24/08/2010

Pela punição e condenação de Oleir Cameli e Abrahão Cândido, pedimos a todos os Ministros da Segunda Turma do STJ urgência no julgamento


Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 24 de agosto de 2010,



Amigos,

Publicamos a seguir uma carta que recebemos do Ministro Mauro Campbell Marques à respeito da nossa nota Repudiamos a atuação do Ministro Mauro Campbell Marques do STJ.

Pedimos a todos que leiam com atenção a carta do Ministro, porque com ela ao mesmo tempo em que demonstrou consideração ao nosso apelo por Justiça também nos deixou ainda mais preocupados.

O Ministro nos afirmou conhecer “profundamente todo o fato ora sob exame nesse recurso e o absurdo que foi cometido contra a natureza e contra os índios”. E, na carta, escreve: “FALEI, EM VOZ ALTA, PERANTE TODOS, E REPUDIEI PUBLICAMENTE O QUE FOI FEITO CONTRA ESSE POVO INDÍGENA”.

No entanto, afirma também que o que pende de manifestação em seu VOTO-VISTA é, exclusivamente, uma “prejudicialidade processual”: “Nesta fase de julgamento, a de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, só estou fazendo análise de um ponto específico e que não se relaciona com os fatos criminosos praticados contra esse Honrado Povo Indígena, é apenas uma questão processual.”

Isto que o Ministro Mauro Campbell Marques chama de “prejudicialidade processual” e “questão processual” se refere ao tempo que a própria Justiça levou para condenar Oleir Cameli e Abrahão Cândido por seus crimes.

O que discutem, hoje, na Segunda Turma é se o crime cometido por Cameli e Abrahão - contra o nosso povo, contra a floresta, contra a Constituição Federal e contra o planeta, 29 mil hectares de madeira de Lei devastados, 1374 metros cúbicos de mogno e 1374 metros cúbicos de cedro tombados, aberturas de estradas e destruição de inúmeros igarapés em uma das regiões de maior biodiversidade do planeta, infundando em nosso povo, por sete longos anos, de 1981 a 1987, o mais pavoroso terror com seu poder de mando, armas, ameaças e destruição - discutem se o crime cometido por Oleir Cameli e Abrahão Cândido prescreveu ou não prescreveu.

O que o Ministro Mauro Campbell Marques discute hoje na Segunda Turma do STJ é se o fato de a Justiça ter demorado quase 30 anos, 30 longos anos de ausência, morosidade e impunidade, para julgar os crimes de Oleir Cameli e Abrahão Cândido não acabou por prescrever os crimes de Oleir Cameli e Abrahão Cândido.

O Ministro nos disse que “é importante estudar com afinco esse tema da imprescritibilidade do dano ambiental e não das ações de reparação do dano ambiental”. Em sua carta ele escreve: “Aprendi nos bancos da faculdade de Direito que imprescritível é aquilo que a Constituição afirmar como tal... não deixarei de expressar meus pontos de vista técnicos pois estou em um Tribunal de Precedentes, além do que, como reza Marco Aurélio Mello, processos não possuem autuação e sim conteúdo.”

Amigos, a comunidade Apiwtxa soube dos seus direitos quando aprendeu a ler a Constituição Federal. Os crimes de Oleir Cameli e Abrahão Cândido foram e são, ainda hoje, crimes contra a Constituição Federal.

E a Constituição Federal diz (Art.231 § 4º) que as terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.

CAPÍTULO VIII
DOS ÍNDIOS
Art. 231 - São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 1º - São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
§ 3º - O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei.
§ 4º - As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis.
§ 5º - É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco.
§ 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé.
§ 7º - Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, §§ 3º e 4º.
Art. 232 - Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.

Como reza a Constituição (Art. 129), o Ministério Público, em sua função de defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas, tem defendido judicialmente os direitos e interesses do povo Ashaninka.

Diferentemente de Oleir Cameli e Abrahão Cândido, não temos advogados em Brasília, como sugeriu o Ministro Mauro Campbell Marques. Contamos, graças à Constituição, com a ajuda do MPF e não temos como acessar da floresta onde moramos as notas taquigráficas. Mas temos acesso, sim, ao que é informado ao público pelo STJ, que o Ministro Mauro Campbell Marques foi quem pediu vistas e tem indicado o adiamento do julgamento.

Pedimos formalmente a todos os Ministros, e à Presidência da Segunda Turma urgência no julgamento. O STJ precisa cumprir o seu dever e chegar a uma conclusão rapidamente.

O povo Ashaninka da aldeia Apiwtxa do rio Amônia não aguenta mais esperar para ver reparado um crime e uma injustiça tão grande, que é crime e continuará sendo independentemente do tempo em que ocorreu, e cujos danos à floresta e ao nosso povo, são imprescritíveis, indeléveis, permanentes. Nunca mais a floresta devastada por estes homens voltará a ser como era. E o nosso povo nunca mais será o mesmo, o dano que causaram ao nosso povo não tem cura.

Confiamos na Constituição Federal, confiamos na Justiça brasileira, e esperamos, assim como o Brasil espera, que os criminosos Oleir Cameli e Abrahão Cândido sejam punidos e condenados a reparar todos os seus crimes.

Isaac Pinhanta Ashaninka e Benki Piyãko Ashaninka

Carta de Esclarecimento do Ministro Mauro Campbell Marques

Caríssimos Cidadãos,

Chega ao meu conhecimento um manifesto dessa honrada tribo que muito me toca por inúmeros aspectos. O primeiro deles diz respeito a absoluta falta de conhecimentos dos senhores acerca do que se passou no julgamento originário na nossa Segunda Turma, oportunidade em que FALEI, EM VOZ ALTA, PERANTE TODOS, E REPUDIEI PUBLICAMENTE O QUE FOI FEITO CONTRA ESSE POVO INDÍGENA. Basta que peçam aos senhores advogados e procuradores que defendem os interesses dos senhores nesse recurso as notas taquigráficas daquela sessão de julgamento para verificarem o grau de injustiça da manifestação de repúdio que ora esclareço.

Segundo: é que o reiterado ADIAMENTO está ocorrendo por pedidos sucessivos de um dos meus colegas, o senhor Ministro HERMAN BENJAMIN, que está fazendo uma análise mais detalhada do problema abordado no meu voto para, só assim, poder proferir o voto dele.

Sou um Ministro cumpridor de meus deveres e célere nos meus julgamentos, aliás, um dos integrantes do STJ que mais rápido trabalha com seus processos, nada a merecer elogio algum de ninguém já que é meu DEVER agir assim.

Sei que o que agora vou escrever não é igualmente necessário, MAS FIQUEM CERTOS DE QUE NÃO ME OFENDI COM AS CRÍTICAS E ME ORGULHO EM PODER DAR ESTA SATISFAÇÃO AOS SENHORES, INDEPENDENTE DO RESULTADO FINAL DESSE JULGAMENTO.

Quanto às respostas às perguntas feitas no manifesto dos senhores, espero que as encontrem nas notas taquigráficas que bem reproduziram o meu pensamento naquela sessão.

Esclareço, ainda, que nesta fase de julgamente, a de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, só estou fazendo análise de um ponto específico e que não se relaciona com os fatos criminosos praticados contra esse Honrado Povo Indígena, é apenas uma questão processual que mereceu especial atenção deste mero Juiz e que, de tão importante, provocou no Ministro Herman Benjamin a necessidade de melhor análise do caso.

Renovo meu apreço e minha responsabilidade pela defesa da Constituição e da Leis do nosso País, bem como minha convicção de que é por atitudes como a dos senhores que poderemos chegar a uma Estado realmente Democrático de Direito.

Cordialmente,

Mauro Campbell Marques
20 de agosto de 2010


19/08/2010

Repudiamos a atuação do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques da Segunda Turma do STJ



Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, 19 de agosto de 2010.



