30/09/11

Operação apura extração ilegal de madeira em terras brasileiras

por Assessoria da Polícia Federal do Acre, PF/AC, 30/09/2011

A Polícia Federal, juntamente com o IBAMA, o Exército Brasileiro, o ICMBio e a Funai, realizou, no período de 19 a 29 de setembro de 2011, a Operação Copaíba, que contou com participação de aproximadamente 50 servidores de todos os órgão envolvidos. A operação visou apurar denúncia realizada pela Associação Apiwtxa da Comunidade Indígena da Aldeia Ashaninka de extração ilegal de madeiras em terras brasileiras, veiculada no site http://apiwtxa.blogspot.com/, bem como o patrulhamento aéreo da fronteira Brasil /Peru.

Tendo em vista o teor da denúncia, o histórico de extração ilegal de madeiras na região e a necessidade de utilizar o elemento surpresa para eficácia da ação, foi adotada a estratégia operacional de infiltração terrestre da Equipe Operacional dos órgãos envolvidos, no local do suposto crime ambiental, realizada por caminhada na selva de aproximadamente seis horas. Além da infiltração, houve sobrevoo de helicóptero, aeronave fornecida pelo IBAMA, nas áreas objeto da denúncia e da fronteira Brasil/Peru.

29/09/11

Operação Copaíba

Foto: assessoria PF/AC
Polícia Federal, IBAMA, Exército, ICMBio e Funai deflagram ação contra extração de madeira em comunidades indígenas no Acre.

por O Rio Branco, 29/09/2011

A Polícia Federal, juntamente com o IBAMA, o Exército Brasileiro, o ICMBio e a Funai, realizou, no período de 19 a 29 de setembro de 2011, a Operação Copaíba, que contou com participação de aproximadamente 50 servidores de todos os órgão envolvidos. A operação visou apurar denúncia realizada pela Associação Apiwtxa da Comunidade Indígena da Aldeia Ashaninka de extração ilegal de madeiras em terras brasileiras, veiculada em site, bem como o patrulhamento aéreo da fronteira Brasil /Peru.

Tendo em vista o teor da denúncia, o histórico de extração ilegal de madeiras na região e a necessidade de utilizar o elemento surpresa para eficácia da ação, foi adotada a estratégia operacional de infiltração terrestre da Equipe Operacional dos órgãos envolvidos, no local do suposto crime ambiental, realizada por caminhada na selva de aproximadamente seis horas. Além da infiltração, houve sobrevôo de helicóptero, aeronave fornecida pelo IBAMA, nas áreas objeto da denúncia e da fronteira Brasil/Peru.

O teor da denúncia que motivou a ação não se confirmou, porquanto não foi encontrado qualquer indício da prática ou tentativa de crime de extração ilegal de madeira em território brasileiro, apesar de haver histórico de extração ilegal realizada em terras brasileiras por madeireiros peruanos.

É certo que está havendo extração de madeira do lado peruano, nos locais que puderam ser avistados no sobrevôo de helicóptero na fronteira Brasil/Peru, contudo, não há indícios de extração em terras brasileiras.

Apesar de não ter sido encontrado sinais de desmatamento em terras brasileiras na faixa de fronteira fiscalizada, a missão mostrou a articulação e sintonia entre os órgãos envolvidos e a efetiva presença do Estado Brasileiro na faixa de fronteira, diretriz firmada pela Presidente da República Dilma Rousseff ao reconhecer a faixa de fronteira como zona prioritária para atuação dos órgãos federais.

O nome da Operação Copaíba é uma alusão à Copaíba, uma árvore conhecida como antibiótico da mata e alvo da ação dos madeireiros em razão do alto valor econômico.

Leia Nota da Assessoria da PF/AC aqui:Operação apura extração ilegal de madeira em terras brasileiras

15/09/11

Madeireiros e nativos se enfrentam em faixa de fronteira*

Um campo de extração ilegal de madeira no fundo da Amazônia peruana. Foto Scott Wallace

por Socott Wallace, para a National Geographic, 12/09/2011**

Em um sinal de crescente ativismo indígena e impaciência com os burocratas ineficazes, comunidades no Peru e Brasil se uniram nos últimos dias para patrulhar uma região fronteiriça volátil repleta de madeireiros ilegais e gangs de traficantes de droga armadas.

No início deste mês, uma patrulha conjunta de nativos Ashéninka do Alto rio Tamaya no Peru e da tribo Ashaninka do outro lado da fronteira no Brasil encontrou vários pontos dentro do Peru, onde madeireiros pareciam estar operando sem concessões legalmente reconhecidas. Os índios também descobriram um campo de exploração madeireira apenas a 200 metros da fronteira, levando à suspeita de que os madeireiros estão posicionados para arrebatar madeira valiosa do Território nacional brasileiro.

"É uma estratégia conhecida": afirma Isaac Piyãko líder Ashaninka à Comissão Pró-Índio do Acre, o estado de fronteira da Amazônia, no extremo oeste do Brasil, que inclui as terras indígenas dos Ashaninka. "Eles montaram um acampamento próximo à fronteira para tirar a madeira do Brasil." Piyãko disse que a patrulha encontrou troncos de mogno e cedro recentemente derrubados - madeiras ameaçadas de extinção e protegidas por lei - e como árvores em pé do lado Brasil marcadas com chamas pelos madeireiros para a colheita iminente.

Equipados com unidades manuais de GPS, os líderes indígenas apresentaram a informação geo-referenciada às autoridades brasileiras em uma reunião na semana passada na cidade fronteiriça de Cruzeiro do Sul. As autoridades prometeram estudar o assunto e indicaram que estavam dispostos a realizar vigilância aérea e reforçar a sua presença na zona fronteiriça.

Os Ashaninka brasileiros evoluíram em uma força bem organizada e influente nos últimos anos, surgindo como um modelo para outras tribos menos afortunadas. Seu território foi legalmente reconhecido, e membros da tribo desfrutam de um nível relativamente elevado dos serviços de saúde e de educação pública. O mesmo não se pode dizer dos seus irmãos, no Peru. Eles requerem o título legal de suas terras nos últimos 10 anos. O governo ainda não respondeu, deixando o Ashéninka peruana expostos à invasões de madeireiros ilegais e à uma cascata de ameaças que mantêm a todos temerosos quando a noite vem para a floresta e os fogos das cozinhas se apagam.

No mês passado, membros da comunidade Ashéninka do Saweto encontrou três motores de popa sabotados, depois que sofreram um confronto com madeireiros no sertão.

Os Ashaninka e Ashéninka são grupos indígenas intimamente relacionados, partilham de uma língua comum e costumes semelhantes.

* Leia original em inglês AQUI. Versão em português por Leila Soraya Menezes
** Scott Wallace escreve sobre meio ambiente e assuntos indígenas para a National Geographic. Seu próximo livro, The Unconquered: In Search of the Amazon’s Last Uncontacted Tribes, será publicada pela Crown em outubro de 2011. Para mais informações, visite http://www.scottwallace.com/

06/09/11

Missão Ashaninka confirma invasão de madeireiros do Peru em terra indígena no Acre

Ashaninka fiscaliza a fronteira. Acervo CPI/AC

Quinze indígenas ashaninka ganharam a mata na semana passada e constataram que a exploração ilegal da madeira no Peru continua a todo vapor, e ultrapassando para o território brasileiro.

