mandioca fermentada) e celebrar as realizações do ano de 2015. O ano de 2016 será marcado por muitas atividades da Apiwtxa em todos os níveis, as quais continuaremos relatando aqui.


(Fotos de Carolina Comandulli)

20/11/15

1ª TEIA INDÍGENA DO BRASIL

Nos dias 11, 12 e 13 de novembro, foi realizada a 1a Teia Indígena do Brasil, no Centro Yorenka Ãtame. Na mesma ocasião, o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, Inaugurou o Pontão de Cultura da Yorenka. Contamos ainda com a presença de grandes líderes de vários povos indígenas do Brasil e do Peru. Compareceram representantes dos povos Ashaninka, Yawanawá, Huni Kuin, Jaminawa Arara, Puyanawa, Tukano, Desano, Tupinanmbá, Pataxó, Kayapó, Guarani Mbyá e mais de 300 moradores do Município de Marechal Thaumaturgo.
Durante o encontro, aconteceram muitas apresentações culturais e os povos presentes defenderam a política de pontos de cultura, além de pedirem melhorias no acesso à internet e ampliação e construção de novos pontos, visando manter sempre a tradição cultural viva. Ao final, foi elaborada a Proposta dos Representantes Indígenas da Teia 2015, que foi encaminhada ao Ministério da Cultura, e consolida o diálogo direto entre os povos indígenas e o poder público.

O presidente da SP Cine, Alfredo Manevy, afirmou: "Essa região tem muitas culturas importantes, pro Brasil e pro mundo inteiro, muitos povos, muitas línguas e muitas riquezas culturais. É um trabalho muito valioso, feito por várias etnias, em especial os Ashaninka, aqui no Centro Yorenka Ãtame. O conceito de ponto de cultura é justamente valorizar uma iniciativa cultural que já existe, que faz um trabalho sério. E aqui, tudo que é feito se encaixa perfeitamente na ideia de ponto de cultura."

O povo Ashaninka, que celebrou com grande festa a inauguração do Pontão de Cultura, abriu as portas do espaço para sempre traçar metas de melhorias a todos os povos da floresta, índios e seringueiros, em prol de um melhor desenvolvimento cultural e ambiental.

O Ministro destacou o trabalho de agregação que vem sendo desenvolvido em parceria com o  governo, pelas diversas etnias e pela população não indígena do Acre: "Aqui, temos um exemplo de que é possível trabalhar em conjunto, buscando soluções que permitam não apenas a convivência entre os diferentes, mas que favoreçam a construção de um arranjo no qual todos podem viver sua experiência cultural de forma livre e harmônica, com desenvolvimento social e avanços na qualidade de serviços públicos de acordo com a necessidade de cada um."
(Fotos de Alice Fortes)

09/11/15

PROJETO ALTO JURUÁ REALIZA I° MÓDULO DO CURSO DE AGROECOLOGIA NO CENTRO YORENKA ÃTAME


No período de 26 de outubro a 4 de novembro de 2015 foi realizado o I° Módulo do Curso de Agroecologia, no Centro Yorenka Ãtame (Saberes da Floresta). Foram convidadas 54 comunidades, entre seringueiros da Reserva Extrativista do Alto Juruá e indígenas. O encontro contou com a presença de 93 participantes e teve a duração de dez dias. O intercâmbio que se estabeleceu entre todos foi muito produtivo. Houve uma forte retomada da aliança dos povos da floresta.

No desenvolvimento do curso foi elaborado um roteiro das etapas dos trabalhos que serão desenvolvidos nas comunidades: a planilha de monitoramento dos SAFs (sistemas agroflorestais), a tabela de diagnóstico das comunidades e também a entrega dos kits para todas as comunidades. A atmosfera foi de muitas alegrias, expectativas e esperança de poder continuar a luta dos povos da floresta pela floresta, resgatando, recuperando e plantando sementes.

As práticas foram trabalhadas de forma bem intensa. Foi feito o manejo do solo e das plantas de forma a reativar áreas degradadas e fortalecer a produção agroflorestal, com o apoio dos técnicos, Nilson Brilhante, Antônio Caxixa, Benki Piyanko coordenador do Centro Yorenka Ãtame e a grande experiência de cada participante, que tanto luta pela terra, que é o maior tesouro da vida de um ser humano.

João Batista
“No meu conhecimento esse Projeto Alto Juruá vem pra melhoria de todos os moradores da Resex e indígenas, na forma de melhoria na renda familiar e do reflorestamento de suas áreas, transformadas em pastos e devastadas e que, hoje, temos uma dificuldade muito grande de reflorestar. Com esse projeto, se a gente se empenhar em parceria com os Ashaninka, nós teremos tudo pra reflorestar nossas comunidades e ter dias melhores – e uma grande melhoria pros nossos filhos, netos, e pra essa geração que tá vindo aí.”.  Depoimento do Sr. João Batista Nascimento da Silva, morador da Comunidade Estirão da Foz do Tejo/Resex.
(Fotos de Naiana Gomes Bezerra)

26/10/15

INDÍGENAS ASHANINKA PROTEGEM SUA TERRA COM TECNOLOGIA DIGITAL


Como resultado de uma parceria entre a Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa, a University College London – UCL e a Comissão Pró-Índio do Acre – CPI/AC, os Ashaninka da aldeia Apiwtxa, Terra Indígena Kampa do Rio Amônia (município de Marechal Thaumaturgo - AC), estão protegendo sua terra com o auxílio de tecnologia digital.
Interface iconográfica do aplicativo no smartphone
O projeto de monitoramento territorial da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia com o uso de tecnologia digital teve início em janeiro de 2015. Desde então, a comunidade Ashaninka está recebendo treinamento pelo grupo Ciência Cidadã Extrema (ExCiteS) da University College London para que aprimorem suas estratégias de proteção do seu território por meio do uso de um aplicativo de proteção territorial instalado em smartphones. Na primeira semana de setembro de 2015 as organizações participantes realizaram uma reunião conjunta na qual firmaram um protocolo para dar início oficial ao processo de coleta de informações sobre invasões no território Ashaninka.

O grupo ExCiteS trabalha com a aplicação de uma metodologia participativa inovadora e com o desenvolvimento de um sofware adaptado à realidade dos povos da floresta. Assim, desde janeiro, os Ashaninka tiveram a possibilidade de construir seu próprio aplicativo de monitoramento, com categorias e ícones desenhados por eles para identificar invasões em seu território. Também, estão recebendo treinamento no uso do smartphone e na transferência de informações dos aparelhos para o computador e para a Internet.
Dinâmica para a construção do aplicativo
A tecnologia desenvolvida pelo ExCiteS permite o registro instantâneo das observações em campo, bem como a captura automática da coordenada geográfica (localização), de imagem e de depoimento oral. Essas informações podem ser facilmente repassadas às autoridades por meio da Internet ou de SMS. Segundo uma das lideranças da Terra Indígena: “Havia uma época em que tínhamos que viajar longas distâncias para fazer uma denúncia às autoridades e muitas vezes não acreditavam no que estávamos dizendo. Hoje, com o uso dessas novas tecnologias, podemos ter provas do que está acontecendo muito mais facilmente e temos como informar o Estado rapidamente”.

