10/08/2011

Acre enfrenta “situação de crise”, avalia a Secretaria Nacional de Segurança Pública do MJ

por Altino Machado, Blog da Amazônia, 09/08/2011

Regina Miki e Márcio Meira

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse ao desembarcar na tarde desta terça-feira (9), em Rio Branco, que o Acre vive uma “situação de crise” em decorrência do ataque de grupos paramilitares peruanos contra a Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, mantida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) no igarapé Xinane, na fronteira Brasil-Peru.

- Nós temos aqui uma situação de crise e nesta situação nós temos que conter a crise para que possamos entrar numa linha natural de trabalho. A Força Nacional está aqui para dar a primeira contenção, que é proteger os índios e nossos servidores. A partir disso, nós vamos ter uma ocupação permanente pelo Ministério da Defesa. É para isto que estamos aqui, para pactuar com o governo do Acre - afirmou.

Regina Miki, que chegou acompanhada do presidente da Funai, Márcio Meira, disse que a “ocupação permanente pelo Ministério da Defesa” vai durar o tempo que for necessário.

- Nós temos operações em que trabalhamos continuamente no Ministério da Defesa. Coordenada pelo Ministério da Justiça, a Operação Sentinela, onde trabalham as Forças Armadas, a Força Nacional e a Polícia Federal. Temos também operações pontuais, a Operação Ágata, coordenada pelo Ministério da Justiça. O que se fizer necessário, o Acre também vai ter, como todos os estados que apresentarem uma contenção de crise - acrescentou.

O presidente da Funai e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça estão sobrevoando a área da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira.

Veja a entrevista com Márcio Meira:

Vocês vão até a fronteira?
Vamos fazer um sobrevoo, em seguida voltamos para Rio Branco e vamos sentar com o governo do Acre, para que a gente possa combinar a colaboração que o Estado tem com as providências que o Ministério da Justiça já tem tomado juntamente com o Ministério da Defesa na Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira, através da Polícia Federal, Funai e Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O senhor chegou a determinar que a equipe da Funai se retirasse da área?
A equipe que estava lá desceu por conta da presença de supostos traficantes. A partir daí, tomamos as providências necessárias para que a equipe pudesse voltar, inclusive com a equipe da Polícia Federal prendendo uma dos invasores que estava lá. Vamos continuar atuando para ver se a gente pega as outras pessoas e consegue apurar tudo o que eventualmente esteja acontecendo lá.

Os funcionários da Funai que decidiram permanecer por conta e risco na área poderão sofrer alguma punição administrativa?
De jeito nenhum, imagina. Os servidores estão prestando serviço público. São a presença do estado brasileiro naquela região, juntamente com todos os agentes dos governos federal e estadual, que está atuando conosco para que nossos funcionários sejam protegidos e, sobretudo, os índios sejam protegidos.

O trabalho da Funai na fronteira do Acre com o Peru, onde vivem os índios isolados, vai demandar cade vez mais a participação das populações do entorno?
O trabalho da Funai é sempre complexo. Cada situação é uma situação. Em situações como essa, obviamente, é sempre necessário a parceria, como estamos tendo a parceria de todos os membros do Ministério da Justiça. Estamos com a secretária nacional de Segurança Pública, comigo aqui no Acre, a pedido do Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que determinou que nós estivéssemos aqui para tomar as demais providências com o governo do Acre, além das providências que já foram tomadas. Precisamos proteger os indígenas e os servidores que estão lá na frente.

E a invasão do território brasileiro?
Por isso que é importante, como eu falei, a presença do Ministério da Defesa, pois é uma faixa de fronteira e se trata da defesa nacional. O Ministério da Defesa é um parceiro fundamental.

ACOMPANHE A COBERTURA DO ALTINO NO BLOG DA AMAZÔNIA:

Narcotraficante português é preso em área de índios isolados pela segunda vez

No Acre, Funai suspeita de matança de índios isolados por paramilitares peruanos

Comissão Pró-Índio pede presença das Forças Armadas e do Ministério da Defesa no Acre

Tião Viana teme violência de mercenários peruanos contra os índios isolados

Grupo paramilitar peruano cerca equipe da Funai em território brasileiro

Grupo paramilitar peruano invade território no Acre

09/08/2011

Grupo armado peruano invade terra de índios isolados no AC, diz Funai

Polícia foi acionada e enviou homens para proteger área de fronteira. Traficante português foi preso pela Polícia Federal em terra indígena.

por Dennis Barbosa, Do Globo Natureza, em São Paulo, 08/08/2011
Helicóptero da Polícia Federal na base Xinane, no oeste do Acre. (Foto: Divulgação/ Polícia Federal do Acre)

A Fundação Nacional do Índio (Funai) denunciou que um grupo armado vindo do Peru está rondando uma região onde habitam indígenas isolados, no Rio Envira, no oeste do Acre.

Seis funcionários da fundação e seis homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do estado estão numa base num ponto remoto da floresta amazônica, na Terra Indígena Isolados do Envira, na tentativa de localizar os invasores e proteger os indígenas de um eventual conflito com o bando, segundo informa o coordenador de índios recém-contatados da Funai, Antenor Vaz, que está em contato constante com eles desde Brasília.

Há mais de três semanas, índios ashaninka do Peru haviam alertado que o grupo armado estava descendo o Rio Envira em direção ao Brasil. A Funai pediu a presença da Polícia Federal, que ficou uma semana na base, conhecida como Xinane. Segundo Vaz, mateiros da Funai viram dois homens armados rondando o local e, mais tarde, localizaram o traficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista, que acabou preso pela PF.

Em março, Fadista havia sido detido na mesma região. Na ocasião, quando abordado pela polícia, ele deixou cair uma mochila no Rio Envira, a qual se suspeita que contenha drogas. O português, segundo informações da Funai, foi extraditado para o Peru, onde também era procurado e, lá, saiu da prisão, voltando ao Acre em agosto. De acordo com a Polícia Federal, ele é condenado por tráfico de drogas pela Justiça do Maranhão e do Ceará, no Brasil, e também em Luxemburgo.

Depois da prisão do traficante, a PF deixou a Base Xinane. Os funcionários da Funai, no entanto, decidiram ficar e, quando voltavam à base de helicóptero, viram homens correndo para o mato.

Neste sábado (6), os funcionários da fundação encontraram, na outra margem do Rio Envira, um acampamento aparentemente usado pelo bando peruano, onde encontraram cartuchos tirados da base da Funai e flechas que pertenceriam aos índios isolados, o que é um indício de os homens armados entraram em contato com os índios ou estiveram em algum lugar onde estes habitam.

“Ou esses caras mataram os isolados ou passaram num lugar onde eles estavam. Sabemos que esses índios se defendem atacando”, diz Vaz.

08/08/2011

Presidente da Funai e secretária de Segurança Pública vão à base de proteção indígena atacada por traficantes na fronteira com o Peru

por Roberta Lopes, Repórter da Agência Brasil. Agência Brasil - EBC. 08/08/2011

Brasília – O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, e a secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, chegam amanhã (9) à base da Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Envira, acompanhados de um efetivo da Polícia Federal, segundo informações da fundação.

A base, mantida pela Funai, foi atacada por traficantes peruanos no final de julho. O destacamento fica a 32 quilômetros da fronteira entre o Brasil e o Peru localizada no estado do Acre e a cinco dias de barco do município de Feijó (AC). A equipe da Envira é responsável por garantir a proteção territorial dos grupos de índios isolados que vivem na região acreana de fronteira entre os dois países.

Depois do ataque, os funcionários deixaram o local e voltaram à base na última sexta-feira (5). Uma equipe com seis policiais da Polícia Militar do Acre chegou ao local ontem (7) para dar segurança à equipe de Envira.

