26/12/2016

POVOS INDÍGENAS ASHANINKA E PAITER SURUÍ COMPARTILHAM SABERES EM INTERCÂMBIO

Um grupo de cinco membros representou a Comunidade Ashaninka da Apiwtxa na visita à Terra Indígena Sete de Setembro do Povo Paiter Suruí, em Rondônia. A visita, ocorrida no último mês de novembro, teve duração de três dias, e integrou uma agenda de intercâmbio que vem sendo realizada entre os dois Povos, com apoio da Forest Trends.

Os representantes Ashaninka foram recebidos por lideranças e membros do Povo Suruí na Aldeia Linha Nove no início da tarde da quarta-feira (23). Ali, após o almoço, os visitantes Erishi, Giovani, Enisson, Antxoki, e Otxe, fizeram uma explanação sobre a identidade, a cultura, o modo e o plano de vida de seu Povo Ashaninka. A apresentação foi acompanhada da distribuição de materiais informativos que a Comunidade Apiwtxa vem produzindo para compartilhamento de suas experiências de gestão territorial.

Na quinta-feira (24), houve uma visita guiada por membros da Comunidade Suruí de Sete de Setembro ao centro de plantas medicinais da Terra Indígena. A Farmácia Viva, como é chamado pelos moradores de Sete de Setembro, é sediada na Aldeia Linha Nove. A demonstração e as explicações foram conduzidas por moradores da Comunidade.
De volta à cidade, o grupo participou do lançamento do livro 'Histórias do começo e do fim do mundo – o contato do povo Paiter Suruí', concebido com o objetivo de manter viva a cultura e história desse Povo. O evento ocorreu às 19h30 no auditório da Câmara Municipal de Cacoal (RO), município localizado a 480 quilômetros de Porto Velho.

O último dia de intercâmbio, sexta-feira (25), aconteceu na Aldeia Lapetânia – Linha 11. Ali, os Suruí apresentaram o viveiro de mudas em que a Comunidade vem trabalhando no âmbito do Projeto Pamini, que conta com apoio da Forest Trends. A ação é parte de um plano de reflorestamento do território, por meio do consórcio de espécies, na implementação de sistemas agroflorestais.

Durante a tarde, todos os presentes formaram uma grande roda de conversa para trocas interculturais de experiências sobre diversos temas, como planos de gestão e de vida, formas de organização comunitária, gestão territorial, e alternativas de manejo de recursos naturais.

A última noite da visita Ashaninka foi marcada por festejos interculturais, com trocas de presentes que incluíram belíssimas peças de artesanato produzidas por ambos os Povos.
A Terra Indígena Sete de Setembro onde vive o Povo autodenominado Paiter, é localizada ao norte do município de Cacoal, em Rondônia. Foi demarcada em 1976, sendo declarada e homologada apenas no ano de 1983.

Em março deste ano um grupo de integrantes do Povo Paiter e Yawanawá passaram 3 dias com os Ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, concretizando a primeira etapa do intercâmbio realizado entre os dois Povos.

Essa ação tem sido compreendida como uma excelente oportunidade de troca de saberes, e como selo de uma aliança intercultural importante para o fortalecimento da luta pela promoção e proteção dos povos indígenas e seus direitos e pela conservação ambiental, bem como para o sucesso dos projetos comunitários que vêm sendo desenvolvidos pelas sociedades Ashaninka e Paiter Suruí.

15/12/2016

ASSEMBLEIA DA OPIRJ DISCUTE AÇÕES INDÍGENAS E INDIGENISTAS PARA O ALTO JURUÁ

De 28 a 30 de novembro mais de 60 indígenas reuniram-se na Terra Indígena Puyanawa em Mâncio Lima, no Acre, para a realização da 7º Assembleia da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá – OPIRJ. O encontro foi financiado pela Fundação Nacional do Índio – Funai/CR Alto Juruá e marcado por importantes reflexões e debates.  

Dentre os assuntos da pauta, estavam o papel da OPIRJ na representatividade dos Povos da região, reflexões sobre a atuação e estratégias de fortalecimento do movimento indígena, e avaliações sobre a política indigenista, moderado pelo Coordenador da OPIRJ, Francisco Piyãko.


No campo das políticas públicas foi possível realizar análises conjunturais sobre educação e saúde indígena, e sobre a ação da Funai no Alto Juruá. O Coordenador do Distrito Sanitário Indígena (DSEI), Edir Clemente, o Coordenador Regional da Funai, Luiz Nukini, e a Assessoria dos Povos Indígenas do Acre, representado pelo Sr. José Ramos, apresentaram balaços da atuação dos órgãos, contribuindo para as análises e discussões.

Ocorreu também um debate em torno da consulta aos Povos da região, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN pretende realizar sobre o registro dos rituais de Ayahuasca Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Duas representantes do órgão estiveram presentes para iniciar as conversas sobre o tema, buscando reunir subsídios para a construção do processo de consulta livre, prévia e informada, cuja realização é legalmente exigida no Brasil como condição para a adoção de qualquer medida que tenha relação, impacto, ou potencial para afetar povos indígenas. Os indígenas presentes afirmaram ter muitas dúvidas sobre o assunto, e deixaram marcada sua posição quanto à complexidade de realização de uma consulta a respeito, afirmando que seus direitos devem ser integralmente cumpridos.           