A Comissão Pró-Índio do Acre – parceira histórica dos povos indígenas – está participando do processo desde o início, apoiando o projeto em sua concepção e também com a elaboração de mapas estratégicos e doação dos equipamentos necessários ao funcionamento do projeto aos Ashaninka.
Ícone desenhado pelos Ashaninka para monitorar as invasões
de caça com cachorro
Além desta iniciativa, há outros parceiros apoiando a comunidade com tecnologia de ponta para que mantenham a integridade dos recursos naturais de sua terra e para que garantam o usufruto exclusivo por seus habitantes, como previsto em lei. É o caso da House of Indians, organização não-governamental situada na Bélgica, que doou recentemente GPS rastreadores e câmeras de vigilância para a comunidade. Os GPS rastreadores permitem que se localizem recursos ou objetos furtados em qualquer lugar do globo, e as câmeras de vigilância – já instaladas em locais estratégicos do território - operam 24 horas por dia e registram qualquer movimento que seja realizado em suas proximidades. Além disso, as atividades de monitoramento territorial serão fortalecidas com os recursos advindos do projeto Alto Juruá, do Fundo Amazônia, recentemente aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Desse modo, os Ashaninka da Apiwtxa - reconhecidos internacionalmente pela excelência no manejo e gestão de seu território - ganham mais um conjunto de ferramentas e estratégias para assegurarem a proteção de sua terra.

(Fotos e texto de Carolina Schneider Comandulli)



23/10/15

APIWTXA REALIZA REUNIÕES NAS COMUNIDADES DA RESERVA EXTRATIVISTA DO ALTO JURUÁ



Durante o mês de outubro, o coordenador do Projeto Alto Juruá, Francisco Piyãko, juntamente com sua equipe técnica, realizaram reuniões em 12 comunidades da Reserva Extrativista do Alto Juruá (ResEx) e dialogaram com mais de 200 habitantes, representantes de 48 comunidades. Também foi realizada uma reunião no Centro Yorenka Ãtame, em Marechal Thaumaturgo, com duas comunidades da Reserva e uma comunidade do seu entorno.

Os encontros tiveram o objetivo de esclarecer sobre as atividades do Projeto Alto Juruá e informar a respeito da realização do primeiro módulo do Curso de Agroecologia para capacitar os membros escolhidos pelas comunidades da ResEx e das Terras Indígenas Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu e Kampa do Rio Amônia em práticas de agroecologia. Serão 90 representantes capacitados que irão multiplicar os conhecimentos adquiridos sobre o trabalho de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas em suas respectivas comunidades. O curso terá a duração de dez dias, iniciando no dia 26 de outubro, no Centro Yorenka Ãtame, e terá continuidade com a realização de mais dois módulos nos próximos dois anos.

A proposta é aumentar o cultivo de frutas para a subsistência das famílias das comunidades, reflorestar áreas degradadas e também incrementar a produção de frutas para o abastecimento da agroindústria que está sendo construída no Centro Yorenka Ãtame com recursos do Governo do Estado do Acre, o que deve gerar uma nova fonte de renda para as comunidades. Os produtos beneficiados irão abastecer o comércio e as escolas de Marechal Thaumaturgo, beneficiando toda a população.


Francisco Piyãko

As reuniões se deram em um clima familiar, considerando a luta história travada na década de 1980 na região por indígenas e extrativistas pelo reconhecimento de seus direitos territoriais e em defesa da floresta. O coordenador Francisco Piyãko fez parte desse movimento e manifestou sua satisfação em estar levando essa iniciativa para a Reserva em nome da Apiwtxa, por sentir ser essa a continuidade de um processo de trabalho conjunto.

Francisco Nascimento (Nino)
Muitos moradores da Reserva também se manifestaram nesse sentido e reforçaram a importância das práticas agroflorestais para o bem-estar das comunidades da região. O morador da comunidade Vila Restauração Alto Tejo, Francisco das Chagas Bezerra do Nascimento (Nino), declarou: “Quando a Reserva foi criada, eu era pequeno e acompanhava meu pai nas reuniões. Lembro da luta que tivemos para ser independentes. Em 2009, quando assumi a subprefeitura da Vila Restauração, fiz um convite ao Benki Piyãko para vir nos ajudar. Ele veio, nos ajudou, conseguimos fazer um pequeno reflorestamento e separar os animais, que antes ficavam todos misturados. Hoje, já temos muitas frutas e uma comunidade diferente. Creio que, no final deste Projeto, iremos melhorar de vida, teremos segurança de morar na Resex e uma alimentação mais saudável. O Projeto vai trabalhar muito isso da gente ter direito de morar na Reserva. Teremos orgulho de morar nela”.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista Alto Juruá (ASAREAJ) estiveram presentes em algumas das reuniões e destacaram a importância da iniciativa para o fortalecimento da sustentabilidade e da proteção da Reserva.

(Fotos de Carolina Schneider Comandulli)

21/10/15

APIWTXA REALIZA OFICINA DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DO PROJETO ALTO JURUÁ


Nos dias 16, 17 e 18 de setembro de 2015, a Associação Ashaninka do Rio Amônia Apiwtxa realizou, no Centro Yorenka Ãtame (Saberes da Floresta), em Marechal Thaumaturgo, no Acre, a Oficina de Planejamento Estratégico, primeira atividade do Projeto Alto Juruá, firmado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES/ Fundo Amazônia. Estiveram presentes representantes da comunidade Apiwtxa/Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, bem como da Reserva Extrativista Alto Juruá e da Terra Indígena Kaxinawá/Ashaninka do Rio Breu. Serão beneficiados cerca de 1.320 indígenas dessas áreas, além de 50 comunidades da Reserva Extrativista do Alto Juruá. Durante a oficina, foi apresentada a equipe técnica. Também foram discutidas e detalhadas as principais atividades que serão desenvolvidas.
O Projeto, desenvolvido pela Apiwtxa, tem como objetivos principais: promover o manejo e a produção agroflorestal em comunidades tradicionais e indígenas no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, de modo a constituir alternativa econômica sustentável ao desmatamento; apoiar iniciativas de monitoramento e controle do território; e fortalecer as organizações comunitárias locais. Também serão promovidos intercâmbios a fim de melhorar o diálogo com comunidades Ashaninka no Peru.

Algumas opiniões sobre o Projeto

O cacique Ashaninka da Comunidade do Rio Breu, Antônio Petxanka Ashaninka, diz que este é "o primeiro projeto que veio para a comunidade e para as lideranças para cuidar da terra, aumentar a nossa produção em nossa área, podermos proteger nossa terra e aprender mais como organizar nossos trabalhos”.

O cacique da T.I. Ashaninka do Rio Amônia, Antônio Piyãko Ashaninka, observa: “Conversamos e planejamos muito pra que tudo possa ser bem feito e entendi que esse trabalho vai ser muito grande. Que possa ajudar muitas comunidades, que o plano seja bem desenvolvido e que todos possam trabalhar e aproveitar a oportunidade”.

O presidente da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Resex), Valmar Calista, afirma: “Vai trazer benefícios pras comunidades e toda a população da Reserva Extrativista e o reflorestamento pra dentro da Reserva, que estamos precisando. E a construção da sede da Reserva, que será muito importante pra todos”.