Logo após o ataque, a Funai comunicou a invasão ao Ministério da Justiça, que mobilizou a Polícia Federal. Com o apoio logístico do estado do Acre e do Exército, e também com a ajuda de mateiros que trabalham na frente de Envira, a equipe da PF conseguiu rastrear e prender o narcotraficante português Joaquim Antônio Custódio Fadista. Ele já havia sido preso e extraditado para o Peru, mas voltou à região, supostamente para pegar uma mochila com drogas.

De acordo com a Funai, um dos funcionários e dois mateiros encontraram vestígios de que os traficantes ainda estejam na região e que podem ter atacado os índios. Isso porque foi encontrada uma flecha, pertencente a uma das comunidades de índios isolados, numa mochila deixada em um dos acampamentos dos traficantes.

A equipe da base ainda está vasculhando a região e encontrou trilhas recentes, que devem ter sido feitas pelos traficantes.

Edição: Lana Cristina



Peruanos são acusados de invadir base da Funai

por Maria Emília Coelho - O Estado de S.Paulo. ESPECIAL PARA O ESTADO. TARAUACÁ (ACRE). 08/08/2011

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atua na fronteira do Acre com o Peru distribuiu um alerta informando que está cercada por grupos peruanos armados que invadiram a base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, em Igarapé Xinane, no Acre, em julho.

Segundo Carlos Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados e Recente Contato da Funai, no sábado foi encontrado um acampamento no outro lado do igarapé, onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha.

A Diretoria de Proteção da Funai, informada, encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça para chamar a atenção. Ontem, um helicóptero do governo do Acre chegou à base com uma equipe de seis policiais para dar segurança para a equipe da Frente de Proteção.

Na última quinta-feira, uma equipe da Polícia Federal retirou todos da base, mas o grupo de quatro ou cinco funcionários da Funai retornou ao local. A fronteira entre Brasil e Peru abriga a maior população de indígenas em isolamento na Amazônia.

A possível invasão já tinha sido mencionada em um alerta feito no dia 11 de julho por indígenas Ashaninka, que moram na aldeia Simpatia, a três horas de barco da base Envira. Uma semana depois, comandos do Estado do Acre e do Exército executaram várias operações na região.

Segundo o coordenador Travassos, a flecha descoberta no novo acampamento pertence aos índios isolados que vivem nas cabeceiras do Rio Humaitá e que só foram conhecidos em 2008 quando fotografados pela Funai. Uma flecha, afirma ele, é a carteira de identidade dos índios. Ele se diz preocupado, pois a situação pode ter graves consequências para o trabalho de proteção de índios isolados. "São pelo menos três grupos de cinco, seis pessoas. Ao redor da base, há caminhos grandes com pisadas recentes", alerta.

Reação.

Assim que os indígenas Ashaninka divulgaram a presença dos estranhos, iniciou-se uma operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado e do Exército. No dia 3 de agosto foi preso um narcotraficante português, Joaquim Antônio Custódio Fadista, que já havia sido capturado e extraditado para o Peru. Ele conseguiu retornar à Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com drogas.

De acordo com Travassos, o trabalho dos mateiros auxiliou a polícia. "O Ministério do Planejamento pediu o fim da contratação dos serviços terceirizados das frentes, mas, sem pessoas especializadas como eles, a segurança dos índios isolados estará comprometida." O sertanista José Carlos Meirelles, também do grupo, fez um alerta: "Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, a gente fica até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção." E completou: "Somos irresponsáveis, talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados, nossos vizinhos, Ashaninka."

Vistos como obstáculos da exploração pelos seringalistas e caucheiros, esses povos começaram a ser dizimados por meio das chamadas correrias. Os índios que sobreviveram fugiram para as zonas mais inacessíveis da mata. Hoje, esses índios não mantêm contato permanente com a sociedade nacional.



07/08/2011

Frente de Proteção dos Índios Isolados da FUNAI em situação de risco máximo

por CPI/ACRE, 07/08/2011

José Carlos Meirelles, sertanista da Frente de Proteção Etnoambiental Rio Envira, base da FUNAI para proteção dos povos isolados na fronteira Acre-Brasil/Peru, se dedica à proteção destes índios há mais de 25 anos.

Em julho passado, a base foi invadida e saqueada por traficantes peruanos, logo depois que a equipe deixou o local por segurança. Nesta sexta feira, 05 de agosto, quatro funcionários e o sertanista retornaram à base e ali pretendem permanecer, pois a polícia federal abandonou a região depois de prender apenas um dos traficantes.

A seguir, o comunicado que Meireles fez lá da base, neste sábado, dia 06 de agosto de 2011. Na sequência, a reportagem de Maria Emília Coelho, correspondente da UOL Notícias

A todos,

Vocês já sabem das notícias. Vão as últimas. Desculpem por mandar prá todo mundo, mas o tempo pra ficar no notebook aqui tá curto. Um olho na tela e outro nos peruanos não dá.
Seguinte:

1- Pela quantidade de vestígios aqui ao redor, temos certeza que os caras se dividiram em grupos de cinco ou seis e estão fazendo uma verdadeira varredura aqui ao redor da base.

2- Os isolados não andaram aqui não. As coisas que desapareceram daqui indicam que não foram eles.

3- Cremos tambem que junto desses peruanos existam índios sim, contatados de lá.

4- A gente conhece apito de índio remedando bicho. Parece que tem uma reunião de nambú azul aqui por perto.

5- Se esses caras estão procurando alguma coisa, ainda não acharam.

6- Todo mundo que está aqui ( nós cinco gatos pingados) é manso na mata, como eles.

7- O nome de nosso dois mateiros: Francisco Alves da Silva Castro o Marreta.

8- Francisco de Assis Martins de Oliveira - O Chicão.

9- O dia que a Funai descobrir que um homem como eles, valem por 20 indigenistas e 20 sertanistas, talvez resolva contratá-los, sem concurso público, pois são analfabetos, mas os maiores doutores da mata que conheço, talvez a segurança dos índios isolados possa ser melhor conduzida.

Permaneceremos aqui, dê o que dê, até que o Estado Brasileiro decida RESOLVER DE VEZ esse absurdo!!!! Não prá proteção nossa. PARA PROTEÇÃO DOS ÍNDIOS!!!!!!

Quem não tiver atualizado, por favor procure Uol, sites e tal que já tá no mundo.

Quem puder reclamar, precionar etc., será bem vindo. Os isolado agradecem.

Um grande abraço a todos da nossa equipe de " irresponsáveis", como estamos sendo chamados.

Pensem bem: Quem é o irresponsável mesmo...

Meirelles


LEIA AQUI A MATÉRIA
Funcionários da Funai retornam a base no Acre invadida por traficantes peruanos e reclamam da falta de segurança

06/08/2011

Antropólogo e mateiros se unem para defender índios do tráfico

Sem poder contar com o efetivo apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, os servidores da Funai se dispõem a reforçar agora a vigilância na fronteira

por MONTEZUMA CRUZ, Agência Amazônia de Notícias, 06/08/2011

CAMPO GRANDE (MS) – O antropólogo Terri Aquino, dois mateiros e o coordenador de índios isolados no Acre, Jose Carlos Meirelles, decidiram se unir para enfrentar o narcotráfico peruano que ameaça povos indígenas na fronteira brasileira com o Peru. Levados de helicóptero para a região, a cerca de 800 quilômetros de Rio Branco, lá estão, sem data para retornar às suas bases na floresta.

Trabalhando para a Fundação do Índio (Funai) há mais de 30 anos na floresta amazônica, Aquino lamenta que integrantes desse ‘grupo paramilitar peruano’ – conforme ele designa – invadiram recentemente a base Xinane, da Frente de Proteção Etnoambiental Envira e continuam invadindo o território acreano, valendo-se do isolamento e da falta de guardas. Um único integrante do grupo foi preso, extraditado, mas já retornou à região.

“O território brasileiro é invadido por um bando de narcotraficantes internacionais; quando essas notícias não saem nos jornais, nem Deus fica sabendo”, diz Aquino em mensagem transmitida à imprensa.