Por Maria Emília Coelho, CPI/AC, 05/07/2011

Após a denúncia de invasão de madeireiros na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, quinze índios ashaninka realizaram, entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro, uma missão de fiscalização na fronteira Brasil-Peru, região que concentra grande densidade de mogno e cedro.

O grupo, formado por dez indígenas da aldeia Apiwtxa, no Acre, e cinco da comunidade Soweto do Alto Rio Tamaya, no Peru, identificou diversos vestígios que comprovam mais uma vez a ação dos madeireiros peruanos em território brasileiro.

A missão Ashaninka encontrou um acampamento a aproximadamente 200 metros da linha de fronteira com Brasil, e próximo a uma estrada. “Essa é uma estratégia conhecida. Eles montam acampamento próximo ao limite fronteiriço para retirar a madeira do território brasileiro”, explica Isaac Piyãko, liderança da aldeia Apiwtxa.

Segundo os índios da comunidade Soweto, existe um outro acampamento, entre os marcos 42 e 43, onde estão trabalhando com guincho motorizado, um sistema de exploração que causa muito mais impacto ambiental.

Durante a missão, os Ashaninka do Peru também encontraram na mata um grupo de oito jovens peruanos e brasileiros, sendo a maioria menor de idade. “O patrão do grupo não estava, apenas o seu filho. Eles se sentaram e escutaram como crianças o nosso apelo para não irem mais para o lado brasileiro”, explicou um dos índios que estava na expedição.

Dentro da TI Kampa do Rio Amônea, no lado Brasil, e entre os marcos 43 e 44, “foram encontradas madeiras picadas e várias árvores de cedro, mogno, copaíba e cumaru marcadas para derrubada e retirada”, contou Issac Piyãko.

Denúncia e ação

A Associação Ashaninka do Rio Amônia divulgou a notícia da invasão em seu blog, no dia 29 de agosto, e endereçou a denúncia à Fundação Nacional do Índio (Funai), à Polícia Federal, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e ao Exército brasileiro.

O Exército não se manifestou até agora, a Funai entrou em contato com a associação indígena pedindo mais informações, e os agentes da Polícia Federal e do Ibama de Cruzeiro do Sul procuraram as lideranças Ashaninka brasileiras com o objetivo de organizarem um planejamento em conjunto de fiscalização na área invadida.

Todas as referências geográficas e informações detalhadas levantadas durante a missão foram apresentadas em uma reunião, no dia 2 de setembro, em Cruzeiro do Sul. Estavam presentes as lideranças Ashaninka Benki Piyãko e Isaac Piyãko, Gleyson Teixeira, assessor técnico da Apiwtxa, Malu Ochoa, coordenadora da Comissão Pró-Indio (CPI-Acre), e agentes da Polícia Federal e do Ibama local.

Na reunião, ficou definido que nos próximos dias será realizada uma nova missão de fiscalização, para realizar sobrevoos nos locais marcados e verificar outras possíveis clareiras que não foram vistas por terra. Também serão feitos registros fotográficos e filmagens.

A médio e longo prazo, foi discutido a importância de se realizar um trabalho de monitoramento interinstitucional da região, com participação das lideranças indígenas, para fortalecer as trocas de informações.

“Se tivéssemos apoio logístico da Funai e do Ibama, a gente mesmo teria condições de fazer a fiscalização dessas áreas. Um vez por mês realizaríamos uma expedição terrestre até a fronteira. Essa ação seria reforçada com um sobrevoo na região realizado pela Funai ou Ibama a cada dois, três meses”, sugeriu Issac Piyãko.

O problema é antigo

O descontrole da atividade madeireira no lado do Peru não é um fato recente. Em 2002, o governo concedeu imensas áreas de floresta a grandes empresas madeireiras. Sem a devida fiscalização, a política facilita a atuação de ilegais, que invadem as áreas das comunidades nativas.

“No Peru, o povo ashaninka não tem o título de terra, estão na luta pela demarcação há 10 anos. Os nossos parentes são ameaçados constantemente, e alguns já foram assassinados. Eles ficam na mira dos invasores e por isso vem pedir ajuda para a gente”, contou Issac Piyãko.

“O que mais preocupa a gente é que as autoridades até agora não assumiram as suas responsabilidades. Se não solucionarem o problema nosso território continuará sendo invadido, e nós continuaremos sofrendo ameaças de morte”, explica a liderança ashaninka peruana, que teve seu nome preservado para evitar qualquer tipo de retaliação.

O índio da comunidade Soweto também explica que já foram realizadas várias reuniões na cidade de Pucallpa, principal pólo madeireiro da Amazônia peruana, mas sem sucesso. “A desculpa é que não há orçamento para missões de fiscalização. Eu lembro que uma vez eu disse para um fiscal: Por que criam instituições ambientais sem orçamento?”

A última apreensão do Ibama e da Polícia Federal brasileira na região do Rio Amônia aconteceu em 2008. “A Funai ficou de colocar um posto de fiscalização nessa linha de fronteira, mas isso não foi feito até hoje”, reclamou Issac.

A liderança da aldeia Apiwtxa também acredita que é importante articular com o governo peruano a retirada dessas pessoas. “É urgente uma política de preservação dessa fronteira, para marcar a presença dos Estados nessa região, impedindo que novas invasões aconteçam”.

SAIBA MAIS AQUI
Denunciamos a presença de madeireiros peruanos clandestinos na Terra Indígena Ashaninka, Território brasileiro
À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS

05/09/11

Denunciamos a presença de madeireiros peruanos clandestinos na Terra Indígena Ashaninka, Território brasileiro



Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 5 de setembro de 2011.


Informamos às autoridades brasileiras que a missão Ashaninka para a fiscalização na fronteira Brasil-Peru, ocorrida entre os dias 30/08 e 02/09/2011 e formada por 15 homens da comunidade Apiwtxa e da comunidade Soweto do Alto Rio Tamaya, comunidade nativa localizada no lado peruano, constatou, por terra, a presença de madeireiros peruanos na Terra Indígena Kampa do Rio Amônea, Território brasileiro.

Os vestígios encontrados da presença dos madeireiros peruanos no Brasil foram:

1) Entre os Marcos 43 e 44, a aproximadamente 200 metros da linha de fronteira, próxima a uma estrada, região com grande densidade de mogno e cedro, a missão encontrou uma clareira com acampamento instalado e árvores de mogno e cedro marcadas para corte

2) Entre os Marcos 42 e 43 estão trabalhando com guincho motorizado, sistema que causa muito mais impacto ambiental

3) A missão também encontrou, no meio da mata, do lado peruano, um grupo de jovens peruanos e brasileiros

Os locais com estes vestígios foram marcados com GPS e todas as informações levantadas foram localizadas no mapa da Terra Ashaninka e analisadas a partir do mapa das invasões ocorridas em 2004.

Montar acampamento próximo a linha de fronteira, é uma estratégia já conhecida, para as invasões dentro do território brasileiro.

As referências e informações levantadas foram apresentadas pelas lideranças Ashaninka aos representantes do IBAMA, do Departamento da Polícia Federal local e da Comissão Pró-Índio do Acre em uma reunião realizada em Cruzeiro do Sul, no dia 02 de setembro de 2011.

