24/08/16

PRODUÇÃO DE MUDAS PELO PROJETO ALTO JURUÁ SURPREENDE

Após 11 meses do início do Projeto Alto Juruá, apoiado com recursos do BNDES/Fundo Amazônia e executado pela Associação Ashaninka da Rio Amônia - Apiwtxa, nossa equipe esteve em campo para verificar a produção de mudas nas comunidades beneficiadas pela iniciativa. Estivemos realizando o monitoramento em 50% das comunidades beneficiárias da Reserva Extrativista do Alto Juruá, bem como na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia e no Centro Yorenka Ãtame. Ficaram de fora da contagem, até o momento, as demais comunidades da ResEx e da Terra Indígena Kaxinawá e Ashaninka do Rio Breu. Ainda assim, já atingimos a marca de 48.871 mudas produzidas, o que demonstra um resultado extremamente positivo neste quase um ano de trabalho intenso com as populações indígenas e extrativistas da região do Alto Juruá.
O trabalho de produção de mudas contou, ao longo do último ano, com orientação aos comunitários por meio de capacitações, oficinas de práticas agroecológicas e ações de acompanhamento e monitoramento, além de um pequeno apoio com materiais e equipamentos. As cinco comunidades que hospedaram as oficinas de práticas agroecológicas na ResEx se destacaram pelo número de mudas produzidas: 16.637 – o que demonstra a importância de ações em campo de acompanhamento dos trabalhos.
O grande desafio a partir de agora é o cuidado com as mudas, para que elas cresçam e se desenvolvam nas áreas de reflorestamento. Para que isso ocorra, buscaremos reforçar as ações de monitoramento e de capacitação, aprimorando as técnicas de manejo dos sistemas agroflorestais, para que no futuro eles sejam produtivos e sirvam de alimento e de uma fonte de renda sustentável para as comunidades do Alto Juruá.
Fotos de Naiana Gomes Bezerra

17/08/16

3º MÓDULO DO CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM GESTÃO DE PROJETOS E NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS PARA A COMUNIDADE APIWTXA


O curso, que aconteceu entre os dias 16 e 18 de julho de 2016 na Aldeia Apiwtxa, no rio Amônia, estado do Acre, contou com a participação de trinta representantes da comunidade, incluindo os dirigentes da Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa; e da Cooperativa Agroextrativista Asheninka do Rio Amônia – Ayõpare. O curso teve apoio do BNDES/Fundo Amazônia no âmbito do Projeto Alto Juruá e foi ministrado por Márcio Calvão, da empresa de consultoria Instituto Rever.

Como parte das atividades propostas, foi feita uma revisão sobre conceitos como patrimônio e modelo organizacional; o inventário de bens e patrimônios que começou a ser preenchido após o segundo módulo foi visto por todos em conjunto; e a estrutura comercial da cooperativa foi analisada em seu estágio atual e planejada para os projetos futuros. Temas como controle de vendas e compras, tabela de preços, relação com cooperados e modelo de negócios foram discutidos.

O evento contou ainda com a participação da consultora de branding Carolina Montenegro, que explicou o significado da expressão branding, falou sobre a importância de uma marca forte para os produtos produzidos e comercializados pela comunidade; e sobre o diferencial desses produtos que, além do objeto em si, carregam o valor de serem feitos de forma sustentável, mantendo a floresta em pé, e portanto permitindo que o meio ambiente seja preservado.

O curso possibilitou maior compreensão dos participantes com relação a forma de se organizar tanto estruturalmente, como com relação a seus bens, e com isso compreender e melhor aproveitar os frutos e possibilidades que surgem disso. Acima de tudo, houve um fortalecimento da associação e da cooperativa como braços operacionais da comunidade, sem ferir a forma tradicional de organização social do povo Ashaninka, como instância maior de deliberação.


15/07/16

RESEX ALTO JURUÁ PLANEJA SEU MODELO DE GOVERNANÇA

Na semana de 11 a 14 de julho, foi realizado o planejamento estratégico da ASAREAJ (Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá) no Centro Yorenka Ãtame. Márcio Calvão, do Instituto Rever, e Maria Augusta Assirati guiaram o processo que contou com a presença de vinte e dois representantes de diferentes comunidades da Resex, dezesseis moradores da Terra Indígena Kaxinawá e Ashaninka do Rio Breu e dois participantes de Sawawo, no Peru. O planejamento contou ainda com a colaboração da dra. Claudia Aguirre, defensora pública do estado do Acre, e da consultora de branding Carolina Montenegro. Essa atividade faz parte do projeto Alto Juruá, uma parceria entre a Associação Ashaninka Apiwtxa e o BNDES/Fundo Amazônia.

Durante o encontro, foram desenvolvidas a visão e a missão da ASAREAJ e esse planejamento reflete o novo momento da reserva extrativista após o declínio do ciclo da borracha, e busca um modelo de desenvolvimento sustentável que possibilite a sustentabilidade econômica das famílias que nela vivem sem derrubar a floresta, e sim valorizando o meio ambiente como sua grande riqueza.
José Carlos Oliveira da Silva, da comunidade Novo Horizonte, percebeu a estratégia do planejamento como "ver o que está precisando fazer para o futuro da Reserva e discutir as formas que devemos trabalhar para seu desenvolvimento". Ele sentiu que o processo trouxe mais esperança e ânimo aos participantes, e vê a necessidade de terem parceiros como a organização Apiwtxa para sua plena aplicação.

11/07/16

A ALIANÇA VIVE

De um lado, os indígenas do Povo Ashaninka da comunidade Apiwtxa do Amônia. Do mesmo lado, os extrativistas da Resex Alto Juruá. Todos juntos em defesa de uma gestão sustentável e solidária dos territórios que compõem o mosaico de áreas protegidas da região do Juruá.

Assim se configura mais um episódio da Aliança do Povos da Floresta, idealizada por Chico Mendes em meados dos anos oitenta para unificar as principais bandeiras dos movimentos sociais da Amazônia em sua luta pelo desenvolvimento sustentável da região.