Nota de repúdio à atuação do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques da Segunda Turma do STJ


Por desmatar ilegalmente 1/3 da Terra Indígena do povo Ashaninka da aldeia Apiwtxa, Abrahão Cândido e Orleir Cameli foram condenados em 1ª instância (JF/Acre) a indenização.

Os réus Abrahão e Cameli apelaram. Mas perderam também em 2ª Instância: o STJ negou provimento e a relatora Ministra Eliana Calmon rejeitou os Embargos Declaratórios.

Os réus perderam em 1ª e 2ª instâncias, foram condenados, faltando apenas publicar a sentença. Mas o Ministro Mauro Campbell Marques pediu vista.

Para publicar a sentença de condenação de Abrahão e Cameli por desmatar 1/3 da Terra Ashaninka, o STJ precisa terminar de julgar o Recurso dos réus.

No entanto, toda vez que o processo volta à mesa de julgamento o Ministro Mauro Campbell Marques determina adiar a decisão.

O julgamento vem sendo marcado, vai à mesa e então é adiado pelo Ministro Mauro Campbell Marques, repetidas vezes, nas datas de 18/2, 17/6, 22/6, 3/8 e 17/8.

Hoje, dia 19/8, às 14h, o recurso de Abrahão e Cameli irá, pela sexta vez, para a mesa de julgamento da Segunda Turma do STJ.

Será que o Ministro Mauro Campbell Marques hoje, às 14h, adiará novamente a decisão do STJ, em benefício de desmatadores criminosos?

Ou será que o Ministro Mauro Campbell Marques não considera crime invasão de terra indígena, abertura de estradas e derrubada ilegal de árvores?

Será que o Ministro Mauro Campbell Marques não considera crime a retirada ilegal de 1.374 metros cúbicos de mogno e 1.374 metros cúbicos de cedro?

Amigos, a comunidade Apiwtxa acompanha com tristeza esse longo processo e os adiamentos da decisão final pelo Ministro Mauro Campbell Marques.

Repudiamos a atuação do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques da Segunda Turma do STJ neste caso.

Não temos como não responsabilizar o Ministro Mauro Campbell Marques por tanto adiamento.

Estamos em estado de alerta. Preparados para o combate.

Os crimes de Abrahão Candido e Oleir Cameli não podem ficar impunes. A derrubada da floresta é crime contra o nosso povo e contra o planeta.

O Brasil não pode engolir o desmatamento cruel e devastador de 29 mil hectares de madeira de Lei pela cobiça de Abrahão Cândido e Oleir Cameli.

O povo Ashaninka da Apiwtxa não aceita o crime de Abrahão e Cameli.

Já estivemos antes em Brasília. E se preciso retornaremos a Brasília, até o Ministro Mauro Campbell Marques.

Queremos justiça!

Benki Piyãko Ashaninka e Isaac Pinhanta Ashaninka
Associação Apiwtxa do Povo Ashaninka do Rio Amônia


03/08/2010

Saiba o que Oleir Cameli e o Ministro Mauro Campbell Marques, juntos, estão fazendo com a decisão do Superior Tribunal de Justiça



por Leila Soraya Menezes

Depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu manter, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a condenação imposta a Oleir Cameli e seus cúmplices (por retirar ilegalmente madeiras da terra indígena Kampa do Rio Amônia: 1.374 metros cúbicos de mogno e 1.374 metros cúbicos de cedro, extraídos durante os anos de 1981, 1982, 1985 e 1987), Oleir Cameli entrou com um novo Recurso Especial (1120117/AC) contra o Acórdão do TRF 1 que julgou improcedente a apelação da mesma parte, a qual pleiteava reforma de sentença que havia julgado os pedidos da Funai e MPF procedentes. (Objeto: Pedido de indenização pelo desmate ilegal de 1/3 da área dos Ashninka - TI Kampa do Rio Amônia-, quando a terra ainda estava em fase de identificação pela FUNAI.)

O Recurso Especial foi conhecido em parte, e nessa parte foi improvido, por unanimidade. Oleir Cameli entrou com Embargos de Declaração. A relatora (Ministra Eliana Calmon) proferiu voto rejeitando os Embargos.

Oleir Cameli, quase perdeu de vez... mas o MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES entrou em cena! E pediu vista (em 18 de fevereiro). O processo, então, foi colocado e retirado da pauta de julgamento várias vezes. E hoje foi novamente incluído na Pauta do dia 10/08/2010 da SEGUNDA TURMA.

Entenda o caso

A condenação decidida por unanimidade pelos ministros da 2ª Turma do Tribunal considerou válida decisão das instâncias ordinárias que determinaram aos réus o pagamento de R$1.461.551,28, como indenização. Oleir Cameli e cúmplices foram condenados, ainda, a pagarem o valor de R$ 3 milhões a título de indenização por danos morais causados aos membros da comunidade indígena Ashaninka, e de R$ 5.928.666,06 ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, para custear a recomposição ambiental na área explorada. Em valores atualizados, o montante da condenação soma aproximadamente R$ 15 milhões.

A Ação Civil Pública contra os exploradores foi movida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e pelo Ministério Público Federal (MPF). No julgamento do Recurso Especial os réus alegaram que a Justiça Federal era incompetente para julgar a demanda. No mérito, solicitaram a redução do valor da indenização e requereram que o processo foi considerado prescrito. Esses argumentos foram rebatidos pela Funai, representada pela Adjuntoria de Contencioso da Procuradoria-Geral Federal (PGF). Em voto favorável à Fundação e ao MPF, a ministra relatora, Eliana Calmon, afastou os argumentos apresentados pelos madeireiros e ressaltou que a reparação de danos ao meio ambiente não prescreve, ou seja, pode ser requerida a qualquer tempo.

No que diz respeito à intenção dos réus de reduzir o valor da condenação milionária, a ministra ressaltou que os valores arbitrados pela primeira instância estão de acordo com a magnitude da degradação ambiental praticada com a invasão de terra indígena, abertura irregular de estradas, derrubada de árvores e retirada de madeira. A relatora lembrou que, de acordo com a Súmula 7, do STJ, não é possível revisar, em recurso especial, entendimento judicial que foi firmado com base em provas juntadas ao processo.

O STJ informou que nenhum dos réus impugnou objetiva e especificamente os valores fixados na sentença de primeiro grau. Isso impede a apreciação dessa matéria pelo Tribunal, nos termos da Súmula 284, do Supremo Tribunal Federal.

Acompanhe os últimos andamentos:

03/08/2010 - 17:20:00 - Resultado de Julgamento Parcial: "Adiado por indicação do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques." - Petição: EDcl no REsp 1120117/AC (2009/0074033-7)

02/08/2010 - 19:29 - PETIÇÃO Nº 292063/2009 - EDCL NO RESP 1120117/AC - INCLUÍDO NA PAUTA DO DIA 10/08/2010 DA SEGUNDA TURMA

24/06/2010 - 16:20 - EM MESA PARA JULGAMENTO - SEGUNDA TURMA - SESSÃO DO DIA 03/08/2010 14:00:00

22/06/2010 - 20:40 - RESULTADO DE JULGAMENTO PARCIAL: "ADIADO POR INDICAÇÃO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES." - PETIÇÃO: EDCL NO RESP 1120117/AC (2009/0074033-7)

17/06/2010 - 20:04 - EM MESA PARA JULGAMENTO - SEGUNDA TURMA - SESSÃO DO DIA 22/06/2010 13:00:00

17/06/2010 - 15:04 - RESULTADO DE JULGAMENTO PARCIAL: "ADIADO POR INDICAÇÃO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES." - PETIÇÃO: EDCL NO RESP 1120117/AC (2009/0074033-7)

16/06/2010 - 07:44 - EM MESA PARA JULGAMENTO - SEGUNDA TURMA - SESSÃO DO DIA 17/06/2010 14:00:00

10/06/2010 - 10:27 - PETIÇÃO Nº 292063/2009 - EDCL NO RESP 1120117/AC - INCLUÍDO NA PAUTA DO DIA 17/06/2010 DA SEGUNDA TURMA NO DJE EM 11/06/2010

18/02/2010 - 16:55 - RESULTADO DE JULGAMENTO PARCIAL: "APÓS O VOTO DA SRA. MINISTRA ELIANA CALMON, REJEITANDO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, PEDIU VISTA DOS AUTOS, ANTECIPADAMENTE, O SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES."