Outro grave problema na região é a exploração madeireira por peruanos e chineses, que fora denunciada pela primeira vez em novembro de 2005 por Terri e seu colega sertanista José Carlos Meirelles. O fato vem se repetindo. Na ocasião eles chamaram a atenção para a ilegalidade dessa atividade em território tradicional dos indígenas “em isolamento voluntário” Mashco Piro, localizado no Parque Nacional Alto Purus e na Reserva Territorial Mascho Piro, incorporada a esse Parque desde novembro de 2004.

Sem poder contar com o efetivo apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro, os servidores da Funai, conforme Aquino, se dispõem a reforçar agora a vigilância na fronteira, constituindo um grupo mais numeroso formado por indígenas Ashaninka e Kulina do alto Rio Envira, e Kaxinawá dos altos rios Humaitá e Jordão.

Aquino lamenta que grupamentos das forças de segurança nacional se limitem a operações pontuais ao longo da fronteira, retornando logo em seguida aos quartéis. No entanto, ofereceu-se para auxiliá-los: “Se precisarem de mim é só chamar para que possamos criar esse incrível exército Brancaleone e atuar nessas lindas matas das proximidades do Paralelo 10 graus Sul, essa extensa linha imaginária da fronteira internacional Brasil–Peru.”

“Se vierem, venham para resolver”

Este é o apelo de Aquino, na íntegra:

“A todos os companheiros de luta e família. Como o tempo é curto e é muita gente, me desculpem misturar familiares e trabalho. Como todos sabem a nossa base do Xinane foi invadida por um grupo paramilitar peruano, onde foi preso por uma operação da polícia federal, um único integrante.

O famoso Joaquim Fadista, que já tinha sido pego aqui por nosso pessoal, foi extraditado e voltou. Com um grupo de pessoas cuja quantidade não sabemos.
A operação foi muito rápida e hoje todo mundo foi embora. Nossa base ficou só de novo.

Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, tomamos a decisão, Carlos Travassos, coordenador dos isolados, Artur coordenador da frente, Eu, e dois mateiros nossos – Marreta e Chicão – de vir pra cá. Fomos deixados pelo helicóptero da operação.

Os caras ainda estão por aqui. Correram quando o helicóptero chegou. Rasto fresco e cortado de hoje. Se o povo da PF ou Exército estivesse aqui a gente pegava todo mundo.

Parece que as coisas não são bem assim. Talvez se esse grupo tivesse invadido algum canteiro de obra o PAC, metade do exército já estaria lá. Mas como é uma basezinha da Funai, área de índios isolados.

O fato é que aqui ficaremos até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção. Somos irresponsáveis. Talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados nossos vizinhos Ashaninka.

Não temos resposta pra tudo isso. Mas estamos bem perto das perguntas. Permaneceremos aqui. E nem venham nos buscar para abandonar a base de novo e nem venham aqui passar dois dias. Se vierem, venham pra resolver o problema. Caso contrário, a gente mesmo vê o que faz. Um abraço a todos.”

NOTA
Os grifos são do antropólogo Terry Aquino.

20/05/2011

Perú: Denuncian invasión en territorios de indígenas en contacto inicial


por Comunicación FENAMAD

En la cuenca del río Piñi Piñi de la zona de amortiguamiento del Parque Nacional del Manu, región de Madre de Dios, viven indígenas Matziguenkas originarios de las zonas de Boca Maestron y Mameria.

Los invasores no solo habrían ocupado un área de uso tradicional de los indígenas, que en temporadas de verano bajan de las cabeceras para cazar o pescar, sino que además están consumiendo sus plantaciones de plátano y yuca.

“Nuestros hermanos no solo van a perder acceso a los recursos naturales de la periferia del Parque, sino que también van a quedar vulnerables a un contacto irresponsable y a la contaminación de enfermedades exógenas como gripe y tuberculosis”, denunciaron Jorge Quispe Quispe y Marco Pedro Arones Jerewa, jefes de las comunidades nativas de Santa Rosa de Huacaria y Queros, respectivamente.

Según los líderes indígenas, se trata de 29 personas pertenecientes a la Asociación de Productores Agrícolas Alto Piñi Piñi, de Alberto Gonzales Quispe y Jorge Aparicio Quispe. Estas personas se han instalado “sin ningún tipo de autorización” en un área de bosque de producción permanente.

“La invasión está produciendo deforestación. Construcción de estructuras básicas de vivienda y la introducción de especies domésticas vegetales y animales como plantas de cítricos, patos y perros”, afirmaron.

La zona invadida corresponde a las coordenadas UTM 19L 0232648 S, 8581000 W, en la margen izquierda del río Piñi Piñi, a poco más de cuatro kilómetros del Parque Nacional del Manu y del centro poblado de la Comunidad de Santa Rosa de Huacaria.

Los líderes indígenas y comuneros, Santiago Soncco Cansaya, Alberto Manqueriapa Vitente, Freddy Quertehuari Dariquebe, Erberto Chuquihuanca Mamani, Walter Quertehuari Dariquebe, además de Jorge Quispe Quispe y Marco Pedro Arones, mencionados anteriormente, manifestaron su preocupación por lo que consideran un inminente genocidio con esta población altamente vulnerable a padecer enfermedades (ver carta adjunta).

El jefe de la Concesión para la Conservación de la Reserva Ecológica Haramba Queros Wachiperi, Walter Quertehuari, sostuvo que el día de mañana viernes 20 de mayo se realizará el operativo de desalojo, en la que participará la Fiscalía de Salvación, la Policía Nacional, la Dirección Agraria de Madre de Dios, entre otros.

La dirección de control de Flora y Fauna Silvestre de Salvación, Manu, dio un plazo a los invasores para que se retiren del lugar en caso contrario se tomarán las acciones legales en aplicación a las normas vigentes de la ley nacional.

Mientras tanto, una comisión de la Federación Nativa, viajó de emergencia al lugar para apoyar a las acciones de protección de los indígenas en contacto inicial, y defender sus derechos ante las autoridades competentes.

“Esto nos muestra una vez más que nuestros territorios están siendo invadidos, y que estamos siendo expuestos permanentemente a la violación de nuestros derechos. El Estado no tiene una política que regule o fiscalice estos hechos en la amazonía”, manifestó el presidente de la FENAMAD, Jaime Corisepa Neri.

Se conoce ampliamente los casos de genocidios en pueblos amazónicos debido a la introducción de enfermedades contagiosas. En el pasado la introducción de la viruela eliminó al 50% de la población de la etnia Wachiperi.

Comunicación FENAMAD
http://www.fenamad.org.pe/
http://www.fenamad-indigenas.blogspot.com/

05/02/2011

Indígenas isolados no Acre são ameaçados por madeireiros peruanos

por Redação ECO, 01/02/2011

A Funai (Fundação Nacional dos Indígenas) está preocupada com comunidades indígenas isoladas na fronteira do Brasil com o Peru. O avanço de madeireiros peruanos pela fronteira brasileira na região do Rio Envira, no Acre, ameaça à saúde física e mental dessas comunidades isoladas, que nunca tiveram contato com outros grupos de pessoas.

“É um perigo para a saúde desses índios, não apenas pelo risco de os madeireiros peruanos matá-los e expulsá-los. O simples contato pode resultar em doenças que, apesar de inofensivas para o branco, são mortais para esses índios”, afirmou Arthur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Envira ligada a Funai, à Agência Brasil.

Índigenas isolados são ameaçados por madeireiros peruanos/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival


As autoridades brasileiras estão receosas com essa situação. O descolamento desses indígenas do habitat pode provocar choques com outras tribos próximas, aumentando os conflitos na região. No Peru, a organização peruana AIDESEP reclama a inação das autoridades do país. "Apesar das denúncias dentro e fora do Peru contra a ação dos madeireiros, nada foi feito a respeito", afirmou um porta-voz.