Outro destaque foi o planejamento de um projeto com objetivo de promover o fortalecimento institucional da OPIRJ e sociocultural dos Povos do Alto Juruá, a articulação entre as comunidades indígenas, e a implementação de ações voltadas à gestão territorial e ambiental de seus territórios, para isso foram definidos cinco eixos para o projeto.
O principal diferencial do projeto idealizado é o protagonismo das próprias lideranças indígenas da região nos processos referentes a sua construção e implementação. Ficou estabelecida uma agenda de trabalhos futuros, com intuito de dar prosseguimento à construção do projeto.

Na Assembleia, estiveram presentes representantes dos dez Povos Indígenas que integram a Organização, e a participação de todos foi muito ativa e relevante, principalmente no âmbito das oportunidades de apoio no fortalecimento dos povos da região.

As lideranças presentes fizeram uma positiva avaliação do encontro, que representou uma excelente oportunidade de reunir os Povos Indígenas para refletir e pensar soluções para os principais desafios que atualmente estão colocados para o bem viver das comunidades da região do Alto Juruá.
Fotos de Carolina Comandulli

14/12/2016

ASHANINKA DA APIWTXA BARRA ACESSO DE MADEIREIROS PERUANOS NO RIO AMÔNIA

Tendo tomado conhecimento de que uma empresa peruana rumava para territórios indígenas Ashaninka no Peru visando iniciar atividades de manejo florestal, lideranças da Apiwtxa, no âmbito de sua ação de monitoramento territorial, interditaram a passagem da referida equipe no interior da Terra Indígena, no curso do Rio Amônia. Na ocasião, a equipe foi chamada a prestar esclarecimentos aos membros da Apiwtxa a respeito das atividades que buscavam realizar nas comunidades peruanas. O fato ocorreu na Aldeia Apiwtxa no último dia 15 de novembro, quando três funcionários da empresa subiam o Rio Amônia em direção às Comunidades Nativas Shawaya e Sawawo, ambas situadas no Peru.

Os três viajantes se identificaram como representantes da empresa Forestal Ucayali, relatando que o objetivo da viagem era promover um ciclo de conversas com as comunidades sobre projetos que, atrelados à construção de uma estrada e apoiados pelo Governo peruano, levariam desenvolvimento econômico, social, e em saúde às populações locais, e que com isso tiraram as comunidades do isolamento. A empresa, segundo seus representantes, teria autorização do governo peruano para realizar a visita. Contudo, nenhum documento foi apresentado nesse sentido.


Na mesma data, diversas lideranças e membros da Apiwtxa estavam reunidos na aldeia em razão de um curso de Gestão, realizado entre 14 e 16 de novembro, do qual participavam também lideranças Ashaninka de Sawawo. A chegada dos representantes da empresa durante essa ocasião, possibilitou tantos aos Ashaninka da Apiwtxa, quanto aos de Sawawo, a reafirmação de suas organizações sociais, e manifestação de sua visão de desenvolvimento, que caminha no sentido da proteção da floresta, da valorização cultural, da conservação ambiental, e do protagonismo indígena na promoção do bem viver das comunidades Ashaninka. Todos negaram interesse na realização de projetos que envolvessem retirada e comercialização de madeira.
Foi também rememorada a mal sucedida experiência vivida pela comunidade Sawawo, que investiu na parceria proposta pela empresa Forestal Venal e afirmaram sua contrariedade com a repetição de empreendimentos dessa natureza. A empresa Venal executou um plano de manejo no território de Sawawo, período no qual a comunidade recebeu altas somas em dinheiro, as quais não se reverteram em benefícios sustentáveis para o bem estar de seus moradores quando da saída da empresa, além de ter causado a degradação da floresta e a desestruturação social, o que impactou as comunidades vizinhas.

A decisão dos Ashaninka, então, foi no sentido de impedir que os viajantes seguissem pelo Rio Amônia. Sendo assim, caso a empresa deseje manter o plano de realizar as conversas, o acesso às comunidades não poderá dar-se por essa via. Além disso, declararam que se há interesse por parte do governo peruano nesse empreendimento, seus representantes devem buscar um diálogo com o governo brasileiro a fim de avaliar o interesse de ambas as partes e realizar as consultas devidas às comunidades afetadas.

13/12/2016

APIWTXA INVESTE NA EXPRESSÃO DE SUA MARCA

No mês de novembro a Comunidade Ashaninka do Amônia recebeu os profissionais Carolina Montenegro e Cilas Nascimento Sousa, que estiveram no Centro Yorenka Ãtame e na Aldeia Apiwtxa a fim de realizar um diagnóstico relativo à elaboração da marca da Apiwtxa.

Os consultores foram contratados com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, no âmbito do Projeto Alto Juruá, para construir uma proposta de marca a ser utilizada para expressar a identidade dos produtos e serviços realizados pela Apiwtxa.

A ideia é que essa marca possa comunicar os valores inerentes aos produtos e serviços que a comunidade desenvolve, tais como peças de artesanato, mercadorias derivadas do manejo de sistemas agroflorestais, e outros.

Durante essa visita, que durou cerca de 20 dias, a equipe participou de algumas atividades de rotina e rituais tradicionais da comunidade, além de entrevistar mais de 10 pessoas entre lideranças e colaboradores da Associação. O objetivo foi pesquisar e reunir elementos que permitam apontar e compreender os valores fundamentais para expressar a identidade dos Ashaninka da Apiwtxa.
Segundo Carolina Montenegro, chamou a atenção durante esse trabalho, o alinhamento e a convergência das ideais apresentadas nas falas de todos os entrevistados.