Para a Apiwtxa a oficina foi bem positiva. Além de ter sido elaborado um plano de trabalho, todos os participantes equipe, parceiros e beneficiados conseguiram entender como se deu o árduo processo para que o Projeto fosse aprovado. Puderam, também, tirar dúvidas e dar sugestões que serão importantíssimas para sua execução.
Agradecemos a participação de todos.

RETOMANDO AS COMUNICAÇÕES NO BLOG DA APIWTXA


A Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa está retomando, após 4 anos, as postagens em seu blog. Essa retomada se dá em um contexto de intensas atividades da Associação, na intenção de manter o público informado acerca do que vem ocorrendo.
A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, situada no Município de Marechal Thaumaturgo – AC, hoje com cerca de 800 habitantes, foi demarcada em 1992, com um total de 87.205 hectares. A demarcação foi resultado de uma luta dos Ashaninka que teve início na década de 1980 contra a invasão de suas terras por madeireiros ilegais e pelo reconhecimento do direito ao seu território.

Gestão territorial e ambiental e organização comunitária

Desde então, os Ashaninka do Rio Amônia tem se empenhado em fazer uma gestão adequada de seu território e dos recursos imprescindíveis à sua reprodução física e cultural e em fortalecer a sua autonomia. Nesse processo, a comunidade fundou sua própria cooperativa, denominada Ayõpare (“troca/negócios”, em Ashaninka) e sua própria associação, denominada Apiwtxa (“todos juntos”, em Ashaninka). Essas instituições são geridas por um coletivo de líderes – homens e mulheres – que fazem parte da comunidade e estão em constante diálogo com a população da Terra Indígena.  Também, entre 1995 e 1997, a comunidade toda se mudou para uma mesma localidade próxima a uma das fronteiras de sua terra, nas margens do Rio Amônia, com o fim de fortalecer a proteção territorial e de melhorar a gestão ambiental do território.
Ao longo dos anos, este processo de organização comunitária atraiu uma série de iniciativas para os moradores da Terra Indígena, que se beneficiaram por diversos projetos que têm auxiliado na obtenção dos objetivos estabelecidos pela comunidade no período pós-demarcação.
Ainda na década de 1990, os Ashaninka da Apiwtxa construíram suas estratégias de gestão territorial e ambiental, que posteriormente foram sistematizadas no Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena - PGTA. O PGTA é um instrumento que reflete os anseios que a comunidade tem para seu futuro nos diversos domínios de sua existência, como educação, saúde, atividades produtivas, entre outros. Nesse processo, também realizaram o etnomapeamento de seu território, fazendo um reconhecimento dos espaços e dos recursos da Terra Indígena, a fim de planejar sua forma de uso. Munidos destas ferramentas, os Ashaninka foram beneficiados por diversos projetos que tem auxiliado a promover o manejo de recursos naturais de seu território – como o manejo de quelônios, a criação de peixes e a implementação de sistemas agroflorestais - de modo a proteger esses recursos e também a garantir a segurança alimentar da comunidade.
A partir dessas experiências, os Ashaninka da Apiwtxa criaram, em 2007, com o apoio de parceiros e amigos, o Centro Yorenka Ãtame (“saberes da floresta”, em Ashaninka). Trata-se de uma área 86 hectares que foi por eles adquirida em frente ao núcleo urbano de Marechal Thaumaturgo com a finalidade de multiplicar e compartilhar os conhecimentos e aprendizados sobre a floresta entre indígenas e não-indígenas. Busca-se que as atividades realizadas nesse espaço também influenciem e contribuam com políticas públicas, programas e ações adequadas aos povos da floresta. 

Como resultado de todas essas iniciativas, hoje a Apiwtxa conta com uma ampla gama de parceiros governamentais e não-governamentais nos níveis local, estadual, nacional e internacional.

Projetos e articulações para além das fronteiras

Atualmente, a Apiwtxa está cada vez mais fortalecida nesse papel de multiplicadora de saberes e conhecimentos, e tem expandido seus aprendizados e experiências para além de suas fronteiras territoriais. Dentre as iniciativas em curso na atualidade, a Apiwtxa está envolvida em diversos projetos que envolvem o engajamento com atores nacionais e internacionais.
Um deles é o Projeto de Piscicultura, apoiado pela Fundação Banco do Brasil, aprovado no ano de 2014, com recursos do Fundo Amazônia. Este projeto tem por objetivo fortalecer o manejo pesqueiro e agroflorestal da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, da Comunidade Raio do Sol, situada no Assentamento do INCRA PA Amônia, do Centro Yorenka Ãtame e da Terra Indígena Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu, por meio da abertura de açudes, limpeza de lagos, capacitação e incremento do estoque pesqueiro com vistas à promoção da segurança alimentar dessas comunidades.

Outra grande iniciativa na qual os Ashaninka da Apiwtxa estão envolvidos é o Projeto Alto Juruá, aprovado em abril de 2015 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, também com recursos do Fundo Amazônia. Trata-se do primeiro projeto do BNDES/Fundo Amazônia aprovado diretamente por uma associação indígena no Brasil. O projeto tem a duração de três anos. Seus três principais eixos são: i. o assessoramento, capacitação e implantação de sistemas agroflorestais; ii. o apoio à gestão territorial e ambiental às comunidades indígenas e tradicionais do Alto Juruá, e; iii. o desenvolvimento institucional das organizações comunitárias. Dentre as atividades do projeto estão a realização de cursos de formação na área de agroecologia, de gestão territorial e ambiental e de gestão de projetos, a construção de bases de vigilância e de estrutura para a produção e comercialização de polpa de frutas.
O Projeto tem como beneficiários os habitantes da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, representados pela Apiwtxa, mais as comunidades Terra Indígena Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu e 50 comunidades da Reserva Extrativista Alto Juruá. Outro projeto complementar ao Projeto Alto Juruá é a instalação, no Centro Yorenka Ãtame, da primeira agroindústria do Alto Juruá, financiada pelo Governo do Acre, voltada para o beneficiamento da produção de polpa de frutas para comercialização.

Além disso, desde 2014, a Apiwtxa também está recebendo apoio pela organização francesa Pur Projet para o plantio de 90 mil mudas no Centro Yorenka Ãtame, Comunidade Raio do Sol e na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, a fim de promover o reflorestamento e o plantio de frutíferas com vistas à recuperação de áreas degradadas, formação de jovens, fortalecimento da segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida das comunidades.
Por fim, mas não por último, os Ashaninka da Apiwtxa ampliaram, em 2015, sua articulação junto às comunidades e organizações Ashaninka no Peru, com foco no fortalecimento da união do povo Ashaninka e na proteção de sua história e de seus lugares sagrados. Entre julho e agosto foi realizada uma expedição pelo território Ashaninka na Selva Central peruana, ao longo do curso dos rios Perene, Tambo e Ucayali, a fim de situar os lugares sagrados do povo Ashaninka e resgatar a sua história. Em setembro de 2015, a Apiwtxa conseguiu o apoio financeiro para a realização do Primeiro Encontro Binacional do Povo Ashaninka do Brasil e do Peru, na cidade de Pucallpa. Neste encontro, mais de 150 líderes Ashaninka estiveram reunidos para discutir os problemas que têm afetado seus territórios e seus direitos e tratar de sua organização enquanto povo. Como resultado dessa reunião, foram produzidas duas declarações – uma para o Governo do Peru e outra para ser apresentada internacionalmente – como manifestação do povo Ashaninka a respeito de suas demandas.