A Polícia Federal local e o IBAMA local receberam das lideranças Ashaninka informações detalhadas do local aonde vem ocorrendo as invasões. E organizaram um planejamento conjunto para realizar uma nova missão de fiscalização, com sobrevôos nos locais marcados e para verificar outras clareiras além das que foram vistas por terra. Esta nova missão de fiscalização deve ocorrer nos próximos dias, e também servirá para fazer registros fotográficos e filmagens.

Além de marcar data e organizar a logística da nova missão, a reunião reforçou a importância de se criar um canal de informação e realizar um trabalho de monitoramento interinstitucional, com participação das lideranças indígenas, para fortalecer as trocas de informações.

Histórico da missão de fiscalização ocorrida entre os dias 30/08 e 02/09/2011

- Representantes da comunidade de Soweto, à caminho da comunidade Apiwtxa para uma visita de intercâmbio, varando do rio Tamaya para o rio Amônia, viram o que estava acontecendo dentro da Terra da Apiwtxa, próximo à linha de fronteira. E informaram sobre estes acontecimentos.

- A notícia de novas invasões na TI Kampa do Rio Amonea por parte de madeireiros peruanos, levou a Comunidade Apiwtxa a se reunir no dia 29/08 para discutir a problemática. Nessa reunião se decidiu pela formação de um grupo de fiscalização para ir até o local indicado.

- No dia 30/08, o grupo formado por 15 Ashaninka, sendo 10 da comunidade Apiwtxa e cinco da comunidade nativa Saweto do Alto Rio Tamaya, comunidade localizada no lado peruano, partiu em missão de fiscalização para a fronteira Brasil-Peru.

- A missão durou quatro dias. O grupo retornou à Aldeia Apiwtxa no dia 02/09 e relatou o que viu.

- No dia 02/09/2011, lideranças Ashaninka reuniram-se com autoridades da Polícia Federal e Ibama locais e reportaram o que viram. Esta reunião determinou a realização de uma nova missão para os próximos dias.


Comunidade Apiwtxa do Povo Ashaninka do Rio Amônia
Terra Indígena Kampa do Rio Amônia,
05 de setembro de 2011

31/08/11

Índios do Acre investigam invasão de peruanos para extrair madeira nobre do Brasil

por Golby Pullig, Especial para o UOL Notícias, Em Rio Branco, 31/08/2011

Madeireiros peruanos são suspeitos de invadir terras brasileiras para retirar ilegalmente mogno e cedro do país. A invasão estaria sendo feita na aldeia indígena de Kampa, na região do município de Marechal Thaumaturgo (AC), próxima à fronteira com o Peru.

Um grupo de 15 índios saiu em missão de monitoramento para investigar a invasão nesta terça-feira (30) e deve retornar à aldeia na quinta-feira (1º). A denúncia foi feita pela Associação Ashaninka do Rio Amônia e tem como base informações recebidas por índios da etnia Asheninka, que vivem no lado peruano da fronteira e dizem ter visto a movimentação de retirada da madeira.

Uma primeira sondagem, feita por um grupo menor de índios no início da semana, encontrou árvores com identificação de retirada. “Eles usam guinchos motorizados e arrastam árvores inteiras pelos caminhos que abrem na floresta. Do lado de lá só tem madeira branca. Agora eles querem as das nossas terras”, afirma o professor indígena e diretor da Associação Apiwtxa, Isaac Piyanko. Ele se reuniu na tarde desta quarta-feira (31) com o gerente regional do Ibama, órgão responsável pela fiscalização e monitoramento da região desde 2001 –quando grupos de madeireiros peruanos e narcotraficantes invadiram a região e retiraram em torno de 10 mil metros cúbicos de madeira nobre.

Uma ação conjunta entre Ibama, Exército e Polícia Federal, deflagrada em 2003 a partir de denúncias das comunidades indígenas, conseguiu prender mais de 70 pessoas. As operações realizadas quinzenalmente até o início de 2010 foram reduzidas para apenas dois sobrevoos de monitoramento por ano que cobrem, além da terra indígena, o Parque Nacional da Serra do Divisor.

O superintendente do Ibama no Acre, Diogo Selhorst, informou que as áreas de exploração legal de madeira no Peru estão situadas na fronteira ao longo dessas duas reservas florestais. “Eles aproveitam a logística e a infraestrutura dessas estradas abertas para exploração nas áreas de concessão legais para retirar madeira em território brasileiro, mas precisamos comprovar se isso está novamente ocorrendo”, disse Selhorst, que há duas semanas solicitou à sede em Brasília a antecipação de agendamento de sobrevoo do mês de novembro para a segunda quinzena de setembro.

Na terra indígena do rio Amônia vivem cerca de 110 famílias Ashaninka, Nukini e Jaminawa Arara. A área corresponde a 87 mil hectares de florestas, onde se encontram espécies florestais nativas de grande valor comercial, entre elas o mogno e o cedro. Para chegar à aldeia Ashaninka é preciso percorrer seis horas de barco a partir de Marechal Thaumaturgo subindo o rio Amônia. A comunidade fica a uma distância de aproximadamente de 13 km da fronteira com o Peru.

30/08/11

À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS



Aldeia Apiwtxa, Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 29 de agosto de 2011



À FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO BRASILEIROS,

A Associação Apiwtxa da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia vem, através deste documento, informar às autoridades, FUNAI, POLÍCIA FEDERAL, IBAMA e EXÉRCITO braileiros que nós, Ashaninka da Aldeia Apiwtxa, recebemos nesta semana uma denúncia do povo Ashaninka do Peru, da Terra Indígena Alto Tamaya Soweto, de que está ocorrendo uma nova invasão de madereiros peruanos dentro da T.I Ashaninka do Rio Amônia.

O povo Ashaninka do Brasil, junto com os Ashaninka do Peru, para a defesa e fiscalização de seus territórios, saímos nesta segunda-feira, dia 29 de agosto, com 15 homens armados de ambas partes (Peru e Brasil) para uma missão de verificação na linha de fronteira. Esperamos retornar na sexta-feira, 02/09/2011.

Que as autoridades estejam atentas a qualquer notícia.

Benki Piyãko
Associação Apiwtxa do Povo Ashaninka do Rio Amônia

Edwil Chota
Organização Ashaninka do Alto Tamaya Soweto

22/08/11

Segue tensão na fronteira Brasil-Peru

Foto: Maria Emília Coelho
por Maria Emília Coelho, ((o))EcoAmazônia, 22/08/2011

A situação continua tensa na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira, área de proteção de povos indígenas isolados no Acre, região de fronteira com o Peru. O lugar foi invadido no mês passado por peruanos armados ligados ao narcotráfico. Durante a semana passada, tiros foram ouvidos a menos de dois quilômetros da base. Rastros de isolados foram encontrados perto do local na segunda, dia 15 de agosto.

A equipe da Força Nacional chegou quinta-feira passada à base do igarapé Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), para substituir os seis homens do Batalhão de Operações Policiais Oficiais (Bope) do estado do Acre que estavam na base desde o dia 7 de agosto. Antes, uma equipe da Polícia Federal esteve presente na região para realizar uma operação que capturou Joaquim Fadista, narcotraficante português que atua no Peru.