O trabalho de construção da marca contará, ainda, com etapas futuras, tais como uma nova visita para apresentação e discussão dos resultados do diagnóstico, e da elaboração efetiva da proposta de marca, que deverá ser, por fim, validada pela comunidade antes de passar a ser adotada.

12/12/2016

APIWTXA COLHE FRUTOS DE PROJETO DE PISCULTURA

O projeto Fortalecendo Experiências Sócio-produtivas Sustentáveis no Alto Juruá, com financiamento da Fundação Banco do Brasil/Fundo Amazônia, que teve por objetivos fomentar a piscicultura e os sistemas agroflorestais na região, começou a ser desenvolvido pela Associação Apiwtxa em janeiro de 2015. O projeto teve duração de um ano e meio, durante os quais foram construídos açudes e tanques e foi realizada limpeza de lagos para reprodução de peixes. Entre fevereiro e março do presente ano, foram introduzidos 80 mil alevinos nos açudes e a Apiwtxa organizou-se para realizar seu cuidado.  Trata-se de uma atividade nova para os Ashaninka, o que traz desafios e aprendizados no processo.
Nos meses de outubro e novembro foram realizadas as primeiras despescas, tanto na aldeia Apiwtxa, quanto no Centro Yorenka Ãtame e no Assentamento PA Amônia/Comunidade Raio do Sol. Na aldeia, os peixes já foram consumidos em reuniões comunitárias e também comercializados internamente. Alguns dos peixes capturados (dentre eles matrinchãs, tambaquis e piaus) chegam a pesar mais de 2 quilos, indicando a viabilidade dessa alternativa.
O modo que a Apiwtxa encontrou para gerir da melhor forma cada açude na aldeia foi a de responsabilizar determinadas famílias da comunidade pelo cuidado de açudes específicos. Assim, cada família encarregada recebe uma porcentagem dos lucros gerados com a comercialização interna dos peixes na aldeia, dando como contrapartida seu comprometimento com o zelo cotidiano dos peixes. Já os momentos de limpeza dos açudes são realizados em atividades coletivas. A comercialização dos peixes, por sua vez, é feita de modo centralizado, por meio da Cooperativa Ayõpare. Os peixes também servem de fonte de alimento quando da realização de eventos comunitários da Apiwtxa.
Neste momento, a ideia é investir o lucro da despesca na compra de mais alevinos, para dar sustentabilidade à iniciativa. Foi identificado que a demanda pela compra de peixes, tanto na aldeia quanto no Centro Yorenka Ãtame, é superior à capacidade de produção atual dos açudes, de modo que a ampliação desta iniciativa está nos planos da Apiwtxa.  Inclusive, os moradores da Reserva Extrativista do Alto Juruá também estão interessados em trazer para suas comunidades este tipo de alternativa, pois ela fortalece não apenas a segurança alimentar, quanto a geração de renda comunitária.

24/11/2016

APIWTXA REALIZA O 4° MÓDULO DO CURSO DE FORMAÇÃO EM GESTÃO

Entre os dias 14 e 16 de novembro, cerca de trinta membros da comunidade Ashaninka da Apiwtxa participaram do 4° módulo do Curso de Formação Continuada em Gestão.

Com apoio do BNDES/Fundo Amazônia no âmbito do Projeto Alto Juruá, e ministrado por Márcio Calvão da empresa de consultoria Instituto Rever, o curso foi realizado na aldeia, e contou com a participação de dirigentes da Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa e da Cooperativa Agroextrativista Asheninka do Rio Amônia – Ayõpare.  

Tendo como objetivo a formação da comunidade para a elaboração de projetos, o Curso, além do tratamento de conhecimentos técnicos e teóricos sobre o tema, proporcionou a elaboração de um projeto para aplicação prática dos conteúdos abordados.


Os Ashaninka presentes aproveitaram, então, a oportunidade para discutir uma problemática concreta da Comunidade e elaborar um projeto real que será, de fato, implementado.

Debatendo os impactos da introdução dos recursos decorrentes de benefícios sociais e salários na comunidade, concluíram que os principais desafios a serem enfrentados em relação ao assunto, residem em evitar que os beneficiários tenham que se deslocar até o município de Marechal Thaumaturgo para acessar os respectivos recursos, e implementar mecanismos para que esses valores possam circular na aldeia, contribuindo para fortalecer toda a Apiwtxa.     

O deslocamento dos Ashaninka até a cidade para recebimento dos salários ou recursos da Seguridade Social, vem implicando na diminuição da participação e envolvimento das pessoas nas questões comunitárias, bem como da produção do artesanato, além de permitir sua exposição a doenças, vida noturna, bebidas alcoólicas e outras drogas. Vem sendo constatado, ainda, um aumento do consumo de alimentos industrializados em razão da necessidade de permanência na cidade para a conclusão das providências relativas. Outras questões apontadas pelos presentes foram a constatação de um gasto excessivo de combustível em razão da necessidade de constantes deslocamentos até o município, e a ocorrência de casos de retenção e uso indevido de cartões por comerciantes locais.

Frente ao cenário mapeado, foi levantado um conjunto de oportunidades como consequência de modificações que permitam a chegada desses recursos na aldeia, sem necessidade de deslocamento dos Ashaninka da Apiwtxa até a cidade, e a melhor circulação dos recursos dentro da aldeia. 