Para Stephen Cory, diretor da ONG Survival, os madeireiros ilegais irão destruir a tribo e faz um apelo aos peruanos: “É vital que o governo peruano detenha esses madeireiros ilegais, antes que seja tarde”, afirma.

Fotos inéditas

Como forma de sensibilizar as autoridades, a Funai divulgou em sua campanha internacional em defesa das tribos isoladas, através da ONG britânica Survival, algumas fotos inéditas dos indígenas da região.

Indígenas vivem em área isolada/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

"As pessoas nestas fotos estão evidentemente muito bem, o que precisam é que lhes ajudemos a proteger seu território, de forma com que possam tomar suas próprias decisões sobre o futuro.", explica Stephen Corry sobre as imagens.

A Funai concluiu através das fotos que os indígenas eram da etnia Pano. As pinturas feitas com urucum e jenipapo e as plantações de milho, algodão e banana ajudaram bastante na caracterização: “É um povo originário do Peru que trabalha muito com roçados.”, acrescentou Arthur Meirelles.

Existem três grupos Pano na região, com cerca de 600 índios e eles são totalmente isolados. Sobre isso, Meirelles explica: "Não faz parte da política da Funai fazer contato com eles, exceto em caso de urgência, para evitar o desaparecimento desse povo, a exemplo do que já ocorreu com outras etnias. Nosso plano é atuar no campo do monitoramento, da fiscalização e vigilância da terra indígena”.

A Funai, desde 2000, já conhece mais de mil índios isolados na região, pertencentes a quatro grupos. Existem também filmagens dessas comunidades isoladas, que inclusive já foram cedidas à BBC para um documentário que será veiculado até o final do ano.

Índios da etnia Pano vivem em harmonia com o ambiente/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

Veja outras imagens aqui!

31/01/2011

Marina Silva vai à SPFW com traje Ashaninka


Marina Silva na SPFW, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga, com traje Ashaninka

por Renata Sakai, Do EGO, em São Paulo, 31/01/2011

Marina Silva foi à São Paulo Fashion Week, na Bienal, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga. A ex-candidata à presidência usava um colar feito por ela mesma e um traje indígena, que ganhou da tribo Ashaninka, do Acre, na divisa com o Peru.

“Esta peça é uma honraria muito grande. Para homenagear a moda brasileira, nada melhor do que um traje indígena", disse Marina, que ganhou túnica (chamada de cusma pelos indígenas) há dez anos. O tecido foi pintado com uma tinta extraída de uma árvore chamada Cumaru.

30/01/2011

Secretaria de Meio Ambiente de Thaumaturgo publica relatório de atividades

A Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo, tendo à frente o Secretário Isaac Pinhanta Ashaninka, publica suas realizações no ano de 2010.Saiba mais aqui: Thaumaturgo: Município da Floresta

Relatório de Atividades da Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo. 2010

Marechal Thaumaturgo_Relatório de Atividades_2010

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23/12/2010

Assessor dos Povos Indígenas Francisco Pianko homenageia Binho Marques

Assessor dos povos índigenas homenageia governador Binho Marques (Foto: Sérgio Vale)

Governador foi presenteado com vestimentas indígenas do povo Ashaninka

por Samuel Bryan, Agência de Notícias do Acre, 21/12/2010

O Assessor dos Povos Indígenas Francisco Pianko, prestou uma homenagem especial ao governador Binho Marques na noite de segunda-feira (20), no gabinete do governo. No encontro, Francisco Pianko passou para as mãos do governador um traje indígena do povo Ashaninka, um cocar, um lenço e um livro sobre as tradições indígenas.

O traje passado para as mãos do governador Binho Marques foi o mesmo com que Pianko passou todo o governo. “É como se você carregasse todo o povo Ashaninka junto com você”, explica Pianko sobre a simbologia do traje, que é feito de algodão plantado na própria aldeia Ashaninka, com os fios produzidos pelas mulheres e que demora em média dois anos para ser confeccionado.

O Assessor também aproveitou para agradecer o projeto do governo para as políticas indígenas. Emocionado, Pianko afirmou que “nós vivemos uma grande mudança na política indígena num projeto que suas bases foram as comunidades”.

O governador ficou muito feliz com o gesto, “é um grande presente de final de governo”. Binho agradeceu Pianko pelo trabalho realizado, relembrando como as políticas indígenas deram um importante passo a partir do governo Jorge Viana e dando continuidade a esse projeto.

“Eu tenho certeza que daqui 10, 15 anos, nós vamos encontrar um Acre muito melhor, mas muitas dessas mudanças fomos nós que implantamos agora”, comentou o governador.

18/12/2010

Vida e Morte na Amazônia Indígena: as Invasões Madeireiras e os Povos Ashaninka

TJAC e ESMAC promovem palestra sobre invasões madeireiras e os povos Ashaninka

Portal Amazônia, 16/12/2010

RIO BRANCO - O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC), desembargador Pedro Ranzi, e a diretora da Escola Superior da Magistratura do Acre (Esmac), desembargadora Eva Evangelista, receberão a comunidade forense para a palestra de apresentação e lançamento da obra “Vida e Morte na Amazônia Indígena: as Invasões Madeireiras e os Povos Ashaninka”, de autoria do Procurador da República Marcus Vinicius Aguiar Macedo, nesta quinta-feira (16).

O evento encerra a programação de atividades da ESMAC em 2010. Aberto ao público, ele acontecerá às 18 horas, no plenário do Palácio da Justiça, Centro Cultural do Tribunal de Justiça do Acre, em Rio Branco.

A obra a ser lançada é fruto da dissertação de mestrado defendida pelo procurador no ano de 2008, e consiste em uma pesquisa teórica e legislativa, além de estudo de caso dos povos Ashaninka, da Reserva Indígena do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo (AC), na fronteira entre Brasil e Peru.

O estudo busca identificar uma solução no âmbito das relações internacionais para a devastação ambiental da Amazônia em zonas de fronteira, causada pelo desmatamento ilegal praticado por madeireiros peruanos em reservas indígenas, com prejuízos ao acervo cultural de suas comunidades.

A análise também aborda a questão sob a perspectiva de que o problema corresponde a uma agressão à soberania nacional, por se tratar de invasão de terras brasileiras por estrangeiros.

Ao examinar os conflitos sociais advindos dessa problemática, o autor discorre sobre o meio ambiente amazônico, sua riqueza natural, as diversas fases de ocupação e exploração econômica dessa porção geográfica, a tutela penal da floresta, a atuação do Ministério Público Brasileiro na defesa do meio amazônico, os povos e terras indígenas na região, e o histórico da política indigenista no Brasil.

O palestrante e autor

Marcus Vinicius é Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor titular do Departamento de Direito da Universidade Federal do Acre. É membro do Ministério Público Federal desde 1996. Iniciou sua carreira profissional no Rio Grande do Sul, junto à cidade de Uruguaiana, tendo também trabalhado por breves períodos em outras unidades ministeriais da Região Sul e depois no Estado de Roraima, antes de vir para o Acre, onde trabalhou de 1999 até 2009.

Durante o tempo em que permaneceu no Estado, exerceu a função de Procurador-Chefe do MPF-AC, também desempenhando a função de Procurador Regional Eleitoral junto ao TRE Acreano. Desde o início de 2009, com a sua promoção ao segundo degrau da carreira ministerial, atua perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS), como Procurador Regional da República.