No início do mês de maio, foi realizado, no Centro Yorenka Ãtame, o curso para monitores ambientais da Reserva Extrativista Alto Juruá, do qual participaram mais de quarenta representantes de trinta e quatro comunidades. Tive a honra de, junto com o professor Mauro Almeida e a gestora da Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade, Júlia Vilela, ministrar algumas palestras no evento, que integra o conjunto de ações do projeto Alto Juruá.
Ficou evidente que naquele momento, não havia alunos, nem professores. Todas e todos ensinávamos e aprendíamos, juntos, ao mesmo tempo. Afinal, os extrativistas têm uma sabedoria ampla acerca do funcionamento de tudo o que vive em seu território. Além disso, são  protagonistas de sua própria história. Conhecem bem, e a fundo, cada detalhe do processo que há por trás da constituição de sua Reserva. Foram eles os responsáveis pelo alcance dessa conquista. Nada foi fácil. E todas as conquistas seguem exigindo disposição para a luta; o que eles têm de sobra.

O Projeto Alto Juruá, de autoria dos Ashaninka da Apiwtxa, é o primeiro do Fundo Amazônia aprovado diretamente em favor de uma associação indígena no Brasil, iniciado em abril de 2015 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Com duração de três anos, atua no assessoramento, capacitação e implantação de sistemas agroflorestais; apoio à gestão territorial e ambiental às comunidades indígenas e tradicionais do Alto Juruá; e desenvolvimento institucional das organizações comunitárias.

Um dos grandes diferenciais do projeto é o fato de que as ações não foram pensadas para beneficiar apenas as populações indígenas, mas também as comunidades da Resex Alto Juruá, vizinha à Terra Indígena. Isso revela a manifesta sabedoria dos povos tradicionais que, não só compreendem que a conservação e o respeito à floresta dependem da união das forças de todos na região, mas exercem a solidariedade entre vizinhos irmanados em direitos e deveres em relação à Mãe Terra.

As comunidades da Resex andam preocupadas com o futuro das comunidades e do território. Dificuldades na geração de renda por meio das atividades produtivas tradicionais, chegaram a desanimar. Mas, valentes que são, impulsionados pelo apoio dos vizinhos Ashaninka, os membros das comunidades da Resex reagiram. Após a parceria estabelecida por meio do Projeto Alto Juruá, os extrativistas avançaram rapidamente no plantio de sistemas agroflorestais (SAFs). A grande maioria das comunidades envolvidas já iniciou seus plantios, preparando a terra, construindo viveiros e plantando mudas. A ideia do Projeto é consolidar uma rede de proteção ambiental dos territórios e de cooperação em atividades voltadas à geração de renda.

Essa imagem foi a mais importante que vi por lá ao participar de um capítulo dessa história que os Povos da Floresta estão escrevendo. Eu vi gente sábia, íntegra, competente e batalhadora, trabalhando duro para garantir um futuro para si e para os seus com respeito profundo ao meio ambiente. Para garantir um futuro para a floresta, tirando dela o seu sustento. A tradicionalidade materializada nas propostas, nas falas, nos atos. Vi todo mundo cheio de vontade de aprender e de ensinar. Disponibilidade de estender e dar as mãos; e de construir a partir de muitas cabeças e mãos, essa tal gestão sustentável. Vi a Aliança em movimento. De onde estiver, Chico deve estar sorrindo também, ao constatar que a Aliança segue bela e forte!

Por Maria Augusta B. Assirati


04/07/16

ALDEIA APIWTXA COMEMORA 24 ANOS DE DEMARCAÇÃO DE SEU TERRITÓRRIO

Durante três dias, de 22 a 24 de junho, os Ashaninka do Rio Amônia comemoraram os 24 anos de demarcação de seu território com uma festa que é a principal celebração da comunidade, à qual compareceram não apenas os moradores da Terra Indígena, mas também convidados de fora. 

Estiveram presentes mais de 200 visitantes de vários lugares, como os parentes Poyanawa, Apolima Arara e Ashaninka do Breu, moradores da cidade de Marechal Thaumaturgo, representantes dos Ashaninka do Peru e convidados de outras partes do Brasil e do mundo. A festa teve muitas atividades, como música tradicional, demonstrações de arco e flecha e jogo de futebol. Durante o encontro foi servida a caiçuma, bebida tradicional do povo Ashaninka.

A Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, homologada em 1992, abrange 87.205 hectares e sua conquista é um marco na luta do povo Ashaninka. Hoje seu território é protegido e manejado, com um plano de gestão que é exemplo para outras comunidades. O trabalho de preservação ambiental e uso sustentável dos recursos desenvolvido pela Apiwtxa é reconhecido no Brasil e no exterior.
(Fotos de Eliane Fernandes)

16/06/16

TODOS JUNTOS POR UMA TRANSFORMAÇÃO LIBERTADORA

A partir de um sonho, de uma visão de futuro, é possível transformar tudo o que se quer. Assim nos ensinam as histórias da família Piyãko Ashaninka.

A área em que vivem as comunidades indígenas do Povo Ashaninka constitui um vasto território que compreende desde a região do Alto Juruá e do rio Envira no Brasil, até a cordilheira andina no Peru. 

Os Ashaninka do rio Amônia (afluente do Juruá) somam mais de 800 indivíduos. Grande parte do grupo situa-se hoje na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, demarcada em 1992 com 87.205 hectares. Dentro dessa TI, na aldeia Apiwtxa, ou no lugar onde “todos juntos” expressam o sentido sagrado do ser, vive a família Piyãko.

Contam por ali que certo dia, há muito tempo atrás, uma grande liderança tradicional, política e espiritual, de nome Samuel Piyãko, estabeleceu morada às margens do Amônia para cumprir sua missão de escrever as primeiras páginas da história de uma família, e plantar as sementes da luta um Povo que mudaria para sempre o destino daquela região. Anos depois, seu filho Antônio Piyãko, seguindo seu destino na saga, casou-se com uma mulher forte, filha de seringueiros da região, de nome Francisca. Da união de seu Antônio com dona Piti, como todo mundo a conhece, nasceram 07 guerreiros Ashaninka. A cada um coube carregar um espírito diferente, dotado de uma força e um talento próprios, e exercer um dom singular. E “todos juntos” respondem hoje pela continuidade desse enredo de resistência cultural, preservação e valorização da floresta como entidade suprema de força e vida, e afirmação de um modo solidário e belo de convivência em comunidade e em sociedade.      

Os irmãos Francisco, Moisés, Isaac, Benki, Dora, Alexandrina, e Bebito, sete filhos de dona Piti e seu Antônio, são hoje os protagonistas da mobilização que vem marcando a trajetória das gentes, da floresta, e dos territórios no Alto Juruá.