Próximos passos

Em novembro de 2015 haverá um grande evento envolvendo a inauguração do Pontão de Cultura Alto Juruá no Centro Yorenka Ãtame, com a parceria do Ministério da Cultura e do Governo do Acre, para promover a discussão acerca do apoio do governo às iniciativas culturais dos povos indígenas no Brasil. Também, os Ashaninka da Apiwtxa, junto a representantes Ashaninka do Peru, estarão presentes da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas – COP 21, em Paris, em uma programação diversa que envolve a divulgação de suas experiências e também das demandas levantadas pelos Ashaninka do Peru e do Brasil.

A partir de agora, a Apiwtxa passará a divulgar permanentemente suas atividades e iniciativas em diversas instâncias. Esperamos, com isso, contribuir com informações para o público em geral, e estamos abertos para esclarecer e colaborar com nossos interlocutores.


(Fotos de Carolina Schneider Comandulli)

30/09/11

Operação apura extração ilegal de madeira em terras brasileiras

por Assessoria da Polícia Federal do Acre, PF/AC, 30/09/2011

A Polícia Federal, juntamente com o IBAMA, o Exército Brasileiro, o ICMBio e a Funai, realizou, no período de 19 a 29 de setembro de 2011, a Operação Copaíba, que contou com participação de aproximadamente 50 servidores de todos os órgão envolvidos. A operação visou apurar denúncia realizada pela Associação Apiwtxa da Comunidade Indígena da Aldeia Ashaninka de extração ilegal de madeiras em terras brasileiras, veiculada no site http://apiwtxa.blogspot.com/, bem como o patrulhamento aéreo da fronteira Brasil /Peru.

Tendo em vista o teor da denúncia, o histórico de extração ilegal de madeiras na região e a necessidade de utilizar o elemento surpresa para eficácia da ação, foi adotada a estratégia operacional de infiltração terrestre da Equipe Operacional dos órgãos envolvidos, no local do suposto crime ambiental, realizada por caminhada na selva de aproximadamente seis horas. Além da infiltração, houve sobrevoo de helicóptero, aeronave fornecida pelo IBAMA, nas áreas objeto da denúncia e da fronteira Brasil/Peru.

29/09/11

Operação Copaíba

Foto: assessoria PF/AC
Polícia Federal, IBAMA, Exército, ICMBio e Funai deflagram ação contra extração de madeira em comunidades indígenas no Acre.

por O Rio Branco, 29/09/2011

A Polícia Federal, juntamente com o IBAMA, o Exército Brasileiro, o ICMBio e a Funai, realizou, no período de 19 a 29 de setembro de 2011, a Operação Copaíba, que contou com participação de aproximadamente 50 servidores de todos os órgão envolvidos. A operação visou apurar denúncia realizada pela Associação Apiwtxa da Comunidade Indígena da Aldeia Ashaninka de extração ilegal de madeiras em terras brasileiras, veiculada em site, bem como o patrulhamento aéreo da fronteira Brasil /Peru.

Tendo em vista o teor da denúncia, o histórico de extração ilegal de madeiras na região e a necessidade de utilizar o elemento surpresa para eficácia da ação, foi adotada a estratégia operacional de infiltração terrestre da Equipe Operacional dos órgãos envolvidos, no local do suposto crime ambiental, realizada por caminhada na selva de aproximadamente seis horas. Além da infiltração, houve sobrevôo de helicóptero, aeronave fornecida pelo IBAMA, nas áreas objeto da denúncia e da fronteira Brasil/Peru.

O teor da denúncia que motivou a ação não se confirmou, porquanto não foi encontrado qualquer indício da prática ou tentativa de crime de extração ilegal de madeira em território brasileiro, apesar de haver histórico de extração ilegal realizada em terras brasileiras por madeireiros peruanos.

É certo que está havendo extração de madeira do lado peruano, nos locais que puderam ser avistados no sobrevôo de helicóptero na fronteira Brasil/Peru, contudo, não há indícios de extração em terras brasileiras.

Apesar de não ter sido encontrado sinais de desmatamento em terras brasileiras na faixa de fronteira fiscalizada, a missão mostrou a articulação e sintonia entre os órgãos envolvidos e a efetiva presença do Estado Brasileiro na faixa de fronteira, diretriz firmada pela Presidente da República Dilma Rousseff ao reconhecer a faixa de fronteira como zona prioritária para atuação dos órgãos federais.

O nome da Operação Copaíba é uma alusão à Copaíba, uma árvore conhecida como antibiótico da mata e alvo da ação dos madeireiros em razão do alto valor econômico.

Leia Nota da Assessoria da PF/AC aqui:Operação apura extração ilegal de madeira em terras brasileiras

15/09/11

Madeireiros e nativos se enfrentam em faixa de fronteira*

Um campo de extração ilegal de madeira no fundo da Amazônia peruana. Foto Scott Wallace

por Socott Wallace, para a National Geographic, 12/09/2011**

Em um sinal de crescente ativismo indígena e impaciência com os burocratas ineficazes, comunidades no Peru e Brasil se uniram nos últimos dias para patrulhar uma região fronteiriça volátil repleta de madeireiros ilegais e gangs de traficantes de droga armadas.

No início deste mês, uma patrulha conjunta de nativos Ashéninka do Alto rio Tamaya no Peru e da tribo Ashaninka do outro lado da fronteira no Brasil encontrou vários pontos dentro do Peru, onde madeireiros pareciam estar operando sem concessões legalmente reconhecidas. Os índios também descobriram um campo de exploração madeireira apenas a 200 metros da fronteira, levando à suspeita de que os madeireiros estão posicionados para arrebatar madeira valiosa do Território nacional brasileiro.

"É uma estratégia conhecida": afirma Isaac Piyãko líder Ashaninka à Comissão Pró-Índio do Acre, o estado de fronteira da Amazônia, no extremo oeste do Brasil, que inclui as terras indígenas dos Ashaninka. "Eles montaram um acampamento próximo à fronteira para tirar a madeira do Brasil." Piyãko disse que a patrulha encontrou troncos de mogno e cedro recentemente derrubados - madeiras ameaçadas de extinção e protegidas por lei - e como árvores em pé do lado Brasil marcadas com chamas pelos madeireiros para a colheita iminente.

Equipados com unidades manuais de GPS, os líderes indígenas apresentaram a informação geo-referenciada às autoridades brasileiras em uma reunião na semana passada na cidade fronteiriça de Cruzeiro do Sul. As autoridades prometeram estudar o assunto e indicaram que estavam dispostos a realizar vigilância aérea e reforçar a sua presença na zona fronteiriça.

Os Ashaninka brasileiros evoluíram em uma força bem organizada e influente nos últimos anos, surgindo como um modelo para outras tribos menos afortunadas. Seu território foi legalmente reconhecido, e membros da tribo desfrutam de um nível relativamente elevado dos serviços de saúde e de educação pública. O mesmo não se pode dizer dos seus irmãos, no Peru. Eles requerem o título legal de suas terras nos últimos 10 anos. O governo ainda não respondeu, deixando o Ashéninka peruana expostos à invasões de madeireiros ilegais e à uma cascata de ameaças que mantêm a todos temerosos quando a noite vem para a floresta e os fogos das cozinhas se apagam.