02/02/2010 - 09:57 - PETIÇÃO Nº 292063/2009 - EDCL NO RESP 1120117/AC - INCLUÍDO NA PAUTA DO DIA 09/02/2010 DA SEGUNDA TURMA NO DJE EM 03/02/2010

10/11/2009 - 15:25 - RESULTADO DE JULGAMENTO FINAL: "A TURMA, POR UNANIMIDADE, CONHECEU EM PARTE DO RECURSO E, NESSA PARTE, NEGOU-LHE PROVIMENTO, NOS TERMOS DO VOTO DO(A) SR(A). MINISTRO(A)-RELATOR(A)."

Acompanhe o caso aqui!

20/07/2010

Projeto que levará mestres tradicionais para dar aulas na UnB terá agora etapa de residência

Encontro de Saberes

por Heli Espíndola, Comunicação Social/MinC, Ministério da Cultura, 19/07/2010

Maniwa Kamayurá - Arquiteto tradicional e Pajé. Representante dos povos indígenas do Alto Xingu, especialista em contrução da residência tradicional Kamayurá

A partir do segundo semestre de 2010, alunos da Universidade de Brasília poderão aprender, por exemplo, técnicas para se construir uma casa indígena ou como utilizar as raízes do cerrado na cura de várias doenças. Estudantes interessados poderão se matricular na disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais, que será ofertada em grade regular e módulo livre, e ministrada três vezes por semana, das 13h às 14h.

A matéria, que abrirá ainda espaço para aulas sobre as manifestações culturais do Cavalo Marinho, do Maracatu, do Congado e da Folia de Reis e como os indígenas preservam a flora, a fauna e as nascentes da floresta, integra o Projeto Encontro dos Saberes, que levará para as salas de aula da Universidade de Brasília mestres tradicionais de várias regiões do país.

O projeto piloto, uma parceria do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID/MinC), do Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC), e da Universidade de Brasília, foi lançado dia 13, em Brasília. Com o objetivo de integrar os mestres tradicionais ao ambiente universitário e discutir a metodologia a ser utilizada nas aulas, foram realizados, de 14 a 16, na Faculdade de Educação da UnB, um seminário e duas oficinas.

Sobre a metodologia a ser utilizada nas aulas, a professora de Educação Ambiental, Nina Paula Laranjeira, informa que durante as oficinas ficou decidido que cada mestre utilizará a que for mais adequada para ele. “Cada um tem uma metodologia diferente e pelo fato de não dominarem a escrita, vamos utilizar a oralidade, o “fazer” e o sentimento que eles têm para transmitir”, conta a docente. Ela será parceira, nas aulas, do Mestre Benki Ashaninka, que é presidente do Centro Saberes da Floresta (Yorenka Ãtame), do povo Ashaninka, no estado do Acre e desenvolve um trabalho de conhecimento da floresta comprometido com a proteção ambiental e o reflorestamento.

Mas, segundo ela, essa metodologia será aprofundada com o professor parceiro, durante o período da residência, a terceira etapa do Projeto Encontro de Saberes, que acontecerá durante toda a semana de 19 a 23 de julho. “Ainda faremos uma reunião geral após essa última etapa para finalizarmos as discussões sobre a metodologia”, informa Nina, que dentro da residência levou o Mestre Benki Ashaninka para conhecer o projeto do Centro de Estudos do Cerrado que está sendo criado pela UnB na Chapada dos Veadeiros.

“Eu espero, com essas aulas, causar uma reflexão nos estudantes sobre a importância da mudança de atitude em relação à natureza”, sonha o líder Ashaninka. “Precisamos mudar a maneira de olhar e qualificar nosso saber de uma maneira prática, conhecendo e tendo responsabilidade na busca de um mundo novo”, filosofa o mestre indígena que adquiriu seus conhecimentos com seus antepassados, com seus pais e com os espíritos da floresta.

Outro mestre indígena selecionado para as aulas, Maniwa Kamayurá, arquiteto especialista em construção da residência tradicional kamayurá, fará uma maquete das casas indígenas para ser utilizada nas aulas. Também pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu, ele disse que está muito contente por participar do projeto. “É muito importante, para mim, contar um pouco da minha cultura e o que eu sei”, afirma Maniwa, que também ensina sua técnica de construção aos jovens de sua aldeia. Também dentro da programação da residência, ele ainda visitou o Centro Cultural Banco do Brasil, acompanhado do seu mestre parceiro, o professor de arquitetura Jaime Santana.

Os cinco mestres tradicionais - três da cultura popular e ofícios e dois da cultura indígena - selecionados para as aulas da disciplina Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais são: Benki Ashaninka, presidente do Centro Saberes da Floresta do povo Ashaninka (AC); Maniwa Kamayurá, arquiteto tradicional e pajé; Lucely Pio, Mestra raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro (GO); Biu Alexandre, Mestre do Cavalo Marinho e Estrela de Ouro de Condado no Pernambuco; e José Jerome, Mestre de Congado de Cunha (SP) e Folia de Reis do Vale do Paraíba.

A equipe de docentes parceiros da UnB é formada pelos professores das áreas de Artes Cênicas (Rita de Cássia Castro e Luciana Hartmann), Música (Antenor Ferreira), Arquitetura (Jaime Santana), Saúde (Silvéria dos Santos) e Educação Ambiental (Nina Laranjeira.

O Projeto Encontro de Saberes tem, ainda, a parceria do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, órgão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

18/07/2010

Uma aldeia chamada Apiwtxa


por Vídeo nas Aldeias, 16/07/2010

Durante o mês de junho aconteceu no Acre a oficina de edição Ashaninka, na aldeia Apiwtxa, em Marechal Thaumaturgo. O povo Ashaninka está situado em territórios do Acre e do Peru e desde 1980 vem combatendo a exploração de madeiras, bem como vem desenvolvendo técnicas de manejo sustentável da floresta.

Filmes como “A gente luta, mas come fruta”, 2006, de Isaac Pinhanta e Bebito Pinhanta retratam os processos de manejo, cultivo e preservação da floresta amazônica, as relações na escola indígena, que inclui a lida com a natureza essencial na formação das crianças.

Vincent Carelli e Ernesto de Carvalho levaram da sede em Olinda o último corte de edição do mais novo filme produzido pelos cineastas indígenas, “Uma aldeia chamada Apiwtxa” e retornaram com tudo aprovado para finalização do filme. Durante os dias em que estiveram por lá, trabalharam em entrevistas e registro do cotidiano para produção de mais um filme Ashaninka, que trará para o vídeo um pouco do histórico da etnia.

No blog http://apiwtxa.blogspot.com/ é possível acompanhar um pouco do dia a dia desta harmoniosa comunidade.

13/07/2010

Encontro de Saberes


Encontro de Saberes promoverá diálogo entre o saber tradicional e o saber científico

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, em parceria com a Universidade de Brasília e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa, órgão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizará nos dias 13 e 14 de julho, no auditório Dois Candangos, o Seminário Internacional - A inclusão das artes e dos saberes indígenas, afro-americanos e tradicionais na universidade.

O seminário é a primeira etapa do projeto e tem como objetivo conhecer as iniciativas já realizadas, no Brasil e na América do Sul, de inclusão de mestres de saberes tradicionais, populares e indígenas, no ensino superior.

O Encontro de Saberes tem como proposta promover o diálogo entre os saberes acadêmicos e os saberes tradicionais, populares e indígenas, além de contribuir para o processo de reconhecimento de mestres de artes e ofícios como docentes no ensino superior, aliando esses dois universos por meio da realização de cursos e ações interculturais.