O impulso das ideias e atitudes dos Piyãko levou a comunidade da Apiwtxa a promover a substituição de um conjunto de atividades que vinham sendo desenvolvidas em sua Terra, por um modo de produção sustentável, orientado pela conservação ambiental, em busca da autonomia do grupo. Assim, práticas como a destinação de áreas de pasto para criação de gado, e a extração indevida de recursos naturais, por exemplo, foram erradicadas ali há bastante tempo. Hoje, o território indígena é objeto de uma gestão eficiente e cuidadosa, centrada na conservação e uso sustentável dos recursos naturais, e no respeito e valorização da floresta como provedora da vida, da alimentação, e da saúde material e espiritual.

Foi na década de 1990 que os Ashaninka da Apiwtxa definiram sua estratégia de gestão territorial e ambiental, expressa no Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Kampa do Amônia. Realizaram o etnomapeamento da área, reconhecendo os espaços e recursos de seu território e planejaram a forma de seu uso. Com o apoio de parcerias estabelecidas no âmbito de diversos projetos, hoje a comunidade desenvolve o manejo de quelônios, a criação de peixes e a implementação de sistemas agroflorestais, protegendo esses recursos e, ainda, promovendo saúde e segurança alimentar à comunidade.

Nesse processo, foram fundadas pela comunidade, a cooperativa Ayõpare (“troca/negócios”, em Ashaninka), e a associação Apiwtxa (“todos juntos”, em Ashaninka). Sua gestão é efetuada por um coletivo de líderes comunitários que dialogam constantemente com toda população da Terra Indígena.

Os indígenas têm investido no aperfeiçoamento da proteção e gestão territorial local, intensificando suas atividades de monitoramento, a fim de evitar invasões de terceiros, e consequentes práticas de crimes dentro de suas terras, como por exemplo, o desmatamento para extração e comercialização ilegal de madeira. Estabeleceram parcerias visando a sofisticação de táticas e equipamentos para cumprimento desse objetivo de proteção territorial.  

Vêm, ainda, promovendo o reflorestamento e o plantio de frutíferas com vistas à recuperação de áreas degradadas, formação de jovens, fortalecimento da segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida das comunidades, além da articulação com parentes do Peru e realização de ações e campanhas contra o desmatamento do território Ashaninka no país vizinho.  

É importante destacar também, o Centro Yorenka Ãtame (“saberes da floresta”, em Ashaninka). Criado em 2007 pelos Ashaninka da Apiwtxa, é um espaço voltado ao compartilhamento de saberes, conhecimentos, e aprendizados, entre indígenas e não-indígenas. Serve para realização de eventos de articulação entre as comunidades da região, organização e consolidação de alianças que visam o fortalecimento das populações locais, de atividades de promoção do cuidado com os recursos da floresta, investimento no meio ambiente saudável, valorização das culturas, e respeito aos direitos humanos e sociais.

Os Ashaninka da Apiwtxa são autores do primeiro projeto do Fundo Amazônia aprovado diretamente em favor de uma associação indígena no Brasil, o Projeto Alto Juruá, iniciado em abril de 2015 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Com duração de três anos, o projeto atua em três principais eixos: assessoramento, capacitação e implantação de sistemas agroflorestais; apoio à gestão territorial e ambiental às comunidades indígenas e tradicionais do Alto Juruá; e desenvolvimento institucional das organizações comunitárias. Dentre suas atividades, estão a realização de cursos de formação na área de agroecologia, gestão territorial e ambiental e de projetos, construção de bases de vigilância e de estrutura para a produção e comercialização de polpa de frutas.

O projeto conta com um diferencial relevante. As ações não foram pensadas para beneficiar apenas as populações das Terras Indígenas. Elas alcançam também as comunidades tradicionais da Reserva Extrativista do Alto Juruá, território vizinho à Kampa do Rio Amônia. Isso revela a manifesta sabedoria Ashaninka que, não só compreende que a conservação e o respeito à floresta dependem da união das forças de todos os povos e comunidades da região, mas propicia o exercício da solidariedade para com os vizinhos irmanados em direitos e deveres em relação à Mãe Terra.

Tive a honra e a satisfação de, a convite da família Piyãko, acompanhar parte do curso de agroecologia ocorrido no final do ano passado, e de ministrar algumas aulas no curso para monitores ambientais da Reserva Extrativista, em maio de 2016. As duas atividades se efetivaram no âmbito do Projeto Alto Juruá. As histórias da Reserva e dos atores de suas comunidades merecem ser contadas em capítulo à parte, tamanha a riqueza que carregam!

A partir dessa vivência, me pergunto de que forma poderia eu expressar em palavras a ação que está em curso por lá. Talvez seja difícil precisar num relato tudo que está se passando ali. Só sei das lembranças, dos sentimentos. Sei da verdade que meu coração sente em tudo o que meus olhos viram. E sei como interpreto as histórias que ouvi e vivi por lá. O que há por lá é uma força transformadora. Uma reunião de espíritos, mentes, saberes e fazeres cooperando para mudar o que não anda bem nesse mundo. Todos juntos atuando para transformar a exclusão, o preconceito, a violência, e a ignorância. Para transformar um projeto de sociedade que concentra recursos e renda nas mãos de poucos e que promove uma brutal exploração econômica e destruição da terra, em um modo saudável, respeitoso, fraterno, solidário e sustentável de viver e conviver. Vi a concretização de um novo paradigma de atuação política, que acolhe os elementos e conhecimentos tradicionais na construção e implementação coletivas e interculturais de um projeto de desenvolvimento social, ambiental, e cultural.


Numa noite, num terreiro da aldeia, enquanto prateávamos sob uma claríssima e linda lua crescente, uma estrela me contou que essa história, embora não tenha data para terminar, terá um final feliz. Eu acredito! E desejo que estejamos todos juntos nessa luta.

Por Maria Augusta Assirati   

14/06/16

OFICINAS DE PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NA RESEX

Entre os dias 25 de maio e 4 de junho, a Apiwtxa, em parceria com a ASAREAJ, realizou o primeiro Ciclo de Oficinas de Práticas Agroecológicas, em cinco comunidades da Reserva Extrativista do Alto Juruá, a saber: Alegria, Sete Estrelas, Estirão do Tejo, Belfort e Vila Foz do Breu. Estiveram presentes mais de 70 representantes de 27 comunidades da ResEx, assim como o líder Ashaninka Benki Piyãko, como um dos facilitadores das oficinas.