O sertanista José Carlos Meirelles, que permanece na base do Xinane com os dois mateiros, Francisco de Assis (Chicão) e Francisco Alves de Castro (Marreta), enviou notícias por email: “São onze da noite e o tiro de fuzil aqui pra cima do rio Envira foi ouvido novamente. Penso mesmo que os peruanos vão botar roçado e morar por aqui. Ou seja, não têm a mínima intenção de ir embora. Afinal, ninguém os perturba”.

A ordem dada aos homens da Força Nacional é que a movimentação seja feita num raio máximo de 500 metros da base. “Nosso plano era bater uns igarapés para ver se los hermanos não estão escondidos. Mas ficou apenas no plano, a ordem é só fazer a segurança da base. Ninguém ainda se dispôs a bater realmente estas matas e desvendar o que estas pessoas, que continuam aqui, fazem e querem”, reclamou o sertanista, que coordenou a Frente Envira da Funai por 23 anos. Hoje, ele trabalha na Assessoria Indígena do governo do Acre.

Meirelles contou que viu rastros de isolados no igarapé Xinane há cerca de uma semana. “Fui com os mateiros pegar uns peixes e vi o rastro de dois índios subindo por dentro da água aqui perto da base. Eles não são bestas de andar na praia. Estão monitorando essa maluquice toda por aqui”. O sertanista também está preocupado com o “day after”. “Adivinha pra quem vai sobrar flecha?”.

Nenhuma instituição do governo peruano se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido até agora. O Instituto Nacional de Desenvolvimento dos Povos Andinos, Amazônicos e Afro Peruanos (INDEPA) pediu nesta semana para o órgão indigenista brasileiro informações mais detalhadas e georreferenciadas do local para se manifestar sobre a invasão no Acre.

Até o momento não existe nenhum plano de ação, em coordenação bilateral dos governos de Peru e Brasil, para a proteção dos isolados. Na pouco mais de uma semana a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) realizou em Brasília a primeira reunião do Projeto “Marco Estratégico para a elaboração de uma agenda regional de proteção dos povos indígenas em isolamento voluntário e em contato inicial”.

Para Meirelles, os índios isolados da região são os verdadeiros donos desse pedaço de Amazônia e serão os que, mais uma vez, pagarão o maior preço pela invasão de suas terras: “O que realmente aconteceu com índios isolados, só os urubus sabem”.

Saiba mais
Indígenas isolados correm risco na fronteira com Peru

21/08/11

Cumbre Amazônica reafirma papel de territórios indígenas como barreira à degradação ambiental

por ISA, Instituto Socioambiental, 22/08/2011

Reunidos em Manaus entre 15 e 18 de agosto, lideranças e organizações indígenas dos nove países da Bacia Amazônica divulgaram ao final do encontro o documento intitulado Mandato de Manaus: Ação indígena pela vida.

"Comprovamos que a crise climática e ambiental, é gravíssima, em pouco tempo irreversível, enquanto os poderes globais e nacionais, não podem nem querem detê-la, e pior, pretendem ‘aproveitá-la com mais “negócios verdes” mesmo que ponham em perigo todas as formas de Vida", diz o documento logo no início. O Mandato de Manaus aponta ainda contradições entre as políticas relativas às florestas e as que promovem atividades de grande impacto ambiental como desmatamento, mineração e construção de hidrelétricas, entre outras. Para os povos indígenas é indispensável garantir a demarcação de seus territórios e sua titularidade coletiva.

Leia aqui o documento na íntegra.



11/08/11

Força Nacional e Exército vão garantir segurança de servidores da Funai e índios isolados

Decisão foi tomada após sobrevoo de representantes da Funai e das Forças de Segurança em área que teria sido invadida por narcotraficantes peruanos

por ACRÍTICA.COM, 11/08/2011

Maloca de índios que vivem em condição de isolamento no Acre, em foto tirada durante sobrevoo realizada esta semana (Divulgação/Funai)

Um efetivo da Força Nacional será deslocado ainda esta semana para o município de Feijó, no Acre, para assegurar a segurança dos servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuam na proteção dos índios isolados. Os policiais da Força Nacional atuarão na área até que cheguem ao Acre os oficiais do Exército, que atualmente estão no programa Operação Defesa da Vida.

A decisão foi tomada após visita do presidente da Funai, Márcio Meira, e da secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, ao Acre nesta terça-feira (09).

Meira e Regina Miki sobrevoaram a região onde no início de agosto teria sido invadida por narcotraficantes peruanos. Havia preocupação com possível perseguição a índios que vivem em condição de isolamento no território brasileiro, dentro do Estado do Acre.

Durante o sobrevoo à região de fronteira com o Peru, foram vistas malocas e roçados dos índios isolados.

A assessoria de comunicação da Funai informou que o bom estado das moradias e plantações indica que é baixa a possibilidade de que tenha havido contato com o grupo armado vindo do Peru. O local vem sendo monitorado pela equipe da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Funai.

A região concentra grande número de índios isolados, e há outros grupos que não foram avistados, o que mantém a preocupação com a segurança dos indígenas na região.
Em reunião posterior ao sobrevoo, Regina Miki e Márcio Meira definiram parceria com o Governo do Estado, Ministério da Justiça (Funai, Polícia Federal e Força Nacional) e Ministério da Defesa, com ações que serão tomadas para assegurar a proteção dos servidores que atuam na base, localizada às margens do rio Xinane, dos índios isolados e do território nacional.

Invasão

Funcionários da Funai, da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, relataram a invasão do território brasileiro por grupos armados vindo do Peru.

O alerta, via rádio, partiu de indígenas do povo Ashaninka. No final de julho, a base da Funai, que fica a 32 quilômetros da fronteira do Peru e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC), foi invadida e saqueada por traficantes peruanos, logo depois que a equipe da Funai deixou o local, por segurança.

A FPE é responsável pela proteção territorial dos indígenas isolados que vivem na faixa de fronteira.

A Funai comunicou a invasão ao Ministério da Justiça, que ofereceu apoio na mobilização da Polícia Federal.

A área é de difícil acesso e, por essa razão, uma semana depois da invasão é que foi possível dar início à operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado do Acre e do Exército.

Com ajuda dos mateiros que trabalham na Frente, a equipe de 25 policiais da Polícia Federal conseguir rastrear e prender o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, no dia 3 de agosto.

Joaquim Fadista, que atua no Peru, já havia sido capturado na mesma base em março deste ano e encaminhado a Polícia Civil do município de Feijó. Ele era procurado pela Polícia Nacional peruana, por envolvimento com o tráfico de drogas.

A PF brasileira foi acionada, e o português extraditado para o Peru, mas voltou para Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com droga, que havia escondido na área meses atrás.

A equipe da FPE Envira retornou para a base da Funai na sexta-feira (5). Artur Meirelles, Coordenador da Frente, e mais dois mateiros, conhecidos como Marreta e Chicão, foram buscar mais vestígios na área.

Encontraram um acampamento no outro lado do rio, onde havia um colchão, muitos sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base, e um pedaço de flecha dos índios isolados. Segundo Carlos Travassos, Coordenador Geral de Índios Isolados e Recente Contato (CGIIRC) da FUNAI, que está no local, a flecha pertence ao grupo isolado que vive nas cabeceiras do rio Humaitá.