Etapas - O Encontro de Saberes será realizado em três etapas:

1ª etapa: Seminário Internacional. O evento tem como objetivo apresentar iniciativas já realizadas no Brasil e no exterior de inclusão de protagonistas de conhecimentos tradicionais no ensino superior, além de realizar oficinas de trabalho envolvendo os mestres docentes, os professores parceiros e outros professores convidados.

2ª etapa: Residência, preparação da metodologia e dos recursos didáticos necessários para a disciplina com a participação de cinco mestres de artes e ofícios populares e indígenas e dos professores parceiros;

3ª etapa: Criação da disciplina “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”, que será ministrada pelos mestres tradicionais populares e indígenas, junto com os professores parceiros e será ofertada na grade regular de graduação do segundo semestre de 2010 da UnB, acessível a estudantes de todos os cursos.

Confira aqui a programação!

Mais informações acesse http://www.encontrodesaberes.com.br/

12/07/2010

Xamãs, artesãos e mestres da cultura popular serão professores da UnB


Universidade será a primeira no Brasil a ter uma disciplina baseada nos saberes tradicionais. Aulas devem começar no próximo semestre

por Ana Lúcia Moura, da Secretaria de Comunicação da UnB, UnB Agência, 12/07/2010

Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestamento. Maniwa Kamayurá conhece em detalhes as técnicas de construção indígena. Lucely Pio é capaz de identificar com precisão qualquer planta do cerrado. Mas o conhecimento de nenhum deles veio das salas de aula. Eles aprenderam o ofício com o avô, com a avó, com o pai, com a mãe. E passam sua sabedoria aos mais novos, aos filhos, aos netos. Agora, vão ensinar o que aprenderam também aos alunos da Universidade de Brasília.

Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre que deve ser inaugurada no próximo semestre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki, que é mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu e Lucely, mestre raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, vão passar adiante o conhecimento acumulado durante mais de séculos nas comunidades onde cresceram e vivem até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualísticos. Lucely é mestre quilombola.

Além deles serão também professores da nova disciplina Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernambucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.

A criação da disciplina, que deve ter carga semanal de seis horas e depende ainda de aprovação do Decanato de Ensino de Graduação, faz parte de um projeto de introdução dos saberes tradicionais na universidade. “Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos", explica o professor José Jorge de Carvalho, criador e coordenador do projeto e também dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia. "Os mestres que aqui estarão tem um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir”, completa o professor.

AVANÇO - O professor José Jorge destaca, no entanto, que a introdução dos saberes tradicionais não é uma negação da forma utilizada pelas universidades de produzir e transmitir conhecimento. “Pelo contrário. É uma soma. Sabemos coisas que os mestres tradicionais não sabem, assim como eles sabem muito do que não conhecemos. A universidade pode ser muito mais rica do que é”, acrescenta. Cada mestre passará duas semanas na UnB e será acompanhado por um professor na sala de aula. “A universidade pode ser mais rica do que é e para isso precisa fazer justiça à riqueza de saberes que existem no Brasil”, completa o professor José Jorge.

O diretor do Departamento de Antropologia, Luís Roberto Cardoso de Oliveira, lembra que a criação de disciplinas de módulo livre, que permitem aos alunos contato com um conhecimento totalmente fora de sua área, foi um avanço. "E colocar os mestres frente a frente com os alunos e ao lado dos professores é uma proposta que vai ainda mais além", comenta.

Para Nina de Paula Laranjeira, diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica do Decanato de Ensino de Graduação, a iniciativa por si só já demostra uma mudança nos modos de pensar. "Precisamos superar o paradigma de que o conhecimento está limitado à comprovação científica", afirma.

TROCA DE SABERES - As bases pedagógicas e antropológicas da nova disciplina serão discutidas nos dias 15 e 16 de julho, como parte do seminário internacional que vai tratar da introdução de novos saberes nas universidades. “O método de transmissão dos mestres tradicionais é completamente diferente do nosso. O ideal para a raizeira Lucily, por exemplo, é ensinar caminhando pelo cerrado”, explica o professor José Jorge.

Organizado pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e Ministério da Cultura, o Encontro de Saberes vai reunir mestres indígenas e de atividades folclóricas, professores brasileiros e latino americanos, além de representantes do Governo Federal. No encontro, serão apresentadas experiências de universidades de cinco países da América Latina que desenvolvem projetos de inclusão de saberes tradicionais em seus cursos, disciplinas e programas de extensão. O seminário, que acontece no Auditório Dois Candangos, também será uma oportunidade para os novos professores conhecerem melhor a UnB.

Entre os palestrantes estão o reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador, Maria Mercedes Díaz, da Universidade de Catamarca na Argentina, Jaime Arocha, professor de Antropologia da Universidade Nacional da Colômbia, Carlos Callisaya, coordenador das Universidades Indígenas da Bolívia no Ministério da Educação boliviano e Maria Luísa Duarte Medina, que atua em projetos de inclusão dos saberes indígenas nas instituições de ensino superior do Paraguai. “A presença de cada um deles mostra que a inclusão dos saberes tradicionais na academia é um movimento cada vez mais forte”, afirma o professor José Jorge.

Benki Pianko defende cautela na interação entre índios e brancos

Foto: Luiz Filipe Barcelos/UnB Agência
Convidado para o Seminário Internacional Encontro dos Saberes, xamã apresentará ciência desenvolvida em aldeia

por João Campos, da Secretaria de Comunicação da UnB, UnB Agência, 12/07/2010

A textura da mão de Benki Pianko revela que a terra é parte de sua trajetória. O xamã do povo Ashaninka – na fronteira entre Brasil e Peru, a aproximadamente 800 quilômetros de Rio Branco (AC) – nasceu, cresceu e deseja passar o resto da vida em contato com a natureza. A fauna e a flora são seu laboratório. Na comunidade de 500 habitantes, 100% auto-suficiente, o homem de 36 anos e pai de oito filhos é uma das lideranças que usa os saberes seculares de seus ancestrais e a espiritualidade para fazer ciência. Convidado para o Seminário Internacional Encontro de Saberes, que ocorre entre os dias 13 e 15 de julho, no auditório Dois Candangos da Universidade de Brasília, o indígena está na capital para trocar experiências. Pianko será professor em uma disciplina do Departamento de Antropologia, que será criada no segundo semestre de 2010 - leia aqui.

“Podemos ajudar a desenvolver um novo olhar sobre o mundo. Um caminho que começa pelo respeito e o conhecimento das diferentes formas de saber”, afirma o líder do Centro de Saberes da Floresta (Yorenka Ãtame). Sobre o que levar do costume dos brancos para a aldeia, o homem de rosto pintado e fala segura mostra-se cauteloso. “Levaria umas boas ferramentas - como o machado - que são difíceis de fazer na floresta”. Em entrevista exclusiva à UnB Agência, o xamã que defende o cuidado na interação entre indígenas e brancos falou sobre a sua participação no seminário e da saudade que sente da aldeia durante os 10 dias de estadia na cidade símbolo da modernidade.

UnB Agência: O que a ciência tradicional dos Ashaninka tem a acrescentar ao conhecimento acadêmico e vice-versa?
Benki Pianko: Há séculos vivemos do que plantamos, colhemos e caçamos na nossa terra. Conhecemos bem como fazer o manejo do solo, da fauna, da piscicultura. Os saberes repassados de geração em geração nos deram conhecimento para o reflorestamento de áreas degradadas e a criação de espécies para o repovoamento de rios e matas e para a alimentação. A floresta também guarda nossa medicina. Temos ervas que curam tuberculose, câncer, apesar de já precisarmos de remédios industrializados por conta de doenças introduzidas pelos brancos (no fim da década de 1970 houve uma alta taxa de mortalidade na região por causa do Sarampo). Apesar de tudo, acredito que nossa principal missão é mostrar a necessidade de respeito às diferentes formas de saber, ainda desconhecidas fora das aldeias. Ainda hoje há discriminação contra índios e caboclos. Em um país tão rico e diverso como o Brasil, a população não pode fechar os olhos para todas as formas de conhecimento e aprender na academia apenas o que vem da Europa e dos Estados Unidos. Daqui, levaria umas boas ferramentas - como o machado - que são difíceis de fazer na floresta.