O objetivo desse trabalho foi o de atender as demandas de apoio técnico levantadas nas comunidades durante a viagem de monitoramento feita na Reserva nos meses de março e abril deste ano. Durante as oficinas, buscou-se fortalecer as práticas agroecológicas apresentadas no Primeiro Módulo do Curso de Agroecologia, tais como construção de sementeiras e viveiros, repicagem, escolha e limpeza de áreas para plantio, transplante e coleta de sementes. A troca de experiência entre os moradores da Resex, o intercâmbio de mudas e sementes e o esclarecimento de dúvidas dos participantes a respeito de seus plantios fizeram parte das atividades. Durante os três dias do encontro, os moradores também foram capacitados no uso da roçadeira e aprenderam sobre contagem e monitoramento de mudas, espécies e áreas de plantio.

Para Nataniel Barbosa de Souza, da comunidade Vila Foz do Breu Rio Juruá Resex, “a oficina foi muito boa porque não tínhamos experiência nesses trabalhos agroflorestais. Tivemos a oportunidade de aprender como montar um viveiro, uma sementeira e como fazer repicagem, aprendemos muito”.

Todas as atividades estão previstas no Projeto Alto Juruá, apoiado e financiado pelo BNDES/Fundo Amazônia.



31/05/16

APIWTXA REALIZA CURSO PARA MONITORES AMBIENTAIS DA RESEX

De 9 a 15 de maio foi realizado, no Centro Yorenka Ãtame, o curso para monitores ambientais da Reserva Extrativista Alto Juruá, do qual participaram mais de quarenta representantes de trinta e quatro comunidades. O evento, que integra as atividades do projeto Alto Juruá,  foi ministrado pela advogada Maria Augusta Assirati e contou com a presença do antropólogo Mauro Almeida e da gestora da Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade, Julia Vilela. Estiveram também presentes diversos representantes da Associação de Agricultores e Extrativistas da Resex Alo Juruá – ASAREAJ e o gestor do ICMBio, Domingos Garcio Inácio.
No curso foram apresentadas noções de legislação ambiental, direitos e deveres da população da Reserva e a implementação de seu plano de uso. Um histórico das reservas extrativistas, com suas especificidades e propósitos, também foi discutido. O objetivo é assessorar os extrativistas na gestão de seu território, fortalecer sua organização comunitária e permitir uma maior autonomia da Resex no que diz respeito às suas questões internas. A reunião de representantes de diferentes comunidades propiciou ricos debates, especialmente com relação aos ideais de sua criação, em comparação com a realidade atual, e o que se espera de seu futuro.
José Francisco Garcia Inácio, da comunidade Pedra do Cubio, reforçou a importância dessa atividade: "Esse curso é uma honra para mim e pra todos os companheiros; é um tesouro, uma herança. (...) Hoje eu sou aluno aqui. Nas áreas indígenas Ashaninka e Kaxinawá do Rio Breu, eu sou professor. Então, pra mim, é um enorme prazer. Na minha comunidade Pedra do Cubio já temos três pessoas que trabalham com reflorestamento e preservação da área. Isso é muito bom. Esperamos que esse curso nos fortaleça para que a gente possa aprender muito mais".

04/05/16

EQUIPE DO PROJETO ALTO JURUÁ REALIZA PRIMEIRA VIAGEM DE MONITORAMENTO NA RESEX E NA TI KAXINAWA-ASHANINKA DO RIO BREU

Entre os dias 10 a 30 de abril a equipe do Projeto Alto Juruá visitou mais de 30 comunidades da Reserva Extrativista do Alto Juruá, situadas nos rios Tejo, Bagé, Amônia e Juruá, bem como comunidades na Terra Indígena Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu.

A viagem foi feita para verificar o andamento da primeira fase do projeto, analisando o desempenho do trabalho dos participantes do I Módulo do Curso de Agroecologia, ocorrido em novembro de 2015, no Centro Yorenka Ãtame. Buscou-se registrar o avanço das comunidades no plantio de sistemas agroflorestais (SAFs), bem como fazer um diagnóstico geral das comunidades envolvidas e compreender suas demandas para o melhor desenvolvimento dos SAFs em suas localidades.
Foram semanas de visitas intensas, dialogando com as pessoas responsáveis pelo plantio dos SAFs nas comunidades, discutindo êxitos, necessidades e dificuldades, a fim de superar problemas iniciais, aprimorando o desenvolvimento do projeto e o trabalho nas respectivas comunidades. O coordenador do projeto, Francisco Piyãko, participou de toda a viagem, dialogando e trocando experiências com os responsáveis das comunidades e averiguando as necessidades e avanços dos participantes.
A equipe retornou satisfeita da missão, uma vez que a grande maioria das comunidades envolvidas já iniciaram seus plantios, preparando a terra, construindo viveiros e plantando mudas. Além disso, os representantes comunitários demonstraram grande interesse em continuar os trabalhos, envolvendo um maior número de famílias na iniciativa.

Como forma de prover o apoio solicitado às comunidades visitadas, serão realizados cinco cursos práticos de agroecologia em comunidades estratégicas da Resex, a fim de que mais pessoas possam se envolver no trabalho, e para que os participantes possam receber orientação sobre aspectos que venham afetando os seus plantios, além de poder trocar sementes e experiências com as comunidades vizinhas.

Ainda no âmbito do Projeto Alto Juruá, acontecerá, entre os dias 9 a 15 de maio, o Curso para Monitores Ambientais da ResEx, no Centro Yorenka Ãtame, que tratará da legislação sobre as reservas extrativistas, dos direitos de seus moradores, das atribuições dos órgãos públicos na gestão das ResExs e de outras políticas públicas de interesse, bem como sobre o plano de uso da ResEx Alto Juruá.
(Fotos de Carolina Comandulli e Wewito Piyãko)

02/05/16

APIWTXA DESENVOLVE PROJETO DE PSICULTURA

Desde janeiro de 2015 a Associação Apiwtxa vem desenvolvendo o projeto Fortalecendo Experiências Sócio-produtivas Sustentáveis no Alto Juruá, com financiamento da Fundação Banco do Brasil, que tem por objetivos fomentar a piscicultura e os sistemas agroflorestais na região.