O grupo ficou conhecido mundialmente quando foi fotografado pela primeira vez em maio de 2008 pela Funai.

Traficantes de droga asaltan un puesto de vigilancia para indígenas aislados

por SURVIVAL, 08/08/2011

José Carlos Meirelles y policías brasileños en el remoto puesto de vigilancia de FUNAI en el río Envira, asaltado por traficantes de droga. © Maria Emília Coelho

El puesto de vigilancia brasileño que protege a los indígenas aislados cuyas imágenes dieron la vuelta al mundo a comienzos de este año ha sufrido un asalto a manos de hombres fuertemente armados, que lo han saqueado y que han destruido equipamiento de gran valor. Se sospecha que son traficantes de droga.

La preocupación por el bienestar de los indígenas ha aumentado después de que los trabajadores de FUNAI (el Departamento de Asuntos Indígenas del Gobierno) descubrieran una flecha partida dentro de la mochila de uno de los traficantes. Tras una rápida inspección de los funcionarios del Gobierno no se han encontrado señales de los indígenas protagonistas de los titulares de febrero.

Descarga un mapa con la localización destacada del puesto de FUNAI


Según algunas informaciones, la policía ha encontrado un paquete con 20 kilos de cocaína en las cercanías. Se teme que el río Envira, donde se encuentra el puesto de vigilancia, se haya convertido en un punto de entrada en Brasil para los traficantes de cocaína de Perú.

Según informes locales, la policía ha detenido a un hombre de nacionalidad portuguesa que ya fue arrestado por tráfico de droga en marzo, y posteriormente deportado.

Indígenas aislados que protagonizaron titulares en todo el mundo el pasado mes de febrero. © Gleison Miranda/FUNAI/Survival

José Carlos Meirelles, el antiguo jefe del puesto, se ha desplazado en helicóptero hasta la zona junto más personas, y ha informado de que hay varios grupos de hombres armados con ametralladoras y rifles en la selva que rodea la base.

Carlos Travassos, el jefe del departamento de indígenas aislados del Gobierno brasileño, ha declarado hoy: “Las flechas son como el carnet de identidad de los indígenas no contactados. Creíamos que los peruanos habían hecho huir a los indígenas. Ahora tenemos pruebas. Estamos más preocupados que nunca. Esta situación podría ser uno de los mayores reveses que sufre la protección de los indígenas aislados en las últimas décadas. Es una catástrofe”.

En un mensaje a Survival International, Meirelles ha dicho: “Nos quedaremos aquí, pase lo que pase, hasta que el estado brasileño decida resolver esta situación de una vez por todas. No para protegernos a nosotros, sino para proteger a los indígenas”. Meirelles ha contado a Survival que un equipo de policía comenzará hoy la persecución de los demás traficantes.

Por su parte, el director de Survival International, Stephen Corry, ha declarado: “Es una noticia extremadamente alarmante. No conocemos el número de indígenas exterminados por el tráfico de drogas en el pasado, pero se deberían tomar todas las medidas posibles para evitar que ocurra otra vez. La atención mundial, al igual que ocurrió a principios de este año cuando se los filmó por primera vez, debería centrarse en estos indígenas no contactados”.

10/08/11

Acre enfrenta “situação de crise”, avalia a Secretaria Nacional de Segurança Pública do MJ

por Altino Machado, Blog da Amazônia, 09/08/2011

Regina Miki e Márcio Meira

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse ao desembarcar na tarde desta terça-feira (9), em Rio Branco, que o Acre vive uma “situação de crise” em decorrência do ataque de grupos paramilitares peruanos contra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, mantida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) no igarapé Xinane, na fronteira Brasil-Peru.

- Nós temos aqui uma situação de crise e nesta situação nós temos que conter a crise para que possamos entrar numa linha natural de trabalho. A Força Nacional está aqui para dar a primeira contenção, que é proteger os índios e nossos servidores. A partir disso, nós vamos ter uma ocupação permanente pelo Ministério da Defesa. É para isto que estamos aqui, para pactuar com o governo do Acre - afirmou.

Regina Miki, que chegou acompanhada do presidente da Funai, Márcio Meira, disse que a “ocupação permanente pelo Ministério da Defesa” vai durar o tempo que for necessário.

- Nós temos operações em que trabalhamos continuamente no Ministério da Defesa. Coordenada pelo Ministério da Justiça, a Operação Sentinela, onde trabalham as Forças Armadas, a Força Nacional e a Polícia Federal. Temos também operações pontuais, a Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Justiça. O que se fizer necessário, o Acre também vai ter, como todos os estados que apresentarem uma contenção de crise - acrescentou.

O presidente da Funai e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça estão sobrevoando a área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira.

Veja a entrevista com Márcio Meira:

Vocês vão até a fronteira?
Vamos fazer um sobrevoo, em seguida voltamos para Rio Branco e vamos sentar com o governo do Acre, para que a gente possa combinar a colaboração que o Estado tem com as providências que o Ministério da Justiça já tem tomado juntamente com o Ministério da Defesa na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, através da Polícia Federal, Funai e Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O senhor chegou a determinar que a equipe da Funai se retirasse da área?
A equipe que estava lá desceu por conta da presença de supostos traficantes. A partir daí, tomamos as providências necessárias para que a equipe pudesse voltar, inclusive com a equipe da Polícia Federal prendendo uma dos invasores que estava lá. Vamos continuar atuando para ver se a gente pega as outras pessoas e consegue apurar tudo o que eventualmente esteja acontecendo lá.

Os funcionários da Funai que decidiram permanecer por conta e risco na área poderão sofrer alguma punição administrativa?
De jeito nenhum, imagina. Os servidores estão prestando serviço público. São a presença do estado brasileiro naquela região, juntamente com todos os agentes dos governos federal e estadual, que está atuando conosco para que nossos funcionários sejam protegidos e, sobretudo, os índios sejam protegidos.

O trabalho da Funai na fronteira do Acre com o Peru, onde vivem os índios isolados, vai demandar cade vez mais a participação das populações do entorno?
O trabalho da Funai é sempre complexo. Cada situação é uma situação. Em situações como essa, obviamente, é sempre necessário a parceria, como estamos tendo a parceria de todos os membros do Ministério da Justiça. Estamos com a secretária nacional de Segurança Pública, comigo aqui no Acre, a pedido do Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que determinou que nós estivéssemos aqui para tomar as demais providências com o governo do Acre, além das providências que já foram tomadas. Precisamos proteger os indígenas e os servidores que estão lá na frente.

E a invasão do território brasileiro?
Por isso que é importante, como eu falei, a presença do Ministério da Defesa, pois é uma faixa de fronteira e se trata da defesa nacional. O Ministério da Defesa é um parceiro fundamental.