UnB Agência: É possível a interação entre brancos e índios sem a ameaça dos costumes tradicionais?
Benki Pianko: Acredito que sim. Mas esse encontro deve ser cauteloso. Sabemos que se abrirmos nossa comunidade para as ações de fora seremos destruídos. Por outro lado, temos a consciência de que a melhor forma de promover essa interação é conhecer o que se passa ao redor da aldeia para filtrar o que chega ao nosso povo. Hoje sofremos pressões de todos os lados. De madeireiros, fazendeiros, caçadores e muitas pessoas de má-fé que perseguem e matam nosso povo como se fossemos animais. A vida em grupo, o sentimento de coletividade é o nosso maior bem. Já tivemos experiências de pessoas que saíram da aldeia para estudar na cidade com o compromisso de voltar. Mas a maioria adquiriu valores ligados à individualidade e à competição, como o de conseguir um emprego e acumular riquezas, e não voltaram. Nossa riqueza é outra. Está na educação de nossos filhos, no alimento que tiramos da terra. Por outro lado, hoje temos um sistema de energia solar e um ponto de internet (vindos de programas do governo federal) que facilitam muito nossa comunicação com o mundo de fora. A questão é como fazer.

UnB Agência: Como está sendo sua passagem por Brasília?
Benki Pianko: Já tinha vindo outras vezes representando meu povo. Essa cidade é muito diferente, não temos a liberdade que temos na floresta. A gente fica meio perdido quando sai na rua, sem saber para onde ir, com quem conversar. Passar 10 dias aqui dá uma saudade grande da aldeia. Lá nós temos tudo que precisamos: batata, arroz, frutas, criação de quelônios. Na escola nossas crianças aprendem o aruak (língua local) e só tem contato com o português na 5ª série. No trabalho espiritual, sonhos e visões nos ajudam a direcionar nossas ações. Ali desenvolvemos nossa ciência, que não está na academia. A natureza é a nossa riqueza. Minha vida e a vida de meu povo estão ali e não troco aquele lugar por nenhum outro.

07/07/2010

Vigilância e Fiscalização em Terras Indígenas

I Seminário de Vigilância e Fiscalização em Terras Indígenas no Acre, de 6 a 9/07

por CPI/Acre, 06/07/2010

Trocar experiências numa roda de conversa com os parentes é o principal objetivo do I Seminário de Vigilância e Fiscalização dos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs), que começa hoje, dia 06 e vai até sexta feira, dia 09 de julho, no Centro de Formação Povos da Floresta, CPI/AC. Estão reunidos 30 AAFIs e 20 representantes das Terras Indígenas (TIs) dos municípios de Santa Rosa do Purus, Tarauacá, Feijó, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Assis Brasil, Jordão e Marechal Taumaturgo para avaliar as experiências das aldeias e a atuação dos órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização ambiental.

Outra discussão da semana é tirar propostas alternativas para a atual situação de perigo dentro de suas Terras. Estão convidados para essa discussão, representantes da FUNAI Nacional, IBAMA, Polícia Federal, Ministério Público Federal, INCRA e outros órgãos de governo federal e estadual.

Para Josias Pereira Kaxinawá/Huni Kui, este encontro de parentes “vai ensinar muito para os parentes, como podemos trabalhar melhor junto com os órgãos do governo para impedir que caçadores, pescadores, madeireiros clandestinos, entrem nas Terras Indígenas atrás dos recursos da natureza”. Para Francisca Arara, secretária da OPIAC, Organização dos Professores Indígenas do Acre, e assessora da AMAAIAC, não é mais tempo de brigas. Agora o tempo é de conversa. “Precisamos conversar com os parentes indígenas e, também, com amigos não índios que moram no entorno das terras indígenas. Eles precisam, assim como nós, a trabalhar a sua subsistência não estragando a floresta”.

Além da responsabilidade de fiscalizar e vigiar as suas áreas, os AAFIs fazem trabalho educativo educativo e participativo com a sua comunidade na implementação e experimentação de técnicas agroecológicas de produção, como os sistemas agroflorestais e criação de pequenos animais domésticos e silvestres, além do monitoramento ambiental e de manejo agroextrativista, como parte do Plano de Gestão Ambiental e Territorial em Terras Indígenas. Buscando garantir a promoção da segurança alimentar para seu povo, os AAFIs atuam junto com os agentes de saúde, os professores, os presidentes das associações e com as pessoas da comunidade no manejo dos recursos naturais, nas orientações de saneamento básico e dos problemas do lixo, na contaminação de rios e igarapés, sempre na perspectiva da conservação do meio ambiente limpo e saudável nas aldeias.

Assim como os professores indígenas e os agentes de saúde indígenas, os AAFIs se organizaram e formaram sua entidade de classe, a Associação dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre - a AMAAIAC. Hoje existem 107 Agentes Agroflorestais Indígenas no Estado e seu trabalho tem sido objeto de publicações e estudos e tem servido de modelo para iniciativas similares em outros estados brasileiros com indicativos de novas políticas públicas para este segmento. Sendo assim, a atual reivindicação dos AAFIs ao Governo do Estado é o reconhecimento dos serviços prestados por estes “servidores da floresta”.

06/07/2010

Feliz aniversário, irmão Dalai Lama!



Durante a 15 Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP15), 35 religiosos do mundo todo estiveram reunidos e participaram da Conferência "Enfrentar Clima e Despertar para a mudança através da Unidade", uma reunião convocada pela Iniciativa Global de Mulheres pela Paz Mulheres (GPIW).

Entre estes líderes, Benki Piyãko e Moisés Pinhanta Ashaninka, Sister Jayanti (de branco), Bharati Swami Veda, da Índia, e Dr. Ha Vinh Tho, do Vietname.


Hoje, 6 de julho, Dalai Lama celebra 75 anos. A sua mensagem de paz e justiça precisa de uma demonstração gigante de incentivo nestes tempos difíceis, deixando claro às pessoas contrárias, que o planeta está unido pela esperança em um mundo pacífico e justo.

Você também pode homenageá-lo, faça isto AQUI!
Sua homenagem será entregue pessoalmente ao Dalai Lama, pela Avaaz.

27/05/2010

Cozinhando

Foto: Sérgio Vale/Secom
por Sérgio Vale, SECOM, Imagem de Dia, Agência de Notícias do Acre, 24/05/2010

Não é a gás, é a lenha que abastece o fogão na aldeia. Enquanto a mãe cuida do filho pequeno, prepara mais uma refeição na panela. No fogo, a macaxeira é cozida e preparada como uma comida típica dos indígenas do Acre. Foto: Sérgio Vale/Secom

26/05/2010

Conselho Estadual de Educação do Acre aprovou a proposta curricular do curso de formação de agentes agroflorestais indígenas

Governo do Estado investe mais de R$ 135 mil em formação de Agentes Agroflorestais Indígenas

por Terezinha Moreira, Assessoria Seaprof, 25/05/2010, Agência de Notícias do Acre, 25/05/2010

O secretário de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), Nilton Cosson, e a coordenadora executiva da Comissão Pró-Índio, Maria Luiza Ochôa assinaram convênio de cooperação financeira para a formação de mais 30 Agentes Agroflorestais Indígenas (AAIs) no valor de R$ 135 mil. O curso está previsto para acontecer no Centro de Formação dos Povos da Floresta, sítio da CPI. O curso, inclusive, já que foi reconhecido pelo Conselho Estadual de Educação em 2009.

