05/02/2011

Indígenas isolados no Acre são ameaçados por madeireiros peruanos

por Redação ECO, 01/02/2011

A Funai (Fundação Nacional dos Indígenas) está preocupada com comunidades indígenas isoladas na fronteira do Brasil com o Peru. O avanço de madeireiros peruanos pela fronteira brasileira na região do Rio Envira, no Acre, ameaça à saúde física e mental dessas comunidades isoladas, que nunca tiveram contato com outros grupos de pessoas.

“É um perigo para a saúde desses índios, não apenas pelo risco de os madeireiros peruanos matá-los e expulsá-los. O simples contato pode resultar em doenças que, apesar de inofensivas para o branco, são mortais para esses índios”, afirmou Arthur Meirelles, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Envira ligada a Funai, à Agência Brasil.

Índigenas isolados são ameaçados por madeireiros peruanos/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival


As autoridades brasileiras estão receosas com essa situação. O descolamento desses indígenas do habitat pode provocar choques com outras tribos próximas, aumentando os conflitos na região. No Peru, a organização peruana AIDESEP reclama a inação das autoridades do país. "Apesar das denúncias dentro e fora do Peru contra a ação dos madeireiros, nada foi feito a respeito", afirmou um porta-voz.

Para Stephen Cory, diretor da ONG Survival, os madeireiros ilegais irão destruir a tribo e faz um apelo aos peruanos: “É vital que o governo peruano detenha esses madeireiros ilegais, antes que seja tarde”, afirma.

Fotos inéditas

Como forma de sensibilizar as autoridades, a Funai divulgou em sua campanha internacional em defesa das tribos isoladas, através da ONG britânica Survival, algumas fotos inéditas dos indígenas da região.

Indígenas vivem em área isolada/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

"As pessoas nestas fotos estão evidentemente muito bem, o que precisam é que lhes ajudemos a proteger seu território, de forma com que possam tomar suas próprias decisões sobre o futuro.", explica Stephen Corry sobre as imagens.

A Funai concluiu através das fotos que os indígenas eram da etnia Pano. As pinturas feitas com urucum e jenipapo e as plantações de milho, algodão e banana ajudaram bastante na caracterização: “É um povo originário do Peru que trabalha muito com roçados.”, acrescentou Arthur Meirelles.

Existem três grupos Pano na região, com cerca de 600 índios e eles são totalmente isolados. Sobre isso, Meirelles explica: "Não faz parte da política da Funai fazer contato com eles, exceto em caso de urgência, para evitar o desaparecimento desse povo, a exemplo do que já ocorreu com outras etnias. Nosso plano é atuar no campo do monitoramento, da fiscalização e vigilância da terra indígena”.

A Funai, desde 2000, já conhece mais de mil índios isolados na região, pertencentes a quatro grupos. Existem também filmagens dessas comunidades isoladas, que inclusive já foram cedidas à BBC para um documentário que será veiculado até o final do ano.

Índios da etnia Pano vivem em harmonia com o ambiente/Foto: Gleison Miranda/FUNAI/Survival

Veja outras imagens aqui!

31/01/2011

Marina Silva vai à SPFW com traje Ashaninka


Marina Silva na SPFW, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga, com traje Ashaninka

por Renata Sakai, Do EGO, em São Paulo, 31/01/2011

Marina Silva foi à São Paulo Fashion Week, na Bienal, nesta segunda-feira, 31, onde assistiu ao desfile do estilista Ronaldo Fraga. A ex-candidata à presidência usava um colar feito por ela mesma e um traje indígena, que ganhou da tribo Ashaninka, do Acre, na divisa com o Peru.

“Esta peça é uma honraria muito grande. Para homenagear a moda brasileira, nada melhor do que um traje indígena", disse Marina, que ganhou túnica (chamada de cusma pelos indígenas) há dez anos. O tecido foi pintado com uma tinta extraída de uma árvore chamada Cumaru.

30/01/2011

Secretaria de Meio Ambiente de Thaumaturgo publica relatório de atividades

A Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo, tendo à frente o Secretário Isaac Pinhanta Ashaninka, publica suas realizações no ano de 2010.Saiba mais aqui: Thaumaturgo: Município da Floresta

Relatório de Atividades da Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo. 2010

Marechal Thaumaturgo_Relatório de Atividades_2010

Para ler, basta clicar em Fullscreen, acima.
Para voltar, basta clicar em Exit Fullscreen

23/12/2010

Assessor dos Povos Indígenas Francisco Pianko homenageia Binho Marques

Assessor dos povos índigenas homenageia governador Binho Marques (Foto: Sérgio Vale)

Governador foi presenteado com vestimentas indígenas do povo Ashaninka

por Samuel Bryan, Agência de Notícias do Acre, 21/12/2010

O Assessor dos Povos Indígenas Francisco Pianko, prestou uma homenagem especial ao governador Binho Marques na noite de segunda-feira (20), no gabinete do governo. No encontro, Francisco Pianko passou para as mãos do governador um traje indígena do povo Ashaninka, um cocar, um lenço e um livro sobre as tradições indígenas.

O traje passado para as mãos do governador Binho Marques foi o mesmo com que Pianko passou todo o governo. “É como se você carregasse todo o povo Ashaninka junto com você”, explica Pianko sobre a simbologia do traje, que é feito de algodão plantado na própria aldeia Ashaninka, com os fios produzidos pelas mulheres e que demora em média dois anos para ser confeccionado.

O Assessor também aproveitou para agradecer o projeto do governo para as políticas indígenas. Emocionado, Pianko afirmou que “nós vivemos uma grande mudança na política indígena num projeto que suas bases foram as comunidades”.

O governador ficou muito feliz com o gesto, “é um grande presente de final de governo”. Binho agradeceu Pianko pelo trabalho realizado, relembrando como as políticas indígenas deram um importante passo a partir do governo Jorge Viana e dando continuidade a esse projeto.

“Eu tenho certeza que daqui 10, 15 anos, nós vamos encontrar um Acre muito melhor, mas muitas dessas mudanças fomos nós que implantamos agora”, comentou o governador.

18/12/2010

Vida e Morte na Amazônia Indígena: as Invasões Madeireiras e os Povos Ashaninka

TJAC e ESMAC promovem palestra sobre invasões madeireiras e os povos Ashaninka

Portal Amazônia, 16/12/2010

RIO BRANCO - O presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJAC), desembargador Pedro Ranzi, e a diretora da Escola Superior da Magistratura do Acre (Esmac), desembargadora Eva Evangelista, receberão a comunidade forense para a palestra de apresentação e lançamento da obra “Vida e Morte na Amazônia Indígena: as Invasões Madeireiras e os Povos Ashaninka”, de autoria do Procurador da República Marcus Vinicius Aguiar Macedo, nesta quinta-feira (16).

O evento encerra a programação de atividades da ESMAC em 2010. Aberto ao público, ele acontecerá às 18 horas, no plenário do Palácio da Justiça, Centro Cultural do Tribunal de Justiça do Acre, em Rio Branco.