12/12/2010

Encontro entre Populações Indígenas e Tradicionais do Alto Juruá, fronteira Brasil-Peru


III Intercâmbio entre Populações Indígenas e Tradicionais do Alto Juruá e I Encuentro Binacional Entre Las Organizaciones Indigenas Fronterizas Del Péru Y Brasil

Centro Yorenka Ãtame, 23 a 25 de novembro de 2010

Organizado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia – APIWTXA em parceria com a Asociacion de Comunidades Nativas para el Desarollo Integral Yono Sharakoiay – Yurua (ACONADIYSH), o evento teve como tema “Iniciativas de Desenvolvimento Comunitário aliadas a Valorização Cultural e Gestáo Ambiental”. Estavam presentes representantes de organizações e comunidades indígenas dos dois lados da fronteira Acre-Ucayali e pertencentes a bacia do rio Juruá/Yuruá. As comunidades tradicionais localizadas no lado brasileiro da fronteira foram representadas pela Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (ASAREAJ) e membros da Comunidade Agroextrativista Triunfo. Estiveram representados também oito povos indígenas, a saber: Ashaninka, Arara (Shawãdawa), Amahuaca, Jaminawá, Kuntanawa, Nukini, Sharanawa e Shipibo.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa
O objetivo do encontro/intercâmbio foi discutir experiências comunitárias e políticas públicas de conservação e uso da (agro)biodiversidade articuladas a valorização dos patrimônios culturais desenvolvidas no Alto Juruá. Essa proposta foi apresentada pela Associação APIWTXA ,que desde 2005 desenvolve ações que denunciam a exploração ilegal de madeira na faixa de fronteira Acre-Ucayali, sensibilizando as comunidades indígenas e tradicionais fronteiriças para os impactos dessa atividade econômica sobre a floresta e as populações que nela habitam.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Lideranças da Apiwtxa: Valdeci Ashaninka, Francisco Pinhanta, Benki Piyãko e Isaac Pinhanta

Para a APIWTXA, esta é a terceira edição de intercâmbios que promove com as comunidades indígenas no territorio peruano abordando temas que relacionam-se com esse contexto. O primeiro intercâmbio foi realizado na aldeia ashaninka Apiwtxa em 2005 (Brasil) e o segundo na aldeia ashaninka Sawawo em 2008 (Peru). Ambos realizaram-se no âmbito do Grupo de Trabalho para Proteção Transfronteiriça da Serra do Divisor e Alto Juruá – Brasil/Peru (GTT).

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa (dir. para esq.) presidente da ACONADIYSH, prefeito de Yurua, Benki Piyãko, vice-prefeito de Marechal Thaumaturgo e Antônio Piyãko, cacique da Aldeia Apiwtxa

Para a realização deste intercâmbio foi decisiva a iniciativa das organizações ACONADIYSH e ORAU (Organización Regional AIDESEP Ucayali) que mobilizaram lideranças indígenas de sete comunidades localizadas no Alto Juruá em território peruano e as trouxeram para o evento, denominado por essas organizações de “I Encuentro Binacional Entre Las Organizações Indígenas Fronterizas Del Péru y Brasil”. O primeiro de uma série de encontros que essas organizações desejam realizar para a promoção do diálogo e a cooperação transfronteiriça voltadas ao desenvolvimento comunitário em bases econômicas, sociais e ambientalmente sustentáveis e, monitoramento e intervenção em políticas públicas binacionais projetadas para essa região fronteiriça.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Apresentação da ASAREAJ

Esse intercâmbio faz parte também de um projeto realizado pela Associação APIWTXA em parceria com a Associação de Cultura e Meio Ambiente – ACMA (organização socioambientalista localizada no Rio de Janeiro/Brasil) e financiado pelo Ministério da Cultura.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Apresentação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo

A seguir são apresentados os encaminhamentos resultantes do intercâmbio/encontro.

Considerando a legislação indigenista e ambiental aplicada no Brasil e Peru, suas especificidades e a Convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, ratificada por ambos os países recomenda-se:

1. Promover a integração entre povos indígenas e tradicionais da fronteira Acre/Brasil – Ucayali/Peru para a obtenção de um desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental sustentável concordante com a visão destas populações;

2. Garantir a participação dos povos indígenas e tradicionais do Alto Juruá e suas aspirações dentro das propostas de integração binacional Brasil-Peru e regionais Acre-Ucayali;

3. Solicitar as autoridades locais e governos, informações e assessoria para promoção de intercâmbio comercial e cultural dos povos indígenas e tradicionais do Alto Juruá na fronteira Brasil-Peru;

4. Gerar projetos produtivos e extrativistas sustentáveis como avicultura, piscicultura, criação e manejo de animais silvestres, artesanato, turismo ecológico, reflorestamento etc;

5. Propor esses projetos para os governos regionais de Acre e Ucayali e as municipalidades de Marechal Thaumaturgo e Yurua, assim como outras instituições cooperantes para obtenção de apoio técnico e financeiro;

6. Organizar oficinas de capacitação e intercâmbios em diferentes temas de interesse comum para os povos indígenas e tradicionais da fronteira Acre/Brasil – Ucayali/Peru;

7. Convidar os representantes das comunidades indígenas e tradicionais, suas organizações e parceiros para participar de eventos promovidos pela Associação APIWTXA e ACONADIYSH, para discussão de assuntos de interesse comum como: desenvolvimento sustentável fronteiriço, ações culturais, ambientais etc.

Assinam:

Organizações de representação de populações indígenas e tradicionais (Brasil/Peru):
Associação Ashaninka do Rio Amônia – APIWTXA
Asociacion de Comunidades Nativas para el Desarollo Integral Yono Sharakoiay – Yurua (ACONADIYSH)
Organización Regional AIDESEP Ucayali (ORAU)
Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ)
Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (ASAREAJ)

Comunidades indígenas e tradicionais (Brasil):
Comunidade Agroextrativista Triunfo
Comunidade Arara do Rio Amônia
Comunidades Arara do Rio Bagé
Comunidade Kuntanawa Sete Estrelas
Comunidades Ashaninka do Rio Breu

Comunidades indígenas (Peru):
Comunidade El Dorado
Comunidade San Pablo
Comunidade Nueva Victoria
Comunidade Beu
Comunidade Dulce Gloria

Instituições Públicas Convidadas/Observadores:
Governo do Estado do Acre (Assessoria Especial dos Povos Indígenas)
Prefeitura Municipal de Marechal Thaumaturgo (Secretaria de Meio Ambiente e Turismo, Agricultura e Planejamento)
Municipalidad Distrital de Yuruá
Universidade de Brasília (Departamento de Antropologia)

Assessoria Técnica
APIWTXA, Centro Yorenka Ãtame

Marechal Thaumaturgo, Acre, Brasil, 25 de novembro de 2010

25/11/2010

A reinvenção do saber


por Vinícius Carvalho, Revista Estado Ecológico, 24/11/2010

Aldeia Apiwtxa, braço da etnia Ashaninka, promove articulação inédita entre saberes ancestrais e científicos no Alto Juruá, zona de fronteira entre o Acre e o Peru

Com uma po­pu­la­ção de mais de 86 mil in­di­ví­duos, os Asha­ninka for­mam um dos prin­ci­pais po­vos in­dí­ge­nas da Ba­cia Ama­zô­ni­ca. Seu ter­ri­tó­rio es­ten­de-se dos An­des cen­trais pe­rua­nos à Ba­cia do Al­to Ju­ruá, no Acre, on­de o ar­co de fron­tei­ra se­pa­ra a et­nia em dois paí­ses. Do la­do bra­si­lei­ro, vi­vem 1.300 pes­soas. Qua­se me­ta­de ha­bi­ta a Ter­ra In­dí­ge­na (TI) Kam­pa do Rio Amô­nia, pres­tes a abri­gar o pri­mei­ro Cen­tro de Cul­tu­ra da Flo­res­ta do Bra­sil.

A par­ce­ria, fir­ma­da com o Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra (MinC) e a As­so­cia­ção de Cul­tu­ra e Meio Am­bien­te (AC­MA), be­ne­fi­cia­rá mais de seis mil ha­bi­tan­tes, de 16 po­voa­dos da et­nia Asha­ninka na re­gião - par­te no Bra­sil, par­te no Pe­ru - e ou­tras no­ve mil que vi­vem na re­ser­va ex­tra­ti­vis­ta da Ba­cia do Al­to Ju­ruá. Em vez da usual tu­te­la go­ver­na­men­tal, que co­lo­ca téc­ni­cos e de­mais ges­to­res no co­man­do dos pro­je­tos di­ri­gi­dos aos po­vos in­dí­ge­nas, des­sa vez os pró­prios Asha­ninka fi­ca­rão res­pon­sá­veis pe­la ad­mi­nis­tra­ção do cen­tro.