A formação de Agentes Agroflorestais Indígenas faz parte do Programa de Valorização dos Povos Indígenas do Acre, conjunto de ações e programas que prevê investimentos de mais de R$ 22 milhões nas comunidades indígenas do Acre de 2009 a dezembro de 2010. O Programa se insere no conceito de Zona de Atendimento Prioritário (ZAP) e, baseando-se no Zoneamento Ecológico Econômico do Acre, busca criar condições para que as comunidades e organizações indígenas avancem na gestão ambiental de suas terras com base em planos de gestão formulados por meio de processos participativos de etno-zoneamento, de iniciativas para conservação e uso sustentável dos recursos naturais, da formação de recursos humanos e do fortalecimento institucional das organizações. Prevê ainda consolidar serviços básicos de qualidade, relativas à educação escolar, à formação de recursos humanos em ações de saúde.

Segundo o Assessor dos Povos Indígenas, Francisco Pianko, a formação tem contribuído para melhorar ainda mais a gestão dos recursos naturais nas Terras Índigenas. "Os agentes tem um papel que media toda a questão relacionadas a preservação a própria cultura e gestão do território", lembra Pianko acrescentando que relevantes serviços ambientais têm sido prestados pelos AAFIs em suas terras indígenas, com benefícios no entorno e nas sedes municipais onde estas estão localizadas.

A coordenadora executiva da Comissão Pró-Índio, Maria Luiza Ochôa, explica que os Agentes Agroflorestais Índigenas têm coordenado ações práticas voltadas para a vigilância dos limites de seus territórios, a gestão ambiental, cultural e ecologicamente adequada da floresta e a garantia da segurança alimentar nas suas aldeias. Para tal vem implementado alternativas de produção e manejo agroflorestais, com a construção de viveiros, a produção de mudas, o enriquecimento de capoeiras, terreiros e quintais com árvores frutíferas e espécies de uso cotidiano, a recuperação de áreas degradadas com adubação verde e espécies nativas, técnicas biológicas de combate a pragas, a implantação de hortas orgânicas e o manejo sustentado de palmeiras e palheiras.

Curso já é reconhecido

Maria Luiza Ochôa lembra que em dezembro de 2009, o Conselho Estadual de Educação do Acre aprovou a proposta curricular do curso de formação de agentes agroflorestais indígenas, em nível médio, proposto e executado pela Comissão Pró-Índio do Acre. O curso iniciado em 1996 é responsável pela formação dos agentes agroflorestais indígenas em atuação nas terras indígenas do Acre.

22/05/2010

Pronunciamento das comunidades Ashaninka do Rio Ene sobre o projeto brasileiro-peruano de represa hidrelétrica Pakitzapango


Las comunidades Ashaninka de la Cuenca del Río Ene de la Provincia de Satipo, Región de Junín, Perú reunidos en su XIV Congreso Ordinario de la Central Ashaninka del Río Ene-CARE, en la Comunidad Nativa de Pamakiari, anexo de Cutivireni (distrito de Río Tambo), los días 07 y 08 de mayo del 2010, para debatir sobre el Proyecto de la construcción de la Represa Hidroeléctrica Pakitzapango, manifestamos lo siguiente.

Considerando que:

Nuestra historia está llena de constantes abusos: fuimos esclavizados en la época del caucho, despojados de nuestros territorios, y sometidos a crueles atrocidades durante la violencia social desde los años 1980. La Comisión de la Verdad da cuenta de cerca de 6 000 Ashaninka asesinados y desaparecidos, así como 10,000 Ashaninka desplazados forzadamente de nuestro territorio; organizándonos en Comités de Autodefensa hemos contribuido con nuestra sangre y vidas a la pacificación del país. Ahora nos encontramos repoblando nuestro territorio esperando vivir en paz y tranquilos.

El Río Ene es el alma de nuestros territorios: alimenta a los bosques, animales, plantas, sembríos y sobre todo a nuestros hijos.


Para el Pueblo Ashaninka el Pakitsapango (Casa del Aguila) es sagrado y parte importante de nuestro patrimonio cultural y espiritual, ya que ahí se forman nuestras raíces.

Los Ashaninka del Río Ene hemos participado en la creación del Parque Nacional Otishi y la Reserva Comunal Ashaninka, y nuestras comunidades conforman la Zona de Amortiguamiento, áreas que tienen una de las mayores biodiversidades en el planeta.

Pese a todo ello, el Gobierno nos trae nuevas amenazas: la concesión de nuestro territorio a empresas para la construcción de una represa hidroeléctrica en el lugar sagrado de Pakitzapango, el cual generaría desplazamientos forzados y severos impactos a nuestro territorio, así como a las áreas naturales protegidas.

Nosotros vemos estos atropellos a nuestro territorio como una violencia más que ataca directamente a nuestras vidas y a nuestro existir como Pueblo.

Nuestro pueblo indígena Ashaninka tiene derechos humanos consagrados en el Convenio 169 de la OIT y la Declaración de las Naciones Unidas sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas, así como la Convención Americana que obliga a los Estados a realizar consulta previa libre e informada destinada a obtener el consentimiento de los pueblos y comunidades indígenas potencialmente afectadas por los programas de desarrollo y los proyectos de inversión que se ejecuten en sus territorios, lo cual se recordó en el 138 periodo de sesiones de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos al presentarse la petición de CARE sobre el estado de vulnerabilidad del pueblo Ashaninka del Ene.

Pese a ello, el Gobierno persiste en desconocer y violar nuestros derechos lo cual se aprecia en la Resolución Ministerial N°546-2008-MEM/DM donde el Ministerio de Energía y Minas dio concesión temporal a la Empresa “Pakitzapango Energía SAC” para realizar el estudio de factibilidad para la construcción de la Represa Hidroeléctrica en Pakitzapango.

Esta concesión se superpone al territorio de 10 de nuestras comunidades nativas así como la cuenca del Río Ene y fue otorgada sin informarnos ni consultarnos, sin establecer medidas suficientes para proteger nuestros territorios ancestrales, sin dejarnos decidir nuestras propias prioridades en el proceso de desarrollo, sin participar en la formulación, aplicación y evaluación de los planes y programas de desarrollo nacional; colocándonos así en una situación de vulnerabilidad y demostrando, una vez más, la falta de respeto del Gobierno Peruano hacia nuestra forma de vida y nuestros derechos.

Además, es indignante que se esté negociando la construcción de esta Represa Hidroeléctrica en el Pakitzapango, entre otras, en el marco de un acuerdo energético entre Perú y Brasil, sin siquiera tener mayor información sobre las condiciones socio-económicas y ambientales de dicha construcción, y lo que es peor, dicho acuerdo se estaría discutiendo, sin tener como base un Plan Energético Nacional, limitándose tan solo a la construcción de represas a interés del Brasil.

Teniendo en cuenta lo precedente, las comunidades Ashaninka del Río Ene:

1. Ratificamos el pronunciamiento de la Comunidades Nativas del Ene suscrito en abril del 2009, el cual rechaza la Resolución N°546-2008-MEM, así como el proyecto de construir una Represa Hidroeléctrica en el lugar sagrado de Pakitzapango, Satipo- Perú, porque no fue informada ni consultada a las comunidades Ashaninka del Río Ene, y

2. Rechazamos la utilización de la palabra del idioma Ashaninka Pakitzapango como nombre deeste proyecto, ya que tiene un significado Espiritual y Cultural para las comunidades Ashaninka del Perú.

3. Demandamos al Gobierno Peruano el respeto y cumplimiento irrestricto de nuestros derechos humanos consagrados en el Convenio 169 de la OIT, la Declaración de la Naciones Unidas y la Convención Americana sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas.

4. Exigimos que se implemente en consulta y con participación de los pueblos indígenas una Ley Marco sobre el Derecho a la Consulta Previa, Libre e Informada, en la que se aseguren los estándares mínimos del Convenio 169 de la OIT y de Declaración de Naciones Unidas sobre Derechos de los Pueblos Indígenas.

5. Solicitamos que se archive el Proyecto de Ley que modifica el artículo 8 de la Ley sobre Desplazamientos Internos del Perú, por ser contrario a la finalidad del derecho a la consulta expresado en las normas y jurisprudencia internacional.