Nesse sentido, foi desenvolvido durante o Curso, um projeto de fortalecimento da economia e organização sociocultural da Apiwtxa, com objetivo de criar mecanismos que possibilitem o pagamento dos benefícios sociais e salários na comunidade, e de desenvolver o mercado e a organização sociocultural do Povo Ashaninka da Apiwtxa.

O resultado do Curso foi de grande relevância para a Comunidade Apiwtxa, que seguirá, a partir desse momento, trabalhando no sentido de viabilizar o projeto elaborado.

22/11/2016

APIWTXA DISCUTE SITUAÇÃO DO BOLSA FAMÍLIA EM REUNIÃO NO MPF

No dia 9 de novembro estiveram reunidos no Ministério Público Federal – MPF, em Cruzeiro do Sul, o Presidente da Apiwtxa e equipe, bem como representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social de Marechal Thaumaturgo, da Coordenação Estadual do Programa Bolsa Família, da Caixa Econômica Federal e da Fundação Nacional do Índio – FUNAI, para discutir a situação do Programa Bolsa Família na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.

A reunião foi realizada em resposta a um ofício da Apiwtxa ao MPF, enviado em fevereiro deste ano, no qual a Associação relata os impactos negativos que o recebimento do Programa Bolsa Família vem causando à comunidade. Um dos principais problemas está relacionado com a necessidade de deslocamento da comunidade ao município para sacar o benefício, o que tem gerado uma movimentação mensal de membros da Apiwtxa à cidade. Esse deslocamento constante traz uma série de consequências negativas para a comunidade, dentre as quais a permanência de famílias na cidade por vários dias na espera do benefício, o consumo de alimentos industrializados e de bebidas alcoólicas. Além disso, a permanência na cidade prejudica o comparecimento nas reuniões e atividades comunitárias, além de comprometer a dedicação das famílias às suas atividades produtivas, como roçados e artesanato.

Outro fator de preocupação da Apiwtxa é em relação às condicionalidades de saúde e educação do Programa, que exigem a matrícula escolar, bem como o cumprimento de ações de saúde, como vacinação e pré-natal para a continuidade do recebimento. Ocorre que as comunidades indígenas possuem o direito à saúde e educação diferenciados assegurados em lei, e as famílias podem optar, por exemplo, em não matricular seus filhos na escola e/ou seguir práticas tradicionais de acompanhamento de saúde. No entanto, a estrutura do Programa Bolsa Família não atende à especificidade indígena.

Na audiência, Moisés Piyãko – Presidente da Apiwtxa, ressaltou que o Programa pode trazer benefícios positivos à comunidade, além de ser um direito. Não obstante, o que estão buscando é aperfeiçoar a forma de recebimento deste recurso, para evitar que tenha consequências negativas para o coletivo: “Estou falando aqui como líder comunitário. Isso mexe com a nossa estrutura. A maioria das pessoas de lá estão despreparadas para lidar com o que acontece na cidade, e a cidade sempre tem gente se aproveitando desse desconhecimento”.

O Procurador Federal falou que a problemática das condicionalidades está sendo tratada em nível federal e ressaltou que a reunião tinha a finalidade de buscar trabalhar com o aspecto do recebimento do recurso e levantar alternativas para que se reduzam os impactos decorrentes deste. O que a Apiwtxa espera viabilizar é que o benefício seja entregue na própria comunidade para evitar os deslocamentos constantes e fortalecer a economia local, por meio da Cooperativa Ayõpare.

Todos os participantes da reunião expressaram seus pontos de vista e dificuldades quanto ao tema. Foram levantadas possibilidades, a serem estudadas, para que a entrega do benefício aconteça na aldeia. O representante da Funai, Jairo Lima, destacou: “O Acre é um celeiro de experiências exitosas. Vamos ver se conseguimos articular uma experiência efetiva de fazer o recurso chegar até lá. Os Ashaninka do Amônia possuem uma rede de parceiros que podem apoiar isso, e se pensarmos de maneira coletiva podemos resolver”. 

Na semana seguinte o tema foi foco de debates na aldeia Apiwtxa, quando os resultados da reunião foram apresentados à comunidade, e foram discutidas possibilidades de superação dos entraves relativos ao recebimento do recurso.

Fotos: Pedro Kuperman

21/11/2016

APIWTXA RECEBE REPRESENTANTES DO POVO GUARANI-MBYÁ PARA INTERCÂMBIO

A Apiwtxa recebeu, entre os dias 10 e 17 de outubro, uma comitiva de representantes do Povo Guarani Mbya da região Sul do país, para um importante encontro intercultural.
Realizado entre 5 representantes Guarani e os Ashaninka da Apiwtxa, como iniciativa do Centro de Trabalho Indigenista – CTI, o intercâmbio contou com recursos de projeto aprovado pelo Newton Fund/British Council, em parceria com o Centro de Antropologia da Sustentabilidade/CAOS, da University College London. O projeto tem como objetivo principal apoiar a construção de planos de gestão e promover a recuperação de áreas degradadas em terras Guarani, bem como avançar nos debates a respeito da gestão de conflitos que envolvem sobreposição de terras indígenas e unidades de conservação.