No mês passado, membros da comunidade Ashéninka do Saweto encontrou três motores de popa sabotados, depois que sofreram um confronto com madeireiros no sertão.

Os Ashaninka e Ashéninka são grupos indígenas intimamente relacionados, partilham de uma língua comum e costumes semelhantes.

* Leia original em inglês AQUI. Versão em português por Leila Soraya Menezes
** Scott Wallace escreve sobre meio ambiente e assuntos indígenas para a National Geographic. Seu próximo livro, The Unconquered: In Search of the Amazon’s Last Uncontacted Tribes, será publicada pela Crown em outubro de 2011. Para mais informações, visite http://www.scottwallace.com/

06/09/11

Missão Ashaninka confirma invasão de madeireiros do Peru em terra indígena no Acre

Ashaninka fiscaliza a fronteira. Acervo CPI/AC

Quinze indígenas ashaninka ganharam a mata na semana passada e constataram que a exploração ilegal da madeira no Peru continua a todo vapor, e ultrapassando para o território brasileiro.

Por Maria Emília Coelho, CPI/AC, 05/07/2011

Após a denúncia de invasão de madeireiros na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, quinze índios ashaninka realizaram, entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro, uma missão de fiscalização na fronteira Brasil-Peru, região que concentra grande densidade de mogno e cedro.

O grupo, formado por dez indígenas da aldeia Apiwtxa, no Acre, e cinco da comunidade Soweto do Alto Rio Tamaya, no Peru, identificou diversos vestígios que comprovam mais uma vez a ação dos madeireiros peruanos em território brasileiro.

A missão Ashaninka encontrou um acampamento a aproximadamente 200 metros da linha de fronteira com Brasil, e próximo a uma estrada. “Essa é uma estratégia conhecida. Eles montam acampamento próximo ao limite fronteiriço para retirar a madeira do território brasileiro”, explica Isaac Piyãko, liderança da aldeia Apiwtxa.

Segundo os índios da comunidade Soweto, existe um outro acampamento, entre os marcos 42 e 43, onde estão trabalhando com guincho motorizado, um sistema de exploração que causa muito mais impacto ambiental.

Durante a missão, os Ashaninka do Peru também encontraram na mata um grupo de oito jovens peruanos e brasileiros, sendo a maioria menor de idade. “O patrão do grupo não estava, apenas o seu filho. Eles se sentaram e escutaram como crianças o nosso apelo para não irem mais para o lado brasileiro”, explicou um dos índios que estava na expedição.

Dentro da TI Kampa do Rio Amônea, no lado Brasil, e entre os marcos 43 e 44, “foram encontradas madeiras picadas e várias árvores de cedro, mogno, copaíba e cumaru marcadas para derrubada e retirada”, contou Issac Piyãko.

Denúncia e ação

A Associação Ashaninka do Rio Amônia divulgou a notícia da invasão em seu blog, no dia 29 de agosto, e endereçou a denúncia à Fundação Nacional do Índio (Funai), à Polícia Federal, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e ao Exército brasileiro.

O Exército não se manifestou até agora, a Funai entrou em contato com a associação indígena pedindo mais informações, e os agentes da Polícia Federal e do Ibama de Cruzeiro do Sul procuraram as lideranças Ashaninka brasileiras com o objetivo de organizarem um planejamento em conjunto de fiscalização na área invadida.

Todas as referências geográficas e informações detalhadas levantadas durante a missão foram apresentadas em uma reunião, no dia 2 de setembro, em Cruzeiro do Sul. Estavam presentes as lideranças Ashaninka Benki Piyãko e Isaac Piyãko, Gleyson Teixeira, assessor técnico da Apiwtxa, Malu Ochoa, coordenadora da Comissão Pró-Indio (CPI-Acre), e agentes da Polícia Federal e do Ibama local.

Na reunião, ficou definido que nos próximos dias será realizada uma nova missão de fiscalização, para realizar sobrevoos nos locais marcados e verificar outras possíveis clareiras que não foram vistas por terra. Também serão feitos registros fotográficos e filmagens.

A médio e longo prazo, foi discutido a importância de se realizar um trabalho de monitoramento interinstitucional da região, com participação das lideranças indígenas, para fortalecer as trocas de informações.

“Se tivéssemos apoio logístico da Funai e do Ibama, a gente mesmo teria condições de fazer a fiscalização dessas áreas. Um vez por mês realizaríamos uma expedição terrestre até a fronteira. Essa ação seria reforçada com um sobrevoo na região realizado pela Funai ou Ibama a cada dois, três meses”, sugeriu Issac Piyãko.

O problema é antigo

O descontrole da atividade madeireira no lado do Peru não é um fato recente. Em 2002, o governo concedeu imensas áreas de floresta a grandes empresas madeireiras. Sem a devida fiscalização, a política facilita a atuação de ilegais, que invadem as áreas das comunidades nativas.

“No Peru, o povo ashaninka não tem o título de terra, estão na luta pela demarcação há 10 anos. Os nossos parentes são ameaçados constantemente, e alguns já foram assassinados. Eles ficam na mira dos invasores e por isso vem pedir ajuda para a gente”, contou Issac Piyãko.

“O que mais preocupa a gente é que as autoridades até agora não assumiram as suas responsabilidades. Se não solucionarem o problema nosso território continuará sendo invadido, e nós continuaremos sofrendo ameaças de morte”, explica a liderança ashaninka peruana, que teve seu nome preservado para evitar qualquer tipo de retaliação.

O índio da comunidade Soweto também explica que já foram realizadas várias reuniões na cidade de Pucallpa, principal pólo madeireiro da Amazônia peruana, mas sem sucesso. “A desculpa é que não há orçamento para missões de fiscalização. Eu lembro que uma vez eu disse para um fiscal: Por que criam instituições ambientais sem orçamento?”

A última apreensão do Ibama e da Polícia Federal brasileira na região do Rio Amônia aconteceu em 2008. “A Funai ficou de colocar um posto de fiscalização nessa linha de fronteira, mas isso não foi feito até hoje”, reclamou Issac.

A liderança da aldeia Apiwtxa também acredita que é importante articular com o governo peruano a retirada dessas pessoas. “É urgente uma política de preservação dessa fronteira, para marcar a presença dos Estados nessa região, impedindo que novas invasões aconteçam”.

SAIBA MAIS AQUI
Denunciamos a presença de madeireiros peruanos clandestinos na Terra Indígena Ashaninka, Território brasileiro
À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS

05/09/11

Denunciamos a presença de madeireiros peruanos clandestinos na Terra Indígena Ashaninka, Território brasileiro



Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 5 de setembro de 2011.


Informamos às autoridades brasileiras que a missão Ashaninka para a fiscalização na fronteira Brasil-Peru, ocorrida entre os dias 30/08 e 02/09/2011 e formada por 15 homens da comunidade Apiwtxa e da comunidade Soweto do Alto Rio Tamaya, comunidade nativa localizada no lado peruano, constatou, por terra, a presença de madeireiros peruanos na Terra Indígena Kampa do Rio Amônea, Território brasileiro.