6. Requerimos que el Estado Peruano desarrolle una Matriz Energética para el Perú en el marco de una planificación energética concertada donde se garantice el autoabastecimiento de energía para los peruanos. Hasta que ello no ocurra, rechazamos tajantemente un posible acuerdo de venta de electricidad entre Perú y Brasil y cualquier otro proyecto hidroeléctrico que afecte nuestra cultura y tierra.

7. Alertamos y Cuestionamos al Estado de Brasil que están negociando y comprometiendo territorios indígenas como somos los Ashaninka del Río Ene del Perú, por lo que defenderemos nuestro derecho a vivir en paz.

Pamakiari, 08 de mayo del 2010.

Comunidades Nativas de la Cuenca del Rio Ene que participaron del Congreso y que suscriben el pronunciamiento.

Samaniato,
Unión Puerto Ashaninka,
Potsoteni,
Caperucia,
Saniveni,
Meteni (anexos de Chikireni, Pichikia, Kipashiari, Centro Meteni, Nuevo Repoblamiento)
Quiteni (anexos de Pamoreni y Cachingari)
Cutivireni(anexos de Tsyapo, Pamakiari)
Parijaro
Camantavishi
Quempiri (anexos de Puerto Unión Quempiri, Pampa Hermosa)
Quimaropitari (anexos de Quimaropitari Centro)
Shimpenshariato
Centro Tsomaveni (anexos de Boca Tincabeni, Boca Anapate, Yaviro, Coriri)
Paveni,
Catungo Quempiri

SAIBA MAIS AQUI!
E AQUI!

12/05/2010

Conflito vivido por Apiwtxa na fronteira pode agora ser monitorado por mapa com dados sobre injustiça ambiental e saúde no Brasil

Fiocruz lança mapa com dados sobre injustiça ambiental e saúde no Brasil
Vinculada ao Google Earth, ferramenta permite monitorar casos no país. Só Amazônia Legal tem 79 exemplos; internautas podem citar novos casos.

por Globo Amazônia, 11/05/2010


Lançado na semana passada, no Rio, pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e saúde no Brasil reúne mais de 300 casos sobre o tema, distribuídos por estados de todo o país.

Disponível na internet no site da instituição, o mapa foi montado a partir de imagens de satélite vinculadas ao Google Earth. É possível pesquisar detalhes de cada conflito clicando sobre a cidade em que ele se encontra. Com o tempo, a proposta é que os próprios internautas possam complementar dados e adicionar novos casos de injustiça ambiental no mapa.

A ferramenta pode ser utilizada por moradores dos estados da Amazônia Legal, que reúne 79 exemplos de injustiça ambiental no mapa de lançamento. Só o Amazonas tem 14 casos, seguido de Mato Grosso (13), Pará (10), Tocantins (9), Maranhão (8), Rondônia (8), Acre (8), Amapá (6) e Roraima (3).

Os casos de injustiça ambiental na Amazônia têm origens distintas, mas geralmente estão associados a ações de desmatamento ilegal e outras atividades socioeconômicas que ameaçam a saúde de populações indígenas ou ribeirinhas. Um deles é o caso dos indígenas ashaninka, que vivem no Acre e no Peru, próximos à região de fronteira, e sofrem com o avanço de madeireiras na região.

A proposta do mapa é permitir o monitoramento de projetos que enfrentam situação de injustiça ambiental no país, sempre relacionados à questões de saúde das populações que vivem no entorno dos locais em que ocorrem os casos.

11/05/2010

Mapa da injustiça ambiental e saúde no Brasil

Fiocruz lança Mapa Interativo da injustiça ambiental e saúde no Brasil


Este Mapa de conflitos envolvendo injustiça ambiental e Saúde no Brasil é resultado de um projeto desenvolvido em conjunto pela Fiocruz e pela Fase, com o apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde. Seu objetivo maior é, a partir de um mapeamento inicial, apoiar a luta de inúmeras populações e grupos atingidos/as em seus territórios por projetos e políticas baseadas numa visão de desenvolvimento considerada insustentável e prejudicial à saúde por tais populações, bem como movimentos sociais e ambientalistas parceiros.

Em consonância com os princípios da justiça ambiental, o Mapa busca sistematizar e socializar informações disponíveis, dando visibilidade às denúncias apresentadas pelas comunidades e organizações parceiras. Os casos foram selecionados a partir de sua relevância socioambiental e sanitária, seriedade e consistência das informações apresentadas, Com isso, esperamos contribuir para o monitoramento de ações e de projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios e populações das cidades, campos e florestas, sem esquecer as zonas costeiras. Este trabalho tem por respaldo a Constituição da República Federativa do Brasil, em especial seus artigos 1º inciso III e artigo 5º.

Os conflitos foram levantados tendo por base principalmente as situações de injustiça ambiental discutidas em diferentes fóruns e redes a partir do início de 2006, em particular a Rede Brasileira de Justiça Ambiental (www.justicaambiental.org.br). O foco do mapeamento, portanto, é a visão das populações atingidas, suas demandas, estratégias de resistência e propostas de encaminhamento. As fontes de informação privilegiadas e sistematizadas nos casos apresentados seguiram essa orientação. Consistem principalmente de documentos disponibilizados publicamente por entidades e instituições solidariamente parceiras: reportagens, artigos e relatórios acadêmicos, ou ainda relatórios técnicos e materiais presentes em ações desenvolvidas pelo Ministério Público ou pela justiça que apresentam as demandas e problemas relacionados às populações. Os casos selecionados não esgotam as inúmeras situações existentes no país, mas refletem uma parcela importante nos quais populações atingidas, movimentos sociais e entidades ambientalistas vêm se posicionando. As informações nele contidas devem ser vistas como dinâmicas e em processo de aperfeiçoamento, a medida em que novas informações e situações possam, na continuidade do projeto, aprimorar, corrigir dar visibilidade a denúncias e permitir o monitoramento de ações e de projetos que enfrentem situações de injustiças ambientais e problemas de saúde em diferentes territórios e populações no país.

Embora tenha contado com apoio governamental para a sua realização (e esperamos venha a ser utilizado pelo Ministério da Saúde e por outros órgãos e instâncias - federais, estaduais e municipais – na busca de dados e diagnósticos para suas políticas e gestões), ele é direcionado para a sociedade civil. A ela e às diferentes entidades que a conformam, acima de tudo, o Mapa está aberto para informar, para receber denúncias e para monitorar as ações dos diversos níveis do Estado tomadas a respeito. Nesse sentido, ele está democraticamente a serviço do público em geral e, principalmente, das populações atingidas, dos parceiros solidários e de todos e todas que se preocupam com a justiça social e ambiental.

O Mapa apresenta cerca de 300 casos distribuídos por todo o país e georreferenciados. A busca de casos pode ser feita por Unidade federativa (UF) ou por palavra chave. Clicando em cima do caso que aparece no mapa por estado surge inicialmente uma ficha inicial com os municípios e populações atingidas, os riscos e impactos ambientais, bem como os problemas de saúde relacionados. Clicando na ficha completa do conflito aparecem as informações mais detalhadas, incluindo populações atingidas, danos causados, uma síntese resumida, uma síntese ampliada e as fontes de informação utilizadas.

O Mapa pertence a todos/as os/as interessados /as na construção de uma sociedade socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso mesmo, cabe a nós não apenas usá-lo, mas também mantê-lo alimentado de novas informações, fazendo dele um importante instrumento para o aprimoramento da democracia e para a garantia dos direitos humanos e da cidadania plena para cada habitante deste País.

Consulte aqui!

22/04/2010

III Fórum dos Povos Indígenas do Acre

por Agência de Notícias do Acre, 22/04/2010

Comunidades indígenas de todo estado se reúnem em Mâncio Lima para discutir políticas públicas. No 3º Encontro produção agroextrativista, valorização cultural e qualidade de vida nas aldeias foram os principais assuntos debatidos.