A me­ta é cons­truir um es­pa­ço mul­tiu­so, com au­di­tó­rio, es­tú­dio de gra­va­ção mu­si­cal e so­no­ri­za­ção, ca­ma­rim e tea­tro de are­na. Or­ça­da em R$ 4,7 mi­lhões, a in­fraes­tru­tu­ra se­rá im­plan­ta­da ao lon­go de três anos. A es­co­lha pe­la et­nia não foi à toa. Re­fe­rên­cia in­ter­na­cio­nal na in­te­gra­ção en­tre sa­be­res an­ces­trais e cien­tí­fi­cos, os Asha­ninka vão ins­ta­lar os equi­pa­men­tos no Cen­tro Yo­renka Ãta­me, inau­gu­ra­do há três anos pe­la fa­mí­lia Asha­ninka Pyanko pa­ra pro­mo­ver a união de ín­dios e bran­cos em fa­vor da flo­res­ta em pé.

Na área de 86 hec­ta­res com­ple­ta­men­te de­vas­ta­dos pe­lo ga­do, ad­qui­ri­da com o apoio de ON­Gs, na se­de do mu­ni­cí­pio de Ma­re­chal Tau­ma­tur­go, os ín­dios plan­ta­ram mais de 80 mil mu­das, de 146 es­pé­cies de ár­vo­res, en­tre fru­tí­fe­ras e ma­dei­ras de leis. O su­fi­cien­te pa­ra as­se­gu­rar, por ano, mais de 50 to­ne­la­das de ali­men­to.

"Vi­mos que pre­ci­sá­va­mos ex­por­tar es­se re­ca­do pa­ra fo­ra, pa­ra ex­tra­ti­vis­tas e ri­bei­ri­nhos tam­bém com­preen­de­rem que, no nos­so en­tor­no, é pos­sí­vel vi­ver com a flo­res­ta em pé", lem­bra o xa­mã e lí­der Asha­ninka Benki Pianko. Ven­ce­dor do Prê­mio Na­cio­nal de Di­rei­tos Hu­ma­nos, ele car­re­ga a mar­ca de dois mun­dos. Da união en­tre o pai, Asha­ninka, e a, mãe se­rin­guei­ra, diz ter apren­di­do a cul­ti­var a ino­va­ção com res­pei­to às tra­di­ções de seu po­vo.

ES­PÉ­CIES PER­DI­DAS

Além de tra­zer de vol­ta à al­deia es­pé­cies per­di­das de amen­doim, mi­lho e ba­ta­ta, ele e os ir­mãos tam­bém re­cu­pe­ra­ram pe­lo ma­ne­jo a ca­na­bra­va, es­pé­cie de ár­vo­re usa­da pe­los an­ces­trais Asha­ninka pa­ra a pro­du­ção de fle­chas. Es­sas e ou­tras ações cons­tam do Pla­no de Ges­tão Ter­ri­to­rial da al­deia, pu­bli­ca­do pe­los in­dí­ge­nas em Aruak e por­tu­guês. "Po­de­mos aju­dar a de­sen­vol­ver um no­vo olhar so­bre o mun­do, co­me­çan­do pe­lo res­pei­to e o co­nhe­ci­men­to das di­fe­ren­tes for­mas de sa­ber. É is­so que que­re­mos", diz Benki.

"É a pri­mei­ra vez que ve­jo uma co­mu­ni­da­de sis­te­ma­ti­zar e dis­por co­nhe­ci­men­tos des­sa ma­nei­ra pa­ra os não-ín­dios", afir­ma João For­tes, di­re­tor da AC­MA e um dos ge­ren­tes do pro­je­to.

Par­te des­ses co­nhe­ci­men­tos, ex­pli­ca, já che­gou a 17 co­mu­ni­da­des de agri­cul­to­res, ri­bei­ri­nhos e ex­tra­ti­vis­tas que ha­bi­tam o en­tor­no da ter­ra in­dí­ge­na. En­tre elas es­tá a Vi­la Res­tau­ra­ção, co­mu­ni­da­de de mil pes­soas que tro­cou o ga­do por um sis­te­ma agro­flo­res­tal im­plan­ta­do com o apoio dos Asha­ninka, que tam­bém trans­fe­rem tec­no­lo­gias sim­ples e de bai­xo cus­to nas áreas de co­le­ta de se­men­tes, or­ga­ni­za­ção co­mu­ni­tá­ria, ma­ne­jo de fau­na e pro­du­ção de mel. "Vi­mos que o des­ma­ta­men­to ia aca­bar che­gan­do de um jei­to ou de ou­tro, se não fi­zés­se­mos na­da. En­tão, nos adian­ta­mos pa­ra não ter de bri­gar", brin­ca Benki.

O mo­de­lo de ges­tão do cen­tro, sob co­man­do in­dí­ge­na, es­tá lon­ge de ser tri­vial. Em 1995, uma pes­qui­sa do Ins­ti­tu­to So­cioam­bien­tal re­ve­lou a exis­tên­cia de 109 or­ga­ni­za­ções em de­fe­sa dos di­rei­tos in­dí­ge­nas no país, nú­me­ro que sal­tou pa­ra 318 em 2001. A ex­pan­são pros­se­guiu até 2009, quan­do fo­ram iden­ti­fi­ca­das 486 en­ti­da­des do ti­po. O qua­dro, se­gun­do a his­to­ria­do­ra Po­lie­ne Soa­res, re­ve­la três no­vas fren­tes de atua­ção do mo­vi­men­to in­dí­ge­na bra­si­lei­ro: a for­ma­ção de li­de­ran­ças pró­prias, a ar­ti­cu­la­ção en­tre os po­vos e a re­pac­tua­ção de par­ce­rias com ON­Gs e o Es­ta­do.

"As li­de­ran­ças in­dí­ge­nas es­tão dis­pen­san­do por­ta-vo­zes e fa­lan­do por si mes­mas. É uma in­fle­xão na po­lí­ti­ca", diz. Es­sa no­vi­da­de é par­ti­cu­lar­men­te re­le­van­te na área da cul­tu­ra. É que até 2003 não ha­via ne­nhum ti­po de ar­ti­cu­la­ção do Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra com os po­vos in­dí­ge­nas, res­pon­sá­veis por uma das maio­res di­ver­si­da­des ét­ni­cas e lin­guís­ti­cas do mun­do. São 215 so­cie­da­des in­dí­ge­nas co­nhe­ci­das, além de 180 lín­guas per­ten­cen­tes a mais de 30 fa­mí­lias lin­guís­ti­cas di­fe­ren­tes.

"A di­ver­si­da­de cul­tu­ral é nos­so maior pa­tri­mô­nio, e o ín­dio não é só uma ques­tão da Fu­nai. É do Bra­sil e de­ve en­vol­ver tam­bém to­dos os ou­tros mi­nis­té­rios, com res­pei­to a sua au­to­de­ter­mi­na­ção", de­fen­de o mi­nis­tro da Cul­tu­ra, Ju­ca Fer­rei­ra. De olho nis­so, o MinC apos­ta tam­bém na im­plan­ta­ção de 150 Pon­tos de Cul­tu­ra In­dí­ge­nas até o fim des­te ano. Ar­ti­cu­la­dos pe­lo mi­nis­té­rio, es­ses es­pa­ços são en­ti­da­des já cons­ti­tuí­das, que de­sen­vol­vem ati­vi­da­des so­cio­cul­tu­rais em suas co­mu­ni­da­des.