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Narcotraficante português é preso em área de índios isolados pela segunda vez

No Acre, Funai suspeita de matança de índios isolados por paramilitares peruanos

Comissão Pró-Índio pede presença das Forças Armadas e do Ministério da Defesa no Acre

Tião Viana teme violência de mercenários peruanos contra os índios isolados

Grupo paramilitar peruano cerca equipe da Funai em território brasileiro

Grupo paramilitar peruano invade território no Acre

09/08/11

Grupo armado peruano invade terra de índios isolados no AC, diz Funai

Polícia foi acionada e enviou homens para proteger área de fronteira. Traficante português foi preso pela Polícia Federal em terra indígena.

por Dennis Barbosa, Do Globo Natureza, em São Paulo, 08/08/2011
Helicóptero da Polícia Federal na base Xinane, no oeste do Acre. (Foto: Divulgação/ Polícia Federal do Acre)

A Fundação Nacional do Índio (Funai) denunciou que um grupo armado vindo do Peru está rondando uma região onde habitam indígenas isolados, no Rio Envira, no oeste do Acre.

Seis funcionários da fundação e seis homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do estado estão numa base num ponto remoto da floresta amazônica, na Terra Indígena Isolados do Envira, na tentativa de localizar os invasores e proteger os indígenas de um eventual conflito com o bando, segundo informa o coordenador de índios recém-contatados da Funai, Antenor Vaz, que está em contato constante com eles desde Brasília.

Há mais de três semanas, índios ashaninka do Peru haviam alertado que o grupo armado estava descendo o Rio Envira em direção ao Brasil. A Funai pediu a presença da Polícia Federal, que ficou uma semana na base, conhecida como Xinane. Segundo Vaz, mateiros da Funai viram dois homens armados rondando o local e, mais tarde, localizaram o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, que acabou preso pela PF.

Em março, Fadista havia sido detido na mesma região. Na ocasião, quando abordado pela polícia, ele deixou cair uma mochila no Rio Envira, a qual se suspeita que contenha drogas. O português, segundo informações da Funai, foi extraditado para o Peru, onde também era procurado e, lá, saiu da prisão, voltando ao Acre em agosto. De acordo com a Polícia Federal, ele é condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e do Ceará, no Brasil, e também em Luxemburgo.

Depois da prisão do traficante, a PF deixou a Base Xinane. Os funcionários da Funai, no entanto, decidiram ficar e, quando voltavam à base de helicóptero, viram homens correndo para o mato.

Neste sábado (6), os funcionários da fundação encontraram, na outra margem do Rio Envira, um acampamento aparentemente usado pelo bando peruano, onde encontraram cartuchos tirados da base da Funai e flechas que pertenceriam aos índios isolados, o que é um indício de os homens armados entraram em contato com os índios ou estiveram em algum lugar onde estes habitam.

“Ou esses caras mataram os isolados ou passaram num lugar onde eles estavam. Sabemos que esses índios se defendem atacando”, diz Vaz.

08/08/11

Presidente da Funai e secretária de Segurança Pública vão à base de proteção indígena atacada por traficantes na fronteira com o Peru

por Roberta Lopes, Repórter da Agência Brasil. Agência Brasil - EBC. 08/08/2011

Brasília – O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, chegam amanhã (9) à base da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, acompanhados de um efetivo da Polícia Federal, segundo informações da fundação.

A base, mantida pela Funai, foi atacada por traficantes peruanos no final de julho. O destacamento fica a 32 quilômetros da fronteira entre o Brasil e o Peru localizada no estado do Acre e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC). A equipe da Envira é responsável por garantir a proteção territorial dos grupos de índios isolados que vivem na região acreana de fronteira entre os dois países.

Depois do ataque, os funcionários deixaram o local e voltaram à base na última sexta-feira (5). Uma equipe com seis policiais da Polícia Militar do Acre chegou ao local ontem (7) para dar segurança à equipe de Envira.

Logo após o ataque, a Funai comunicou a invasão ao Ministério da Justiça, que mobilizou a Polícia Federal. Com o apoio logístico do estado do Acre e do Exército, e também com a ajuda de mateiros que trabalham na frente de Envira, a equipe da PF conseguiu rastrear e prender o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista. Ele já havia sido preso e extraditado para o Peru, mas voltou à região, supostamente para pegar uma mochila com drogas.

De acordo com a Funai, um dos funcionários e dois mateiros encontraram vestígios de que os traficantes ainda estejam na região e que podem ter atacado os índios. Isso porque foi encontrada uma flecha, pertencente a uma das comunidades de índios isolados, numa mochila deixada em um dos acampamentos dos traficantes.

A equipe da base ainda está vasculhando a região e encontrou trilhas recentes, que devem ter sido feitas pelos traficantes.

Edição: Lana Cristina



Peruanos são acusados de invadir base da Funai

por Maria Emília Coelho - O Estado de S.Paulo. ESPECIAL PARA O ESTADO. TARAUACÁ (ACRE). 08/08/2011

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atua na fronteira do Acre com o Peru distribuiu um alerta informando que está cercada por grupos peruanos armados que invadiram a base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, em Igarapé Xinane, no Acre, em julho.

Segundo Carlos Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados e Recente Contato da Funai, no sábado foi encontrado um acampamento no outro lado do igarapé, onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha.

A Diretoria de Proteção da Funai, informada, encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça para chamar a atenção. Ontem, um helicóptero do governo do Acre chegou à base com uma equipe de seis policiais para dar segurança para a equipe da Frente de Proteção.

Na última quinta-feira, uma equipe da Polícia Federal retirou todos da base, mas o grupo de quatro ou cinco funcionários da Funai retornou ao local. A fronteira entre Brasil e Peru abriga a maior população de indígenas em isolamento na Amazônia.

A possível invasão já tinha sido mencionada em um alerta feito no dia 11 de julho por indígenas Ashaninka, que moram na aldeia Simpatia, a três horas de barco da base Envira. Uma semana depois, comandos do Estado do Acre e do Exército executaram várias operações na região.

Segundo o coordenador Travassos, a flecha descoberta no novo acampamento pertence aos índios isolados que vivem nas cabeceiras do Rio Humaitá e que só foram conhecidos em 2008 quando fotografados pela Funai. Uma flecha, afirma ele, é a carteira de identidade dos índios. Ele se diz preocupado, pois a situação pode ter graves consequências para o trabalho de proteção de índios isolados. "São pelo menos três grupos de cinco, seis pessoas. Ao redor da base, há caminhos grandes com pisadas recentes", alerta.

Reação.

Assim que os indígenas Ashaninka divulgaram a presença dos estranhos, iniciou-se uma operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado e do Exército. No dia 3 de agosto foi preso um narcotraficante português, Joaquim Antônio Custódio Fadista, que já havia sido capturado e extraditado para o Peru. Ele conseguiu retornar à Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com drogas.

De acordo com Travassos, o trabalho dos mateiros auxiliou a polícia. "O Ministério do Planejamento pediu o fim da contratação dos serviços terceirizados das frentes, mas, sem pessoas especializadas como eles, a segurança dos índios isolados estará comprometida." O sertanista José Carlos Meirelles, também do grupo, fez um alerta: "Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, a gente fica até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção." E completou: "Somos irresponsáveis, talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados, nossos vizinhos, Ashaninka."

Vistos como obstáculos da exploração pelos seringalistas e caucheiros, esses povos começaram a ser dizimados por meio das chamadas correrias. Os índios que sobreviveram fugiram para as zonas mais inacessíveis da mata. Hoje, esses índios não mantêm contato permanente com a sociedade nacional.