A obra a ser lançada é fruto da dissertação de mestrado defendida pelo procurador no ano de 2008, e consiste em uma pesquisa teórica e legislativa, além de estudo de caso dos povos Ashaninka, da Reserva Indígena do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo (AC), na fronteira entre Brasil e Peru.

O estudo busca identificar uma solução no âmbito das relações internacionais para a devastação ambiental da Amazônia em zonas de fronteira, causada pelo desmatamento ilegal praticado por madeireiros peruanos em reservas indígenas, com prejuízos ao acervo cultural de suas comunidades.

A análise também aborda a questão sob a perspectiva de que o problema corresponde a uma agressão à soberania nacional, por se tratar de invasão de terras brasileiras por estrangeiros.

Ao examinar os conflitos sociais advindos dessa problemática, o autor discorre sobre o meio ambiente amazônico, sua riqueza natural, as diversas fases de ocupação e exploração econômica dessa porção geográfica, a tutela penal da floresta, a atuação do Ministério Público Brasileiro na defesa do meio amazônico, os povos e terras indígenas na região, e o histórico da política indigenista no Brasil.

O palestrante e autor

Marcus Vinicius é Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor titular do Departamento de Direito da Universidade Federal do Acre. É membro do Ministério Público Federal desde 1996. Iniciou sua carreira profissional no Rio Grande do Sul, junto à cidade de Uruguaiana, tendo também trabalhado por breves períodos em outras unidades ministeriais da Região Sul e depois no Estado de Roraima, antes de vir para o Acre, onde trabalhou de 1999 até 2009.

Durante o tempo em que permaneceu no Estado, exerceu a função de Procurador-Chefe do MPF-AC, também desempenhando a função de Procurador Regional Eleitoral junto ao TRE Acreano. Desde o início de 2009, com a sua promoção ao segundo degrau da carreira ministerial, atua perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre (RS), como Procurador Regional da República.

12/12/2010

Encontro entre Populações Indígenas e Tradicionais do Alto Juruá, fronteira Brasil-Peru


III Intercâmbio entre Populações Indígenas e Tradicionais do Alto Juruá e I Encuentro Binacional Entre Las Organizaciones Indigenas Fronterizas Del Péru Y Brasil

Centro Yorenka Ãtame, 23 a 25 de novembro de 2010

Organizado pela Associação Ashaninka do Rio Amônia – APIWTXA em parceria com a Asociacion de Comunidades Nativas para el Desarollo Integral Yono Sharakoiay – Yurua (ACONADIYSH), o evento teve como tema “Iniciativas de Desenvolvimento Comunitário aliadas a Valorização Cultural e Gestáo Ambiental”. Estavam presentes representantes de organizações e comunidades indígenas dos dois lados da fronteira Acre-Ucayali e pertencentes a bacia do rio Juruá/Yuruá. As comunidades tradicionais localizadas no lado brasileiro da fronteira foram representadas pela Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (ASAREAJ) e membros da Comunidade Agroextrativista Triunfo. Estiveram representados também oito povos indígenas, a saber: Ashaninka, Arara (Shawãdawa), Amahuaca, Jaminawá, Kuntanawa, Nukini, Sharanawa e Shipibo.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa
O objetivo do encontro/intercâmbio foi discutir experiências comunitárias e políticas públicas de conservação e uso da (agro)biodiversidade articuladas a valorização dos patrimônios culturais desenvolvidas no Alto Juruá. Essa proposta foi apresentada pela Associação APIWTXA ,que desde 2005 desenvolve ações que denunciam a exploração ilegal de madeira na faixa de fronteira Acre-Ucayali, sensibilizando as comunidades indígenas e tradicionais fronteiriças para os impactos dessa atividade econômica sobre a floresta e as populações que nela habitam.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Lideranças da Apiwtxa: Valdeci Ashaninka, Francisco Pinhanta, Benki Piyãko e Isaac Pinhanta

Para a APIWTXA, esta é a terceira edição de intercâmbios que promove com as comunidades indígenas no territorio peruano abordando temas que relacionam-se com esse contexto. O primeiro intercâmbio foi realizado na aldeia ashaninka Apiwtxa em 2005 (Brasil) e o segundo na aldeia ashaninka Sawawo em 2008 (Peru). Ambos realizaram-se no âmbito do Grupo de Trabalho para Proteção Transfronteiriça da Serra do Divisor e Alto Juruá – Brasil/Peru (GTT).

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa (dir. para esq.) presidente da ACONADIYSH, prefeito de Yurua, Benki Piyãko, vice-prefeito de Marechal Thaumaturgo e Antônio Piyãko, cacique da Aldeia Apiwtxa

Para a realização deste intercâmbio foi decisiva a iniciativa das organizações ACONADIYSH e ORAU (Organización Regional AIDESEP Ucayali) que mobilizaram lideranças indígenas de sete comunidades localizadas no Alto Juruá em território peruano e as trouxeram para o evento, denominado por essas organizações de “I Encuentro Binacional Entre Las Organizações Indígenas Fronterizas Del Péru y Brasil”. O primeiro de uma série de encontros que essas organizações desejam realizar para a promoção do diálogo e a cooperação transfronteiriça voltadas ao desenvolvimento comunitário em bases econômicas, sociais e ambientalmente sustentáveis e, monitoramento e intervenção em políticas públicas binacionais projetadas para essa região fronteiriça.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Apresentação da ASAREAJ

Esse intercâmbio faz parte também de um projeto realizado pela Associação APIWTXA em parceria com a Associação de Cultura e Meio Ambiente – ACMA (organização socioambientalista localizada no Rio de Janeiro/Brasil) e financiado pelo Ministério da Cultura.

Foto: acervo da Associação Ashaninka Apiwtxa Apresentação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo de Marechal Thaumaturgo

A seguir são apresentados os encaminhamentos resultantes do intercâmbio/encontro.

Considerando a legislação indigenista e ambiental aplicada no Brasil e Peru, suas especificidades e a Convenção 169 da Organização Mundial do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais, ratificada por ambos os países recomenda-se:

1. Promover a integração entre povos indígenas e tradicionais da fronteira Acre/Brasil – Ucayali/Peru para a obtenção de um desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental sustentável concordante com a visão destas populações;

2. Garantir a participação dos povos indígenas e tradicionais do Alto Juruá e suas aspirações dentro das propostas de integração binacional Brasil-Peru e regionais Acre-Ucayali;

3. Solicitar as autoridades locais e governos, informações e assessoria para promoção de intercâmbio comercial e cultural dos povos indígenas e tradicionais do Alto Juruá na fronteira Brasil-Peru;

4. Gerar projetos produtivos e extrativistas sustentáveis como avicultura, piscicultura, criação e manejo de animais silvestres, artesanato, turismo ecológico, reflorestamento etc;

5. Propor esses projetos para os governos regionais de Acre e Ucayali e as municipalidades de Marechal Thaumaturgo e Yurua, assim como outras instituições cooperantes para obtenção de apoio técnico e financeiro;

6. Organizar oficinas de capacitação e intercâmbios em diferentes temas de interesse comum para os povos indígenas e tradicionais da fronteira Acre/Brasil – Ucayali/Peru;

7. Convidar os representantes das comunidades indígenas e tradicionais, suas organizações e parceiros para participar de eventos promovidos pela Associação APIWTXA e ACONADIYSH, para discussão de assuntos de interesse comum como: desenvolvimento sustentável fronteiriço, ações culturais, ambientais etc.