O intercâmbio foi idealizado para apresentar o exemplo dos planos de gestão e sistemas agroflorestais já implementados pelos Ashaninka do Amônia, e estabelecer um compartilhamento de conhecimentos sobre organização comunitária.
O grupo, constituído por Jaime Valdir da Silva, Marcio Mariano, Ronaldo Costa, Sergio Moreira, e Adriano Morinico, das Terras indígenas Cantagalo (RS), Salto do Jacuí (RS), Piraí (SC), Tarumã (SC), e Morro Alto (SC), passou três dias no Centro de Saberes da Floresta Yorenka Ãtame, constatando os trabalhos e resultados do reflorestamento ali iniciado há mais dez anos. Os indígenas Guarani puderam, ainda, acompanhar parte das atividades de um curso de Agroecologia que estava sendo oferecido pela Apiwtxa por meio de o Projeto Alto Juruá com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, tendo realizado práticas como coleta e plantio de mudas e sementes de espécies da Amazônia, construção de canteiros, sementeiras e viveiros, e atividades de poda.

Uma pequena mostra de peças de artesanato Guarani atraiu a atenção do público presente, e encantou um grupo de indígenas do Povo Kaxinawá que acompanhava o curso.
 
Em seguida, rumaram para a Aldeia Apiwtxa na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, onde visitaram os roçados, participaram de conversas com as lideranças da aldeia, e rituais tradicionais do Povo Ashaninka.
O encontro dos Ashaninka com os Guarani foi marcado por falas acolhedoras e emocionadas de ambas as partes. Os Guarani, que hoje sofrem pela falta de acesso à terra e aos recursos naturais, ficaram tocados com a vida na aldeia e com exemplo dos Ashaninka, e elogiaram especialmente sua organização comunitária. Para os Ashaninka, foi uma grande alegria receber os Guarani e ter a possibilidade de compartilhar seus conhecimentos, pois esta é mais uma ação que fortalece a luta indígena no país.

10/11/2016

APIWTXA INCENTIVA PLANO DE VIDA AUTÔNOMA E SUSTENTÁVEL PARA OS ASHANINKA DE SAWAWO

Nos últimos dias do mês de outubro, uma equipe da Apiwtxa, liderada por Francisco, Moisés e Wewito Piyãko, subiu o Rio Amônia em direção à comunidade Ashaninka Sawawo, no Peru. O objetivo da viagem foi o cumprimento de um importante objetivo da Apiwtxa: contribuir para o fortalecimento dos parentes que vivem do lado peruano da fronteira.

O dia seguinte começou com a bonita abertura do evento, onde as lideranças das duas comunidades expressaram alegria e satisfação pela realização do encontro, do qual se espera a geração de efeitos positivos para a região do Amônia. Dentre esses efeitos estão a consolidação da autonomia dos povos indígenas, a otimização da gestão de seus territórios, e a conservação da floresta.


A comunidade do Sawawo vem investindo na reorganização de suas atividades produtivas, buscando alternativas para geração de renda de modo sustentável, e com plena valorização da cultura Ashaninka. Os Ashaninka da Apiwtxa, então, rumaram para lá a fim de compartilhar com os parentes a experiência do etnomapeamento realizado na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, onde vivem.

O etnomapeamento é a construção de uma carta geográfica que aponta os locais importantes da Terra Indígena, o seu uso cultural, a distribuição dos recursos naturais dentro do território, a identificação de impactos ambientais e outras informações relevantes, enfatizando a visão, os interesses, o olhar e a compreensão do Povo que ali vive.

Na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia esse trabalho teve início em 2004 e constituiu um longo processo por meio do qual as comunidades elaboraram nove mapas de diagnóstico de seu território.
Nesta oficina no Sawawo, os moradores, divididos em dois grupos, um de homens, outro de mulheres, realizaram, discutiram, e apresentaram mapas de sua aldeia, onde foram indicados todos os pontos fundamentais para a vida da comunidade.


O objetivo do etnomapeamento é construir uma ferramenta útil para a gestão territorial e ambiental do território de Sawawo, possibilitando diagnosticar os cenários sobre seu uso e conservação, ajudar a estabelecer o plano de vida da comunidade, e constituir um instrumento político importante na defesa de direitos e interesses da comunidade indígena, fortalecendo a organização social, a luta pela implementação de políticas públicas, o auxílio na solução de conflitos, etc.

Tanto o etnomapeamento, quanto o Plano de Gestão do Território, têm como princípio fundamental o protagonismo indígena, pois são feitos pelos e para os indígenas que vivem no território, segundo suas aspirações e visões de futuro, com a colaboração e o apoio de parceiros do Estado e da sociedade civil.

Ao final do encontro, ficou acordada a realização de uma nova etapa desse processo, que, financiada pela Apiwtxa, ocorrerá em janeiro de 2017 em Sawawo no Peru, com ampla participação da comunidade, visando a construção de outros mapas necessários a um diagnóstico aprofundado dos aspectos fundamentais à promoção dos aspectos sociais, econômicos e culturais dos Ashaninka daquele território.

A comunidade Ashaninka do Sawawo é composta por cerca de 45 famílias que vivem em um território de cerca de 35 mil hectares, situados no município do Breu, Departamento de Ucayali – Província de Atalaya, no Peru. Um importante diferencial dessa comunidade, assim como da Apiwtxa, está no forte nível de preservação da língua e dos aspectos rituais do Povo Ashaninka.