Os vestígios encontrados da presença dos madeireiros peruanos no Brasil foram:

1) Entre os Marcos 43 e 44, a aproximadamente 200 metros da linha de fronteira, próxima a uma estrada, região com grande densidade de mogno e cedro, a missão encontrou uma clareira com acampamento instalado e árvores de mogno e cedro marcadas para corte

2) Entre os Marcos 42 e 43 estão trabalhando com guincho motorizado, sistema que causa muito mais impacto ambiental

3) A missão também encontrou, no meio da mata, do lado peruano, um grupo de jovens peruanos e brasileiros

Os locais com estes vestígios foram marcados com GPS e todas as informações levantadas foram localizadas no mapa da Terra Ashaninka e analisadas a partir do mapa das invasões ocorridas em 2004.

Montar acampamento próximo a linha de fronteira, é uma estratégia já conhecida, para as invasões dentro do território brasileiro.

As referências e informações levantadas foram apresentadas pelas lideranças Ashaninka aos representantes do IBAMA, do Departamento da Polícia Federal local e da Comissão Pró-Índio do Acre em uma reunião realizada em Cruzeiro do Sul, no dia 02 de setembro de 2011.

A Polícia Federal local e o IBAMA local receberam das lideranças Ashaninka informações detalhadas do local aonde vem ocorrendo as invasões. E organizaram um planejamento conjunto para realizar uma nova missão de fiscalização, com sobrevôos nos locais marcados e para verificar outras clareiras além das que foram vistas por terra. Esta nova missão de fiscalização deve ocorrer nos próximos dias, e também servirá para fazer registros fotográficos e filmagens.

Além de marcar data e organizar a logística da nova missão, a reunião reforçou a importância de se criar um canal de informação e realizar um trabalho de monitoramento interinstitucional, com participação das lideranças indígenas, para fortalecer as trocas de informações.

Histórico da missão de fiscalização ocorrida entre os dias 30/08 e 02/09/2011

- Representantes da comunidade de Soweto, à caminho da comunidade Apiwtxa para uma visita de intercâmbio, varando do rio Tamaya para o rio Amônia, viram o que estava acontecendo dentro da Terra da Apiwtxa, próximo à linha de fronteira. E informaram sobre estes acontecimentos.

- A notícia de novas invasões na TI Kampa do Rio Amonea por parte de madeireiros peruanos, levou a Comunidade Apiwtxa a se reunir no dia 29/08 para discutir a problemática. Nessa reunião se decidiu pela formação de um grupo de fiscalização para ir até o local indicado.

- No dia 30/08, o grupo formado por 15 Ashaninka, sendo 10 da comunidade Apiwtxa e cinco da comunidade nativa Saweto do Alto Rio Tamaya, comunidade localizada no lado peruano, partiu em missão de fiscalização para a fronteira Brasil-Peru.

- A missão durou quatro dias. O grupo retornou à Aldeia Apiwtxa no dia 02/09 e relatou o que viu.

- No dia 02/09/2011, lideranças Ashaninka reuniram-se com autoridades da Polícia Federal e Ibama locais e reportaram o que viram. Esta reunião determinou a realização de uma nova missão para os próximos dias.


Comunidade Apiwtxa do Povo Ashaninka do Rio Amônia
Terra Indígena Kampa do Rio Amônia,
05 de setembro de 2011

31/08/11

Índios do Acre investigam invasão de peruanos para extrair madeira nobre do Brasil

por Golby Pullig, Especial para o UOL Notícias, Em Rio Branco, 31/08/2011

Madeireiros peruanos são suspeitos de invadir terras brasileiras para retirar ilegalmente mogno e cedro do país. A invasão estaria sendo feita na aldeia indígena de Kampa, na região do município de Marechal Thaumaturgo (AC), próxima à fronteira com o Peru.

Um grupo de 15 índios saiu em missão de monitoramento para investigar a invasão nesta terça-feira (30) e deve retornar à aldeia na quinta-feira (1º). A denúncia foi feita pela Associação Ashaninka do Rio Amônia e tem como base informações recebidas por índios da etnia Asheninka, que vivem no lado peruano da fronteira e dizem ter visto a movimentação de retirada da madeira.

Uma primeira sondagem, feita por um grupo menor de índios no início da semana, encontrou árvores com identificação de retirada. “Eles usam guinchos motorizados e arrastam árvores inteiras pelos caminhos que abrem na floresta. Do lado de lá só tem madeira branca. Agora eles querem as das nossas terras”, afirma o professor indígena e diretor da Associação Apiwtxa, Isaac Piyanko. Ele se reuniu na tarde desta quarta-feira (31) com o gerente regional do Ibama, órgão responsável pela fiscalização e monitoramento da região desde 2001 –quando grupos de madeireiros peruanos e narcotraficantes invadiram a região e retiraram em torno de 10 mil metros cúbicos de madeira nobre.

Uma ação conjunta entre Ibama, Exército e Polícia Federal, deflagrada em 2003 a partir de denúncias das comunidades indígenas, conseguiu prender mais de 70 pessoas. As operações realizadas quinzenalmente até o início de 2010 foram reduzidas para apenas dois sobrevoos de monitoramento por ano que cobrem, além da terra indígena, o Parque Nacional da Serra do Divisor.

O superintendente do Ibama no Acre, Diogo Selhorst, informou que as áreas de exploração legal de madeira no Peru estão situadas na fronteira ao longo dessas duas reservas florestais. “Eles aproveitam a logística e a infraestrutura dessas estradas abertas para exploração nas áreas de concessão legais para retirar madeira em território brasileiro, mas precisamos comprovar se isso está novamente ocorrendo”, disse Selhorst, que há duas semanas solicitou à sede em Brasília a antecipação de agendamento de sobrevoo do mês de novembro para a segunda quinzena de setembro.

Na terra indígena do rio Amônia vivem cerca de 110 famílias Ashaninka, Nukini e Jaminawa Arara. A área corresponde a 87 mil hectares de florestas, onde se encontram espécies florestais nativas de grande valor comercial, entre elas o mogno e o cedro. Para chegar à aldeia Ashaninka é preciso percorrer seis horas de barco a partir de Marechal Thaumaturgo subindo o rio Amônia. A comunidade fica a uma distância de aproximadamente de 13 km da fronteira com o Peru.

30/08/11

À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS



Aldeia Apiwtxa, Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 29 de agosto de 2011



À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS,

A Associação Apiwtxa da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia vem, através deste documento, informar às autoridades, FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO braileiros que nós, Ashaninka da Aldeia Apiwtxa, recebemos nesta semana uma denúncia do povo Ashaninka do Peru, da Terra Indígena Alto Tamaya Soweto, de que está ocorrendo uma nova invasão de madereiros peruanos dentro da T.I Ashaninka do Rio Amônia.

O povo Ashaninka do Brasil, junto com os Ashaninka do Peru, para a defesa e fiscalização de seus territórios, saímos nesta segunda-feira, dia 29 de agosto, com 15 homens armados de ambas partes (Peru e Brasil) para uma missão de verificação na linha de fronteira. Esperamos retornar na sexta-feira, 02/09/2011.

Que as autoridades estejam atentas a qualquer notícia.