Assinam:

Organizações de representação de populações indígenas e tradicionais (Brasil/Peru):
Associação Ashaninka do Rio Amônia – APIWTXA
Asociacion de Comunidades Nativas para el Desarollo Integral Yono Sharakoiay – Yurua (ACONADIYSH)
Organización Regional AIDESEP Ucayali (ORAU)
Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ)
Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (ASAREAJ)

Comunidades indígenas e tradicionais (Brasil):
Comunidade Agroextrativista Triunfo
Comunidade Arara do Rio Amônia
Comunidades Arara do Rio Bagé
Comunidade Kuntanawa Sete Estrelas
Comunidades Ashaninka do Rio Breu

Comunidades indígenas (Peru):
Comunidade El Dorado
Comunidade San Pablo
Comunidade Nueva Victoria
Comunidade Beu
Comunidade Dulce Gloria

Instituições Públicas Convidadas/Observadores:
Governo do Estado do Acre (Assessoria Especial dos Povos Indígenas)
Prefeitura Municipal de Marechal Thaumaturgo (Secretaria de Meio Ambiente e Turismo, Agricultura e Planejamento)
Municipalidad Distrital de Yuruá
Universidade de Brasília (Departamento de Antropologia)

Assessoria Técnica
APIWTXA, Centro Yorenka Ãtame

Marechal Thaumaturgo, Acre, Brasil, 25 de novembro de 2010

25/11/2010

A reinvenção do saber


por Vinícius Carvalho, Revista Estado Ecológico, 24/11/2010

Aldeia Apiwtxa, braço da etnia Ashaninka, promove articulação inédita entre saberes ancestrais e científicos no Alto Juruá, zona de fronteira entre o Acre e o Peru

Com uma po­pu­la­ção de mais de 86 mil in­di­ví­duos, os Asha­ninka for­mam um dos prin­ci­pais po­vos in­dí­ge­nas da Ba­cia Ama­zô­ni­ca. Seu ter­ri­tó­rio es­ten­de-se dos An­des cen­trais pe­rua­nos à Ba­cia do Al­to Ju­ruá, no Acre, on­de o ar­co de fron­tei­ra se­pa­ra a et­nia em dois paí­ses. Do la­do bra­si­lei­ro, vi­vem 1.300 pes­soas. Qua­se me­ta­de ha­bi­ta a Ter­ra In­dí­ge­na (TI) Kam­pa do Rio Amô­nia, pres­tes a abri­gar o pri­mei­ro Cen­tro de Cul­tu­ra da Flo­res­ta do Bra­sil.

A par­ce­ria, fir­ma­da com o Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra (MinC) e a As­so­cia­ção de Cul­tu­ra e Meio Am­bien­te (AC­MA), be­ne­fi­cia­rá mais de seis mil ha­bi­tan­tes, de 16 po­voa­dos da et­nia Asha­ninka na re­gião - par­te no Bra­sil, par­te no Pe­ru - e ou­tras no­ve mil que vi­vem na re­ser­va ex­tra­ti­vis­ta da Ba­cia do Al­to Ju­ruá. Em vez da usual tu­te­la go­ver­na­men­tal, que co­lo­ca téc­ni­cos e de­mais ges­to­res no co­man­do dos pro­je­tos di­ri­gi­dos aos po­vos in­dí­ge­nas, des­sa vez os pró­prios Asha­ninka fi­ca­rão res­pon­sá­veis pe­la ad­mi­nis­tra­ção do cen­tro.

A me­ta é cons­truir um es­pa­ço mul­tiu­so, com au­di­tó­rio, es­tú­dio de gra­va­ção mu­si­cal e so­no­ri­za­ção, ca­ma­rim e tea­tro de are­na. Or­ça­da em R$ 4,7 mi­lhões, a in­fraes­tru­tu­ra se­rá im­plan­ta­da ao lon­go de três anos. A es­co­lha pe­la et­nia não foi à toa. Re­fe­rên­cia in­ter­na­cio­nal na in­te­gra­ção en­tre sa­be­res an­ces­trais e cien­tí­fi­cos, os Asha­ninka vão ins­ta­lar os equi­pa­men­tos no Cen­tro Yo­renka Ãta­me, inau­gu­ra­do há três anos pe­la fa­mí­lia Asha­ninka Pyanko pa­ra pro­mo­ver a união de ín­dios e bran­cos em fa­vor da flo­res­ta em pé.

Na área de 86 hec­ta­res com­ple­ta­men­te de­vas­ta­dos pe­lo ga­do, ad­qui­ri­da com o apoio de ON­Gs, na se­de do mu­ni­cí­pio de Ma­re­chal Tau­ma­tur­go, os ín­dios plan­ta­ram mais de 80 mil mu­das, de 146 es­pé­cies de ár­vo­res, en­tre fru­tí­fe­ras e ma­dei­ras de leis. O su­fi­cien­te pa­ra as­se­gu­rar, por ano, mais de 50 to­ne­la­das de ali­men­to.

"Vi­mos que pre­ci­sá­va­mos ex­por­tar es­se re­ca­do pa­ra fo­ra, pa­ra ex­tra­ti­vis­tas e ri­bei­ri­nhos tam­bém com­preen­de­rem que, no nos­so en­tor­no, é pos­sí­vel vi­ver com a flo­res­ta em pé", lem­bra o xa­mã e lí­der Asha­ninka Benki Pianko. Ven­ce­dor do Prê­mio Na­cio­nal de Di­rei­tos Hu­ma­nos, ele car­re­ga a mar­ca de dois mun­dos. Da união en­tre o pai, Asha­ninka, e a, mãe se­rin­guei­ra, diz ter apren­di­do a cul­ti­var a ino­va­ção com res­pei­to às tra­di­ções de seu po­vo.

ES­PÉ­CIES PER­DI­DAS

Além de tra­zer de vol­ta à al­deia es­pé­cies per­di­das de amen­doim, mi­lho e ba­ta­ta, ele e os ir­mãos tam­bém re­cu­pe­ra­ram pe­lo ma­ne­jo a ca­na­bra­va, es­pé­cie de ár­vo­re usa­da pe­los an­ces­trais Asha­ninka pa­ra a pro­du­ção de fle­chas. Es­sas e ou­tras ações cons­tam do Pla­no de Ges­tão Ter­ri­to­rial da al­deia, pu­bli­ca­do pe­los in­dí­ge­nas em Aruak e por­tu­guês. "Po­de­mos aju­dar a de­sen­vol­ver um no­vo olhar so­bre o mun­do, co­me­çan­do pe­lo res­pei­to e o co­nhe­ci­men­to das di­fe­ren­tes for­mas de sa­ber. É is­so que que­re­mos", diz Benki.

"É a pri­mei­ra vez que ve­jo uma co­mu­ni­da­de sis­te­ma­ti­zar e dis­por co­nhe­ci­men­tos des­sa ma­nei­ra pa­ra os não-ín­dios", afir­ma João For­tes, di­re­tor da AC­MA e um dos ge­ren­tes do pro­je­to.