Se­le­cio­na­dos por edi­tal, ca­da um re­ce­be R$ 185 mil, em cin­co par­ce­las se­mes­trais. Par­te do re­cur­so é des­ti­na­da à aqui­si­ção de equi­pa­men­to mul­ti­mí­dia, com­pos­to por mi­cro­com­pu­ta­dor, mi­nies­tú­dio pa­ra gra­var CD, câ­me­ra di­gi­tal e ilha de edi­ção. Até o mês de abril, ha­via mais de 2,5 mil pon­tos de cul­tu­ra em 1.122 ci­da­des bra­si­lei­ras. "Ca­da po­vo tem seu co­nhe­ci­men­to, sua ciên­cia. Sa­be­mos va­lo­ri­zar o que é do ou­tro e nun­ca va­mos dei­xar de ser Asha­ninka por is­so. Nos­sa raiz é mi­le­nar", afir­ma Benki, em re­fe­rên­cia ao uso da in­ter­net na al­deia, ali­men­ta­da, via sa­té­li­te, por pla­cas so­la­res.

HIS­TÓ­RIA DE LU­TA

O pro­ta­go­nis­mo Asha­ninka to­mou cor­po a par­tir da dé­ca­da de 1980, quan­do a re­gião pas­sou a ser sis­te­ma­ti­ca­men­te de­vas­ta­da. "As in­va­sões mo­ti­va­ram a co­mu­ni­da­de a lu­tar pe­la ga­ran­tia do ter­ri­tó­rio e a bus­car al­ter­na­ti­vas de bai­xo im­pac­to am­bien­tal pa­ra a eco­no­mia da re­gião", lem­bra Benki. Até en­tão, diz, os Asha­ninka e os pos­sei­ros bran­cos atua­vam na ba­se do sis­te­ma ma­dei­rei­ro, abrin­do es­tra­das e cor­tan­do ár­vo­res em to­ras, que eram ro­la­das até os iga­ra­pés du­ran­te a es­ta­ção se­ca.

"Ha­via mui­ta coi­sa de­vas­ta­da que a gen­te pre­ci­sa­va re­cu­pe­rar. Já na­que­la épo­ca, co­me­ça­mos a dis­cu­tir o ma­ne­jo de tra­ca­já, a sus­pen­são de ca­ça­das com ca­chor­ro e o plan­tio de ma­dei­ra nas fa­zen­das dei­xa­das por fa­mí­lias que cria­vam ga­do e que saí­ram após a de­mar­ca­ção da nos­sa ter­ra", ex­pli­ca.

Não que os pro­ble­mas es­te­jam re­sol­vi­dos, diz Benki. Lon­ge dis­so, a Co­mis­são Pró-Ín­dio do Acre tem aler­ta­do que tra­fi­can­tes pe­rua­nos e bra­si­lei­ros, em gru­pos for­te­men­te ar­ma­dos, têm usa­do di­fe­ren­tes tre­chos do Par­que Na­cio­nal da Ser­ra do Di­vi­sor, da Re­ser­va Ex­tra­ti­vis­ta do Al­to Ju­ruá e das Ter­ras In­dí­ge­nas da re­gião, co­mo ro­ta do trá­fi­co, amea­çan­do fa­mí­lias e ali­cian­do jo­vens.

Os in­dí­ge­nas tam­bém re­cla­mam da ati­vi­da­de ma­dei­rei­ra rea­li­za­da por em­pre­sas pe­rua­nas, sob re­gi­me de con­ces­são. Bas­ta ver o exem­plo de em­pre­sas que fa­zem ma­ne­jo flo­res­tal em ter­ri­tó­rios de seis co­mu­ni­da­des na­ti­vas Asha­ninka, Ja­mi­na­wa e Amahua­ca. A am­plia­ção da ex­tra­ção de ma­dei­ra, aler­ta o gru­po, tem ocor­ri­do tam­bém nas Re­ser­vas Ter­ri­to­riais Mu­ru­nahua e Mashco-Pi­ro e no Par­que Na­cio­nal Al­to Pu­rus, ter­ri­tó­rios de ha­bi­ta­ção de ín­dios iso­la­dos Mu­ru­nahua e Chi­to­naua, re­sul­tan­do em res­tri­ções ter­ri­to­riais, con­ta­tos for­ça­dos e tra­ba­lho es­cra­vo. "Nos­sos ir­mãos pe­rua­nos es­tão en­fren­tan­do as mes­mas con­di­ções que vi­ve­mos aqui nas dé­ca­das de 1970 e 80. Es­ta­mos mui­to preo­cu­pa­dos", diz.

A preo­cu­pa­ção se es­ten­de tam­bém à ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo na sel­va pe­rua­na. Em maio des­te ano, o go­ver­no da­que­le país anun­ciou a aber­tu­ra de pro­ces­sos de li­ci­ta­ção pa­ra a ex­plo­ra­ção do óleo em mais 10 mi­lhões de hec­ta­res em cam­pos na Ama­zô­nia, in­cluin­do ter­ras Asha­ninka. Um mês de­pois, um bar­co já ha­via der­ra­ma­do 63 mil li­tros de óleo na Ama­zô­nia pe­rua­na.

Com a re­per­cus­são do fa­to, em­pre­sas de ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo e gás fo­ram proi­bi­das de ope­rar nu­ma re­ser­va de ín­dios iso­la­dos da Ama­zô­nia pe­rua­na. A maior par­te da área da re­ser­va foi li­be­ra­da pa­ra a ex­plo­ra­ção da Pe­tro­bras. Apro­vei­tan­do a le­gis­la­ção pe­rua­na, a em­pre­sa bra­si­lei­ra tor­nou-se, em de­zem­bro de 2005, con­ces­sio­ná­ria de uma área de 1,4 mi­lhão de hec­ta­res de flo­res­ta na­ti­va, por um pe­río­do de 40 anos.

O lo­te é so­bre­pos­to à Re­ser­va Ter­ri­to­rial Mu­ru­nahua e a ter­ri­tó­rios de co­mu­ni­da­des Asha­ninka, Ja­mi­na­wa e Amahua­ca, já ti­tu­la­dos ou rei­vin­di­ca­dos no Pe­ru. A les­te, a área es­ta­ria so­bre­pos­ta à zo­na de amor­te­ci­men­to da Re­ser­va Ter­ri­to­rial Mashco-Pi­ro, cria­da em 1997 pa­ra pro­te­ger gru­pos iso­la­dos Mashco-Pi­ro. Um de­les ha­bi­ta a tri­bo Mu­ru­nahua. Quan­do fo­ram con­ta­ta­dos pe­la pri­mei­ra vez, em mea­dos da dé­ca­da de 1990, na­da me­nos que 50% de sua po­pu­la­ção mor­reu.

Saiba mais:

A área de ocupação dos Ashaninka estende-se desde a região do Alto Juruá, em terras brasileiras, até as vertentes da cordilheira andina, no Peru. Abrange parte das bacias dos rios Urubamba, Ene, Tambo, Alto Perene, Pachitea, Pichis, Alto Ucayali, e as regiões de Montaña e do Gran Pajonal. A maior parte dos Ashaninka - cerca de 80 mil pessoas - vive no Peru. Aqui, cerca de 1.300 Ashaninkas vivem em Terras Indígenas distintas e descontínuas, todas situadas na região do Alto Juruá.

22/11/2010

Benki Piyãko em entrevista à UnBTV fala sobre o encontro de saberes e diferentes culturas

Programa especial da UNBTV sobre a participação do mestre e agente agroflorestal Benki Piyãko no Encontro de Saberes. O projeto Encontro de Saberes - Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais é uma iniciativa do Ministério da Cultura com a Universidade de Brasília.







17/11/2010

Programa apresenta documentário realizado por cineastas Ashaninka


Uma Aldeia Chamada Apiwtxa

O programa A’Uwe deste domingo (21) apresenta mais uma produção realizada por índios do povo Ashaninka que vive no Vale do Rio Amônea, no estado do Acre. Neste documentário inédito, a nova geração de cineastas Ashaninka revela o dia a dia da aldeia Apiwtxa, com alguns de seus personagens mais pitorescos.