07/08/11

Frente de Proteção dos Índios Isolados da FUNAI em situação de risco máximo

por CPI/ACRE, 07/08/2011

José Carlos Meirelles, sertanista da Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, base da FUNAI para proteção dos povos isolados na fronteira Acre-Brasil/Peru, se dedica à proteção destes índios há mais de 25 anos.

Em julho passado, a base foi invadida e saqueada por traficantes peruanos, logo depois que a equipe deixou o local por segurança. Nesta sexta feira, 05 de agosto, quatro funcionários e o sertanista retornaram à base e ali pretendem permanecer, pois a polícia federal abandonou a região depois de prender apenas um dos traficantes.

A seguir, o comunicado que Meireles fez lá da base, neste sábado, dia 06 de agosto de 2011. Na sequência, a reportagem de Maria Emília Coelho, correspondente da UOL Notícias

A todos,

Vocês já sabem das notícias. Vão as últimas. Desculpem por mandar prá todo mundo, mas o tempo pra ficar no notebook aqui tá curto. Um olho na tela e outro nos peruanos não dá.
Seguinte:

1- Pela quantidade de vestígios aqui ao redor, temos certeza que os caras se dividiram em grupos de cinco ou seis e estão fazendo uma verdadeira varredura aqui ao redor da base.

2- Os isolados não andaram aqui não. As coisas que desapareceram daqui indicam que não foram eles.

3- Cremos tambem que junto desses peruanos existam índios sim, contatados de lá.

4- A gente conhece apito de índio remedando bicho. Parece que tem uma reunião de nambú azul aqui por perto.

5- Se esses caras estão procurando alguma coisa, ainda não acharam.

6- Todo mundo que está aqui ( nós cinco gatos pingados) é manso na mata, como eles.

7- O nome de nosso dois mateiros: Francisco Alves da Silva Castro o Marreta.

8- Francisco de Assis Martins de Oliveira - O Chicão.

9- O dia que a Funai descobrir que um homem como eles, valem por 20 indigenistas e 20 sertanistas, talvez resolva contratá-los, sem concurso público, pois são analfabetos, mas os maiores doutores da mata que conheço, talvez a segurança dos índios isolados possa ser melhor conduzida.

Permaneceremos aqui, dê o que dê, até que o Estado Brasileiro decida RESOLVER DE VEZ esse absurdo!!!! Não prá proteção nossa. PARA PROTEÇÃO DOS ÍNDIOS!!!!!!

Quem não tiver atualizado, por favor procure Uol, sites e tal que já tá no mundo.

Quem puder reclamar, precionar etc., será bem vindo. Os isolado agradecem.

Um grande abraço a todos da nossa equipe de " irresponsáveis", como estamos sendo chamados.

Pensem bem: Quem é o irresponsável mesmo...

Meirelles


LEIA AQUI A MATÉRIA
Funcionários da Funai retornam a base no Acre invadida por traficantes peruanos e reclamam da falta de segurança

06/08/11

Antropólogo e mateiros se unem para defender índios do tráfico

Sem poder contar com o efetivo apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, os servidores da Funai se dispõem a reforçar agora a vigilância na fronteira

por MONTEZUMA CRUZ, Agência Amazônia de Notícias, 06/08/2011

CAMPO GRANDE (MS) – O antropólogo Terri Aquino, dois mateiros e o coordenador de índios isolados no Acre, Jose Carlos Meirelles, decidiram se unir para enfrentar o narcotráfico peruano que ameaça povos indígenas na fronteira brasileira com o Peru. Levados de helicóptero para a região, a cerca de 800 quilômetros de Rio Branco, lá estão, sem data para retornar às suas bases na floresta.

Trabalhando para a Fundação do Índio (Funai) há mais de 30 anos na floresta amazônica, Aquino lamenta que integrantes desse ‘grupo paramilitar peruano’ – conforme ele designa – invadiram recentemente a base Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira e continuam invadindo o território acreano, valendo-se do isolamento e da falta de guardas. Um único integrante do grupo foi preso, extraditado, mas já retornou à região.

“O território brasileiro é invadido por um bando de narcotraficantes internacionais; quando essas notícias não saem nos jornais, nem Deus fica sabendo”, diz Aquino em mensagem transmitida à imprensa.

Outro grave problema na região é a exploração madeireira por peruanos e chineses, que fora denunciada pela primeira vez em novembro de 2005 por Terri e seu colega sertanista José Carlos Meirelles. O fato vem se repetindo. Na ocasião eles chamaram a atenção para a ilegalidade dessa atividade em território tradicional dos indígenas “em isolamento voluntário” Mashco Piro, localizado no Parque Nacional Alto Purus e na Reserva Territorial Mascho Piro, incorporada a esse Parque desde novembro de 2004.

Sem poder contar com o efetivo apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, os servidores da Funai, conforme Aquino, se dispõem a reforçar agora a vigilância na fronteira, constituindo um grupo mais numeroso formado por indígenas Ashaninka e Kulina do alto Rio Envira, e Kaxinawá dos altos rios Humaitá e Jordão.

Aquino lamenta que grupamentos das forças de segurança nacional se limitem a operações pontuais ao longo da fronteira, retornando logo em seguida aos quartéis. No entanto, ofereceu-se para auxiliá-los: “Se precisarem de mim é só chamar para que possamos criar esse incrível exército Brancaleone e atuar nessas lindas matas das proximidades do Paralelo 10 graus Sul, essa extensa linha imaginária da fronteira internacional Brasil–Peru.”

“Se vierem, venham para resolver”

Este é o apelo de Aquino, na íntegra:

“A todos os companheiros de luta e família. Como o tempo é curto e é muita gente, me desculpem misturar familiares e trabalho. Como todos sabem a nossa base do Xinane foi invadida por um grupo paramilitar peruano, onde foi preso por uma operação da polícia federal, um único integrante.

O famoso Joaquim Fadista, que já tinha sido pego aqui por nosso pessoal, foi extraditado e voltou. Com um grupo de pessoas cuja quantidade não sabemos.
A operação foi muito rápida e hoje todo mundo foi embora. Nossa base ficou só de novo.

Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, tomamos a decisão, Carlos Travassos, coordenador dos isolados, Artur coordenador da frente, Eu, e dois mateiros nossos – Marreta e Chicão – de vir pra cá. Fomos deixados pelo helicóptero da operação.

Os caras ainda estão por aqui. Correram quando o helicóptero chegou. Rasto fresco e cortado de hoje. Se o povo da PF ou Exército estivesse aqui a gente pegava todo mundo.

Parece que as coisas não são bem assim. Talvez se esse grupo tivesse invadido algum canteiro de obra o PAC, metade do exército já estaria lá. Mas como é uma basezinha da Funai, área de índios isolados.

O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção. Somos irresponsáveis. Talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados nossos vizinhos Ashaninka.

Não temos resposta pra tudo isso. Mas estamos bem perto das perguntas. Permaneceremos aqui. E nem venham nos buscar para abandonar a base de novo e nem venham aqui passar dois dias. Se vierem, venham pra resolver o problema. Caso contrário, a gente mesmo vê o que faz. Um abraço a todos.”

NOTA
Os grifos são do antropólogo Terry Aquino.