Par­te des­ses co­nhe­ci­men­tos, ex­pli­ca, já che­gou a 17 co­mu­ni­da­des de agri­cul­to­res, ri­bei­ri­nhos e ex­tra­ti­vis­tas que ha­bi­tam o en­tor­no da ter­ra in­dí­ge­na. En­tre elas es­tá a Vi­la Res­tau­ra­ção, co­mu­ni­da­de de mil pes­soas que tro­cou o ga­do por um sis­te­ma agro­flo­res­tal im­plan­ta­do com o apoio dos Asha­ninka, que tam­bém trans­fe­rem tec­no­lo­gias sim­ples e de bai­xo cus­to nas áreas de co­le­ta de se­men­tes, or­ga­ni­za­ção co­mu­ni­tá­ria, ma­ne­jo de fau­na e pro­du­ção de mel. "Vi­mos que o des­ma­ta­men­to ia aca­bar che­gan­do de um jei­to ou de ou­tro, se não fi­zés­se­mos na­da. En­tão, nos adian­ta­mos pa­ra não ter de bri­gar", brin­ca Benki.

O mo­de­lo de ges­tão do cen­tro, sob co­man­do in­dí­ge­na, es­tá lon­ge de ser tri­vial. Em 1995, uma pes­qui­sa do Ins­ti­tu­to So­cioam­bien­tal re­ve­lou a exis­tên­cia de 109 or­ga­ni­za­ções em de­fe­sa dos di­rei­tos in­dí­ge­nas no país, nú­me­ro que sal­tou pa­ra 318 em 2001. A ex­pan­são pros­se­guiu até 2009, quan­do fo­ram iden­ti­fi­ca­das 486 en­ti­da­des do ti­po. O qua­dro, se­gun­do a his­to­ria­do­ra Po­lie­ne Soa­res, re­ve­la três no­vas fren­tes de atua­ção do mo­vi­men­to in­dí­ge­na bra­si­lei­ro: a for­ma­ção de li­de­ran­ças pró­prias, a ar­ti­cu­la­ção en­tre os po­vos e a re­pac­tua­ção de par­ce­rias com ON­Gs e o Es­ta­do.

"As li­de­ran­ças in­dí­ge­nas es­tão dis­pen­san­do por­ta-vo­zes e fa­lan­do por si mes­mas. É uma in­fle­xão na po­lí­ti­ca", diz. Es­sa no­vi­da­de é par­ti­cu­lar­men­te re­le­van­te na área da cul­tu­ra. É que até 2003 não ha­via ne­nhum ti­po de ar­ti­cu­la­ção do Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra com os po­vos in­dí­ge­nas, res­pon­sá­veis por uma das maio­res di­ver­si­da­des ét­ni­cas e lin­guís­ti­cas do mun­do. São 215 so­cie­da­des in­dí­ge­nas co­nhe­ci­das, além de 180 lín­guas per­ten­cen­tes a mais de 30 fa­mí­lias lin­guís­ti­cas di­fe­ren­tes.

"A di­ver­si­da­de cul­tu­ral é nos­so maior pa­tri­mô­nio, e o ín­dio não é só uma ques­tão da Fu­nai. É do Bra­sil e de­ve en­vol­ver tam­bém to­dos os ou­tros mi­nis­té­rios, com res­pei­to a sua au­to­de­ter­mi­na­ção", de­fen­de o mi­nis­tro da Cul­tu­ra, Ju­ca Fer­rei­ra. De olho nis­so, o MinC apos­ta tam­bém na im­plan­ta­ção de 150 Pon­tos de Cul­tu­ra In­dí­ge­nas até o fim des­te ano. Ar­ti­cu­la­dos pe­lo mi­nis­té­rio, es­ses es­pa­ços são en­ti­da­des já cons­ti­tuí­das, que de­sen­vol­vem ati­vi­da­des so­cio­cul­tu­rais em suas co­mu­ni­da­des.

Se­le­cio­na­dos por edi­tal, ca­da um re­ce­be R$ 185 mil, em cin­co par­ce­las se­mes­trais. Par­te do re­cur­so é des­ti­na­da à aqui­si­ção de equi­pa­men­to mul­ti­mí­dia, com­pos­to por mi­cro­com­pu­ta­dor, mi­nies­tú­dio pa­ra gra­var CD, câ­me­ra di­gi­tal e ilha de edi­ção. Até o mês de abril, ha­via mais de 2,5 mil pon­tos de cul­tu­ra em 1.122 ci­da­des bra­si­lei­ras. "Ca­da po­vo tem seu co­nhe­ci­men­to, sua ciên­cia. Sa­be­mos va­lo­ri­zar o que é do ou­tro e nun­ca va­mos dei­xar de ser Asha­ninka por is­so. Nos­sa raiz é mi­le­nar", afir­ma Benki, em re­fe­rên­cia ao uso da in­ter­net na al­deia, ali­men­ta­da, via sa­té­li­te, por pla­cas so­la­res.

HIS­TÓ­RIA DE LU­TA

O pro­ta­go­nis­mo Asha­ninka to­mou cor­po a par­tir da dé­ca­da de 1980, quan­do a re­gião pas­sou a ser sis­te­ma­ti­ca­men­te de­vas­ta­da. "As in­va­sões mo­ti­va­ram a co­mu­ni­da­de a lu­tar pe­la ga­ran­tia do ter­ri­tó­rio e a bus­car al­ter­na­ti­vas de bai­xo im­pac­to am­bien­tal pa­ra a eco­no­mia da re­gião", lem­bra Benki. Até en­tão, diz, os Asha­ninka e os pos­sei­ros bran­cos atua­vam na ba­se do sis­te­ma ma­dei­rei­ro, abrin­do es­tra­das e cor­tan­do ár­vo­res em to­ras, que eram ro­la­das até os iga­ra­pés du­ran­te a es­ta­ção se­ca.

"Ha­via mui­ta coi­sa de­vas­ta­da que a gen­te pre­ci­sa­va re­cu­pe­rar. Já na­que­la épo­ca, co­me­ça­mos a dis­cu­tir o ma­ne­jo de tra­ca­já, a sus­pen­são de ca­ça­das com ca­chor­ro e o plan­tio de ma­dei­ra nas fa­zen­das dei­xa­das por fa­mí­lias que cria­vam ga­do e que saí­ram após a de­mar­ca­ção da nos­sa ter­ra", ex­pli­ca.

Não que os pro­ble­mas es­te­jam re­sol­vi­dos, diz Benki. Lon­ge dis­so, a Co­mis­são Pró-Ín­dio do Acre tem aler­ta­do que tra­fi­can­tes pe­rua­nos e bra­si­lei­ros, em gru­pos for­te­men­te ar­ma­dos, têm usa­do di­fe­ren­tes tre­chos do Par­que Na­cio­nal da Ser­ra do Di­vi­sor, da Re­ser­va Ex­tra­ti­vis­ta do Al­to Ju­ruá e das Ter­ras In­dí­ge­nas da re­gião, co­mo ro­ta do trá­fi­co, amea­çan­do fa­mí­lias e ali­cian­do jo­vens.