Benki Piyãko
Associação Apiwtxa do Povo Ashaninka do Rio Amônia

Edwil Chota
Organização Ashaninka do Alto Tamaya Soweto

22/08/11

Segue tensão na fronteira Brasil-Peru

Foto: Maria Emília Coelho
por Maria Emília Coelho, ((o))EcoAmazônia, 22/08/2011

A situação continua tensa na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira, área de proteção de povos indígenas isolados no Acre, região de fronteira com o Peru. O lugar foi invadido no mês passado por peruanos armados ligados ao narcotráfico. Durante a semana passada, tiros foram ouvidos a menos de dois quilômetros da base. Rastros de isolados foram encontrados perto do local na segunda, dia 15 de agosto.

A equipe da Força Nacional chegou quinta-feira passada à base do igarapé Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), para substituir os seis homens do Batalhão de Operações Policiais Oficiais (Bope) do estado do Acre que estavam na base desde o dia 7 de agosto. Antes, uma equipe da Polícia Federal esteve presente na região para realizar uma operação que capturou Joaquim Fadista, narcotraficante português que atua no Peru.

O sertanista José Carlos Meirelles, que permanece na base do Xinane com os dois mateiros, Francisco de Assis (Chicão) e Francisco Alves de Castro (Marreta), enviou notícias por email: “São onze da noite e o tiro de fuzil aqui pra cima do rio Envira foi ouvido novamente. Penso mesmo que os peruanos vão botar roçado e morar por aqui. Ou seja, não têm a mínima intenção de ir embora. Afinal, ninguém os perturba”.

A ordem dada aos homens da Força Nacional é que a movimentação seja feita num raio máximo de 500 metros da base. “Nosso plano era bater uns igarapés para ver se los hermanos não estão escondidos. Mas ficou apenas no plano, a ordem é só fazer a segurança da base. Ninguém ainda se dispôs a bater realmente estas matas e desvendar o que estas pessoas, que continuam aqui, fazem e querem”, reclamou o sertanista, que coordenou a Frente Envira da Funai por 23 anos. Hoje, ele trabalha na Assessoria Indígena do governo do Acre.

Meirelles contou que viu rastros de isolados no igarapé Xinane há cerca de uma semana. “Fui com os mateiros pegar uns peixes e vi o rastro de dois índios subindo por dentro da água aqui perto da base. Eles não são bestas de andar na praia. Estão monitorando essa maluquice toda por aqui”. O sertanista também está preocupado com o “day after”. “Adivinha pra quem vai sobrar flecha?”.

Nenhuma instituição do governo peruano se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido até agora. O Instituto Nacional de Desenvolvimento dos Povos Andinos, Amazônicos e Afro Peruanos (INDEPA) pediu nesta semana para o órgão indigenista brasileiro informações mais detalhadas e georreferenciadas do local para se manifestar sobre a invasão no Acre.

Até o momento não existe nenhum plano de ação, em coordenação bilateral dos governos de Peru e Brasil, para a proteção dos isolados. Na pouco mais de uma semana a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizou em Brasília a primeira reunião do Projeto “Marco Estratégico para a elaboração de uma agenda regional de proteção dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial”.

Para Meirelles, os índios isolados da região são os verdadeiros donos desse pedaço de Amazônia e serão os que, mais uma vez, pagarão o maior preço pela invasão de suas terras: “O que realmente aconteceu com índios isolados, só os urubus sabem”.

Saiba mais
Indígenas isolados correm risco na fronteira com Peru

21/08/11

Cumbre Amazônica reafirma papel de territórios indígenas como barreira à degradação ambiental

por ISA, Instituto Socioambiental, 22/08/2011

Reunidos em Manaus entre 15 e 18 de agosto, lideranças e organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica divulgaram ao final do encontro o documento intitulado Mandato de Manaus: Ação indígena pela vida.

"Comprovamos que a crise climática e ambiental, é gravíssima, em pouco tempo irreversível, enquanto os poderes globais e nacionais, não podem nem querem detê-la, e pior, pretendem ‘aproveitá-la com mais “negócios verdes” mesmo que ponham em perigo todas as formas de Vida", diz o documento logo no início. O Mandato de Manaus aponta ainda contradições entre as políticas relativas às florestas e as que promovem atividades de grande impacto ambiental como desmatamento, mineração e construção de hidrelétricas, entre outras. Para os povos indígenas é indispensável garantir a demarcação de seus territórios e sua titularidade coletiva.

Leia aqui o documento na íntegra.



11/08/11

Força Nacional e Exército vão garantir segurança de servidores da Funai e índios isolados

Decisão foi tomada após sobrevoo de representantes da Funai e das Forças de Segurança em área que teria sido invadida por narcotraficantes peruanos

por ACRÍTICA.COM, 11/08/2011

Maloca de índios que vivem em condição de isolamento no Acre, em foto tirada durante sobrevoo realizada esta semana (Divulgação/Funai)

Um efetivo da Força Nacional será deslocado ainda esta semana para o município de Feijó, no Acre, para assegurar a segurança dos servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuam na proteção dos índios isolados. Os policiais da Força Nacional atuarão na área até que cheguem ao Acre os oficiais do Exército, que atualmente estão no programa Operação Defesa da Vida.

A decisão foi tomada após visita do presidente da Funai, Márcio Meira, e da secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, ao Acre nesta terça-feira (09).

Meira e Regina Miki sobrevoaram a região onde no início de agosto teria sido invadida por narcotraficantes peruanos. Havia preocupação com possível perseguição a índios que vivem em condição de isolamento no território brasileiro, dentro do Estado do Acre.

Durante o sobrevoo à região de fronteira com o Peru, foram vistas malocas e roçados dos índios isolados.

A assessoria de comunicação da Funai informou que o bom estado das moradias e plantações indica que é baixa a possibilidade de que tenha havido contato com o grupo armado vindo do Peru. O local vem sendo monitorado pela equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Funai.

A região concentra grande número de índios isolados, e há outros grupos que não foram avistados, o que mantém a preocupação com a segurança dos indígenas na região.
Em reunião posterior ao sobrevoo, Regina Miki e Márcio Meira definiram parceria com o Governo do Estado, Ministério da Justiça (Funai, Polícia Federal e Força Nacional) e Ministério da Defesa, com ações que serão tomadas para assegurar a proteção dos servidores que atuam na base, localizada às margens do rio Xinane, dos índios isolados e do território nacional.

Invasão

Funcionários da Funai, da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, relataram a invasão do território brasileiro por grupos armados vindo do Peru.

O alerta, via rádio, partiu de indígenas do povo Ashaninka. No final de julho, a base da Funai, que fica a 32 quilômetros da fronteira do Peru e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC), foi invadida e saqueada por traficantes peruanos, logo depois que a equipe da Funai deixou o local, por segurança.

A FPE é responsável pela proteção territorial dos indígenas isolados que vivem na faixa de fronteira.

A Funai comunicou a invasão ao Ministério da Justiça, que ofereceu apoio na mobilização da Polícia Federal.

A área é de difícil acesso e, por essa razão, uma semana depois da invasão é que foi possível dar início à operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado do Acre e do Exército.

Com ajuda dos mateiros que trabalham na Frente, a equipe de 25 policiais da Polícia Federal conseguir rastrear e prender o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, no dia 3 de agosto.

Joaquim Fadista, que atua no Peru, já havia sido capturado na mesma base em março deste ano e encaminhado a Polícia Civil do município de Feijó. Ele era procurado pela Polícia Nacional peruana, por envolvimento com o tráfico de drogas.

A PF brasileira foi acionada, e o português extraditado para o Peru, mas voltou para Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com droga, que havia escondido na área meses atrás.