09/11/2016

MULHERES DA APIWTXA COZINHAM DOCES COM FRUTAS DA REGIÃO

No dia 30 de outubro, a Apiwtxa recebeu a visita da instrutora Elizelda Pinheiro do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, que conduziu uma prática de culinária à base de doces para um grupo de mulheres da aldeia. A aula foi voltada à aprendizagem de receitas à base de frutas e outros alimentos da região, e demonstrou como aproveitar todo potencial de cada alimento.
A atividade, de iniciativa da Associação Ashaninka do Rio Amônia - Apiwtxa, foi realizada em parceria com diversas instituições. Além do SENAR, foram parceiros, a Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar – SEAPROF, e o SEBRAE, por meio do Projeto de Desenvolvimento Territorial e Econômico – DET.
O grupo de participantes, composto por mulheres da aldeia ficou reunido durante uma tarde de compartilhamentos e aprendizados, e confeccionou receitas como brigadeiro, compota e geleia de banana, doce de abóbora, geleias de manga, caju, e beterraba, e doce de mamão. Alguns moradores da Apiwtxa que provaram as delícias feitas durante a aula, afirmaram que esperam que as receitas possam ser repetidas em outros momentos para degustação das famílias.


07/11/2016

REUNIÃO ENTRE APIWTXA E ACONADIYSH DISCUTE COOPERAÇÃO TÉCNICA ENTRE AS ORGANIZAÇÕES

No último dia 29 estiveram reunidas lideranças da Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa e da Associação de Comunidades Nativas para el Desarollo Integral de Yurua Yono Sharakoiai – Aconadiysh, num encontro que retomou as tratativas de aliança cooperativa entre as duas instituições.

Apresentando o contexto em que vivem, os representes da Aconadiysh falaram sobre os problemas que os povos indígenas no Peru têm enfrentado em razão da falta de apoio de parceiros governamentais e não governamentais para a promoção e proteção dos direitos dos indígenas, e em decorrência do modelo de desenvolvimento que investe em empreendimentos que têm impactado as comunidades nativas. Para o grupo peruano, composto por cinco lideranças, o momento representou a oportunidade de estreitar a aliança entre o Brasil e o Peru para fortalecer as lutas dos povos indígenas nos dois países.
Francisco Piyãko da Apiwtxa, também considerou a reunião importante, por entender que a aproximação dessas relações reforça a autonomia das organizações indígenas, que somando seus esforços, podem avançar em seus projetos sem depender somente da ação governamental.

Realizada na aldeia Apiwtxa, a reunião contou com uma apresentação sobre as ações e projetos que vêm sendo desenvolvidos pela Associação Ashaninka do Rio Amônia, que procurou demonstrar os resultados que vem alcançando com base na ação autônoma e protagonizada pela própria comunidade.

O diálogo contou com a discussão de assuntos como a importância de processos de planejamento por parte das comunidades, a necessidade de discussão e compreensão do papel da comunidade e da união e participação de todos no seu fortalecimento, e a possibilidade de aliar os conhecimentos tradicionais a outros conhecimentos em benefício comunitário.
Os Ashaninka da Apiwtxa relembram que a comunidade passou três anos planejando seu futuro, discutindo o seu papel, o lugar que pretendia alcançar, e depois começou a agir para colocar tudo isso em prática.

Nesse sentido, Moisés Piyãko explicou que a palavra Apiwtxa significa “juntos”, e isso é exatamente o que ali se pratica. “É preciso olhar quem somos, quem queremos ser, e o que temos que fazer para sermos respeitados. Trazer para nossa ação a força da fala e da crença”, afirmou.  

O principal encaminhamento dessa importante reunião, foi a pactuação de um acordo de cooperação técnica entre as duas organizações, Apiwtxa e Aconadiysh. Para aprofundar os termos dessa cooperação, será realizado nos dias 10 e 11 de dezembro, um encontro financiado pela Apiwtxa, com a garantia da participação das 24 comunidades indígenas associadas à Aconadiysh, onde serão tomadas as decisões gerais a respeito dessa parceria.

31/10/2016

APIWTXA E SENAR ADOÇAM A SEMANA DO ALTO JURUÁ

O Centro Yorenka Ãtame sediou no último dia 26 de outubro, a abertura e início do Curso de Culinária à base de Doces para comunidades do Alto Juruá.
A atividade, de iniciativa da Associação Ashaninka do Rio Amônia - Apiwtxa, foi realizada em parceria com diversas instituições. Além do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, foram parceiros, a Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar – SEAPROF, e o SEBRAE, por meio do Projeto de Desenvolvimento Territorial e Econômico – DET.  

Alcançando um público de 25 pessoas, dentre moradores da Sede de Marechal Thaumaturgo, da Reserva Extrativista do Alto Juruá, e da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, o curso foi voltado à aprendizagem de receitas à base de frutas e outros alimentos da região.

Os ensinamentos compartilhados giraram em torno de conceitos como a valorização da produção local, o aproveitamento máximo dos alimentos, a atenção para seus aspectos nutritivos, saúde e segurança alimentar, sustentabilidade, e autonomia das comunidades.

Segundo Francisco Piyãko da Apiwtxa, a ideia central é estimular o potencial das famílias do Alto Juruá para o uso sustentável dos recursos alimentares da Amazônia, seja para o consumo de uma alimentação diversificada, nutritiva e saudável, seja para incremento da produção local e geração de renda.