Os in­dí­ge­nas tam­bém re­cla­mam da ati­vi­da­de ma­dei­rei­ra rea­li­za­da por em­pre­sas pe­rua­nas, sob re­gi­me de con­ces­são. Bas­ta ver o exem­plo de em­pre­sas que fa­zem ma­ne­jo flo­res­tal em ter­ri­tó­rios de seis co­mu­ni­da­des na­ti­vas Asha­ninka, Ja­mi­na­wa e Amahua­ca. A am­plia­ção da ex­tra­ção de ma­dei­ra, aler­ta o gru­po, tem ocor­ri­do tam­bém nas Re­ser­vas Ter­ri­to­riais Mu­ru­nahua e Mashco-Pi­ro e no Par­que Na­cio­nal Al­to Pu­rus, ter­ri­tó­rios de ha­bi­ta­ção de ín­dios iso­la­dos Mu­ru­nahua e Chi­to­naua, re­sul­tan­do em res­tri­ções ter­ri­to­riais, con­ta­tos for­ça­dos e tra­ba­lho es­cra­vo. "Nos­sos ir­mãos pe­rua­nos es­tão en­fren­tan­do as mes­mas con­di­ções que vi­ve­mos aqui nas dé­ca­das de 1970 e 80. Es­ta­mos mui­to preo­cu­pa­dos", diz.

A preo­cu­pa­ção se es­ten­de tam­bém à ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo na sel­va pe­rua­na. Em maio des­te ano, o go­ver­no da­que­le país anun­ciou a aber­tu­ra de pro­ces­sos de li­ci­ta­ção pa­ra a ex­plo­ra­ção do óleo em mais 10 mi­lhões de hec­ta­res em cam­pos na Ama­zô­nia, in­cluin­do ter­ras Asha­ninka. Um mês de­pois, um bar­co já ha­via der­ra­ma­do 63 mil li­tros de óleo na Ama­zô­nia pe­rua­na.

Com a re­per­cus­são do fa­to, em­pre­sas de ex­plo­ra­ção de pe­tró­leo e gás fo­ram proi­bi­das de ope­rar nu­ma re­ser­va de ín­dios iso­la­dos da Ama­zô­nia pe­rua­na. A maior par­te da área da re­ser­va foi li­be­ra­da pa­ra a ex­plo­ra­ção da Pe­tro­bras. Apro­vei­tan­do a le­gis­la­ção pe­rua­na, a em­pre­sa bra­si­lei­ra tor­nou-se, em de­zem­bro de 2005, con­ces­sio­ná­ria de uma área de 1,4 mi­lhão de hec­ta­res de flo­res­ta na­ti­va, por um pe­río­do de 40 anos.

O lo­te é so­bre­pos­to à Re­ser­va Ter­ri­to­rial Mu­ru­nahua e a ter­ri­tó­rios de co­mu­ni­da­des Asha­ninka, Ja­mi­na­wa e Amahua­ca, já ti­tu­la­dos ou rei­vin­di­ca­dos no Pe­ru. A les­te, a área es­ta­ria so­bre­pos­ta à zo­na de amor­te­ci­men­to da Re­ser­va Ter­ri­to­rial Mashco-Pi­ro, cria­da em 1997 pa­ra pro­te­ger gru­pos iso­la­dos Mashco-Pi­ro. Um de­les ha­bi­ta a tri­bo Mu­ru­nahua. Quan­do fo­ram con­ta­ta­dos pe­la pri­mei­ra vez, em mea­dos da dé­ca­da de 1990, na­da me­nos que 50% de sua po­pu­la­ção mor­reu.

Saiba mais:

A área de ocupação dos Ashaninka estende-se desde a região do Alto Juruá, em terras brasileiras, até as vertentes da cordilheira andina, no Peru. Abrange parte das bacias dos rios Urubamba, Ene, Tambo, Alto Perene, Pachitea, Pichis, Alto Ucayali, e as regiões de Montaña e do Gran Pajonal. A maior parte dos Ashaninka - cerca de 80 mil pessoas - vive no Peru. Aqui, cerca de 1.300 Ashaninkas vivem em Terras Indígenas distintas e descontínuas, todas situadas na região do Alto Juruá.

22/11/2010

Benki Piyãko em entrevista à UnBTV fala sobre o encontro de saberes e diferentes culturas

Programa especial da UNBTV sobre a participação do mestre e agente agroflorestal Benki Piyãko no Encontro de Saberes. O projeto Encontro de Saberes - Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais é uma iniciativa do Ministério da Cultura com a Universidade de Brasília.







17/11/2010

Programa apresenta documentário realizado por cineastas Ashaninka


Uma Aldeia Chamada Apiwtxa

O programa A’Uwe deste domingo (21) apresenta mais uma produção realizada por índios do povo Ashaninka que vive no Vale do Rio Amônea, no estado do Acre. Neste documentário inédito, a nova geração de cineastas Ashaninka revela o dia a dia da aldeia Apiwtxa, com alguns de seus personagens mais pitorescos.

Horário: Domingo às 16h00

Uma Aldeia Chamada Apiwtxa. Direção: Coletivo Ashaninka de Cinema. Ano: 2010. Produção e distribuição: Vídeo nas Aldeias.

16/11/2010

Brasil: Índio, Internet e Interculturalidade

Photo by Lorena Medeiros

por Elisa Thiago, Global Voices, 14/08/2010

A noção presente no imaginário popular brasileiro de que o índio deixa de ser índio no momento que adota costumes e tecnologias de herança ocidental é contraposta pela prática, cada vez mais difundida nas aldeias indígenas, de utilizar ferramentas de tecnologia de informação exatamente com o intuito de tornar mais eficiente a defesa do estilo de vida e da cultura indígenas.

No Taqui Pra Ti, encontramos um artigo do Prof. José Bessa Freire, coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO). Nele, o autor discute a apropriação indígena dos veículos de mídia cidadã disponíveis na Internet e a utilização de conteúdos multimída com o intuito de promover a socialização, reivindicar direitos e afirmar a identidade indígena no ciberespaço:

"No Brasil, índios de diferentes línguas e etnias foram estimulados a usar a Internet por organizações governamentais e não governamentais. Embora a situação ainda seja bastante precária, inúmeras das 2.698 escolas indígenas existentes nas aldeias, frequentadas por mais de duzentos mil alunos, foram dotadas de computadores. Ali onde isso não foi possível, os computadores dos postos de saúde da Funasa foram disponibilizados dentro dos Pontos de Cultura no Programa Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão."

Com o aumento de acesso a computadores, os primeiros sítios indígenas na Internet surgiram em 2001. Segundo Eliete Pereira, do Centro de Pesquisa Atopos, da Escola de Comunicação e Artes/Universidade de São Paulo, a presença indígena na net ainda é bastante irregular. No mapeamento que fez da participação indígena na Internet, Eliete encontrou três tipos de sítios: os sítios pessoais, os sítios de etnias e os sítios de organizações indígenas.

Os usuários de sítios pessoais utilizam a Internet de forma inovadora para mostrar a produção indígena individual. Nesta categoria, encontramos o sítio, por exemplo, do escritor Daniel Munduruku e da escritora Eliane Potiguara que apresentam os seus livros e dialogam com seus leitores. Também nesta categoria, vamos encontrar os blogs de grandes líderes indígenas como Ailton Krenak.