A equipe da FPE Envira retornou para a base da Funai na sexta-feira (5). Artur Meirelles, Coordenador da Frente, e mais dois mateiros, conhecidos como Marreta e Chicão, foram buscar mais vestígios na área.

Encontraram um acampamento no outro lado do rio, onde havia um colchão, muitos sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base, e um pedaço de flecha dos índios isolados. Segundo Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados e Recente Contato (CGIIRC) da FUNAI, que está no local, a flecha pertence ao grupo isolado que vive nas cabeceiras do rio Humaitá.

O grupo ficou conhecido mundialmente quando foi fotografado pela primeira vez em maio de 2008 pela Funai.

Traficantes de droga asaltan un puesto de vigilancia para indígenas aislados

por SURVIVAL, 08/08/2011

José Carlos Meirelles y policías brasileños en el remoto puesto de vigilancia de FUNAI en el río Envira, asaltado por traficantes de droga. © Maria Emília Coelho

El puesto de vigilancia brasileño que protege a los indígenas aislados cuyas imágenes dieron la vuelta al mundo a comienzos de este año ha sufrido un asalto a manos de hombres fuertemente armados, que lo han saqueado y que han destruido equipamiento de gran valor. Se sospecha que son traficantes de droga.

La preocupación por el bienestar de los indígenas ha aumentado después de que los trabajadores de FUNAI (el Departamento de Asuntos Indígenas del Gobierno) descubrieran una flecha partida dentro de la mochila de uno de los traficantes. Tras una rápida inspección de los funcionarios del Gobierno no se han encontrado señales de los indígenas protagonistas de los titulares de febrero.

Descarga un mapa con la localización destacada del puesto de FUNAI


Según algunas informaciones, la policía ha encontrado un paquete con 20 kilos de cocaína en las cercanías. Se teme que el río Envira, donde se encuentra el puesto de vigilancia, se haya convertido en un punto de entrada en Brasil para los traficantes de cocaína de Perú.

Según informes locales, la policía ha detenido a un hombre de nacionalidad portuguesa que ya fue arrestado por tráfico de droga en marzo, y posteriormente deportado.

Indígenas aislados que protagonizaron titulares en todo el mundo el pasado mes de febrero. © Gleison Miranda/FUNAI/Survival

José Carlos Meirelles, el antiguo jefe del puesto, se ha desplazado en helicóptero hasta la zona junto más personas, y ha informado de que hay varios grupos de hombres armados con ametralladoras y rifles en la selva que rodea la base.

Carlos Travassos, el jefe del departamento de indígenas aislados del Gobierno brasileño, ha declarado hoy: “Las flechas son como el carnet de identidad de los indígenas no contactados. Creíamos que los peruanos habían hecho huir a los indígenas. Ahora tenemos pruebas. Estamos más preocupados que nunca. Esta situación podría ser uno de los mayores reveses que sufre la protección de los indígenas aislados en las últimas décadas. Es una catástrofe”.

En un mensaje a Survival International, Meirelles ha dicho: “Nos quedaremos aquí, pase lo que pase, hasta que el estado brasileño decida resolver esta situación de una vez por todas. No para protegernos a nosotros, sino para proteger a los indígenas”. Meirelles ha contado a Survival que un equipo de policía comenzará hoy la persecución de los demás traficantes.

Por su parte, el director de Survival International, Stephen Corry, ha declarado: “Es una noticia extremadamente alarmante. No conocemos el número de indígenas exterminados por el tráfico de drogas en el pasado, pero se deberían tomar todas las medidas posibles para evitar que ocurra otra vez. La atención mundial, al igual que ocurrió a principios de este año cuando se los filmó por primera vez, debería centrarse en estos indígenas no contactados”.

10/08/11

Acre enfrenta “situação de crise”, avalia a Secretaria Nacional de Segurança Pública do MJ

por Altino Machado, Blog da Amazônia, 09/08/2011

Regina Miki e Márcio Meira

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse ao desembarcar na tarde desta terça-feira (9), em Rio Branco, que o Acre vive uma “situação de crise” em decorrência do ataque de grupos paramilitares peruanos contra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, mantida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) no igarapé Xinane, na fronteira Brasil-Peru.

- Nós temos aqui uma situação de crise e nesta situação nós temos que conter a crise para que possamos entrar numa linha natural de trabalho. A Força Nacional está aqui para dar a primeira contenção, que é proteger os índios e nossos servidores. A partir disso, nós vamos ter uma ocupação permanente pelo Ministério da Defesa. É para isto que estamos aqui, para pactuar com o governo do Acre - afirmou.

Regina Miki, que chegou acompanhada do presidente da Funai, Márcio Meira, disse que a “ocupação permanente pelo Ministério da Defesa” vai durar o tempo que for necessário.

- Nós temos operações em que trabalhamos continuamente no Ministério da Defesa. Coordenada pelo Ministério da Justiça, a Operação Sentinela, onde trabalham as Forças Armadas, a Força Nacional e a Polícia Federal. Temos também operações pontuais, a Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Justiça. O que se fizer necessário, o Acre também vai ter, como todos os estados que apresentarem uma contenção de crise - acrescentou.

O presidente da Funai e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça estão sobrevoando a área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira.

Veja a entrevista com Márcio Meira:

Vocês vão até a fronteira?
Vamos fazer um sobrevoo, em seguida voltamos para Rio Branco e vamos sentar com o governo do Acre, para que a gente possa combinar a colaboração que o Estado tem com as providências que o Ministério da Justiça já tem tomado juntamente com o Ministério da Defesa na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, através da Polícia Federal, Funai e Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O senhor chegou a determinar que a equipe da Funai se retirasse da área?
A equipe que estava lá desceu por conta da presença de supostos traficantes. A partir daí, tomamos as providências necessárias para que a equipe pudesse voltar, inclusive com a equipe da Polícia Federal prendendo uma dos invasores que estava lá. Vamos continuar atuando para ver se a gente pega as outras pessoas e consegue apurar tudo o que eventualmente esteja acontecendo lá.

Os funcionários da Funai que decidiram permanecer por conta e risco na área poderão sofrer alguma punição administrativa?
De jeito nenhum, imagina. Os servidores estão prestando serviço público. São a presença do estado brasileiro naquela região, juntamente com todos os agentes dos governos federal e estadual, que está atuando conosco para que nossos funcionários sejam protegidos e, sobretudo, os índios sejam protegidos.

O trabalho da Funai na fronteira do Acre com o Peru, onde vivem os índios isolados, vai demandar cade vez mais a participação das populações do entorno?
O trabalho da Funai é sempre complexo. Cada situação é uma situação. Em situações como essa, obviamente, é sempre necessário a parceria, como estamos tendo a parceria de todos os membros do Ministério da Justiça. Estamos com a secretária nacional de Segurança Pública, comigo aqui no Acre, a pedido do Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que determinou que nós estivéssemos aqui para tomar as demais providências com o governo do Acre, além das providências que já foram tomadas. Precisamos proteger os indígenas e os servidores que estão lá na frente.

E a invasão do território brasileiro?
Por isso que é importante, como eu falei, a presença do Ministério da Defesa, pois é uma faixa de fronteira e se trata da defesa nacional. O Ministério da Defesa é um parceiro fundamental.

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