Durante 2015 foram realizadas diversas capacitações, foram construídos novos açudes e tanques, reformas e limpeza nos antigos açudes e nos lagos, foram adquiridos kits de ferramentas, contendo barcos, motores, carrinhos de mão e outros instrumentos de trabalho, distribuídos às comunidades e o houve também fortalecimento dos sistemas agroflorestais já implantados, com foco na produção para o suprimento futuro da agroindústria, contando sempre com o apoio e participação de várias lideranças do povo Ashaninka do Rio Amônia, Ashaninka do Rio Breu e representantes da Associação de Jovens Defensores da Floresta (Assentamento do INCRA P.A Amônia). O projeto está beneficiando 120 famílias na região.
No período de fevereiro a março deste ano, foram realizadas as solturas de mais de 80 milheiros de peixes nos açudes. Com o término do projeto, as comunidades continuarão  praticando as técnicas de manejo da piscicultura e dos sistemas agroflorestais, recebendo os benefícios advindos da produção local.
(Fotos de Carolina Comandulli)

28/04/16

APIWTXA REALIZA INTERCÂMBIO COM POVOS SURUÍ E YAWANAWA E LANÇA PROTOCOLO ASHANINKA

Entre os dias 4 e 8 de abril a Apiwtxa recebeu a visita de 40 representantes indígenas dos povos Suruí e Yawanawa e realizou intercâmbio na aldeia e no Centro Yorenka Ãtame. Durante a visita, os indígenas puderam conhecer a produção de artesanato Ashaninka e compartilhar os rituais do ‘pyarentsi’ e ‘kamarampi’. Também, foram promovidas conversas sobre gestão territorial e ambiental e organização comunitária entre os povos. O intercâmbio foi realizado com apoio da ONG Forest Trends.
No dia 8 de abril, sexta feira, foi lançado no Centro Yorenka Ãtame o livro “Protocolo de Serviços Ambientais dos Ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônea”, contando com os participantes do encontro e de diversos grupos da sociedade de Marechal Thaumaturgo. Representantes das etnias Yawanawa e Suruí ressaltaram a importância da troca de saberes através deste tipo de iniciativa. Um grupo de alunos da Escola Elvira Ferreira Gomes também esteve presente no lançamento do livro e pôde levar para casa um exemplar do livro.

Durante o evento, Wewito Piyãko, professor e cineasta Ashaninka ressaltou: “Através deste livro todos poderão conhecer um pouco do nosso plano de trabalho do presente e do futuro do nosso povo”. O líder Ashaninka Benki Piyãko também expôs: “O livro poderá trazer uma repercussão para todos refletirem sobre o próprio meio de vida.”

O livro tem a autoria do povo Ashaninka do Rio Amônia e foi realizado através do apoio da ONG Forest Trends, Fundo Vale e a Associação APIWTXA, contando ainda com o apoio administrativo da “Equipe de Conservação da Amazônia” e o apoio institucional do Governo do Acre.

(Fotos de Carolina Comandulli)

14/04/16

APIWTXA DISPONIBILIZA FILME SOBRE A EXPEDIÇÃO TSONKIRI NA INTERNET

A Apiwtxa está disponibilizando no Youtube o link do filme da Expedição Tsonkiri (Expedição Beija-Flor), realizada em julho e agosto de 2015 e produzido pelo cineasta Ashaninka Wewito Piyãko em parceria com a ONG Video nas Aldeias.

O filme surgiu através da Expedição Tsonkiri (em português Beija Flor), uma viagem preparatória para a realização da grande Expedição "Yorenka Tasori" ("Sabedoria do Grande Espírito"), prevista para agosto de 2016. Durante a Expedição Tsonkiri os líderes Ashaninka da comunidade Apiwtxa do Rio Amônia, Benki, Moisés, Wewito e Winko Piyãko, acompanhados pela antropóloga Carolina Comandulli, viajaram durante três semanas ao Peru para visitar comunidades Ashaninka da Selva Central e sítios sagrados de grande importância para a cultura Ashaninka, a fim de fazer os primeiros contatos para a preparação da Expedição "Yorenka Tasori".

A Expedição preparatória "Tsonkiri" teve o apoio de vários parceiros, como a Fundação Yves Roché, a ONG alemã "Society for threatened Peoples" (Sociedade em prol dos Povos Ameaçados), a ONG belga-holandesa "House of Indians" e a antropóloga Carolina Comandulli.

Os links para assistir ao filme são os seguintes:

Expedição Yorenka Tasori

Para a grande Expedição "Yorenka Tasori", que deverá registrar a fundo a cultura Ashaninka, os sítios sagrados no Peru e fortalecer o trabalho em conjunto entre o povo Ashaninka no Peru e no Brasil, a Apiwtxa está em busca de apoio financeiro para a realização da iniciativa.

Para obter mais informações ou apoiar a Expedição "Yorenka Tasori" basta entrar em contato com a Apiwtxa no endereço de e-mail: apiwtxa@yahoo.com.br

08/04/16

SEBASTIÃO SALGADO FAZ REGISTRO HISTÓRICO NA ALDEIA APIWTXA DO POVO ASHANINKA DO RIO AMÔNIA

O fotógrafo Sebastião Salgado visitou durante três semanas a comunidade Ashaninka Apiwtxa no Rio Amônia para dar continuidade ao novo projeto em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e a ONG inglesa Survival International que resultará na publicação de um livro sobre as culturas indígenas brasileiras. Segundo Sebastião Salgado o novo projeto tem a intenção de contribuir com a valorização dos povos indígenas brasileiros e suas culturas e busca mudar a realidade indígena no Brasil, combatendo a discriminação e modificando a visão do brasileiro em relação aos indígenas. Sebastião Salgado ressaltou que urge mostrar o valor dos indígenas e suas culturas para o Brasil.

Durante a visita o fotógrafo fez vários registros sobre a cultura Ashaninka do Rio Amônia, fotografando os principais grupos familiares da comunidade, bem como sua indumentária e produção de artesanato. Foi a primeira vez que Sebastião Salgado visitou uma comunidade Ashaninka. O fotógrafo se demonstrou admirado pela organização comunitária da Apiwtxa.

O projeto levará em torno de três anos para ser concluído e Sebastião Salgado pretende fotografar inúmeras comunidades indígenas no Brasil. Além da publicação de um livro sobre as culturas indígenas brasileiras, está planejada a produção de um kit de exposições que deverá circular por escolas e universidades.