Já os sítios de diferentes etnias indígenas são criados com o intuito de alcançar uma maior visibilidade indígena no cenário nacional e internacional por meio da divulgação da arte, do artesanato, dos padrões gráficos, das narrativas e da língua de cada etnia. É o caso dos Baniwa, dos Ashaninka e de tantos outros que, após terem participado, em 2005 no Rio de Janeiro, das discussões sobre o acesso indígena à tecnologia da informação e à internet, assim como do lançamento do Portal Rede Povos da Floresta, passaram a fazer uso dessas ferramentas digitais como parte de projetos educacionais de base intercultural com o apoio do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e de ONGs como, por exemplo, o Instituto Socioambiental.

Por fim, os sítios de diferentes organizações indígenas são mantidos na rede por instituições representativas de diferentes etnias cuja abrangência pode ser local, regional ou nacional e que estão associadas à conquista por direitos pela terra, pela educação bilíngue e pela saúde da população indígena. Esses sítios constituem-se em ferramentas de reivindicação e ação política. É o caso, por exemplo, do portal da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira - COIAB, do Indios Online ou o da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro - FOIRN.

Leia mais aqui!

12/11/2010

Uma aldeia chamada Apiwtxa


Uma Aldeia Chamada Apiwtxa
(Brasil, 2010, Doc, 51’, Txirotsi Ashaninka – PE)

A nova geração de cineastas Ashaninka revela o dia a dia da aldeia APIWTXA, no rio Amônia no Acre, com alguns de seus personagens mais pitorescos.

Saiba mais aqui:
Vídeo nas Aldeias e
Amazônia Doc.2 Festival Pan-amazônico de Cinema

Uma aldeia chamada Apiwtxa na Mostra da Amazônia

Gêneros se misturam na mostra Amazônia

Diário do Pará, 12/11/2010


A programação de hoje da Mostra Especial Amazônia Doc.2, que segue até domingo, no Cine Olympia, exibe os filmes “Limite”, de Felipe Filgueiras (SP); “Uma aldeia chamada Apitwtxa”, de Txirotsi Ashaninka (PE); “Só não tem quem não quer”, de Hildalgo Romero (SP); e “Inocente”, de Thiago Luciano e Beto Schultz (SP).

Desenvolvido através do projeto ‘Vídeo nas Aldeias’, o média-metragem “Uma aldeia chamada Apitwtxa” é uma produção realizada pela nova geração de cineastas Ashaninka.

O filme registra o cotidiano da tribo, mostrando também um pouco do histórico da etnia. O filme será exibido na segunda sessão de hoje da Mostra Especial, a partir das 19h30.

O povo da aldeia Apitwtxa habita a região de Marechal Thaumaturgo, município no estado do Acre, uma das regiões de maior biodiversidade do planeta. O povo Ashaninka, situado em territórios do Acre e do Peru, se considera como guardião da floresta, e, desde 1980, vem combatendo a exploração de madeiras, além de desenvolver técnicas de manejo sustentável.

Além de “Uma aldeia...”, os Ashaninka também já produziram “A gente luta mas come fruta” (2006); “Caminho para a vida”, “Aprendizes do Futuro”, e “Floresta Viva” em 2004; “Índios no Brasil. 10. Nossos direitos” (2000), em parceria com as tribos Kaiowá, Kaxinawá, Yanomami e Kaingang; e “No tempo das chuvas”, também em 2000.

As outras três produções que o público poderá conferir hoje no Cine Olympia vêm de São Paulo. Em pouco mais de 15 minutos, Felipe Filgueiras, diretor de “Limite”, conta a história de Ivan, funcionário de um escritório que segue a mesma rotina há muito tempo, e que, apesar de não gostar de seu trabalho, agüenta as intempéries do chefe sem reclamar. Quando essa situação atinge um nível insuportável para Ivan, ele começa a pensar em soluções extremas para sair dessa situação.

Como lidar com o autocontrole também é tema predominante em “Só não tem quem não quer”, de Hildalgo Romero. Um pequeno acontecimento na vida de Anderson faz com que as coisas percam o sentido e tudo pareça estar errado. Confuso, o protagonista opta pelo único caminho que lhe parecia possível: transbordar a raiva silenciosa e corrosiva que estava guardando.

Em “Limite”, de Thiago Luciano e Beto Schultz, a discussão vai mais além. Mais do que lidar com suas próprias emoções e com sua capacidade de autodomínio, o curta traz ao público a reflexão sobre quem realmente somos. A partir da incapacidade de lidar com um erro, o filme constrói uma narrativa que confronta a realidade humana com a sua ideia de perfeccionismo dos indivíduos. Em jogo estão dois ideais: aquele de como deveríamos ser, e aquele de como realmente somos.

ASSISTA

A Mostra Especial Amazônia Doc.2 segue em cartaz no Cine Olympia até domingo (14). Serão realizadas duas sessões por dia: uma às 17h e outra às 19h30 . Para ver a programação completa, acesse o site http://www.amazoniadoc.com. A entrada é franca.

01/11/2010

Uma Aldeia Chamada Apiwtxa


O programa A’Uwe, da TV Cultura, apresentado por Marcos Palmeira, exibirá o documentário produzido pelo Coletivo Ashaninka de Cinema com o Vídeo nas Aldeias: “Uma Aldeia Chamada Apiwtxa”. Dia 14/11/2010.

"Nós do A’Uwe somos grandes admiradores do trabalho da Associação e de toda a cultura do povo Ashaninka!"

20/09/2010

Viagem à Floresta, por Benki Piyãko



Viver na floresta é o verdadeiro paraíso quando sabemos respeitá-la, porque a beleza está em tudo quando sabemos usar.

Quero aqui mandar minha mensagem de uma semana que passei com os mestres na floresta, ensinado os jovens, essa criançada de nosso povo Ashaninka, de como devemos viver com o mundo encantado da Amazônia.

Este encanto está em nossa própria vida, por isso que eu o amo de verdade, e para que isso permaneça para minha futura geração.

Pude ouvir histórias lindas e ouvi gritos e falas de sabedoria vindos dos mestres, como viessem saindo de dentro daquele verdadeiro paraíso. Vendo o anoitecer, a lua brilhar, o sol nascer, os animais na floresta contar, que beleza de fazer coração chorar.

Este mundo é sem maldade. Assim quero viver milhões de décadas com esta história sendo revelada e mostrando porque amamos tanto a floresta.

Peixe, veado, porco, jacaré, passarinho, onça e tatu, entre outros, estava em nosso banquete. Trinta jovem e oito mestres estavam junto nesta imensa história sem fim.

Vivenciei revelações do começo do mundo, parecia que estava tudo começando de novo, olhando fora da floresta e o que está acontecendo com o mundo e a terra, sentindo uma dor que só faltou chorar de tanta tristeza com a destruição.

Mas não vou deixar de viver o que aprendi e nem deixar de ajudar o mundo que está pedindo paz.

Mando em anexo algumas fotos dessa exuberante viagem, no meio da natureza.