Horário: Domingo às 16h00

Uma Aldeia Chamada Apiwtxa. Direção: Coletivo Ashaninka de Cinema. Ano: 2010. Produção e distribuição: Vídeo nas Aldeias.

16/11/2010

Brasil: Índio, Internet e Interculturalidade

Photo by Lorena Medeiros

por Elisa Thiago, Global Voices, 14/08/2010

A noção presente no imaginário popular brasileiro de que o índio deixa de ser índio no momento que adota costumes e tecnologias de herança ocidental é contraposta pela prática, cada vez mais difundida nas aldeias indígenas, de utilizar ferramentas de tecnologia de informação exatamente com o intuito de tornar mais eficiente a defesa do estilo de vida e da cultura indígenas.

No Taqui Pra Ti, encontramos um artigo do Prof. José Bessa Freire, coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Nele, o autor discute a apropriação indígena dos veículos de mídia cidadã disponíveis na Internet e a utilização de conteúdos multimída com o intuito de promover a socialização, reivindicar direitos e afirmar a identidade indígena no ciberespaço:

"No Brasil, índios de diferentes línguas e etnias foram estimulados a usar a Internet por organizações governamentais e não governamentais. Embora a situação ainda seja bastante precária, inúmeras das 2.698 escolas indígenas existentes nas aldeias, frequentadas por mais de duzentos mil alunos, foram dotadas de computadores. Ali onde isso não foi possível, os computadores dos postos de saúde da Funasa foram disponibilizados dentro dos Pontos de Cultura no Programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão."

Com o aumento de acesso a computadores, os primeiros sítios indígenas na Internet surgiram em 2001. Segundo Eliete Pereira, do Centro de Pesquisa Atopos, da Escola de Comunicação e Artes/Universidade de São Paulo, a presença indígena na net ainda é bastante irregular. No mapeamento que fez da participação indígena na Internet, Eliete encontrou três tipos de sítios: os sítios pessoais, os sítios de etnias e os sítios de organizações indígenas.

Os usuários de sítios pessoais utilizam a Internet de forma inovadora para mostrar a produção indígena individual. Nesta categoria, encontramos o sítio, por exemplo, do escritor Daniel Munduruku e da escritora Eliane Potiguara que apresentam os seus livros e dialogam com seus leitores. Também nesta categoria, vamos encontrar os blogs de grandes líderes indígenas como Ailton Krenak.

Já os sítios de diferentes etnias indígenas são criados com o intuito de alcançar uma maior visibilidade indígena no cenário nacional e internacional por meio da divulgação da arte, do artesanato, dos padrões gráficos, das narrativas e da língua de cada etnia. É o caso dos Baniwa, dos Ashaninka e de tantos outros que, após terem participado, em 2005 no Rio de Janeiro, das discussões sobre o acesso indígena à tecnologia da informação e à internet, assim como do lançamento do Portal Rede Povos da Floresta, passaram a fazer uso dessas ferramentas digitais como parte de projetos educacionais de base intercultural com o apoio do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e de ONGs como, por exemplo, o Instituto Socioambiental.

Por fim, os sítios de diferentes organizações indígenas são mantidos na rede por instituições representativas de diferentes etnias cuja abrangência pode ser local, regional ou nacional e que estão associadas à conquista por direitos pela terra, pela educação bilíngue e pela saúde da população indígena. Esses sítios constituem-se em ferramentas de reivindicação e ação política. É o caso, por exemplo, do portal da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB, do Indios Online ou o da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro - FOIRN.

Leia mais aqui!

12/11/2010

Uma aldeia chamada Apiwtxa


Uma Aldeia Chamada Apiwtxa
(Brasil, 2010, Doc, 51’, Txirotsi Ashaninka – PE)

A nova geração de cineastas Ashaninka revela o dia a dia da aldeia APIWTXA, no rio Amônia no Acre, com alguns de seus personagens mais pitorescos.

Saiba mais aqui:
Vídeo nas Aldeias e
Amazônia Doc.2 Festival Pan-amazônico de Cinema

Uma aldeia chamada Apiwtxa na Mostra da Amazônia

Gêneros se misturam na mostra Amazônia

Diário do Pará, 12/11/2010


A programação de hoje da Mostra Especial Amazônia Doc.2, que segue até domingo, no Cine Olympia, exibe os filmes “Limite”, de Felipe Filgueiras (SP); “Uma aldeia chamada Apitwtxa”, de Txirotsi Ashaninka (PE); “Só não tem quem não quer”, de Hildalgo Romero (SP); e “Inocente”, de Thiago Luciano e Beto Schultz (SP).

Desenvolvido através do projeto ‘Vídeo nas Aldeias’, o média-metragem “Uma aldeia chamada Apitwtxa” é uma produção realizada pela nova geração de cineastas Ashaninka.

O filme registra o cotidiano da tribo, mostrando também um pouco do histórico da etnia. O filme será exibido na segunda sessão de hoje da Mostra Especial, a partir das 19h30.

O povo da aldeia Apitwtxa habita a região de Marechal Thaumaturgo, município no estado do Acre, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta. O povo Ashaninka, situado em territórios do Acre e do Peru, se considera como guardião da floresta, e, desde 1980, vem combatendo a exploração de madeiras, além de desenvolver técnicas de manejo sustentável.

Além de “Uma aldeia...”, os Ashaninka também já produziram “A gente luta mas come fruta” (2006); “Caminho para a vida”, “Aprendizes do Futuro”, e “Floresta Viva” em 2004; “Índios no Brasil. 10. Nossos direitos” (2000), em parceria com as tribos Kaiowá, Kaxinawá, Yanomami e Kaingang; e “No tempo das chuvas”, também em 2000.

As outras três produções que o público poderá conferir hoje no Cine Olympia vêm de São Paulo. Em pouco mais de 15 minutos, Felipe Filgueiras, diretor de “Limite”, conta a história de Ivan, funcionário de um escritório que segue a mesma rotina há muito tempo, e que, apesar de não gostar de seu trabalho, agüenta as intempéries do chefe sem reclamar. Quando essa situação atinge um nível insuportável para Ivan, ele começa a pensar em soluções extremas para sair dessa situação.

Como lidar com o autocontrole também é tema predominante em “Só não tem quem não quer”, de Hildalgo Romero. Um pequeno acontecimento na vida de Anderson faz com que as coisas percam o sentido e tudo pareça estar errado. Confuso, o protagonista opta pelo único caminho que lhe parecia possível: transbordar a raiva silenciosa e corrosiva que estava guardando.

Em “Limite”, de Thiago Luciano e Beto Schultz, a discussão vai mais além. Mais do que lidar com suas próprias emoções e com sua capacidade de autodomínio, o curta traz ao público a reflexão sobre quem realmente somos. A partir da incapacidade de lidar com um erro, o filme constrói uma narrativa que confronta a realidade humana com a sua ideia de perfeccionismo dos indivíduos. Em jogo estão dois ideais: aquele de como deveríamos ser, e aquele de como realmente somos.

ASSISTA

A Mostra Especial Amazônia Doc.2 segue em cartaz no Cine Olympia até domingo (14). Serão realizadas duas sessões por dia: uma às 17h e outra às 19h30 . Para ver a programação completa, acesse o site http://www.amazoniadoc.com. A entrada é franca.

01/11/2010

Uma Aldeia Chamada Apiwtxa


O programa A’Uwe, da TV Cultura, apresentado por Marcos Palmeira, exibirá o documentário produzido pelo Coletivo Ashaninka de Cinema com o Vídeo nas Aldeias: “Uma Aldeia Chamada Apiwtxa”. Dia 14/11/2010.

"Nós do A’Uwe somos grandes admiradores do trabalho da Associação e de toda a cultura do povo Ashaninka!"