20/05/11

Perú: Denuncian invasión en territorios de indígenas en contacto inicial


por Comunicación FENAMAD

En la cuenca del río Piñi Piñi de la zona de amortiguamiento del Parque Nacional del Manu, región de Madre de Dios, viven indígenas Matziguenkas originarios de las zonas de Boca Maestron y Mameria.

Los invasores no solo habrían ocupado un área de uso tradicional de los indígenas, que en temporadas de verano bajan de las cabeceras para cazar o pescar, sino que además están consumiendo sus plantaciones de plátano y yuca.

“Nuestros hermanos no solo van a perder acceso a los recursos naturales de la periferia del Parque, sino que también van a quedar vulnerables a un contacto irresponsable y a la contaminación de enfermedades exógenas como gripe y tuberculosis”, denunciaron Jorge Quispe Quispe y Marco Pedro Arones Jerewa, jefes de las comunidades nativas de Santa Rosa de Huacaria y Queros, respectivamente.

Según los líderes indígenas, se trata de 29 personas pertenecientes a la Asociación de Productores Agrícolas Alto Piñi Piñi, de Alberto Gonzales Quispe y Jorge Aparicio Quispe. Estas personas se han instalado “sin ningún tipo de autorización” en un área de bosque de producción permanente.

“La invasión está produciendo deforestación. Construcción de estructuras básicas de vivienda y la introducción de especies domésticas vegetales y animales como plantas de cítricos, patos y perros”, afirmaron.

La zona invadida corresponde a las coordenadas UTM 19L 0232648 S, 8581000 W, en la margen izquierda del río Piñi Piñi, a poco más de cuatro kilómetros del Parque Nacional del Manu y del centro poblado de la Comunidad de Santa Rosa de Huacaria.

Los líderes indígenas y comuneros, Santiago Soncco Cansaya, Alberto Manqueriapa Vitente, Freddy Quertehuari Dariquebe, Erberto Chuquihuanca Mamani, Walter Quertehuari Dariquebe, además de Jorge Quispe Quispe y Marco Pedro Arones, mencionados anteriormente, manifestaron su preocupación por lo que consideran un inminente genocidio con esta población altamente vulnerable a padecer enfermedades (ver carta adjunta).

El jefe de la Concesión para la Conservación de la Reserva Ecológica Haramba Queros Wachiperi, Walter Quertehuari, sostuvo que el día de mañana viernes 20 de mayo se realizará el operativo de desalojo, en la que participará la Fiscalía de Salvación, la Policía Nacional, la Dirección Agraria de Madre de Dios, entre otros.

La dirección de control de Flora y Fauna Silvestre de Salvación, Manu, dio un plazo a los invasores para que se retiren del lugar en caso contrario se tomarán las acciones legales en aplicación a las normas vigentes de la ley nacional.

Mientras tanto, una comisión de la Federación Nativa, viajó de emergencia al lugar para apoyar a las acciones de protección de los indígenas en contacto inicial, y defender sus derechos ante las autoridades competentes.

“Esto nos muestra una vez más que nuestros territorios están siendo invadidos, y que estamos siendo expuestos permanentemente a la violación de nuestros derechos. El Estado no tiene una política que regule o fiscalice estos hechos en la amazonía”, manifestó el presidente de la FENAMAD, Jaime Corisepa Neri.

Se conoce ampliamente los casos de genocidios en pueblos amazónicos debido a la introducción de enfermedades contagiosas. En el pasado la introducción de la viruela eliminó al 50% de la población de la etnia Wachiperi.

Comunicación FENAMAD
http://www.fenamad.org.pe/
http://www.fenamad-indigenas.blogspot.com/

05/02/11

Indígenas isolados no Acre são ameaçados por madeireiros peruanos

por Redação ECO, 01/02/2011

A Funai (Fundação Nacional dos Indígenas) está preocupada com comunidades indígenas isoladas na fronteira do Brasil com o Peru. O avanço de madeireiros peruanos pela fronteira brasileira na região do Rio Envira, no Acre, ameaça à saúde física e mental dessas comunidades isoladas, que nunca tiveram contato com outros grupos de pessoas.

“É um perigo para a saúde desses índios, não apenas pelo risco de os madeireiros peruanos matá-los e expulsá-los. O simples contato pode resultar em doenças que, apesar de inofensivas para o branco, são mortais para esses índios”, afirmou Arthur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Envira ligada a Funai, à Agência Brasil.

Índigenas isolados são ameaçados por madeireiros peruanos/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival


As autoridades brasileiras estão receosas com essa situação. O descolamento desses indígenas do habitat pode provocar choques com outras tribos próximas, aumentando os conflitos na região. No Peru, a organização peruana AIDESEP reclama a inação das autoridades do país. "Apesar das denúncias dentro e fora do Peru contra a ação dos madeireiros, nada foi feito a respeito", afirmou um porta-voz.

Para Stephen Cory, diretor da ONG Survival, os madeireiros ilegais irão destruir a tribo e faz um apelo aos peruanos: “É vital que o governo peruano detenha esses madeireiros ilegais, antes que seja tarde”, afirma.

Fotos inéditas

Como forma de sensibilizar as autoridades, a Funai divulgou em sua campanha internacional em defesa das tribos isoladas, através da ONG britânica Survival, algumas fotos inéditas dos indígenas da região.

Indígenas vivem em área isolada/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

"As pessoas nestas fotos estão evidentemente muito bem, o que precisam é que lhes ajudemos a proteger seu território, de forma com que possam tomar suas próprias decisões sobre o futuro.", explica Stephen Corry sobre as imagens.

A Funai concluiu através das fotos que os indígenas eram da etnia Pano. As pinturas feitas com urucum e jenipapo e as plantações de milho, algodão e banana ajudaram bastante na caracterização: “É um povo originário do Peru que trabalha muito com roçados.”, acrescentou Arthur Meirelles.

Existem três grupos Pano na região, com cerca de 600 índios e eles são totalmente isolados. Sobre isso, Meirelles explica: "Não faz parte da política da Funai fazer contato com eles, exceto em caso de urgência, para evitar o desaparecimento desse povo, a exemplo do que já ocorreu com outras etnias. Nosso plano é atuar no campo do monitoramento, da fiscalização e vigilância da terra indígena”.

A Funai, desde 2000, já conhece mais de mil índios isolados na região, pertencentes a quatro grupos. Existem também filmagens dessas comunidades isoladas, que inclusive já foram cedidas à BBC para um documentário que será veiculado até o final do ano.

Índios da etnia Pano vivem em harmonia com o ambiente/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

Veja outras imagens aqui!

31/01/11

Marina Silva vai à SPFW com traje Ashaninka


Marina Silva na SPFW, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga, com traje Ashaninka

por Renata Sakai, Do EGO, em São Paulo, 31/01/2011

Marina Silva foi à São Paulo Fashion Week, na Bienal, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga. A ex-candidata à presidência usava um colar feito por ela mesma e um traje indígena, que ganhou da tribo Ashaninka, do Acre, na divisa com o Peru.

“Esta peça é uma honraria muito grande. Para homenagear a moda brasileira, nada melhor do que um traje indígena", disse Marina, que ganhou túnica (chamada de cusma pelos indígenas) há dez anos. O tecido foi pintado com uma tinta extraída de uma árvore chamada Cumaru.