20/04/2010

Encontro realizado na Terra Indígena Puyanawa reúne representantes de 33 Terras Indígenas

Assessor dos Povos Indígenas ressaltou importância da organização dos povos e comunidades para receberem os investimentos públicos (Foto: Onofre Brito/Secom)

3º Fórum dos Povos Indígenas do Acre

por Flaviano Schneider, Agência de Notícias do Acre, 20/04/2010

O 3º Fórum dos Povos Indígenas do Acre, na Terra Indígena Puyanawa, município Mâncio Lima começou nesta segunda-feira, 19 de abril, dia que se comemora o Dia do Índio no Brasil. E durante os próximos quatro dias, cerca de 100 indígenas, representando 33 Terras Indígenas, pertencentes às 15 etnias existentes no Estado, vão relatar experiências e a situação vivida por suas aldeias. Nos dois primeiros dias, além da apresentação do histórico e situação atual do movimento indígena, vai acontecer o ‘diálogo das aldeias' em que as diversas aldeias se apresentarão e também as organizações indígenas como Opirj, Opitar,Opire, Fephac,Opiac, Sitoakore, etc. No dia 21 de abril serão apresentados os fundamentos da política indigenista do Governo do Estado e o plano de valorização dos povos indígenas.

No último dia, grupos temáticos estudarão e fornecerão subsídios para as políticas públicas do governo. Nesse dia também vai acontecer assinaturas de convênios com associações indígenas para implementação do ProAcre. O secretário dos povos indígenas, Francisco Pinhanta, anunciou a presença do governador Binho Marques no último dia do encontro, quando será feita a premiação de diversos ganhadores do I Prêmio de Culturas Indígenas e o lançamento da revista: ‘Povos Indígenas do Acre'. As noites são dedicadas a apresentação de danças e sessões de pajelança, com a bebida sagrada Ayahuasca.

Para o diretor-presidente do Instituto Dom Moacir, Irailton Lima, o grande debate é o aprofundamento da compreensão do que são os planos de gestão dos territórios: "Esperamos que daqui saiam novas demandas para o poder público".

Demandas indígenas

Na abertura do encontro o povo Ashaninka, que habita no Alto Envira, apresentou demandas decorrentes de seu isolamento. O secretário Francisco explicou que em alguns lugares é difícil o governo chegar e que é necessária a organização das comunidades: "A gente está fazendo um grande esforço nos últimos anos para que as comunidades comecem a assumir parte desses serviços para que os benefícios cheguem às comunidades. Queremos chegar de maneira segura e isto só acontecerá se as comunidades estiverem organizadas. As cobranças aparecem, mas a gente vê isso como um processo de construção. Já houve avanços".

O presidente da Organização dos Povos Indígenas do Vale do Juruá (OPIRJ), Osmildo Kuntanawa, ponderou que como os governos federal, estadual e municipal trabalham dentro da lei e só podem destinar recursos para quem estiver organizado, resta às comunidades indígenas se organizarem. "Para fazer parte do programa do governo as lideranças têm que saber trabalhar em suas terras. Para isso precisamos pessoas que nos levem as informações, que apliquem cursos dentro das terras indígenas para formação de lideranças. A gente (os Kuntanawa) ainda não tem terra demarcada mas estamos recebendo apoio do governo. Estamos cadastrados na saúde e temos professores na escola diferenciada".

Dia do Índio

O 3º Fórum é realizado na Escola Estadual Indígena Ixubai Rabuí Puyanawa e cineliy com diversas apresentações de danças e brincadeiras típicas, lembrando o quanto está viva a tradição indígena Puyanawa. Muita emoção por parte do cacique Mário Puyanawa: "Estou muito emocionado. Os parentes vêm de tão longe para participar desse encontro em nossa aldeia e queremos que todos se sintam bem. Vamos ouvir e saber das dificuldades de cada um e o governo está aí para ouvir também". O cacique Puyanawa se diz muito satisfeito com o movimento indígena hoje. Contou que no início da mobilização os índios não sabiam se expressar. "Hoje vejo índios de todas as etnias falando muito bem, falando o que sente e explicando sua situação para os outros parentes; é uma troca de experiências e todos percebem quem é organizado e este serve de exemplo para os outros".

Na noite deste 19 de abril, aconteceu também uma pajelança com Ayahuasca e rapé. O cacique Yawanawa e pajé, Biraci Brasil, disse que o encontro foi excelente e lembrou os anos 1980. Foram entoados cânticos por cinco diferentes etnias e todos se harmonizaram. Para Biraci, o brilho e a harmonia da pajelança indicaram que os povos indígenas acrianos estão partindo agora para uma nova fase de harmonia e desenvolvimento espiritual.

19/04/2010

Fazendo a diferença


Aldeia indígena cria associação e cooperativa para se proteger e gerar sustentabilidade

por Rafael Carneiro da Cunha, Portal do Aprendiz, 19/04/2010

Com o objetivo de se proteger do trabalho escravo e da violência exercida por posseiros, a população indígena Ashaninka, da aldeia Apiwtxa, que vive próxima ao Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre, fundou em 1989 a Associação Apiwtxa. Hoje o grupo desenvolve um trabalho de manejo para recuperar os recursos de sua reserva e possui uma cooperativa.

Além de proteger a população da aldeia, a constituição da associação foi uma forma de lutar mais organizadamente pela demarcação de terra, que se iniciou em 1985 e foi concluída em 1992. A aldeia Apiwtxa conta com 483 habitantes e uma área de cerca de 870 mil quilômetros quadrados, que faz divisa com o Peru.

Lá, atividades como o manejo florestal, repovoamento de rios e matas com animais nativos, como os tracajás (um tipo de quelônio), são praticadas. “Nós enfrentamos muita resistência do governo que quer implantar sua própria política. Infelizmente a gente acaba sofrendo algumas interferências, mas tentamos buscar sempre uma autonomia para o que fazemos. Nós também temos nossa forma de fazer ciência”, explica o tesoureiro da associação, Issac Piyãko.

Em 1989 a aldeia criou o primeiro Sistema de Recuperação do território, utilizando práticas de manejo sustentável, trabalho que continuou em 1992 quando foi desenvolvido um projeto de pesquisa que contribuiu para a análise do território com o objetivo de criar alternativas de sustentabilidade econômica e ambiental visando a autonomia do povo. Com um centro de pesquisa consolidado iniciou-se o reflorestamento. Foram 146 árvores frutíferas e de madeiras de leis plantadas, das quais foi possível em um ano tirar mais de 50 toneladas de alimentos para a comunidade.

Para difundir esse conhecimento que vem dos antepassados foi inaugurado em 2007 o Centro de Formação Yorenka Ãtame – Saber da Floresta, localizado em frente à sede do município de Marechal Thaumaturgo. No local, oficinas de educação, cultura, meio ambiente e seminários são oferecidas para comunidades indígenas do município.

Hoje a aldeia ainda enfrenta problemas com as madeireiras peruanas, que invadem o território e ameaçam sua integridade. A comunidade se manifesta fazendo denúncias por meio de um blog, que conta também com diversas informações sobre a população, a associação e a cooperativa.

Outro meio de sustentabilidade da aldeia é a constituição da cooperativa Ayompari, que trabalha com a produção de tecelagem, instrumentos e artesanato. A venda se limita a turistas que passeiam pela região e outras comunidades vizinhas. Além disso, pessoas de outros municípios e de outros estados do país podem fazer encomendas. Os produtos feitos pela cooperativa estão expostos no site: AQUI

Registro

As histórias do povo Ashaninka podem ser conferidas no quinto DVD da coleção “Cineastas Indígenas: Um Outro Olhar”, produzido pela ONG Vídeo nas Aldeias. A coleção também reúne documentários de outras aldeias indígenas do Brasil.

Os filmes referentes aos Ashaninkas são: “Shomõtsi” (2001), “A Gente Luta, mas Come Fruta” (2006), “No Tempo da Chuva” (2000), “Caminho para a Vida”, “Aprendizes do Futuro” e “Floresta Viva” (2004).