Forte abraço a todos,

Benki Piyãko

06/09/2010

Comitiva do MinC é recebida com festa na aldeia Apiwtxa



por Carolina Monteiro, com fotos de Pedro França, Comunicação Social/MinC, Ministério da Cultura, 06/09/2010.

Na quinta-feira, 2 de setembro, segundo dia da passagem da comitiva do Ministério da Cultura pelo Acre, as atividades começaram cedo. Às 6h30, todos já estavam de pé para tomar o café da manhã no refeitório do Centro Yorenka Ãtame e, logo depois, seguir para os barcos que esperavam na beira do Alto Juruá. O destino era a aldeia Apiwtxa, da comunidade Ashaninka, localizada às margens do Rio Amônea, a três horas e meia dali.

Essa foi a segunda visita de um ministro da Cultura à aldeia dos Ashaninka, no Acre. A primeira foi em 2008, quando Gilberto Gil ainda ocupava o cargo. Na ocasião, o então secretário executivo Juca Ferreira não pôde acompanhá-lo.

A subida pelo rio, com a comitiva dividida em diversos barcos, é longa. No caminho, muitos troncos encontram-se caídos nas águas. É o reflexo do desmatamento desordenado e da erosão das margens, devido à época de pouca chuva. Os barcos foram chegando aos poucos, e, no alto de um barranco, muitas crianças esperavam a comitiva. Com olhares curiosos, um pouco envergonhadas, acompanharam a chegada de cada um.

Kaiaçuma e tambores

Já no pátio onde a festa aconteceria, o ministro da Cultura foi recebido com frutas e kaiaçuma, uma bebida feita à base de mandioca fermentada e água. Como a ocasião era especial, a irmã de Benki e Francisco, Dora, havia preparado quase 300 litros dela (o líquido é preparado em caixas d´água com 150 litros, cada).

E foi assim, entre goladas de kaiaçuma, sempre servida em cumbucas por uma jovem índia, e as cores e a alegria contagiante do povo Ashaninka, que os irmãos Pyanko apresentaram um pouco de sua cultura e de seus costumes a Juca Ferreira e à comitiva que o acompanhava.

Após o almoço e uma breve sesta, Benki e Francisco convocaram todos da comunidade para formar uma grande roda no pátio para uma conversa. Eles queriam apresentar todos do Ministério da Cultura ao seu povo. Para que a comunicação fosse geral, falaram em português e em aruak.

Francisco fez uma fala emocionada sobre a trajetória de sua família. “Isso que estou relatando para vocês é pouco, perto do que passamos. Vi meu pai ser enganado por seringueiros e nossas mulheres, maltratadas. Ainda muito jovem, comecei a seguir as orientações do meu avô e da minha mãe, de começar um diálogo com o povo branco e, assim, tentar buscar uma relação de equilíbrio entre nós”, contou.

O filho mais velho de Antônio e Francisca, o casal que deu início a esse processo de aproximação entre índios e não índios, hoje, praticamente não mais vive na aldeia, e parece sentir uma certa amargura em relação a isso. No entanto, ele sabe que essa foi uma missão traçada pelo seu avô, Samuel Pyanko, para salvar sua comunidade. “Me afastar daqui, ter que aprender a lidar com a cultura lá de fora, me custou muito. Hoje, venho para a aldeia a cada dois, três meses, e fico apenas poucos dias. Mas tem que ser assim”, disse.

Já Benki explicou à comunidade a importância do apoio do Ministério da Cultura nas conquistas realizadas por eles. “Queremos que essa parceria seja apenas o começo. Acreditamos na possibilidade de uma convivência harmoniosa para o bem da nossa floresta”.

Costumes Ashaninka

O povo Ashaninka tem descendência andina, vindo de territórios, hoje, localizados no Peru. Os homens usam vestes de cores claras, salpicadas por desenhos de diferentes formatos e cores, feitas com um tecido fabricado por eles mesmos. Já as mulheres usam tecidos mais escuros, comprados nas zonas urbanas. Todos se embelezam com a ajuda de acessórios como pulseiras, brincos e colares muito coloridos, feitos, principalmente, com miçangas, sementes, folhas e penas. Seus rostos estão quase sempre pintados de urucum.

É costume da comunidade que meninos por volta dos 12 anos já comecem a construir a casa onde, futuramente, morarão com suas esposas. O namoro começa cedo, por volta dos 13, 14 anos, e em poucos meses já vira casamento. As moças ashaninkas tornam-se mães muito jovens e têm vários filhos. No entanto, aos homens é permitido ter mais de uma mulher, desde que eles tenham condições de sustentá-las.

Na aldeia Apiwtxa, todos falam o aruak. As crianças começam a aprender o português só por volta dos 10 anos. Os mais velhos são respeitados e são símbolos de sabedoria. Para eles, a palavra “envelhecer” não faz o menor sentido. O correto, segundo Benki, é “ficar carregado de sabedoria”. A alegria e o sorriso parecem uma marca registrada da comunidade. Todos são muito falantes, não importa a idade. Eles não seguem o calendário romano e não tiram o sábado e o domingo para descansar. Todos os dias são de trabalho e podem ser, também, de diversão.

A equipe do MinC, junto ao ministro Juca Ferreira, passou a noite na aldeia e dormiu em redes, em uma casa de arquitetura típica dos Ashaninkas, sem paredes e alta, como palafitas (é uma prevenção contra os períodos de cheia do rio). Logo após a roda de conversa, todos jantaram, e a batucada de alguns tambores começou. Índios e não-índios dançaram, riram, se divertiram e aprenderam um pouco mais uns com os outros.

Às 6h30 da manhã da sexta-feira, 3 de setembro, a claridade já despontava e acordava quem não tinha agüentado passar a noite em claro. Foi o momento de passear mais um pouco pela aldeia, tomar um café-da-manhã típico e se despedir – mas uma despedida mais para ‘até breve’, já que o Ministério da Cultura acompanhará a construção do Centro de Cultura da Floresta pelos próximos anos.

Mais fotos, aqui.

01/09/2010

Ministro Juca Ferreira assina acordo para criação de Centro de Cultura da Floresta e anuncia resultado


Página 20 Online - 01/09/2010

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, assina, nesta quarta-feira, 1º de setembro, às 9h, no Palácio Rio Branco, acordo para a criação do Centro de Cultura da Floresta, no Acre, - parceria entre o Ministério da Cultura e a Associação de Cultura e Meio Ambiente - que beneficiará 220 mil pessoas. O ministro também anuncia o resultado do edital Microprojetos Mais Cultura para Amazônia Legal.

Centro de Cultura da Floresta - O Estado do Acre será beneficiado com o Centro de Cultura da Floresta, a partir de assinatura de acordo entre o Ministério da Cultura (MinC) e a Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA). A parceria beneficiará 220 mil pessoas, como os indígenas da etnia Ashaninka, responsáveis pela manutenção e desenvolvimento do Centro Yorenka Ãtame, que significa “Saberes da Floresta”, na língua aruak.