07/04/16

APIWTXA INICIA A CONSTRUÇÃO DO PLANO DE MANEJO DE SEMENTES FLORESTAIS NATIVAS

A Apiwtxa acaba de dar início à etapa de campo para a construção do plano de manejo de coleta de sementes florestais nativas na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. A ideia é que a comunidade, no futuro próximo, esteja habilitada a vender as sementes da Terra Indígena para ações de reflorestamento no Estado do Acre e fora dele. O plano está sendo desenvolvido com apoio de uma consultoria especializada contratada no âmbito do Projeto Alto Juruá, com recursos do BNDES/Fundo Amazônia. O Projeto também financiou a construção de um banco de sementes para garantir um armazenamento adequado, o qual está sendo finalizado no Centro Yorenka Ãtame, no município de Marechal Thaumaturgo.
Dentre as atividades introdutórias ao Plano, foi realizada uma reunião com a comunidade Apiwtxa para aprofundar as informações sobre a iniciativa e selecionar os membros que irão contribuir diretamente com sua construção. Os líderes da Apiwtxa fizeram um resgate histórico sobre o envolvimento da comunidade com ações de coleta de sementes. Recordaram que na década de 1990, logo após a demarcação, foi realizada uma pesquisa sobre a diversidade de espécies localizadas na terra indígena e foi iniciada a coleta de sementes com vistas à comercialização. No entanto, poucos anos depois, tiveram de paralisar as atividades devido à necessidade de regularizar a venda.
Agora, o povo Ashaninka do Rio Amônia está desenvolvendo um plano a fim de poder comercializar as sementes dentro dos parâmetros legais, em conformidade com o Registro Nacional de Sementes e Mudas. Essa iniciativa vem ao encontro, tanto do trabalho que a Apiwtxa vem desenvolvendo há décadas com reflorestamento na região do Alto Juruá, quanto de um momento importante no cenário nacional que é a finalização da regularização ambiental de propriedades rurais, que deve gerar uma grande demanda por sementes e mudas para reflorestar as áreas das propriedades indevidamente desmatadas.

De modo a capacitar e equipar a comunidade para coleta, armazenamento e comercialização de sementes, a Apiwtxa acaba de aprovar um projeto com o governo do Estado do Acre, que terá início no mês de abril, com duração de dois anos. Essa é mais uma ação do povo Ashaninka do Rio Amônia que visa à promoção da sustentabilidade ambiental.

25/02/16

APIWTXA REALIZA REVISÃO DE SEU PLANO DE GESTÃO TERRITORIAL E AMBIENTAL E PRESTA CONTAS SOBRE O PROJETO ALTO JURUÁ PARA A COMISSÃO CONSULTIVA

Entre os dias 8 e 10 de fevereiro, as famílias da Apiwtxa reuniram-se na aldeia para revisar o Plano de Gestão da Terra Indígena. Os Ashaninka do Amônia já trabalham com um planejamento sobre suas ações ambientais e territoriais desde 1992, quando começaram a pensar o uso do território a partir da demarcação. Em sua última assembléia, ocorrida em dezembro de 2015, estabeleceram a necessidade de atualizar o plano de gestão à luz das mudanças ocorridas nos últimos anos.
Uma das principais preocupações da comunidade é o rápido crescimento demográfico. Como disse uma das lideranças da Terra Indígena, Francisco Piyãko: “A nossa população está crescendo, mas a terra não vai crescer”. Daí a necessidade de se planejar o uso dos recursos naturais e de se buscar alternativas às limitações atuais causadas não só pelo aumento da população, mas também pelas mudanças climáticas. Assim, na revisão do plano de gestão, foram incluídos elementos que se referem à geração de renda, a qual está sendo pensada especialmente a partir do estabelecimento da agroindústria em Marechal Thaumaturgo para comercialização de polpa de frutas. Outros aspectos que foram incluídos são regras e recomendações sobre os temas saúde e educação, que não constavam na última versão do Plano.
No dia 11 de fevereiro foi o momento de a Apiwtxa prestar contas aos beneficiários do Projeto Alto Juruá sobre a execução das atividades do primeiro semestre e informar sobre as que serão realizadas no segundo semestre.  Estiveram presentes na reunião membros da Comissão Consultiva do Projeto (composta por representantes da Apiwtxa, ResEx Alto Juruá, Associação de Jovens Guerreiros pela Proteção da Floresta e TI Kaxinawá e Ashaninka do Rio Breu), bem como representantes da Funai, que acompanharam também a revisão do Plano de Gestão. A reunião foi marcada por diálogos sobre os desafios atuais da ResEx do Alto Juruá na gestão sustentável de seu território e no resgate da união entre indígenas e extrativistas por meio da Aliança dos Povos da Floresta. Foi destacado que o grande desafio hoje é o de cuidar dos territórios conquistados de forma sustentável, de modo a assegurar a qualidade de vida das presentes e futuras gerações. 


23/02/16

EVENTOS E ACONTECIMENTOS NA ALDEIA APIWTXA E NO CENTRO YORENKA ÃTAME

O final do mês de janeiro e o início do mês de fevereiro foram marcados por intensas atividades na Aldeia Apiwtxa e no Centro Yorenka Ãtame.

No dia 25 de janeiro, desembarcou em Marechal Thaumaturgo um grupo de 17 indígenas da Terra Indígena Balaio (município de São Gabriel da Cachoeira, na região do Rio Negro - Amazonas) , de diversas etnias – dentre elas Tukano e Desano - , para participar de um intercâmbio de 10 dias de duração com os Ashaninka  da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. Os primeiros dias foram dedicados a conhecer o Centro Yorenka Ãtame. Em seguida, partiram para a aldeia Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, onde tiveram a oportunidade de presenciar rituais Ashaninka, conhecer as famílias da aldeia e promover debates sobre organização social, saúde, questões de gênero, entre outros. Os indígenas da TI Balaio, por sua vez, também mostraram seus rituais, cantos, artesanato e culinária tradicional para os Ashaninka do Amônia.

Esta iniciativa de trocas entre os Ashaninka e os indígenas da TI Balaio teve seu início em 2013 e atualmente está contando com o apoio do PNUD. A grande motivação do Projeto é tratar do tema saúde de forma holística. Devido ao contato com a cultura não indígena surgiram vários problemas, como a desvalorização da cultura, a substituição de vários hábitos alimentares e rituais. A ideia do intercâmbio é a de resgatar e motivar, por meio do exemplo da comunidade Apiwtxa, a valorização das tradições dos povos da TI Balaio, por serem compreendidas como a base para uma vida saudável. Este projeto tem o potencial de gerar outras atividades que venham a reforçar o papel da valorização das medicinas tradicionais para a saúde dos povos indígenas.
No dia 25 de janeiro a Apiwtxa também recebeu, no Centro Yorenka Ãtame, representantes da Forest Trends e do Governo do Estado do Acre para discutir a finalização de uma publicação sobre os Ashaninka do Amônia na qual eles estabelecem seu protocolo para diálogo sobre serviços ambientais. A ideia é estabelecer critérios mínimos para aqueles interessados em tratar com os Ashaninka da Apiwtxa sobre propostas e iniciativas relacionadas aos serviços ambientais prestados pelos habitantes da terra indígena.
Finalmente, paralelamente a todos esses eventos, uma equipe de vistoria do BNDES/Fundo Amazônia veio fazer uma visita aos beneficiários do Projeto Alto Juruá. Na visita, os representantes do Fundo Amazônia reuniram-se com lideranças e comunitários da Apiwtxa, bem como com representantes da Reserva Extrativista Alto Juruá, e também visitaram o Centro Yorenka Ãtame a e a aldeia Apiwtxa. Em sua estadia, manifestaram satisfação com os resultados do Projeto até momento, e parabenizaram a equipe pelo bom andamento dos trabalhos.