Dentre as principais receitas confeccionadas pelas(os) doceiras(os) encontram-se delícias como balas, brigadeiro, compota e geleia de banana, pudim de cupuaçu, doce de abóbora com côco, doce de açaí, geleias de manga, caju, e beterraba.
Elizelda Pinheiro do SENAR, instrutora responsável por ministrar as aulas, destacou que é importante as pessoas conhecerem todo o processo de produção de uma receita, desde a melhor forma de manusear e aproveitar uma fruta, até a embalagem, o acondicionamento, os preços e a venda dos produtos.

A atividade teve carga horária de 40 horas e certificou as(os) participantes como doceiras(os). O evento foi encerrado com uma atividade na Sede do município, onde as(os) alunas(os) puderam comercializar os doces produzidos no curso.

27/10/2016

COM APOIO DO BNDES, APIWTXA REALIZA MAIS UM MÓDULO DO CURSO DE AGROECOLOGIA PARA COMUNIDADES DO ALTO JURUÁ

Mais de 50 moradores da Reserva Extrativista do Alto Juruá, Ashaninka da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia e da Terra Indígena Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu participaram do II Módulo do Curso de Agroecologia do Projeto Alto Juruá, promovido pela Associação Ashaninka do Rio Amônia - Apiwtxa com apoio do BNDES/Fundo Amazônia, entre 11 e 20 de outubro.

A abertura do evento contou com a presença de Francisco Piyãko, Isaac Piyãko, Wewito Piyãko, e Benki Piyãko, lideranças da Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa, e de representantes da direção da Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá – ASAREAJ e moradores da ResEx.
Buscando contemplar a demanda das comunidades do Alto Juruá por apoio técnico, e fortalecer intercâmbios entre conhecimentos tradicionais sobre a floresta, a atividade teve início no Centro Yorenka Ãtame, e foi conduzida pelos engenheiros florestais João Jailson Minuzzo e Pedro Cordeiro. Os instrutores reafirmaram que “não é preciso derrubar as espécies nativas para produzir comida, já que a floresta em pé é capaz de fazer isso de maneira muito mais eficiente”, conforme afirmou Cordeiro na abertura do evento.
A programação do curso tratou de temas como planejamento e implantação de sistemas agroflorestais, formação e fertilidade de solos, e permitiu o desenvolvimento de práticas como coleta de mudas e sementes, realização de canteiros, sementeiras e viveiros, e atividades de poda. Tudo foi realizado por meio de dinâmicas teóricas e práticas de aprendizagem.

Desde a última segunda-feira (17), o Curso contou com oficinas de práticas agroecológicas realizadas na ResEx do Alto Juruá e na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. O local onde, em breve, será inaugurada a nova sede da Associação de Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá - ASAREAJ, foi visitado pelos participantes, que em seguida, se deslocaram para as quatro localidades onde ocorreram as oficinas. As práticas aconteceram de 18 a 20 nas comunidades Novo Horizonte, Iraçu, Matrinchã e Aldeia Apiwtxa, e foram abertas à participação dos moradores.


O instrutor João Jailson, que orientou a oficina na comunidade do Iraçú, afirmou sentir que os participantes do curso estão bem orientados a respeito desse tipo de prática agroecológica, “o pessoal daqui tem uma boa base de conhecimento sobre sistemas agroflorestais; por isso, procuramos trazer algo novo para eles, como a coleta e multiplicação de microrganismos, um conhecimento que acredito ter atraído bastante atenção e interesse.”  

Francisco Márcio da Silva, jovem da comunidade de Iracema registra: “os ensinamentos dos trouxeram coisas que eu não sabia muito bem, e agora com esse apoio, creio que vou poder falar para minha comunidade que a nossa esperança ficou mais forte para fazer as coisas acontecerem por lá”. Ele constata que para a juventude de sua comunidade o estudo é importante, mas é igualmente fundamental aprender e contribuir com os trabalhos que os mais velhos fazem para conservar a Reserva e produzir para a sustentação das famílias, para poder passar adiante para as futuras gerações.
Maria Vanuzia Conceição do Nascimento também diz ter aprendido muitas coisas que não sabia, para levar para os seus e levantar a Reserva. Ela acredita que o maior exemplo que aprendeu foi sobre a Apiwtxa, “que andou com suas próprias pernas, não esperou ninguém, levantou a cabeça, seguiu em frente e conseguiu muitas coisas”. Como mulher que assume seu papel na comunidade, Vanuzia diz estar firme para ajudar no trabalho, na força de vontade, no que for preciso para seguir esse exemplo da Apiwtxa, e ressalta que o Curso contribuiu muito nesse sentido.
Os moradores da Resex demonstraram-se satisfeitos por sua participação, o que tem levado a Apiwtxa a acreditar na importância da continuidade desse ciclo de oficinas agroecológicas, para que outras comunidades possam ter acesso a esse apoio. As lideranças da Apiwtxa acreditam que essa parceria estimula as comunidades da Reserva do Alto Juruá a trabalhar em busca de mais autonomia para sua população, por meio de sua própria produção, mas sempre manejando os recursos de seu território de modo sustentável, com respeito e conservação da floresta.