A meta é construir um espaço multiuso com auditório, estúdio de gravação musical e sonorização, camarim, depósito para materiais e um Teatro Arena. “Por uma questão de preservação da tradição todas essas instalações serão desenvolvidas dentro do formato da arquitetura dos Ashaninkas”, observa João Augusto Fortes, coordenador executivo do projeto. A infraestrutura, orçada em R$ 4,7 milhões, será implementada ao longo de três anos e vai permitir a fomentação de projetos artísticos, cursos de formação em gestão de projetos culturais e na área de políticas públicas em diferentes módulos, além do fortalecimento da comunicação local.

A parceria do MinC com a ACMA irá beneficiar diretamente mais de 6 mil habitantes de 16 povoados da etnia Ashaninka na região - parte no Brasil, parte no Peru - e outras 9 mil que vivem na reserva extrativista da bacia do Alto Juruá. “O Centro Yorenka Atãme já é uma referência. Não apenas no Acre, mas em outros estados como Rondônia, Roraima, Amazônia e, pela proximidade com a fronteira, até com o Peru. Então essa infraestrutura trará benefício para aproximadamente 220 mil pessoas entre comunidade indígena e não índios”, acredita João Fortes.

Idealizado em 2007 por sete irmãos da família Pianko Ashaninka, o Centro Yorenka Ãtame funciona como um espaço de formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região. Aberto para jovens e adultos, o Centro, à margem direita do rio Juruá, em frente do município de Marechal Thaumaturgo (AC), desenvolve trabalhos nas áreas de proteção da biodiversidade, do meio ambiente, manejo de recursos, práticas agros florestais e outras.

Microprojetos para Amazônia - Através do edital Microprojetos para Amazônia Legal foram selecionados, ao todo, 753 projetos de artistas, grupos artísticos independentes e produtores culturais da região amazônica. Os investimentos do MinC somam R$ 11,43 milhões.

O primeiro edital da pasta destinado à Amazônia Legal recebeu 2.702 propostas. Foram beneficiados projetos em todos os nove estados da região amazônica: 26 do Acre, 14 do Amapá, 70 do Amazonas, 159 do Maranhão, 141 do Mato Grosso, 132 do Pará, 53 de Rondônia, 24 de Roraima e 134 do Tocantins.

Os 26 projetos do Acre vão receber pouco mais de R$ 338 mil e beneficiar 16 municípios. As iniciativas selecionadas receberão até 35 salários mínimos, valor máximo estabelecido no edital. A ação conta com o apoio da Funarte, Banco da Amazônia (BASA) e dos governos estaduais da região amazônica.

Ação do Programa Mais Cultura, o edital Microprojetos para Amazônia Legal visa fortalecer e apoiar a diversidade cultural da região amazônica por meio do financiamento não-reembolsável de projetos. As propostas contempladas têm como beneficiários ou proponentes jovens entre 17 e 29 anos que residem na região.

A relação dos selecionados poderá ser consultada nas páginas eletrônicas do Ministério da Cultura (www.cultura.gov.br), do Programa Mais Cultura (http://mais.cultura.gov.br) e da Funarte (www.funarte.gov.br).

31/08/2010

Yorenka Ãtame: Centro de Cultura da Floresta

Espaço multiuso beneficiará 220 mil pessoas no estado do Acre


por Comunicação Social/MinC, 30/08/2010

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, assina nesta quarta-feira (1º de setembro), às 9h, no Palácio Rio Branco, na capital acreana, acordo entre o Ministério da Cultura e a Associação de Cultura e Meio Ambiente (ACMA), para a criação do Centro de Cultura da Floresta, no estado. A parceria beneficiará 220 mil pessoas, como os indígenas da etnia Ashaninka, responsáveis pela manutenção e desenvolvimento do Centro Yorenka Ãtame, que significa ‘Saberes da Floresta’, na língua aruak.

A meta é construir um espaço multiuso com auditório, estúdio de gravação musical e sonorização, camarim, depósito para materiais e um Teatro Arena. “Por uma questão de preservação da tradição todas essas instalações serão desenvolvidas dentro do formato da arquitetura dos Ashaninkas”, observa João Augusto Fortes, coordenador executivo do projeto. A infraestrutura, orçada em R$ 4,7 milhões, será implementada ao longo de três anos e vai permitir a fomentação de projetos artísticos, cursos de formação em gestão de projetos culturais e na área de políticas públicas em diferentes módulos, além do fortalecimento da comunicação local.

A parceria do MinC com a ACMA irá beneficiar diretamente mais de seis mil habitantes de 16 povoados da etnia Ashaninka na região - parte no Brasil, parte no Peru - e outras nove mil que vivem na reserva extrativista da bacia do Alto Juruá. “O Centro Yorenka Atãme já é uma referência. Não apenas no Acre, mas em outros estados como Rondônia, Roraima, Amazônia e, pela proximidade com a fronteira, até com o Peru. Então essa infraestrutura trará benefício para aproximadamente 220 mil pessoas entre comunidade indígena e não índios”, acredita João Fortes.

Centro Yorenka Ãtame

Idealizado em 2007, por sete irmãos da família Pianko Ashaninka, o Centro Yorenka Ãtame funciona como um espaço de formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região. Aberto para jovens e adultos, o Centro, à margem direita do rio Juruá, em frente do município de Marechal Thaumaturgo (AC), desenvolve trabalhos nas áreas de proteção da biodiversidade, do meio ambiente, manejo de recursos, práticas agros florestais e outras.

Mais informações: (61) 2024-2407, na Comunicação Social/MinC.

27/08/2010

A Segunda Turma, por unanimidade, rejeitou o recurso de Oleir Cameli e Abrahão Cândido






Amigos,

a todos que acompanharam solidários a nossa luta, divulgamos o resultado do julgamento da tarde de ontem, feito pela Segunda Turma do STJ, do recurso de Oleir Cameli e Abrahão Cândido contra o povo Ashaninka:

RESULTADO DE JULGAMENTO FINAL: "PROSSEGUINDO-SE NO JULGAMENTO, APÓS O VOTO-VISTA DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, ACOMPANHANDO A SRA. MINISTRA ELIANA CALMON, A TURMA, POR UNANIMIDADE, REJEITOU OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, NOS TERMOS DO VOTO DA SRA. MINISTRA-RELATORA." - PETIÇÃO Nº 292063/2009 - EDCL NO RESP 1120117

Agradecemos o apoio e a solidariedade que recebemos de tantos lados e pela visibilidade que deram ao caso.

30 anos de ausência, morosidade e impunidade começou a ter fim nessa tarde.

Confiamos na Constituição Federal, confiamos na Justiça brasileira, e esperamos, assim como o Brasil espera, que os criminosos Oleir Cameli e Abrahão Cândido sejam punidos e condenados a reparar todos os seus crimes.


26/08/2010

30 anos de ausência, morosidade e impunidade podem ter fim nesta tarde






Amigos,

a vocês que acompanham solidários a nossa luta, informamos que o Recurso de Oleir Cameli e Abrahão Cândido contra o povo Ashaninka será julgado hoje (26/08/2010) pela Segunda Turma do STJ.

Pedimos que acompanhem e divulguem amplamente o resultado.

30 anos de ausência, morosidade e impunidade podem ter fim nesta tarde, se houver Justiça no Brasil.