16/02/16

APIWTXA REALIZA 1º CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA EM GESTÃO DE PROJETOS E NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS E PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

O curso, que aconteceu entre os dias 18 e 27 de janeiro de 2016 no Centro Yorenkã Ãtame, contou com a participação de trinta representantes da comunidade Apiwtxa, incluindo os dirigentes da Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa; da Cooperativa Agroextrativista Asheninka do Rio Amônia – Ayõpare; e da Associação de Jovens – Guerreiros Defensores da Floresta. O curso teve apoio da Fundação Banco do Brasil/ Fundo Amazônia e foi realizado pala empresa de consultoria Instituto Rever.

O planejamento estratégico foi de suma importância para o povo Ashaninka. Ele promove uma visão mais ampla e estratégica na gestão dos projetos desenvolvidos pela instituição, além de fortalecer a comunidade Apiwtxa, possibilitando um planejamento de suas ações, baseado em seus valores intrínsecos, tradicionais e ambientais. Durante o curso foram elaboradas a visão e a missão da Associação Ashaninka, gerando uma base para o desenvolvimento de seus projetos futuros.

"Agora a nossa visão é de poder trabalhar tudo aquilo que colocamos no papel e poder desenvolver, organizar mais e fortalecer os pontos fracos. (...) Os nossos representantes que trabalham fora não podem ficar diretamente atuando dentro e fora da comunidade porque fora é uma demanda muito maior, uma questão que envolve parceiros, ONGs, instituições e órgãos federais, que a gente vai poder trabalhar de uma maneira mais coordenada. Nossa missão é organizar isso e vamos trabalhar pra que tudo dê certo.” Wewito Piyãko.

O curso gerou a semente para que os valores Ashaninka sejam trabalhados de forma organizada, justa e sustentável, para que sejam repassados ao mundo como uma mensagem de incentivo e proteção de nossas riquezas e meios de sobrevivências naturais, por meio de objetivos estratégicos claros e projetos desenvolvidos de maneira sustentável para gerar uma economia local, e fortalecer a comunidade e futuras lideranças.

02/02/16

APIWTXA PLANEJA AÇÕES DE VIGILÂNCIA PARA 2016 E INICIA O ANO COM UMA EXPEDIÇÃO

No dia 30 de dezembro de 2015, lideranças da Apiwtxa se reuniram na aldeia com a finalidade de planejar as ações de vigilância da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia para o ano de 2016. A ideia é intensificar as atividades de proteção da terra, tendo em vista os apoios financeiro e técnico que estão sendo recebidos, respectivamente, por meio do Projeto Alto Juruá (financiado pelo BNDES/Fundo Amazônia) e da University College London, por meio do Projeto Ciência Cidadã Extrema.

O Projeto Alto Juruá prevê a instalação de três bases de vigilância em pontos estratégicos da Terra Indígena, equipadas com kit radiofonia e bote. Há também a previsão de apoio para expedições de vigilância. Já o projeto de monitoramento apoiado pela University College London treinou, em 2015, 13 monitores Ashaninka para realizarem o registro de informações sobre invasões na Terra Indígena com o uso de tecnologia digital, permitindo o levantamento de dados precisos sobre as ocorrências (fotografia, gravação de áudio e coordenada geográfica).
Durante a reunião foram discutidas as vulnerabilidades da Terra Indígena ao longo do ano, conforme as estações, e foram planejadas as ações em cima dessa dinâmica. Também foram levantadas as necessidades de equipamentos para as expedições e a necessidade de se realizar reuniões de esclarecimento sobre as atividades de vigilância nos demais aldeamentos da Terra Indígena. Desse modo, nos dias 4 e 5 de janeiro foram realizadas reuniões de esclarecimento nos aldeamentos situados no Igarapé Amoninha e na fronteira com o Peru, subindo o Rio Amônia. Também realizou-se uma visita na base de vigilância que já se encontrava em construção nas proximidades do Igarapé Amoninha.
Em seguida, entre os dias 9 e 16 de janeiro, uma equipe de 5 monitores Ashaninka deslocaram-se da aldeia Apiwtxa em direção ao Rio Arara, que é uma das fronteiras da Terra Indígena, para a primeira ação de vigilância do ano. Nesta época do ano, é comum a entrada de caçadores ilegais na Terra Indígena, que adentram o Rio Arara em busca de animais silvestres para consumo e comercialização. Há dois aldeamentos Ashaninka no Rio Arara. A equipe de monitores, juntamente com a coordenação executiva do projeto Alto Juruá, se deslocaram até essas localidades para realizar a reunião de esclarecimento. No dia seguinte, os monitores e mais 6 Ashaninka dos aldeamentos do Rio Arara partiram em três botes para a ação de vigilância. Durante a atividade foram localizados dois caçadores, na altura do Igarapé Duas Bocas. Os Ashaninka realizaram uma ação educativa, informando os caçadores da proibição da caça em Terra Indígena, e apreenderam a caça de sua embarcação. Também informaram as comunidades não-indígenas que residem no trajeto do Rio Arara sobre as atividades de vigilância que irão se intensificar no ano de 2016.
As bases de vigilância estarão todas prontas e equipadas até o final do primeiro semestre de 2016, o que permitirá um sistema integrado de monitoramento e comunicação no interior da Terra Indígena e com os órgãos e instituições competentes.