17/10/2016

ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS DA APIWTXA

Os últimos dois meses foram marcados por intensas atividades da Associação Ashaninka do Rio Amônia e na comunidade Apiwtxa. Entre os dias 7 e 12 de setembro foi realizada uma oficina de fotografia para representantes da Apiwtxa, na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, ministrada pelo fotógrafo Pedro Kuperman. O resultado da Oficina foi excelente, com uma produção de fotos incríveis pelos alunos Ashaninka.
Também, a comunidade deu andamento ao mapeamento das espécies florestais para o plano de manejo de coleta de sementes nativas, com apoio do BNDES/Fundo Amazônia – uma ação estruturante para a futura comercialização de sementes para o reflorestamento.

O início de outubro foi marcado pela vitória de um representante da comunidade Apiwtxa – Isaac Piyãko – para a prefeitura de Marechal Thaumaturgo. Isaac é o primeiro prefeito indígena eleito no Estado do Acre. A eleição vitoriosa aponta para uma futura gestão municipal mais participativa e parceira das ações da Apiwtxa.
Ainda no dia 07 outubro ocorreu uma reunião da equipe do Projeto Alto Juruá com o BNDES/Fundo Amazônia, no Rio de Janeiro, na qual foram discutidos os avanços do Projeto junto às comunidades beneficiárias e as perspectivas de futuro. A execução do Projeto tem sido exemplar e foi muito elogiada pelos representantes do Banco.

Entre os dias 7 e 9 de outubro, também no Rio de Janeiro, foi realizada uma exposição de arte e artesanato dos Ashaninka do Rio Amônia, durante o evento Arte de Portas Abertas, em Santa Tereza. A exposição foi organizada pela Casa de Empreendedores Urbanos – CEU e contou com a presença de obras de colaboradores do povo Ashaninka do Rio Amônia, como fotografias de Sebastião Salgado, Oskar Matzavath e Alice Fortes. Foram também expostas ilustrações de Moisés Piyãko, atual Presidente da Apiwtxa. Durante os três dias, a exposição recebeu a visita de vários parceiros da Apiwtxa e do público em geral, que também participou das duas rodas de conversa promovidas durante a exposição.
Por fim, mas não por último, a Apiwtxa se fez presente no encontro sobre gestão territorial na fronteira promovido pela Comissão Pró-Índio do Acre/CPI-AC, na Terra Indígena Kaxinawá-Ashaninka do Rio Breu, durante o qual pode se reunir com representantes indígenas para tratar de ações de articulação na fronteira Brasil-Peru. Na ocasião, ficou marcado um encontro de monitoramento territorial junto à Aconadiysh, que ocorrerá no Centro Yorenka Ãtame no final de outubro, com vistas a fortalecer as ações de gestão territorial compartilhada nas comunidades indígenas da fronteira.

21/09/2016

APIWTXA REALIZA REUNIÃO SOBRE PROTEÇÃO TERRITORIAL

Respondendo a uma demanda dos Ashaninka do Rio Amônia, o Exército Brasileiro e a Fundação Nacional do Índio – FUNAI deslocaram-se à aldeia Apiwtxa para realizar reunião sobre a situação da proteção territorial da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, nos dias 30 e 31 de agosto.
Os Ashaninka da Apiwtxa realizam, rotineiramente, ações de vigilância e proteção territorial em sua Terra, de modo a garantir a integridade dos recursos naturais e evitar invasões. Desde janeiro, a Apiwtxa vem informando a Funai acerca de invasões que estão ocorrendo em seu território, sobretudo por caçadores e pescadores ilegais nos cursos dos rios Arara e Amônia. Esses invasores ingressam na Terra Indígena em busca de animais e peixes para comercializar ilegalmente no Município de Marechal Thaumaturgo. Com frequência, os invasores procuram esses recursos em território peruano, utilizando os rios da Terra Indígena como passagem para acessar outros territórios. No entanto, a preocupação dos Ashaninka da Apiwtxa é com o impacto que essas atividades ilegais têm no manejo dos recursos naturais de sua Terra pois, ainda que sejam retirados de territórios vizinhos, acabam por reduzir o estoque de animais em seu território. Além disso, estas invasões trazem outros problemas sociais associados, como exploração e abusos a comunidades vizinhas, que trocam os animais por mercadorias de valor muito inferior ao preço do produto ilegal na cidade, além de, muitas vezes, serem enganadas e abusadas por meio da oferta de bebidas alcoólicas.
Durante a reunião, foram expostos ao Exército e à Funai a situação e os desafios de proteção territorial da Terra Indígena, bem como foram discutidas possíveis estratégias de cooperação e apoio entre os órgãos para que trabalhem em uma articulação regional a fim de combater as atividades ilegais. Também, a Apiwtxa apresentou às instituições as iniciativas atuais em que a comunidade está envolvida, como o Projeto Alto Juruá (BNDES/Fundo Amazônia), que está instalando e equipando três postos de vigilância na Terra Indígena, bem como a parceria com a University College London/ExCiteS e a Comissão Pró-Índio do Acre – CPI/AC, que tem apoiado o monitoramento territorial com tecnologia digital.
No segundo dia de reunião, houve uma discussão interna da Apiwtxa, na qual foi feito o planejamento das ações de vigilância até o final o ano, bem como foram debatidos o uso e a gestão dos equipamentos utilizados para vigilância que pertencem à Associação, como GPS, celulares, baterias, binóculos, câmeras fotográficas, etc. A Apiwtxa espera, por meio da articulação com as instituições competentes e pelo fortalecimento das ações internas de monitoramento, garantir a proteção da Terra Indígena e assegurar os recursos necessários à segurança alimentar da comunidade.