22/01/16

APIWTXA REALIZA ENCONTRO ANUAL E ASSEMBLÉIA GERAL

Entre os dias 19 e 24 de dezembro foi realizado um grande encontro com a presença das famílias da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, da aldeia Apiwtxa, para discutir temas de interesse de todos seus representantes, com apoio da Fundação Banco do Brasil/Fundo Amazônia. Um dos dias foi dedicado à realização da Assembléia Geral da Associação Apiwtxa e outro para a Assembléia Geral da Cooperativa Ayõpare. Entre os principais temas tratados no encontro estão a gestão e produção comunitária, a organização interna da comunidade, a gestão territorial e ambiental, o processo de engajamento nos projetos comunitários e as iniciativas de articulação da Apiwtxa para além de suas fronteiras.
Foram retomadas e reforçadas as regras internas da comunidade no que diz respeito às relações de família e de convivência comunitária.  Destacou-se a importância do respeito mútuo, do cuidado especial que todos devem ter com os mais velhos e com as crianças, bem como foram estabelecidos mecanismos internos de resolução de conflitos. Um deles foi a retomada de uma comissão composta por dez líderes designada como conselheira para tratar de problemas que venham a surgir no âmbito das relações internas da comunidade.
Um dos assuntos de maior destaque nas discussões do encontro foi a gestão territorial e ambiental. Buscou-se reforçar as regras de manejo que estão estabelecidas no plano de gestão territorial e ambiental da Terra Indígena, como a proibição de pesca com tingui (planta utilizada para reduzir o oxigênio da água, que permite a pesca em grandes quantidades), a captura de tracajás, e o respeito às áreas estabelecidas como refúgio de fauna. Também identificou-se a necessidade de se realizar a revisão do plano de gestão da Apiwtxa, pois algumas regras precisam ser atualizadas e outras criadas. Desse modo, foi agendada uma reunião com esta finalidade específica, a ocorrer entre os dias 8 e 10 de fevereiro.

No que diz respeito aos projetos da Apiwtxa apoiado por atores externos, como o Fundo Amazônia/BNDES, a Fundação Banco do Brasil e o Governo do Estado do Acre, foram discutidos os próximos passos em cada projeto e organizado o seu planejamento para o ano de 2016. Sobre as articulações da Apiwtxa para além de suas fronteiras, foram repassadas à comunidade informações a respeito das últimas atividades realizadas, por exemplo, com a Reserva Extrativista Alto Juruá e junto aos Ashaninka do Peru, e discutidas as próximas ações no sentido de trabalhar a reflexão e a implementação de ações sustentáveis junto aos territórios e parentes vizinhos. A antropóloga Carolina Comandulli apresentou as atividades ocorridas em nome da Apiwtxa durante a Conferência do Clima (COP-21), em Paris, as quais contaram com o apoio de parceiros e de dois representantes Ashaninka do Peru para serem realizadas, com destaque para a apresentação de dois filmes da Apiwtxa e da discussão sobre a articulação dos Ashaninka do Brasil e do Peru, no Museé Quai Branly. Originalmente, a Apiwtxa contava com uma agenda de 34 eventos durante a COP-21. No entanto, devido aos ataques terroristas, a comunidade aconselhou seus líderes a não irem à COP-21. Ainda assim, uma série de agendas puderam ser mantidas com o apoio de parceiros.  
Finalmente, foram discutidas modificações necessárias nos Estatutos da Associação Apiwtxa e da Cooperativa Ayõpare. Essas instituições foram constituídas formalmente em 1993 e 2003, respectivamente, e chegou o momento de atualizar seus estatutos à luz das novas ações e iniciativas da comunidade da Apiwtxa. A Cooperativa, por exemplo, tendo em vista o início da operação da agroindústria em Marechal Thaumaturgo em 2016, deverá estar apta a adquirir a produção de frutas da região do Alto Juruá, e não mais apenas somente da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.


Após muitos dias de discussão e de trabalho conjunto, todos se reuniram para tomar pyarentsi (bebida tradicional Ashaninka, feita de mandioca fermentada) e celebrar as realizações do ano de 2015. O ano de 2016 será marcado por muitas atividades da Apiwtxa em todos os níveis, as quais continuaremos relatando aqui.


(Fotos de Carolina Comandulli)

20/11/15

1ª TEIA INDÍGENA DO BRASIL

Nos dias 11, 12 e 13 de novembro, foi realizada a 1a Teia Indígena do Brasil, no Centro Yorenka Ãtame. Na mesma ocasião, o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, Inaugurou o Pontão de Cultura da Yorenka. Contamos ainda com a presença de grandes líderes de vários povos indígenas do Brasil e do Peru. Compareceram representantes dos povos Ashaninka, Yawanawá, Huni Kuin, Jaminawa Arara, Puyanawa, Tukano, Desano, Tupinanmbá, Pataxó, Kayapó, Guarani Mbyá e mais de 300 moradores do Município de Marechal Thaumaturgo.
Durante o encontro, aconteceram muitas apresentações culturais e os povos presentes defenderam a política de pontos de cultura, além de pedirem melhorias no acesso à internet e ampliação e construção de novos pontos, visando manter sempre a tradição cultural viva. Ao final, foi elaborada a Proposta dos Representantes Indígenas da Teia 2015, que foi encaminhada ao Ministério da Cultura, e consolida o diálogo direto entre os povos indígenas e o poder público.

O presidente da SP Cine, Alfredo Manevy, afirmou: "Essa região tem muitas culturas importantes, pro Brasil e pro mundo inteiro, muitos povos, muitas línguas e muitas riquezas culturais. É um trabalho muito valioso, feito por várias etnias, em especial os Ashaninka, aqui no Centro Yorenka Ãtame. O conceito de ponto de cultura é justamente valorizar uma iniciativa cultural que já existe, que faz um trabalho sério. E aqui, tudo que é feito se encaixa perfeitamente na ideia de ponto de cultura."

O povo Ashaninka, que celebrou com grande festa a inauguração do Pontão de Cultura, abriu as portas do espaço para sempre traçar metas de melhorias a todos os povos da floresta, índios e seringueiros, em prol de um melhor desenvolvimento cultural e ambiental.

O Ministro destacou o trabalho de agregação que vem sendo desenvolvido em parceria com o  governo, pelas diversas etnias e pela população não indígena do Acre: "Aqui, temos um exemplo de que é possível trabalhar em conjunto, buscando soluções que permitam não apenas a convivência entre os diferentes, mas que favoreçam a construção de um arranjo no qual todos podem viver sua experiência cultural de forma livre e harmônica, com desenvolvimento social e avanços na qualidade de serviços públicos de acordo com a necessidade de cada um."
(Fotos de Alice Fortes)